01
Set
Data: 1 a 4 Set
Horário: terça a quinta-feira das 15h00 às 19h00 | sexta-feira das 15h00 às 18h00
Duração: 15h
Morada: NOVA FCSH
Área: História Património e Cultura
Docente: Jorge Miguel Ayán Vila - Responsável
Docente: Jorge Miguel Ayán Vila
Acreditação pelo CCPFC: Não
Ensino presencial
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino Presencial

 

Objetivos

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1. Socializar os resultados do primeiro projeto de Arqueologia do Passado Contemporâneo realizado em Portugal (Arqueologia do Estado Novo), apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (CEECIND/04218/2017).

2. Partilhar uma investigação pioneira e original com o público sobre o legado material do Estado Novo, numa altura em que há um debate público sobre a memória e o património vinculado à ditadura.

3. Divulgar, além da Academia, as materialidades geradas pelo projeto ideológico totalitário do Estado Novo mais também aquelas criadas pela resistência ao fascismo.

4. Mostrar aos cidadãos como o espaço rural e urbano do país ainda é marcado pelos projetos de engenharia social e os usos públicos da memória promovidos pela ditadura.

 

Programa

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Terça Feira, 1 de setembro

15:00-17:00 – Lição 1 “A Arqueologia do Passado Recente. Uma introdução”. Através de projetos arqueológicos desenvolvidos no Chile, Espanha, Croácia, Guiné Equatorial e Etiópia, mostraremos o que a Arqueologia.

17:00-19:00 – Lição 2 “Onde há poder há resistência: arqueologia da guerra do Cambedo (1949)” Em agosto de 2018, realizamos a escavação arqueológica de uma casa de camponeses onde os guerrilheiros antifascistas se refugiaram na vila de Cambedo da Raia, em Trás-os-montes. A casa foi bombardeada pela GNR e pela Guarda Civil espanhola em dezembro de 1949.

Quarta Feira, 2 de setembro

15:00-17:00 – Lição 3 “Vigiar e punir: prisões, campos de concentração e campos de refugiados”. Faremos um tour pelo sistema penitenciário do Estado Novo, analisando edifícios como a cadeia lisboeta do Aljube, Peniche ou o campo de concentração do Tarrafal em Cabo Verde.

17:00-19:00 –  Lição 4 “A morada do homen novo: materialidades da colonização agrária do salazarismo A Junta de Colonização Interna (1936) foi a entidade responsável por materializar o ideal ruralista do Estado Novo, seguindo o modelo do fascismo italiano. Colónias agrícolas foram construídas em várias regiões do país nas décadas de 40 e 50. Grande parte delas falhou e hoje são ruínas arqueológicas.

Quinta Feira, 3 de setembro

15:00-17:00 –  Lição 5 “Arqueologia da guerra de Espanha: rastos materiais de Portugal no conflito bélico”. Salazar apoiou Franco na guerra civil enviando soldados (os Viriatos), armas e comida. Também prendeu e devolveu á Espanha rebelde a refugiados políticos. Por sua vez, militantes antifascistas portugueses lutaram no exército da República. Nesta lição, passaremos por cenários da guerra civil seguindo a trilha destes combatentes portugueses.

17:00-19:00 –  Lição 6 “O que fazer com o legado material do Estado Novo? A controvérsia do Museu Salazar” Em 27 de julho de 2019, um artigo do jornalista Hugo Franco no semanário Expresso coleta uma entrevista com o prefeito de Santa Comba Dão. O munícipe Leonel Gouveia, do Partido Socialista, defende a criação de um centro interpretativo sobre o Novo Estado em sua localidade. No início de agosto, o historiador Fernando Rosas avisava do risco de transformar Vimieiro em um santuário de nostalgia do fascismo, à maneira de Predappio, vila italiana onde Mussolini nasceu e foi enterrado. Em 13 de agosto, o jornal Público divulgou uma carta assinada por mais de duzentas vítimas do Estado Novo contra a abertura do centro de interpretação de Santa Comba Dão. Três dias depois, em 19 de agosto, essa carta se tornou uma solicitação pública ao governo (Museu de Salazar, Não!). Em 26 de agosto, 17.719 assinaturas haviam sido coletadas. Esta controvérsia, que continua até hoje, servirá para debater no curso sobre os usos públicos da memória.

Sexta Feira, 4 de setembro

15:00-18:00 –  Visita guiada a Belém. Praça do Império: A Exposição do Mundo Português (1940) O Largo das Escolas (1938.

 

Bibliografia

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  • González-Ruibal, A. e Ayán Vila, X. M. 2018. Arqueología. Una introducción a la materialidad del pasado. Madrid: Alianza Editorial.
  • Gomes, S. A. da Rocha. 2011. O pasado, a Identidade e as Teias do Governo. Estudos sobre os entrelaçamentos das Práticas de Produção do Conhecimento Arqueológico e da Construção da Identidade Nacional Salazarista. Tese de Doutoramento. Universidade do Porto. https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/63187
  • Gomes Coelho, R. e Ayán Vila, X. M. 2019. Cambedo 1946. Carta sobre o achamento de Portugal. Vestígios. Revista LatinoAmericana de Arqueologia Histórica, 13 (2): 63-87.
  • Loff, M. 2015. Estado, Democracia e Memória: Políticas Públicas e Batalhas pela Memória da Ditadura Portuguesa (1974-2014). In Loff, M., Piedade, F. & Soutelo, L. C. (Eds.) Ditaduras e Revolução. Democracia e Políticas da Memória (pp. 23-143). Coimbra: Almedina.
  • Rosas, F. 2012. Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar. Lisboa: Tinta-da-China.

