29
Ago
Data: 29 Ago a 10 Set 2022
Horário: 29, 30, 31 de agosto, 1, 2, 5 de setembro das 17h30 às 20h00 | 6, 7, 8, 9, de setembro das 17h30 às 19h30 | 10 de setembro das 11h00 às 13h00
Duração: 25h | 2 ECTS
Área: História, Património e Cultura
Docente responsável: Pedro Aires Oliveira
Docente: Raquel Paulo Rato
Acreditação pelo CCPFC: Não
Ensino a Distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a distância

 

Objetivos

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  1. A História Oral como metodologia;
  2. Destacar a importância da preservação da memória oral;
  3. Qual a função dos testemunhos orais;
  4. Como entrevistar um testemunho;
  5. As várias fases e tipo de entrevistas: pesquisa em arquivos, primeiro encontro com o testemunho, criação do guião, entrevista, transcrição textual/montagem audiovisual;
  6. Traçar as principais linhas de orientação para a construção de um projeto de História Oral Audiovisual;
  7. A relação da História Oral com o Cinema documental.

 

Programa

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O curso irá incluir exposição de matéria, serão visionados excertos de documentários, com análise teórico/prática, seguidos de discussão coletiva. Apresentar-se-ão entrevistas a partir do projeto Palavras em Movimento: Testemunho vivo do Património Cinematográfico, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian 2019. O objetivo principal do projeto foi a criação e a partilha de uma plataforma digital que alberga as memórias dos testemunhos do cinema português das décadas 1960-1980. Em Palavrasemovimento, não se pretendeu substituir a História escrita, mas sim revelar vivências pelos testemunhos, isto é, toda uma série de realidades que raramente aparecem nos documentos escritos e complementar o saber já existente contribuindo para a valorização do cinema e seus autores.

Vivemos numa era de revolução digital onde a produção e partilha de conhecimento é muito veloz, sendo importante trabalhar o seu armazenamento. A História Oral não é um fim em si mesma, mas é um meio para o conhecimento e a sua metodologia poderá ser adaptável a outro tipo de investigação científica, caso seja justificável. No curso dar-se-ão exemplos de documentários, explicando a seu metodologia correlacionada com a metodologia de História Oral. Aqui, abordaremos teorias/trabalhos audiovisuais de documentaristas como: Jean Rouch; Bill Nicholls; Eduardo Coutinho; Rui Simões. A História Oral desenvolveu-se no decorrer do século XX, mais especificamente nos Estados Unidos: grupos de historiadores constituíram as suas próprias instituições, lançando revistas e realizando vários seminários. O método desenvolveu-se mais amplamente a partir do aparecimento do gravador (cassete) ainda nos anos de 1950, nos Estados Unidos, difundindo-se também pela Europa. Noutros países, a História Oral não possuía o mesmo impulso que nos Estados Unidos nos anos de 1950, utilizada com o intuito de somente reunir materiais para os futuros historiadores. Na América Latina há um desenvolvimento em áreas como a história política e a antropologia, por volta da década de 1970. “(…) Alessandro Portelli é um dos rostos internacionais, o seu interesse inicial no trabalho com fontes orais fez-se por via dos movimentos sociais e do ativismo cultural – inscrito, em boa medida, na referida tarefa de «dar voz» aos silenciados – e a sua inserção académica foi desde sempre num domínio paralelo, o da Literatura Norte-Americana.” (CARDINA, 2013:10).

A década de 1990 marcou a quarta geração, em que os historiadores passaram a compreender a importância da história do tempo presente, para a qual as fontes orais são essenciais, estruturando-se uma metodologia e uma organização teórica dentro do que passou a chamar-se História Oral. “(…) Quer a consideremos como uma especialidade dentro do campo histórico ou como uma técnica específica de investigação contemporânea ao serviço de várias disciplinas, é um produto do séc. XX que enriqueceu substancialmente o conhecimento da História Contemporânea (…)”(POZZI, 2017: 5).

 

Bibliografia

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  • COSMOLLI Jean-Louis, VER E PODER, A inocência perdida: Cinema, Televisão, Ficção, Documentário. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2008.
  • MEIHY Sebe B. José Carlos, HOLANDA Fabíola, História Oral: Como fazer, como pensar. Editora Contexto, São Paulo, 2015.
  • NICHOLS Bill. Introdução ao documentário. Campinas: Papirus, 2005.
  • PORTELLI Alessandro, A filosofia e os fatos. Narração, significados e interpretação nas memórias e nas fontes orais. Tempo. Rio de Janeiro, vol.1, n. 2, p. 59-72, 1996.
  • THOMPSOM Paul, A voz do passado: história oral, Rio de Janeiro, Paz e Terra,1992.

 

PROPINA

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Ver tabela em informações úteis.

 

Requisitos prévios

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A docente enviará eletronicamente os livros em pdf com alguns capítulos selecionados para lerem.

Consultar o sítio do projeto: https://www.palavrasemovimento.com

 

docentes

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Raquel Rato, nasceu na Covilhã, Portugal em 1971. Depois de uma licenciatura em Cinema – Ramo de Realização (onde obteve duas Bolsas de Estudo por Mérito e Prémio por Mérito de melhor finalista do Curso) e outra na área de Animação Sociocultural, em 2007 termina um mestrado na Universidade de Salamanca em Audiovisual e Publicidade. Em Dezembro de 2013 obtém o grau de doutora em Cinéma et Audiovisuel pela Universidade de Paris 3 Sorbonne Nouvelle, especializada na direção de fotografia cinematográfica. Em Paris realizou vários masterclass na sua área de especialização, nomeadamente: com Céline Bozon, diretora de Fotografia; com Éric Gautier, diretor de fotografia; Michael Ballhaus, diretor de fotografia; com Renato Berta, diretor de fotografia, entre outros. É autora do livro: “La Lumière dans le Cinéma: L’oeuvre d’Acácio de Almeida comme directeur de la photographie». Desde 2015 é membro da Equipa Editorial da Revista Simbiótica (Razão e Sensibilidade. Periódico Académico Internacional em Ciência, Arte e Cultura da Universidade do Espírito Santo, Brasil) como colaboradora do Conselho Consultivo. Participa regularmente em colóquios e conferências nacionais e internacionais. Desde 2014 é investigadora integrada do IHC, Instituto de História Contemporânea, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde exerce a atividade de investigação no domínio da História Oral do Cinema Português, com trabalhos publicados em revistas científicas internacionais, na Argentina, Brasil, Colômbia, Itália, Espanha. Foi convidada como Advisory Expert no projeto “Leading Women in Film Professions in Portuguese and Spanish Cinema and Television, 1970 – 1980”. University of Exeter, University of Oxford, University of Kent. Setembro 2021-2026. Desde 2019 é Coordenadora Científica do projeto – Palavras em Movimento: Testemunho Vivo do Património Cinematográfico, financiado em 2019 pela Fundação Calouste Gulbenkian, IHC FCSH – NOVA FCT. Dedica-se à realização de documentário/filme ensaio.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)