06
Jul
Moda, Cinema e Género
Tippi Hedren, Os pássaros (Hitchcock, 1963)
Data: 6 a 17 Jul
Horário: segunda a sexta-feira das 18h00 às 20h30
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH
Área: Comunicação Política Linguagem e Filosofia
Docente: Caterina Cucinotta
Docente: Cristina L. Duarte
Docente: Giulia Bonali
Docente: Zília Osório de Castro - Responsável
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores dos Grupos 240, 400 e 600
Ensino a distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a Distância

 

Objetivos

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Tradicionalmente, a análise do vestuário nos estudos fílmicos tem sido orientada pela noção da moda como um mundo separado. No entanto, o vestuário é um objeto do qual não se pode prescindir para uma completa análise fílmica da obra cinematográfica. Ao longo deste curso, pretendemos explorar as diferentes orientações metodológicas da fashion theory que contribuem para uma inclusão maior do vestuário nos estudos filmicos. Mais concretamente através do percurso histórico da fashion theory, iremos aplicar esta metodologia a vários filmes e correntes cinematográficas, focando-nos na interação entre Cinema e Moda como uma contribuição para uma análise das materialidades do filme. “It is time to propose a different ‘model’ for the theorization of fashion, one that is able to account for the way fashion works as a fabric of the visual in a larger field of spatiovisual fabrications.” (G. Bruno, 2014: 40).

A flexibilidade das ‘práticas do vestir’ está ao nível daquela utilizada pelos atores sociais (no palco ou no ecrã). O desempenho de vários papéis faz parte da própria vida em sociedade, onde a linguagem do poder se liga à cultura visual e à política do corpo e sugere às mulheres que a transformação está ao seu alcance, de modo a tornarem-se numa imagem que lhes é proposta.

Apresentação de formas epistemológicas de estudar a moda e a representação de si, através do género, das masculinidades e feminilidades. É uma viagem teórica pelo cuidado e amor de si, e pelos temas da desigualdade, e da diferença.

 

Programa

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Em 1996, a historiadora Pam Cook (1996: 41) afirma que “o design de vestuário é uma das áreas menos investigadas da história do cinema.” Tem a opinião de que “há uma vasta gama de literatura acerca do vestuário teatral e, desde os anos 70, existe um interesse crescente em moda no círculo dos historiadores de Cultura; mas, na sua maioria, os estudos fílmicos passaram ao lado desta tendência”. Assim, esta historiadora destaca o escasso interesse que, até àquele momento, se vinha dando ao estudo do vestuário e do figurino no cinema. Porém, com o passar do tempo houve várias exceções. Lembramos, entre outras: Undressing Cinema de Stella Bruzzi (1997); Fashion and Celebrity Culture Church de Pamela Gibson (2012); e os trabalhos da professora Deborah Landis: A Century of Hollywood Costume Design (2007), Film Craft: Costume Design (2012), e Hollywood Sketchbook: A Century of Costume Illustration (2012). O que estes textos e outros têm em comum é a convicção de que o vestuário cinematográfico é um sério objeto de estudo teórico e que os estudos sobre moda e traje resultam como um percurso legítimo dentro dos estudos fílmicos e dos media.

O módulo está organizado em quatro partes:

1 – familiarização com a bibliografia existente sobre figurino cinematográfico, suas conexões com a fashion theory e introdução às teorias escolhidas e aplicadas durante o curso;

2 – Compreensão e utilização das metodologias empregues na análise de filmes;

3 – Exposição de análises de filmes, por parte dos/as participantes.

4- Os quadros teóricos a mobilizar quando estamos (de corpo inteiro) na investigação, a partir de «O género como espartilho».

 

Parte 1

Numa ordem cronológica, vários autores e textos vão ser analisados para uma compreensão das teorias e metodologias que aproximaram o cinema e a moda.

De:

Georg Simmel, “A moda”, 1895;

Walter Benjamin e o conceito de “Tigersprung”: moda e modernidade;

Bogatyrev e o uso funcional do traje;

Saussure, os estruturalistas: a moda e o traje como langue e parole;

Roland Barthes e a moda através dos seus dispositivos;

Patrizia Calefato, “o corpo revestido” e a metodologia em três níveis;

António Reis e a inovação da Estética dos materiais;

Giuliana Bruno e a analise das materialidades do cinema.

