Luís Espinha da Silveira (1954 - 2021)

Luís Espinha da Silveira era um estudioso da História do século XIX e um amante da música. Trazia-a para as aulas para falar das lutas entre Liberais e Absolutistas. Recentemente, nas comemorações do Bicentenário da Revolução Liberal de 1820, a que se entregou com tanto entusiasmo, pretendia levar a música da época liberal ao S. Carlos e às ruas de Lisboa.

Professor, investigador, académico exigente, consigo mesmo e com os colegas, pertenceu ao núcleo fundador da NOVA FCSH em 1977-1978, do seu Departamento de História e, mais tarde, em 1990, do Instituto de História Contemporânea.

Frontal, sem receio das batalhas que sempre se travam quando se fazem reformas e mudanças – e esteve envolvido ou coordenou várias: na coordenação do Departamento de História, na reforma curricular de 2001-2002; na Direção da NOVA FCSH, na reforma curricular de 2006, dita de Bolonha; na Reitoria da NOVA, como pró-Reitor, na reforma dos doutoramentos ou na implementação do Sistema de Garantia da Qualidade de Ensino, entre 2007 e 2011.

Foram muitos os alunos, desde 1977, foram muitos os projetos de investigação, nacionais e internacionais, muitas as publicações, as orientações de mestrado e doutoramento. E era exigente com os alunos, porque acreditava que eles sempre conseguiriam fazer mais e melhor.

Durante os 44 anos de dedicação à NOVA FCSH, deu-nos inovação e uma permanente insistência para que pensássemos “fora da caixa”. Na investigação e na docência foi pioneiro nas ligações entre História e as Humanidades Digitais, foi determinante para a criação e manutenção de uma área de Gestão e Curadoria da Informação, foi visionário ao estimular um olhar sobre a História Ambiental, fez escola com estudos sobre o Estado, o território e a sociedade. Fez com que saíssemos da nossa “zona de conforto”, não se conformando com os limites do século XIX e do território português. Para ele, era importante a longa duração, era determinante a história comparada, a perspectiva transnacional que trazia para as aulas, para as orientações, para os projetos, para o que publicava.

À sua esposa e restante família, a direção da NOVA FCSH apresenta as suas mais sentidas condolências.

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