Trabalhos laboratoriais de TDE homenageiam Amália Rodrigues

Os projetos finais de Teorias do Drama e do Espetáculo, unidade curricular de Ciências da Comunicação, dedicaram-se este semestre ao estudo de Amália Rodrigues, no ano em que se assinala o centenário do nascimento da artista.

Com a temática “Amália e os Media: Um Ensaio Expandido: representações, performances e performatividades”, proposta pela professora Cláudia Madeira, os estudantes dedicaram-se a olhar, através de curtas-metragens, as múltiplas representações de Amália Rodrigues, desde a sua faceta mais íntima à construção da sua celebridade nos jornais e revistas, mas também as novas interpretações e performances artísticas inspiradas no legado da fadista.  

O tema tem vindo a ser explorado ao longo dos últimos meses por Cláudia Madeira, também investigadora no ICNOVA, através de um ciclo que reuniu diversos especialistas sobre a vida e obra de Amália, como Rui Órfão (Administrador da Fundação Amália Rodrigues), Miguel Carvalho (jornalista), Emília Tavares (curadora), Rui Vieira Nery (musicólogo) e Margarida Mestre (performer).

 

Tempo das Cerejas

Grupo 1: Ana Lagarto, Ana Romão, Bruna Zacarias, Filipa Borges, Joana Guimarães, Joana Lourenço, Madalena Parafitas , Maria Martins, Maria Inês Diniz, Marta Mousaco Patrícia Marques e Simão Vitorino

«Amália é mais do que um fado desconsolado, que um Portugal sentido, que uma artista intemporal; é uma estranha forma de vida, é saber ser-se para lá do possível – não tem tempo, não tem espaço. Amália Rodrigues vive em muitos: no fado, na dança, no cinema, na poesia; no amor, na tristeza, numa eterna incerteza. Mais do que pensá-la, é urgente senti-la, entendê-la não enquanto personalidade, mas enquanto fenómeno. Tal como uma flor de cerejeira, Amália floresce na nossa alma: influencia e pauta o imaginário de diversos campos de produção artística e o de uma Lisboa que “já tem Sol mas [ainda] cheira a Lua”. Uma ode arrojada à fadista que resiste ao desgaste dos anos. Silêncio, que se vai sentir Amália!»

 

Malmequer

Grupo 2: Beatriz Rodrigues Soares, Joana Spranger Canhão, Liliana Ferreira, Mariana Retorta, Mariana Rodrigues, Mariana Ribeiro da Costa, Maura de Oliveira Francisco, Nuno Augusto Cavaco e Raquel Lopes do Carmo

«O espírito de Amália retorna ao plano físico dias antes do seu centenário e assombra um realizador principiante, Eduardo, que fora convidado a produzir um documentário para a homenagear. Juntos embarcam numa viagem repleta de memórias, boatos e simbolismos, na qual a fadista testemunha as inovações do presente e se tenta encaixar nas novas formas de ver o mundo. Amália ensina algumas lições valiosas ao protagonista, com quem cria uma forte ligação. No final da viagem, cabe a este decidir que rumo quer realmente tomar.»

 

O Fado Que nos Resta

Grupo 3: Ana Beatriz Pereira, Ana Eleutério, Ana Salomé Rita, Catarina de Almeida Valada, Eva Pereira da Costa, Francisca de Oliveira Dias, Maria de Matos Almeida, Leonor Moura, Marta Barreiros Pereira e Pedro Alves Godinho

«O fado, que era dos pobres e dos marginais, perdeu-se em pontos turísticos de uma Lisboa elitizada. E de Amália, que celebra este ano o seu centenário, pouco resta senão o que ficou de uma imagem mascarada pelos media. É num trabalho acidentalmente arqueológico que o seu próprio fado ganha vida e vagueia pelas ruas descaracterizadas de Lisboa, procurando por traços da artista que o criou nas “ruínas” da cidade boémia, onde o verdadeiro fado nasceu. (…)»

 

Amália, eu te pertenço

Grupo 4: Mariana Cristo, Joana Figueiras, Ricardo Mota, Clarisse Borges Martins, Maria Inês Pinto, Paloma Ciamponi Fernandes Martins, Lourena Macaringue, Sónia Jacinto Lima, Fernanda Takegami Marconi, Melissa Corrêa de Almeida Rodrigues, Luís Aleluia, Gilberto Djacari e Bruno Motta