Parte 2

De vários momentos da história do cinema mundial, serão escolhidos filmes para visionamento (excertos ou totalidade) onde será possível uma aproximação às metodologias da fashion theory. Entre outros que poderão surgir ao longo das aulas, serão mostrados:

“La terra trema”, de Luchino Visconti, em comparação com “Ala arriba!”, de José Leitão de Barros; 

“Acto da primavera” de Manoel De Oliveira em comparação com “Il Vangelo secondo Matteo” de  Pier Paolo Pasolini;

Trás-os-Montes” e “Ana” de António Reis e Margarida Cordeiro;

Excertos de Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, David Lynch 

Excertos de Won Kar Wai através das análises de Giuliana Bruno

Accattone (1961) – Pasolini

Cléo from 5 to 7 (1962) Agnès Varda 

Parte 3

Os participantes são convidados a apresentar propostas de filmes acordados previamente, mostrando o nível de compreensão das metodologias dos estudos de moda. Tendo como referência principal os autores citados na primeira parte do curso, poderão ser mostrados excertos de filmes onde o vestuário se apresente como peça determinante para a compreensão geral da obra, do desenvolvimento do enredo e do aprofundamento da caracterização das personagens.

Parte 4

Os quadros teóricos a mobilizar quando estamos (de corpo inteiro) na investigação, a partir da tese «O género como espartilho».

 

Bibliografia

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  • BAUDRILLARD, Jean (1976). A moda ou a magia do código. A Troca Simbólica e a Morte. Edições 70, Lisboa, 1996.
  • BERGER, John Modos de ver, Edições 70, Lisboa, 1999
  • BRUNO, G., 2014. “Surface. Matters of aesthetic, materiality and media”
  • CALEFATO, P., 2005. The Clothed Body. Oxford: Berg
  • CUCINOTTA, C., 2018. “Viagem ao cinema através do seu vestuário. Percursos de análise em filmes portugueses de etnoficção”, Covilhã: LabCom; 
  • ECO, Umberto (1989). O hábito fala pelo monge, in Psicologia do Vestir. Assírio e Alvim, Lisboa
  • DE LAURETIS, Teresa. Alice doesn’t: Feminism, Semiotics, Cinema. Bloomington, Indiana University Press, 1984 e The Violence of Rethoric: Considerations on Representation and Gender. Semiotica 54, 1985.
  • DUARTE, Cristina L. Ana Salazar – Uma Biografia Ilustrada, Temas e Debates, Lisboa, 2002
  • DUARTE, Cristina L., 15 histórias de hábitos – criadores de moda em Portugal, Quimera, 2003
  • DUARTE, Cristina L., Moda, «O Que É», Quimera, Lisboa, 2004
  • DUARTE, Cristina L., Moda Portuguesa, CTT, Lisboa, 2006
  • DUARTE, Cristina L. Trajes Regionais: Gosto Popular, Cores e Formas, CTT, Lisboa, 2007
  • DUARTE, Cristina L., José António Tenente – Traços de União, Inapa, Lisboa, 2009
  • DUARTE, Cristina L., Moda e feminismos, o género como espartilho, Temas e Debates, Lisboa, 2017
  • ENTWISTLE, Joanne The fashioned body, Fashion, dress and modern social theory, Polity press, 2008
  • FLOCH, Jean-Marie (1995). L’indémodable total look de Chanel IN Identités visuelles. Presses Universitaires de France, Paris.
  • Goffman, Erving  A apresentação do eu na vida de todos os dias, «Antropos», Relógio d’Água, Lisboa, 1993.
  • HOLLANDER, Anne (1979), Seeing Through Clothes, University of California Press, Berkeley, Los Angeles, London, 1997
  • HOLLANDER, Anne, Sex and Suits, Alfred A.Knopf, NY, 1994
  • ID.Technologies of Gender: Essays on Theory, Film, and Fiction. Bloomington, Indiana University Press, 1987, pp.ix-x.
  • LEOPARDI, Giacomo (1835): “Dialogo del la Moda e la Morte”, en Operette morali,
  • LOZANO, Jorge (2000): “Simmel: el atractivo formal del límite”, REIS, no 89.
  • LOZANO, Jorge (2002): “La diosa de las apariencias”, Espéculo no 21.
  • LOZANO, Jorge (2008): “La moda: sublime menor”, en Amazónas y modelos: universo femenino ycultura en el siglo XX, Lucena M, González I (coord.). Madrid, MAPFRE.
  • LOZANO, Jorge e BABO, Maria Augusta (2019). Modas Modos Maneiras, ACTAS DO I CONGRESSO IBÉRICO DE SEMIÓTICA |23 – 25 NOVEMBRO DE 2017 – LISBOA, ICNova.
  • LOZANO, J., (orgs), 2015. “Moda. El poder de las aparências”, Madrid: Casimiro Libros;
  • Hebdige, Dick (1979), Subculture, The Meaning of Style, London: Routledge.
  • LOTMAN, Yuri Mijáilovich (1993): Cultura y explosión. Barcelona, Gedisa, 1999.
  • LOTMAN, Yuri M. y Escuela de Tartu (1979): Semiótica de la cultura (introducción, selección y notas de Jorge Lozano). Madrid, Cátedra.
  • ROSE, Gillian (2007), Visual Methodologies: An Introduction to the Interpretation of Visual Materials: An Introduction to the Interpretation of Visual Methods, London, Sage Publications
  • SIMMEL, Georg (2008). Filosofia da Moda e outros escritos. Edições Textos & Grafia, Lisboa.   

