CHAM inscreve monstros no dicionário

Uma equipa de investigadores, biólogos, historiadores e arqueólogos, portugueses e noruegueses está a construir um dicionário de nomes comuns de mamíferos e monstros marinhos, seres híbridos e elementos de folclore. O projeto, denominado Marine Lexicon, resulta de uma iniciativa do CHAM financiada pelo EEA Grants e pretende traduzir nas muitas línguas europeias as palavras ou os termos que designam os mamíferos marinhos, definindo as suas utilizações históricas, assim como as perceções humanas a seu respeito. Para os investigadores, a decisão de incluir seres mitológicos justifica-se pelo facto da história medieval e moderna da Europa estar repleta destas criaturas.

A equipa portuguesa será responsável por todas as línguas do Sul da Europa, enquanto os noruegueses têm a seu cargo as línguas do Norte da Europa; e em ambos os casos, irão incluir versões antigas das respetivas línguas.

Os responsáveis pelo projeto socorrem-se da palavra “baleia” para melhor explicar o seu objetivo. Segundo eles, “o que há numa baleia? Na palavra inglesa, whale, vamos encontrar a baleia portuguesa (balea, ballena, baleya), a balena ou balea (ou mesmo vallena) espanhola, a balena italiana, a balleine francesa, mas também a wal alemã, walvis holandesa, bem como a hval dinamarquesa e norueguesa. E, em todos estes nomes, vamos encontrar um grande mamífero marinho que percorre as águas de todos estes países e que está inscrito na toponímia, na história natural, na pesca e na caça à baleia, nas artes visuais, nos contos e poemas épicos, nas tradições locais, nas memórias e no património tangível e intangível. Mais ainda, vamos encontrar uma rede estabelecida entre povos e nações, humanos e mamíferos marinhos, ligados por uma história semelhante ou paralela de interações com os nossos oceanos comuns”, concluem.

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