Arquivar Performance
Objetivos
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Este curso visa introduzir conceitos e práticas de arquivo aplicados à performance e às artes multimodais, articulando análise, documentação e preservação. Pretende desenvolver competências na descrição, organização e tratamento de materiais heterogéneos (texto, música, áudio, vídeo, eletrónica), bem como na utilização de ferramentas digitais. Aborda ainda as questões de restauro, direitos de autor, ética e acesso, promovendo uma reflexão crítica sobre o papel do arquivo na construção da memória, na investigação e na criação artística contemporânea.
Programa
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1ª aula, 24/08
Docente: Filipa Magalhães
Introdução à análise e interpretação de obras multimodais com eletrónica em tempo real, explorando a interação entre som, gesto, espaço e tecnologia. Apresentação de metodologias analíticas e a sua ligação a práticas de arquivo, considerando a documentação e preservação de obras multimodais, e abordando questões como sincronização, latência, agência do intérprete e a dimensão do “liveness”.
2ª aula, 25/08
Docente: Filipa Magalhães
Exploração de ferramentas computacionais aplicadas ao estudo e à documentação de obras multimodais, articulando análise e práticas arquivísticas na música contemporânea. Descrição dos processos de registo, organização e anotação de dados (eventos, timelines e metadados) e a sua aplicação na preservação, análise e estudo de práticas performativas.
3ª aula, 26/08
Docente: Pedro Massano Almeida
Abordagem a aspetos da preservação e restauro de suportes áudio históricos, incidindo sobre as fitas magnéticas e os procedimentos prévios à digitalização. Apresentação da documentação dos processos e práticas de restauro sonoro com recurso ao software como o iZotope, entre outros, evidenciando estratégias de recuperação e valorização do património áudio.
4ª aula, 27/08
Docentes: Ana Bigotte Vieira e Pedro Cerejo
Apresentação do projeto ARTHE – Arquivar o Teatro, a partir dos arquivos de 20 companhias ativas nas décadas de 1970 e 1980, explorando o teatro independente e os processos de descentralização. Os arquivos como fontes para a história, memória e criação, e as suas implicações para a preservação.
5ª aula 28/08
Docente: Filipa Magalhães
Reflexão sobre direitos de propriedade intelectual, ética e sustentabilidade da informação digital no contexto artístico, discutindo conceitos como Open Source, Open Access e Open Science. Exercício prático de criação de um mini-dossier de arquivo de uma performance, considerando aspetos relacionados com a descrição, direitos, preservação e acesso.
Bibliografia
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- Auslander, P. (2018). Reactivations: Essays on performance and its documentation. University of Michigan Press.
- Escobar Varela, M., & Lee, N. H. (2018). Language documentation: A reference point for theatre and performance archives? International Journal of Performance Arts and Digital Media, 14(1), 17–33. https://doi.org/10.1080/14794713.2018.1453242
- Magalhães, F. (2025). Digital technologies as musical sources: Documenting live electronics in Adriano Guarnieri’s work. In S. Kirby (Ed.), Music, new media and the archive (pp. 117–147). Springer Nature. https://doi.org/10.1007/978-3-032-02025-3_7
- Magalhães, F. (2021). Music, performance, and preservation: Insights into documentation strategies for music theatre works. International Journal of Performance Arts and Digital Media, 17(2), 1–25. https://doi.org/10.1080/14794713.2021.1974726
- Vieira, A. B., Martins, J. D. S., & Oliveira, C. M. (2022). Diagramming a timeline of dance. Performance Research, 27(8), 81–88. https://doi.org/10.1080/13528165.2022.2224208
Recursos do ARTHE disponíveis aqui.
pré-requisitos
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N/A
PROPINA
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Ver tabela em Informações úteis.
Docentes
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Filipa Magalhães – investigadora auxiliar do CESEM – Centro de Estudos em Música da NOVA FCSH da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Doutorada em Musicologia (2020), é também mestre em Artes Musicais e licenciada em Musicologia pela NOVA FCSH, tendo ainda concluído a Pós-Graduação em Arquivística Histórica (2022) na mesma universidade. A sua investigação centra-se na preservação de obras de teatro-música, articulando musicologia, arquivística histórica e humanidades digitais. Tem contribuído para a preservação da música portuguesa contemporânea, com destaque para a obra de Constança Capdeville, sobre a qual publicou amplamente. Em 2022, foi distinguida com uma posição de investigadora júnior no CEEC da FCT. Coordena o Grupo de Investigação em Música Contemporânea (GIMC) e a Linha Temática 04 – Arquivos do IN2PAST – Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território.
Ana Bigotte Vieira – Ana Bigotte Vieira é investigadora nos projetos RESONANCE (UNL) e PERCUR (Universidade Autónoma de Madrid). Foi co-investigadora responsável do projeto FCT Archiving Theatre e contribuiu, com Maria João Brilhante, para a criação da linha de apoio CET-DGARTES Arquivos das Artes Performativas. É autora de A Caixa Preta e Outros Mal Entendidos e Uma Curadoria da Falta – ACARTE 1984–1989 (Sistema Solar), e co-autora de Dança Não Dança (INCM). Coordena, desde 2016, o projeto Para Uma Timeline a Haver. Recebeu a menção honrosa PSi Dwight Conquergood (2011) e a Menção Honrosa do Prémio Mário Soares (2016). Foi Visiting Scholar na NYU (2009–2012). Investigadora do IHC e colaboradora do CET, dedica-se ao estudo das relações entre experimentalismo artístico e transformações culturais e urbanas. Traduziu teatro e filosofia e integrou a programação do Teatro do Bairro Alto (2018–2023).
Pedro Cerejo – Pedro Cerejo licenciou-se em Antropologia (ISCTE, 2001) e concluiu uma pós-graduação em Ciências Documentais – Biblioteca (FLUL, 2007). Trabalhou como jornalista, livreiro e bibliotecário, dedicando-se nos últimos quinze anos à tradução e revisão de texto. É doutorando em Estudos de Teatro e investigador do Centro de Estudos de Teatro (FLUL), onde desenvolve investigação sobre as formas de representação do emergente teatro independente português na imprensa da década de 1970. No âmbito do projeto ARTHE, tem trabalhado nos arquivos de companhias precursoras deste movimento.
É investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa).
Pedro Massano Almeida – Pedro Massano Almeida é artista, músico, compositor e investigador sediado em Lisboa. Estudou Produção Artística na Escola Artística António Arroio e Bateria Jazz na Escola de Jazz Luiz Villas-Boas. É licenciado em Ciências Musicais e mestre em Artes Musicais pela NOVA FCSH. Desenvolve trabalho nas áreas da criação sonora, performance, composição e preservação de património áudio. Realizou estágios no CESEM e na produtora TOCA, tendo desenvolvido investigação sobre ecologia acústica e poluição sonora no oceano. Participou no projeto internacional IMCC, com residências em Bourges e Paris. Em 2022, foi bolseiro do CESEM, trabalhando no restauro de gravações em fita magnética pertencentes aos Arquivos da Fundação Calouste Gulbenkian. É fundador dos projetos Ossos D’Ouvido, Zazu Lab e Koshi Blu, colaborando também com diversos artistas da cena musical portuguesa. Atualmente leciona bateria e colabora com projetos de preservação sonora em Lisboa.