 

PROPINA

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Ver tabela em Informações úteis.

 

docentes

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Caterina Cucinotta é mestre em Estudos Artísticos pela Faculdade de Letras da Universidade de Palermo (licenciatura, 2003) e de Bolonha (mestrado, 2006). Em 2015 concluiu o doutoramento em Ciências da comunicação vertente Cinema na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A tese de doutoramento, financiada pela FCT e publicada em livro pela LabCom com o título “Viagem ao cinema através do seu vestuário” (2018), analisa o cinema português de etnoficção através da metodologia da Fashion Theory. Deu aulas de Direção de Arte e Figurinos no projeto “Cinemalogia” do Festival “Caminhos do cinema português”, foi professora convidada das Faculdades de Letras da Universidade de Lisboa, da Beira Interior nas cadeiras de Cinema Português e de História e Estética do Cinema Português e também na Universidade La Sapienza de Roma na cadeira de “Clothes on film”. Como investigadora integrada do IHC da NOVA FCSH desenvolve o projeto de pós-doutoramento “Figurinos e textura espacial: design e arte no cinema português dos últimos 50 anos” também financiado pela FCT. Trabalha sobre Materialidades no cinema, num contexto que insere os figurinos e a direção de arte num estudo mais amplo do cinema através das suas superfícies e dos seus processos criativos.

Cristina L. Duarte é licenciada em Sociologia (1986) e doutorada em Sociologia da NOVA FCSH (na especialidade de Sociologia da Cultura, da Educação e Conhecimento), onde defendeu a tese «O Género como Espartilho – Moda e Feminismos», em 2016, publicada pela Temas e Debates em 2017. Como investigadora da equipa Faces de Eva/ CICS.NOVA, co-coordenou o projecto «Memórias e feminismos – as mulheres na cidade de Lisboa», vencedor ex-aequo do Prémio Madalena Barbosa (CML, 2009), Foi bolseira de investigação da FCT (2010-2014). Publicou Ana Salazar – Uma Biografia Ilustrada (Temas e Debates, Lisboa, 2002), 15 histórias de hábitos – criadores de moda em Portugal (Quimera, 2003), Moda (Quimera, «O Que É», 2004), Moda Portuguesa (CTT, Lisboa, 2006), Trajes Regionais: Gosto Popular, Cores e Formas (CTT, Lisboa, 2007) e José António Tenente – Traços de União (Inapa, 2009). Foi professora convidada do mestrado de Design de Vestuário e Têxtil, da ESART/IPCB (entre 2010 e 2018). Actualmente é professora convidada da ESAD, Matosinhos (onde lecciona desde 2017, na licenciatura de Design de Moda).

Giulia Bonali é licenciada em Literatura Moderna pela Universidade de Florença, é mestre em História do Design pelo Royal College of Art e pelo Victoria and Albert Museum. É professora de Fashion Studies em cursos de licenciatura e mestrado no Polimoda Fashion School em Florença e na Universidade La Sapienza de Roma (Itália). Em 2016 publicou ‘Leafing through the 1980s in Portuguese Fashion Magazines’ em Consumption and Gender in Southern Europe since the Long 1960s; em 2017 organizou o Symposium: ‘From The Pleasure of Preserving to the Pleasure of Displaying, The Politics of Fashion in the Museum’ no Museu Calouste Gulbenkian com uma bolsa da Fundação para o mesmo projeto.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

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