«No ano em que é celebrado por toda parte, e por diversos meios, o centenário do nascimento da artista Amália Rodrigues, o presente trabalho pretende refletir sobre o distanciamento existente entre o ícone “Amália” – a sua performance e a representação pública – e o Sujeito que lhe dá forma e o sustenta. Parte-se de um espetáculo feérico realizado em 1990, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, por ocasião dos seus 50 anos de carreira (completamente esgotado com uma plateia em êxtase que, de certa forma a entroniza, onde foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada). O espetador é conduzido pelos olhos de Amália do palco onde se realiza e é feliz, ao camarim onde se despe da “máscara” e reassume a tristeza de uma solidão povoada. Pelo meio, no percurso, encontra o circo mediático dos media e dos fãs que nunca a abandonaram.»

 

Impasse

Grupo 5: Ana Rita Pádua, Bernardo Martin, Carolina Conceição, Diogo Mendes, Francisco de Assis, Isabel Mota, Liliana Marques, Mafalda Carvalhal, Mafalda Lisboa, Maria Gonçalves, Margarida dos Santos e Susana Ramos

«Artista. Mulher. Controversa. Uma pessoa, várias facetas. Um ícone nacional que chega a todos no seu país e o faz chegar ao mundo. De Lisboa, menina e moça, às grandes salas de espetáculo no Japão. Um símbolo da liberdade e, paradoxalmente, do regime que a suprime. Quem é Amália Rodrigues? Após a sua morte, um pescador, uma fadista, um ex-preso político e um agente do Estado Novo reúnem-se para tentar desvendar o mistério de uma incontornável figura da cultura portuguesa.»

 

O Abandono

Grupo 6: Dionys Campos, Alexandre Sequeira Ribeiro, Carolina Narciso, Diana Silva e Neves, Gonçalo Patrão, José Paulo Maeiro, Lara, Maria Antónia Dale, Maria José Fernandes, Rodrigo de Oliveira Moreira, Rúben José Ferreira e Edgar Lima e Silva

«António e Helena são um casal de apaixonados pela cultura portuguesa e especialmente pela obra e figura de Amália Rodrigues. No entanto, o amor entre os dois está perto do fim. No meio dessa crise amorosa, os dois relembram o começo do seu amor que teve como faísca inicial as músicas de Amália. Os versos da cantora acompanham a vida do casal desde os momentos mais apaixonados até aos momentos de ruína. Nesses tempos de separação, ambos tentam refletir onde foi que se perderam um ao outro nessa caminhada, conversando com amigos e tendo como voz da consciência a própria Amália Rodrigues, que se personifica na mente do casal.»

 

A Máscara da Felicidade

Grupo 7: Bárbara Véstia, Carolina da Cunha, Filipe Araújo e Silva, Joana Paraíso Jorge, João Gama, Mihaela Sabrina Nechifor, Pedro Vitorino, Rui Louro Borges, Telmo Moz Costa, Vitor Ramos dos Santos e Yosseri Miranda Oukili

«Em Amália temos muita portugalidade: uma personalidade que espalha a pátria no mundo; um traço sonoro que caracteriza o estado de espírito nacional. Mas o que será feito de um símbolo que tanto diz aos portugueses e, que, no entanto, tem tantas facetas que desconhecemos? Será uma positividade individual ou uma pessoalidade melancólica? Representamos isto numa jovem, que acorda de manhã e se sente feliz com o dia que a espera. Tudo parece normal e a vida corre-lhe bem: tem amigos, uma família feliz e sente que consegue alcançar os seus objetivos. Mas até que ponto o destino poderá mexer com as suas expectativas? Com a sua noção de si? O que se vê com o passar das horas é um estado de espírito que se reflete na perceção que os outros têm de si; porque quando eles já lá não estão, a vida transforma‐se noutra: a luz dá lugar à escuridão, a alegria à apatia, a agitação aos vícios da solidão.»

 

再遇见. (Re)Encontros

Grupo 8: Beatriz Ribeiro, Constança Matos, Diogo Vieira, Duarte Rosa, Filipa Pontes Rosa, Hugo Casaca, Inês Caseiro, Joana Cavaco, Rita Pinote, Sara Pinto de Sousa e Zichao Ye

«Um estrangeiro chega a Portugal e, não sendo conhecedor da cultura do país, depara-se pela primeira vez com o fado de Amália Rodrigues. Curioso, Shen Ming dá início a uma longa pesquisa pelo universo português. A partir de fragmentos da vida e da obra de Amália e simbolismos associados, dispõem-se outras histórias em paralelo, ligadas por um único fio condutor. Cada personagem, perante um elemento da pesquisa de Shen, representa uma particularidade de Amália – a tristeza, a saudade, a superação de uma relação amorosa e a solidão – com os quais facilmente nos identificamos. Um cantor de café do Bairro, um casal afastado pela pandemia, uma rapariga que enfrenta uma separação e outra que sofre perdida na solidão. Aparentemente não têm nada a ver umas com as outras mas, no fundo, a Amália está em todos nós.»

