13
Jul
Fantasmagoria e espetralidade no cinema (e noutras artes)
O Estranho Caso de Angélica (2010)
Data: 13 a 27 Jul
Horário: terças e quintas-feiras das 18h00 às 21h00
Duração: 15h
Morada: NOVA FCSH | Sala B 309
Área: História da Arte e Estudos Artísticos
Docente responsável: Golgona Anghel
Docente: José Bértolo
Acreditação pelo CCPFC: Não
Ensino presencial
 Ensino Presencial (Se as condições sanitárias permitirem)

 

Objetivos

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  • Considerar a presença do fantasma na história da arte e da cultura, traçando a evolução das suas representações e aferindo as diversas configurações que esta figura obteve nas artes, com destaque para o cinema;
  • Explorar a espetralidade enquanto conceito, caracterizando um conjunto de traços específicos que lhe outorga um especial interesse temático e teórico em contexto artístico;
  • Verificar de que forma o fantasma, por um lado, permite questionar a própria natureza (espetral) das artes, e, por outro lado, se revela particularmente adequado para levar a cabo uma reflexão sobre fenómenos humanos diversos (de natureza epistemológica, afetiva, social, política, entre outras).

 

Programa

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Habitando a imaginação humana desde as origens da civilização e da cultura, o fantasmagórico tornou-se uma presença  assinalável em todas as expressões artísticas, desde o Antigo Egipto, com Khonsuemheb e o Fantasma, a Hamlet, de William Shakespeare, a Poltergeist, de Steven Spielberg. Nos últimos séculos, recorreu-se ao fantasma, sobretudo, para provocar espanto, horror ou medo nos leitores, espetadores e ouvintes. Porém, o fantasma também tem sido utilizado para possibilitar um pensamento sobre o desconhecido, os limites da ciência e o mistério da morte. Esta ligação entre o sensacional e o epistemológico é particularmente evidente no quadro da modernidade, e em especial a partir do século XIX — “a idade de ouro das histórias de fantasmas”, segundo Jack Sullivan —  em que a revolução industrial e o emergente positivismo filosófico coexistiram com o espiritualismo, o hipnotismo e a psicanálise. Nos séculos XX e XXI, o cinema tornou-se a morada artística, por excelência, do fantasma. Entre 1895 e os nossos dias, centenas de filmes elegeram o espetro como figura e tema, abarcando uma acentuada diversidade de géneros, entre o horror e o melodrama, a comédia e o filme de guerra. Este curso oferece uma visão simultaneamente histórica e teórica da presença do fantasma nas artes, com especial incidência no seu potencial simbólico e metafórico. Verificar-se-á que, com efeito, o fantasma no cinema — tal como na literatura e na fotografia — se associa intimamente a problemas humanos que dizem respeito, sobretudo, aos vivos: o medo, o desconhecido, a repressão, o trauma, a memória, entre outros.

O curso é composto por cinco sessões subordinadas aos seguintes tópicos:

  • Introdução: o que é um fantasma?/A importância do século XIX: das ghost stories à fotografia espírita;
  • O espetro mediático, ou a espetralidade dos media;
  • O fantasma como figura do desconhecido e da questionação;
  • Histórias de amor e morte: da espetralidade e dos afetos;
  • O fantasma como metáfora social e política.

Alguns dos autores, artistas e cineastas discutidos são os seguintes:

  • Literatura — William Shakespeare, Henry James, Oscar Wilde, Maria Velho da Costa;
  • Fotografia — William Mumler, William Hope, Man Ray;
  • Cinema — Abel Gance, Kenji Mizoguchi, François Truffaut, Manoel de Oliveira, Alejandro Aménabar, João Pedro Rodrigues, Pedro Costa, Apichatpong Weerasethakul, Mati Diop.

 

Bibliografia

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  • Bértolo, José e Fernando Guerreiro (2019), Morte e Espectralidade nas Artes e na Literatura. V. N. Famalicão: Húmus.
  • Derrida, Jacques (2001), “Derrida : Le cinéma et ses fantômes” (entrevista conduzida por Antoine de Baecque e Thierry Jousse), Cahiers du Cinéma, n.º 566 (Abril), 74-85.
  • Leeder, Murray (2015), Cinematic Ghosts: Haunting and Spectrality from Silent Cinema to the Digital Era. Nova Iorque e Londres: Bloomsbury.
  • Medeiros, Margarida (2010), Fotografia e Verdade: Uma História de Fantasmas. Lisboa: Assirio & Alvim.
  • Peeren, Esther e Pilar del Blanco (2013), The Spectralities Reader: Ghosts and Haunting in Contemporary Cultural Theory. Nova Iorque e Londres: Bloomsbury.

 

Pré requisitos

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Os textos e os filmes discutidos nas sessões serão de leitura e visionamento aconselhados, mas não obrigatórios. Sempre que possível, estes serão facultados aos alunos inscritos.

 

PROPINA

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Ver tabela em informações úteis

 

docentes

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Golgona Anghel

José Bértolo é doutorado pela Universidade de Lisboa (2019) e investigador do Centro de Estudos Comparatistas. Tem desenvolvido trabalho nas áreas dos estudos fílmicos, da intermedialidade e da literatura comparada, com especial incidência em questões de ficção e narrativa, representação e figuração, ontologia e materialidade das imagens. Publicou, na Documenta, Imagens em Fuga: Os Fantasmas de François Truffaut (2016), Sobreimpressões: Leituras de Filmes (2019) e Espectros do Cinema: Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues (2020). Co-organizou os volumes A Escrita do Cinema: Ensaios (com Clara Rowland, Documenta, 2015), Morte e Espetralidade nas Artes e na Literatura (com Fernando Guerreiro, Húmus, 2019) e Imitações da Vida: Cinema Clássico Americano (com Fernando Guerreiro e Clara Rowland, Bookbuilders, 2020), e co-editou, com Margarida Medeiros, um número da Revista de Comunicação e Linguagens dedicado a “Os Fantasmas da Fotografia e do Cinema”.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

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