Pneumónica

A pneumónica (1918-1919), ou gripe espanhola, foi a maior pandemia do século XX. Estima-se que tenha provocado mais de 50 milhões de mortos, tendo Portugal ultrapassado os 100 mil óbitos. Causada pelo vírus da gripe, subtipo A (H1N1), afetou as faixas etárias mais jovens, provocando pneumonias fulminantes de elevada morbidade. Para limitar o contágio instituíram-se práticas de profilaxia individual (lavagem das mãos e uso de máscara) e coletiva (desinfeção química de casas e ruas). Promoveu-se o isolamento social e criaram-se enfermarias para receber os casos mais graves. Contudo, a difícil conjuntura interna, aliada ao contexto da I Guerra Mundial, inviabilizou a construção de uma memória coletiva deste episódio.

A epidemia atingiu o país em três vagas, sendo a segunda (agosto-outubro de 1918), a mais letal. A crise socioeconómica agravou os efeitos da doença, impondo a requisição de produtos alimentares e a criação de armazéns reguladores de preços para assegurar o acesso a bens de primeira necessidade.

CINEMATECA – “Viagem ao Norte do Presidente Sidónio Pais”, [levando socorros para os doentes vítimas da pneumónica] (1918), Serviços Cinematográficos do Exército.

Cota: 7000057

A Obra de Assistência 5 de Dezembro foi um dos instrumentos da política social do Sidonismo. Competia-lhe organizar sopas dos pobres, cozinhas económicas e armazéns reguladores de preços, limitando a agitação social e restringindo os efeitos da fome. Teve um papel importante no auxílio aos doentes durante a pneumónica.

CML/AML – “Sidónio Pais visita o asilo Dona Maria Pia onde está instalada a sopa dos pobres” (1918), fotografia de Joshua Benoliel.

Cota: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/001727

A elevada concentração de efetivos militares em França potenciou a expansão da doença entre os exércitos aliados. Os soldados infetados foram tratados em hospitais de retaguarda, na zona de Ambleteuse. Em África, os militares recuperaram em depósitos de convalescentes.

FCG/BA – “Pintura de Adriano de Sousa Lopes no Museu Militar” (19-), fotografia do Estúdio Mário Novais.

Cota: CFT003.101012; imagem: 1 de 5

A Direção Geral da Saúde foi incumbida da gestão da luta nacional contra a pneumónica, definindo as medidas profiláticas e estruturando o sistema de assistência. Foram adotadas restrições à atividade económica, entre as quais o encerramento de feiras e proibição das peregrinações.

CML/AML – “Automóvel da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha” (19-), fotografia de Alberto Carlos Lima.

Cota: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LIM/002079

A Cruz Vermelha Portuguesa desempenhou um papel central na assistência e tratamento de doentes. Além de assegurar o seu transporte, contava com pessoal privativo especializado – médicos, enfermeiros e voluntários, que asseguraram o funcionamento de um hospital provisório na Junqueira, em Lisboa.

CML/AML – “Grupo de voluntários e enfermeiros da Cruz Vermelha Portuguesa” (19-), fotografia de Alberto Carlos Lima.

Cota: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LIM/001332

Durante a pandemia, o Hospital do Rego – dedicado ao tratamento de doenças infetocontagiosas – assegurou uma zona de isolamento com 500 camas. Foi reforçado com a abertura de enfermarias especializadas em hospitais provisórios, como os instalados no Convento das Trinas, no Hospital de Arroios e no Liceu Camões.

CML/AML – “Hospital do Rego/ Hospital Curry Cabral” (19-), fotografia de Alberto Carlos Lima.

Cota: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LIM/000938

Face às assimetrias regionais, as associações locais de apoio aos infetados, em articulação com a rede hospitalar das Misericórdias, foram fundamentais na contenção dos índices de morbidade. Além de garantirem apoio social, asseguravam o tratamento e internamento de doentes pobres.

FCG/BA – “Enfermaria do Hospital da Misericórdia de Beja” (1958), fotografia do Estúdio Mário Novais.

Cota: CFT003.9102; imagem 2 de 4

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