 

Somos Feitos de Memórias

Grupo 9: Beatriz Cabanilhas, Catarina Chefe, Gabriela Dias, Jéssica Ângelo, João Pedro dos Santos, Rita Alexandra Coutinho, Mariana Sousa Lomba, Inês Silva Oliveira, Andreia Filipa Fernandes e Sofia Castellar

«Se estás a ler isto, então sê bem-vindo a uma viagem conjunta pelo mundo da memória. Hoje em dia somos privilegiados por podermos ter à distância de nada uma memória palpável como uma fotografia, um vídeo, uma gravação. Podemos ouvir uma música vezes sem conta ou conhecer, em pleno 2020, artistas dos anos 60 que já não se encontram connosco fisicamente, mas que sempre chegaram a nós através daquilo que melhor faziam. A viagem que hoje fazemos tem como objetivo revisitar a Amália que, através da sua voz e de forma especial, viverá para sempre na memória de avós, mães, filhos, senhoras sentadas em ruelas lisboetas e senhores ao final de tarde num café de esquina. A viagem de hoje é sobre a memória, mais especificamente como a Amália a faz despertar através da sua voz, demonstrando como nós, enquanto seres humanos, somos definidos por momentos que se tornam intemporais. Preparado?»

 

Uma casa portuguesa, com certeza?

Grupo 10: Adriana Simões, Ana Machado, Ana Rita Cruchinho, Carolina Almeida, Carolina Paquete, Daniela Sarine, João Miguel Gomes, Maria Telleria, Nuria Pérez Garrido e Sara Martínez Cortés

«Amália Rodrigues, já no final da sua carreira, ouve “Uma Casa Portuguesa” e é transportada para Portugal da década de 50 em pleno Estado Novo. As imagens evocadas pela canção de uma casa portuguesa pobre e modesta entram em contraste com a casa em que a cantora vivia. Num gesto simbólico, Amália quebra o LP de “Uma Casa Portuguesa”»
 

 

Bicha: Amália e as representações queer

Grupo 11: Ana Hermeto Kubrusly, Andreia Galvão, Edilson Silva Fernandes, Lara Pereira Pontes, Luís Poupas Hilário, Luzia Lambuça, Maria De Abreu, Pedro João Santos, Pedro Fernandes Almeida e Simão Matias Chambel

«A certo ponto da nossa história, o ícone de Amália foi reapropriado, de forma bastante original, pela comunidade LGBT. Experiências contemporâneas de ligação do fado à performatividade de género e da sexualidade levam-nos a crer que este é um fenómeno bastante recente. No entanto, o diálogo da figura de Amália com a comunidade não é novo. Tendo por base um tratamento documental, esta curta-metragem terá como fim compor a história da aproximação entre esses dois pólos, aparentemente tão distantes. Começará por apresentar, sucintamente, a origem mais gritante desta relação, a partir da figura de Variações, partindo então para a exploração de experiências mais recentes. O objetivo é entrevistar o duo Fado Bicha, um grupo de fadistas LGBT, e incluir os seus relatos, no sentido de entender a sua relação ao ícone e de que forma é que os vários símbolos se interligam. (…)»

A apresentação destes trabalhos está marcada para 16 de dezembro, numa conversa via Zoom entre os estudantes e o júri informal, composto por Rui Orfão, Carlos Pessoa e pela docente Cláudia Madeira. A mostra ficará disponível no Museu das Comunicações (exposição “Amália e os Média”) até ao dia 31 de dezembro.

 

Apoio e Parcerias:

NOVA FCSH
Teorias do Drama e do Espectáculo/ Licenciatura de Ciências da Comunicação, FCSH/NOVA
ICNOVA, Linha de investigação Performance & Cognição
Cluster Performance & Performatividade ICNOVA/IHA/FCSH/NOVA
Fundação Portuguesa das Comunicações
Fundação Amália Rodrigues
Teatro Taborda / Teatro da Garagem

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