Todos os grandes filmes são filosóficos — não porque no cinema se trate de aplicar ou ilustrar conceitos da filosofia, mas antes porque o cinema é ele próprio uma forma específica de pensamento reflexivo.
É este o pressuposto deste ciclo, composto por filmes escolhidos e comentados por investigadores e docentes do Instituto de Filosofia da NOVA (IFILNOVA) e dos Mestrados da Universidade NOVA de Lisboa em Filosofia da Arte e Estética e Estudos Artísticos: Maria João Mayer Branco, João Pedro Cachopo, Nélio Conceição, João Constâncio, Bartholomew Ryan, Paolo Stellino.
Sexta-feira, 16 de outubro às 18h15
Cinema Nimas (Avenida 5 de Outubro 42B, 1050-057 Lisboa)
Exibição de “O Espelho”, de Andrei Tarkovsky
Comentário de Bartholomew Ryan
ZERKALO
O Espelho
de Andrei Tarkovsky
Com Larisa Tarkovskaia, Ignat Daniltsev, Alla Demidova, Margarita Terekhova
URSS, 1975 – 108 min | M/12
trailer
Um homem nos seus quarenta anos encontra-se moribundo. Na altura em que dá de caras com a sua própria morte, começa a recordar o seu passado: a infância durante a II Guerra Mundial, a mãe, o filho, a sua intimidade e tudo aquilo que o envolveu, como as grandes mudanças na sociedade soviética do pós-guerra. “O Espelho” é um intenso ensaio autobiográfico de Andrei Tarkovsky, em que o realizador constrói um fantástico cruzamento de memórias privadas e públicas, íntimas e colectivas, insignificantes e históricas, através de um jogo de “flashbacks”, sequências oníricas e documentários de época. Uma experiência quase fantasmagórica, em que Tarkovsky pega no quotidiano e faz com que o espectador o sinta como algo surreal. O filme teve uma restrita distribuição na União Soviética e foi editado mais de vinte vezes antes de Tarkovsky se ter dado por satisfeito com o resultado.
Bartholomew Ryan é filósofo, músico e Investigador Auxiliar na NOVA FCSH, onde é membro do IFILNOVA e do CEDANSA. A sua investigação desenvolve-se sobretudo em torno da tensão entre filosofia e literatura, das relações entre estética e ética, do pensamento ecológico na arte e na filosofia e do modernismo enquanto problema filosófico. É autor, entre outras publicações, dos livros James Joyce: The Unfolding Art of Flourishing and Decay (no prelo, 2027), Critical Lives: Fernando Pessoa (Reaktion Books, 2024) e Kierkegaard’s Indirect Politics: Interludes with Lukács, Schmitt, Benjamin and Adorno (Brill, 2014). Paralelamente à atividade académica, é compositor e músico da banda internacional The Loafing Heroes, com a qual lançou, até à data, seis álbuns.
1.º semestre de 2026/27 — próximas sessões
25 de novembro — Ikiru, de Akira Kurosawa
Comentário de João Constâncio
3 de dezembro — Luz de Inverno, de Ingmar Bergman
Comentário de Paolo Stellino
