08
Jul
Centenário de Edgar Morin: Cinema, Educação e Transdisciplinaridade
Conferência
10:00 às 17:00 (8 a 9 Jul)
Online

A humanidade vive uma época de perigos incríveis e, ao mesmo tempo, de possibilidades de ultrapassar as coisas. É por isso que não devemos ser cegos, não devemos ser optimistas de maneira estúpida, mas é preciso estar presente porque esta é a nossa vida.

Edgar Morin em entrevista à France Culture, 11-02-2021

 

À beira de completar 100 anos (fá-los-á no dia 8 de Julho), Edgar Morin continua a ser um promotor de hipóteses pertinentes para os caminhos da humanidade e que desafiam as fronteiras do conhecimento. Em Julho de 2021, celebraremos o centenário de Morin com um conjunto de conferências online, a reedição da tradução portuguesa de O Cinema ou o Homem Imaginário e um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. O mote da celebração é o cruzamento de três conceitos: Cinema, Educação e Transdisciplinaridade. Mais do que representarem núcleos de força no pensamento de Edgar Morin, eles estabelecem linhas de orientação imprescindíveis para atravessar o horizonte de futuro.

Em quase um século de vida, Edgar Morin passou por infindáveis mudanças no contexto social, económico e cultural. Desde os “anos de ouro” da escola francesa da década de 60, vem contribuindo de forma ímpar e, no seu tempo, controversa para redefinir uma epistemologia complexa do pensamento académico e intelectual ocidental. Entre obras marcantes, como O Homem e a Morte (1951l), O Método (1977) ou Introdução ao Pensamento Complexo (1990), seguramente O Cinema ou Homem Imaginário (1956) inaugurou a marca de água da heterodoxia moriniana. Com esta fulgurante obra, escrita cinco anos antes de Crónica de um Verão (1961) – filme que co-realizaria com Jean Rouch e que redefiniu a história do cinema –, Morin inaugurou um campo de possibilidades para problematizar a importância da sociedade de massas, em geral, e do cinema e seu imaginário, em particular, na vida de todos nós.

Na literatura sobre cinema, o pensamento de Morin corresponde ainda hoje a uma vinculação essencial entre o fenómeno da identificação e o cinema como instituição humana e social. No cinema, escreveu o autor, assistimos a uma “metamorfose mecânica do espectáculo de sombra e luz (…), no decurso de um processo milenário de interiorização da velha magia das coisas”. Trata-se de uma “antropologia do cinema”, que é não só uma fonte de alheamento pela qual esquecemos o mundo, mas também, nas palavras de Morin, um potencial “mergulho em nós próprios que nos faz encontrar o melhor de nós: a capacidade de compreender e de amar”, ainda que tal encontro seja só “temporário”. O cinema faz parte da problematização moriniana da relação entre conhecimento e complexidade.

Ao longo da sua extensa obra, Edgar Morin nunca deixou de tecer duras críticas contra a especialização dos saberes ou o excessivo afastamento destes, advogando um saber heterodoxo, relacional e necessariamente transdisciplinar – uma “epistemologia da complexidade”. Em Os Sete Saberes para Educação do Futuro (2002), a convite da UNESCO, sistematizou princípios orientadores de um conhecimento cada vez mais urgente: repensar a condição humana de um ponto de vista da universalização, religando os saberes através da transdisciplinaridade, por forma a que o conhecimento se aproxime mais da vida e vice-versa.

A intersecção dos conceitos Cinema, Educação, Transdisciplinaridade servir-nos-á de mote para celebrar o centenário do pensador, pois é nesta conjugação que residem inúmeras pistas para pensar a revitalização do humano – isto é, a construção de um futuro por que todos somos responsáveis.

 

Conferência Online*
ICNOVA – NOVA FCSH e CEC – FLUL UL

com
Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema 

Centenário Edgar Morin: Cinema, Educação e Transdisciplinaridade

Mesa 1* (8 de Julho, quinta-feira, 10h00)
Morte

Margarida Medeiros (Professora, NOVA FCSH/ICNOVA)
Clara Saraiva (Antropóloga)
Raquel Morais (Doutoranda em Birkbeck, University of London, e Crítica de cinema)

Moderação: Luís Mendonça (ICNOVA, NOVA FCSH)

 

Mesa 2* (8 de Julho, quinta-feira, 15h00) 
Juventude

António Oliveira Cruz (Presidente do Instituto Piaget)
Jorge Campos (Professor, ISMAI)
Catarina Alves Costa (Realizadora e Professora, NOVA FCSH)

Moderação: Pedro Florêncio (CEC, FLUL/ICNOVA)

 

Mesa 3* (9 de Julho, sexta-feira, 15h00) 
Natureza

Adriana Veríssimo Serrão (Professora, FLUL)
Maria João Fonseca (Direcção-Geral do Património Cultural)
Luciana Fina (Realizadora)

Moderação: Filipa Rosário (CEC, FLUL)

 

* Acesso no dia e hora marcadas à conferência via Zoom.us, no seguinte link: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/87893195698?pwd=S1lPa3cyVmNpRHlXdkthYnZzNm15UT09

 

Acompanhando a conferência:

Ciclo de Cinema na Cinemateca Portuguesa

Centenário de Edgar Morin

Dia 8 de Julho (quinta-feira), 19h00, Sala M. Félix Ribeiro

CHRONIQUE D’UN ÉTÉ (PARIS 1960)
de Jean Rouch, Edgar Morin
com Marceline Loridan, Régis Debray, Mary-Lou Parolini
França, 1960 – 86 min

 

Dia 9 de Julho (sexta-feira), 19h00, Sala M. Félix Ribeiro

EDGAR MORIN, CHRONIQUE D’UN REGARD
de Céline Gailleurd, Olivier Bohler
França, 2014 – 91 min

  

Organizadores: Filipa Rosário (CEC, FLUL), Luís Mendonça (ICNOVA, NOVA FCSH) e Pedro Florêncio (CEC e ICNOVA)

(incluir Cartaz)cartaz

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