Histórias e Geografias das Crioulidades
Apresentação
____
A microcredencial analisa, numa perspetiva diacrónica e comparativa, o desenvolvimento histórico e geográfico dos processos de crioulização entre o século XV e a atualidade. Parte da expansão europeia e das interações entre portugueses e populações da África Ocidental, contexto no qual o termo crioulo terá surgido. Depois, examina os movimentos populacionais associados à construção dos impérios europeus no Atlântico, a formação das sociedades coloniais e os modos de gestão da diversidade étnica e cultural. Em seguida, aprofunda a transformação histórica do termo crioulo e os usos que assumiu ao longo dos séculos XIX e XX.
Este percurso visa dotar as/os estudantes de um conhecimento aprofundado sobre as dinâmicas populacionais e os múltiplos processos de crioulização, com enfoque no Atlântico, promovendo uma discussão historicamente informada e comparativa que integra também os contextos do Índico e do Sudeste Asiático.
Objetivos
____
- Dotar as/os estudantes dos instrumentos conceptuais que permitam discutir o conceito de crioulidade numa perspectiva histórica;
- Dotar as/os estudantes de um conhecimento aprofundado, e numa perspectiva histórica, das dinâmicas de movimento de populações, em especial no mundo atlântico entre o século XV e o tempo presente;
- Dotar as/os estudantes de um conhecimento aprofundado dos múltiplos processos de crioulização que ocorreram entre os séculos XV e o tempo presente, em especial aqueles que tiveram lugar no espaço atlântico;
- Dotar as/os estudantes de instrumentos que permitam realizar uma comparação entre os diversos contextos de crioulização, no Atlântico, no Índico e no Sudeste Asiático.
Programa
____
- A expansão europeia a partir do século XV. O uso da palavra «crioulo» no contexto das interações entre portugueses e populações locais da África ocidental;
- A dinâmica imperial no Atlântico, no Índico e no Sudeste Asiático (séculos XVI-XVIII).Movimentos de população motivados pela conquista, pela colonização e pelas necessidades de mão-de-obra;
- A formação das sociedades coloniais e a gestão da diferença cultural e étnica: incorporação, inferiorização e discriminação;
- As modalidades de crioulização nas sociedades coloniais: entre as dinâmicas da mistura, as páticas sociais de discriminação e a repressão por parte das autoridades imperiais;
- Crioulo / criollo / creole: diferentes aceções em diversos contextos (séc(s). XVII-XVIII);
- O Colonialismo, o pensamento racialista do século XIX-XX e as crioulidades e mestiçagens no mundo atlântico;
- Os intérpretes das crioulidades e políticas de diferença (séc.XX).
Bibliografia
____
Correia e Silva, A. L. (2023). Noite escravocrata, madrugada camponesa: Cabo Verde séculos XV–XVIII (2.ª ed.). Rosa de Porcelana.
Fernandes, G. (2006). Em busca da nação: Notas para uma reinterpretação do Cabo Verde crioulo. Editora da UFSC / Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro.
Green, T. (2012). The rise of the trans-Atlantic slave trade in Western Africa, 1300–1589. Cambridge University Press.
Gilroy, P. (1993). The Black Atlantic: Modernity and double consciousness. Harvard University Press.
Henriques, I. C. (2004). Os pilares da diferença: Relações Portugal-África, séculos XV–XX. Caleidoscópio.
Horta, J. S. (1995). Entre história europeia e história africana, um objecto charneira: As representações. In Colóquio Construção e Ensino da História de África: Actas das sessões realizadas na Fundação Calouste Gulbenkian nos dias 7, 8 e 9 de junho de 1994 (pp. 181–200). Fundação Calouste Gulbenkian.
docente
____
António Correia e Silva – Professor universitário e historiador, doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa. Foi Reitor da Universidade de Cabo Verde e Ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação. A sua investigação incide sobre a história de Cabo Verde, o Atlântico, o urbanismo e os processos de construção do Estado, sendo autor de várias obras de referência na historiografia cabo-verdiana.
Pedro Cardim – Professor Associado com Agregação no Departamento de História da NOVA FCSH e investigador do CHAM – Centro de Humanidades da mesma instituição. A sua investigação centra-se na história das formações políticas ibéricas da Época Moderna e na sua dimensão imperial no Atlântico, com vários estudos publicados sobre a história de Portugal e do mundo ibérico durante essa Época. Os seus interesses de investigação abrangem a memória do império português e do seu domínio colonial, História Moderna, História de Portugal e de Espanha na época moderna, História Constitucional da época moderna e História do colonialismo na época moderna.