 

PROPINA

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Ver tabela em Informações úteis.

 

Requisitos Prévios

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Aconselhamos a leitura prévia destes três livros:

  • Loff, Manuel. 2008. O Nosso Século é Fascista. O Mundo visto por Salazar e Franco (1936-1945). Porto: Campo das Letras.
  • Rosas, Fernando. 2012. Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar. Lisboa: Tinta-da-China.
  • Rosas, Fernando. 2019. Salazar e os Fascismos. Lisboa: Tinta-da-China.

 

docentes

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Jorge Miguel Ayán Vila (Lugo, 1976) é formado em História com um Prémio Extraordinário da Universidade de Santiago de Compostela (1998). Sua Tese de “Casa, Família e Comunidade na Idade do Ferro NW” recebeu o Prémio de Cultura de Melhor Tese em Humanidades 2012 da Galiza (Espanha). Foi bolseiro de pré-doutorado no Programa I3P do Fundo Social Europeu no Instituto de Ciências Patrimoniais do Conselho Superior de Pesquisa Científica (Espanha). Entre 2014 e 2018, ele foi um investigador de pós-doutoramento “Juan de la Cierva” no Grupo de Pesquisa em Património Construído da Universidade do País Basco. Desde maio de 2019, é investigador principal da FCT no Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É autor de mais de cem artigos e trabalhos científicos em congressos nacionais e internacionais e participou de projetos interdisciplinares na Guiné Equatorial, Etiópia, Chile, Portugal e Croácia. Foi pesquisador convidado no Instituto Arqueológico de Budapeste (Academia Húngara de Ciências) e na Universidade de Binghamton (NY, EUA). Desde 2008, dirige e co-dirige inúmeras intervenções arqueológicas em cenários de guerra civil espanhola, como o campo de concentração de Castuera (Badajoz), o campo de batalha de Belchite (Saragoça), Monte de San Pedro (Álava) ou Casa de Campo e Cidade Universitária em Madri. Em 2014, organizou o primeiro congresso internacional de Arqueologia da Guerra Civil Espanhola na Faculdade de Letras de Vitória-Gasteiz. Atualmente, ele dirige dois projetos de arqueologia da resistência armada antifascista na Croácia, em Portugal e na Galiza. Seus últimos livros são “Arqueologia: uma introdução à materialidade do passado” (2018, Alianza Editorial, Madri), “Altamira vista pelos espanhóis” (2015, JAS, Madri) e “Herdeiros da força: ideologia, herança e poder na Galiza do século XXI ”(2012, 2.0 Editora, Ames). Ele é um líder internacional em estudos críticos de patrimônio, arqueologia comunitária e arqueologia contemporânea. Publicações selecionadas Ruibal, Alfredo González & Xurxo Ayán Vila. Arqueología. Una introducción al estudio de la materialidad del pasado. Madrid: Alianza Editorial, 2018. Ayán Vila, Xurxo M. “Altamira 1937: Grotta Aperta—Conflict Archaeology of a World Heritage Cave,” Archaeologies 13 (2017): 250-277. Prieto, Manuel & Xurxo M. Ayán Vila. ““Although The Loneliness is Great, Greater Yet is the Love of my Country”: Archaeology of a Military Outpost on the Topaín Hillock (Antofagasta Region, Chile),” Journal of Contemporary Archaeology 1 (2014): 323-350. González-Ruibal, Alfredo, Yonatan Sahle & Xurxo Ayán Vila. “A social archaeology of colonial war in Ethiopia,” World Archaeology 43 (2011): 40-65. Projetos principais Investigador principal do projeto “Archaeology of the Estado Novo” — Hosted by the IHC – NOVA FCSH and funded by the Fundação para a Ciência e Tecnologia (CEECIND/04218/2017). 2019Researcher in the project “Red Internacional de Estudios Críticos del Patrimonio Cultural del Desierto de Atacama” — Coordinated by Fernanda Kalazich (Instituto de Investigaciones Arqueológicas y Museo R. P. Le Paige de San Pedro de Atacama, Universidad Católica del Norte) and funded by CONICYT (Chile). 2017-2019 [REDES 170225] Coordinator of the Proxecto Arqueolóxico castro de San Lourenzo — Hosted by INCIPIT – Instituto de Ciencias del Patrimonio (CSIC, Spain) and funded by the Xunta da Galiza, the Pobra do Brollón City Council, and ABANCA (Spain). 2016- Co-coordinator of the project “The International Brigades Archaeology Project”, with Alfredo González Ruibal (INCIPIT, CSIC) — Funded by CSIC (Spain), the University of Nottingham (UK), and the Universidad del País Vasco (Spain). 2014-2018 [link].

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

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