Dramaturgias das artes performativas: o sensível e o material
Objetivos
____
- Analisar as metamorfoses dos modelos cénicos;
- Interagir com as várias aceções do conceito e práticas das dramaturgias de palco;
- Questionar o espetáculo: “se não é diegético, é o quê?”;
- Relacionar os elementos expressivos presentes em palco com tipos e sentidos dramatúrgicos;
- Elencar e problematizar as materialidades do espetáculo (corpo e fisicalidade; ótico e arquiteturas; som e auralidade; linguagem e discursividade; media e interartes);
- Reforçar as ferramentas de crítica do evento espetacular e performativo;
- Comparar práticas estéticas de várias performances e companhias.
Programa
____
1. Discussão dos principais conceitos: fuga dos modelos
- As dramaturgias de palco, o texto dramático, o estilhaçar dos modelos narrativos, diluição de personagem e trama;
- Montagem e recepção, a função da dramaturgista;
- Não linearidade, transmedialidade, tableaux vivants cénicos;
- Em direção a uma dramaturgia não narrativa;
- A dramaturgia como busca, espelhamento e ignorância.
2. Dramaturgia do corpo: o ímpeto pulsional
- A vibração das pulsões, os afetos e o infra-movimento energético;
- O cinético, a atenção, o corpo não normativo, o pós-humano;
- Os quatro nós da dramaturgia do corpo: vitalidade, sensorialidade, extraordinário, objectualidade.
3. Dramaturgia visual: simultaneidade e dispersão do olhar
- A arquitetura de cena, materialidades e texturas;
- O espaço global, irrupção, black box e white cube;
- Os quatro nós da dramaturgia visual: simultaneidade, materialidade, espaço, imago.
4. Dramaturgia do som: imersão e ambiência
- A atenção aural e a espessura acústica;
- O som “natural”, a cacofonia, o som intencional;
- Os quatro nós da dramaturgia do som: aural, transmissão, ruído, ritmo.
5. Dramaturgia da linguagem: ação pelo discurso
- A articulação da fala e o destronar do logocentrismo;
- A metalinguagem e o agir na linguagem: carácter ilocutório, performativo e político;
- Os quatro nós da dramaturgia da linguagem: enunciativo, discursivo, ilocutório, ensaístico.
6. Dramaturgia intermedial: o teatro como um grande hipermédia
- As relações entre artes performativas e os media studies;
- O medium como dispositivo cultural e técnico;
- O medium e a ecologia medial; a imediaticidade e a remediação;
- Os quatro nós da dramaturgia intermedial: virtual, digital, distância, ausência
Bibliografia
____
- Bleeker, M. (2003). Dramaturgy as a mode of looking. Women and Performance: A Journal of Feminist Theory, 13(2), 163–172.
- https://doi.org/10.1080/07407700308571432
- Chapple, F., & Kattenbelt, C. (Eds.). (2006). Intermediality in theatre and performance. Rodopi.
- Fischer-Lichte, E. (2019). Estética do performativo. Orfeu Negro.
- Home-Cook, G. (2015). Theatre and aural attention: Stretching ourselves. Palgrave Macmillan.
- Lehmann, H.-T. (2017). Teatro pós-dramático. Orfeu Negro.
Pré requisitos
____
N/A
PROPINA
____
Ver tabela em informações úteis.
docentes
____
António Figueiredo Marques – Ensaísta, dramaturgista, performer e investigador (ICNOVA, Performance e Cognição; Laboratório de Experimentação Cénica; Arte da Performance C Performatividade). É coeditor do website sobre artes performativas CRATERA. Doutorado em Comunicação e Artes (NOVA FCSH) com um projeto sobre as poéticas de composição da cena contemporânea. Desenvolve investigação em torno das dramaturgias de palco, examinando os mecanismos de montagem nas artes performativas (teatro, dança, performance art, e outros fenómenos sociais). Acompanha processos criativos de Mónica Calle, Patrícia Portela, CiRcoLando, Miguel Ferrão Lopes. Nesse âmbito escreveu ensaios, folhas de sala e crítica sobre espetáculos de Marlene Monteiro Freitas, Renata Portas, Mala Voadora, Associação Parasita, Silly Season entre outros, apresentados no TNSJ, TNDMII, TBA, Teatro da Covilhã, Fábrica da Criatividade de Castelo Branco. Escreve crítica na Umbigo Space. www.cienciavitae.pt/portal/0D13-D82E-5097
Paulo Filipe Monteiro – Professor catedrático de Artes Cénicas e de Cinema na UNL, onde fundou o Mestrado em Artes Cénicas. O seu livro Drama e Comunicação foi eleito melhor livro 2010 pela Universidade de Coimbra. Em 2012 publicou Imagens da Imagem. Entre os seus escritos recentes: Uma arte em bruto: o cinema de João César Monteiro, in Lucia Nagib e Anne Jerslev; Cinema Impuro: Abordagens Intermédias e Interculturais ao Cinema, I.B. Tauris, 2014; Elogio do desconhecido, Interact, 2018; e El ritmo en el nuevo teatro y en el teatro-danza, in Salomé Lopes Coelho e Aníbal Zorrilla, Estética y Política del Ritmo, Paris, Rhutmos, 2020. Escreveu e realizou 3 filmes de ficção: Amor Cego/Três ao Tango, 2010; Zeus, 2017, que ganhou 12 prémios, de melhor filme e melhor realizador; e Noites Clara”, 2024. Como guionista, escreveu 7 longas-metragens, selecionadas para Cannes, Locarno, São Paulo; encenou 16 peças de teatro. Trabalhou em dramaturgia de dança com Pina Bausch.