Do mundo para a sala de aula: abordagens antropológicas para pensar as sociedades contemporâneas
Objetivos
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- Proporcionar à docência uma abordagem prática e criativa dos estudos antropológicos e de como utilizá-los para refletir criticamente sobre alguns dos debates socioculturais contemporâneos;
- Incentivar práticas de ensino que acionam competências transversais na área da pesquisa, análise crítica e realização de trabalhos por parte dos/as alunos/as;
- Treinar a desconstrução de alguns dos conteúdos dos manuais escolares;
- Partilhar práticas pedagógicos para incentivar o protagonismo dos/as alunos/as no ato educativo;
- Experimentar formas colaborativas de ensino, através da partilha de metodologias pedagógicas específicas;
- Estimular a criação de ambientes seguros de aprendizagem através de processos de educação emocional.
Programa
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Aula 1 (2h) (10h00–12h00)
Enquadramento sobre o olhar antropológico: Como construímos o nosso olhar sobre o mundo que nos rodeia? Como podemos olhar para o mesmo tema a partir de “lugares” diferentes? Através de exemplos de pesquisas e exercícios práticos, iremos criar uma linguagem coletiva que complexifica o olhar e serve de terreno comum para os módulos seguintes.
Aula 2 (2h) (14h00–16h00)
O que é a cultura? Serão refletidas dimensões visíveis e invisíveis da cultura através de uma dinâmica participativa designada de “iceberg da cultura”. A partir de vivências dos/as formandos/as e de experiências de investigação da formadora, serão exploradas estas diferentes dimensões e as formas como afetam a perceção do outro e a perspetiva da história única.
Aula 3 (3h) (10h00–13h00)
Olhar as migrações. A questão das migrações e o seu papel na criação de lugares e espaços de pertença será trabalhada analisando os diferentes regimes de mobilidade em Portugal (imigração e emigração). Através da análise das políticas migratórias europeias, o seu impacto em Portugal e a circulação de discursos estigmatizantes no espaço público e mediático, iremos refletir sobre a construção de histórias comuns e subjetividades partilhadas.
Aula 4 (3h) (14h00–17h00)
Género, sexualidade, raça e classe. Utilizando referências do feminismo negro e decolonial, procuraremos desconstruir o pensamento binário para debatermos, de forma aberta, complexa, crítica e criativa, conteúdos curriculares, sobre corporeidade, sexualidade, identidades, afetividades e igualdade de género, e analisarmos as formas de discriminação relacionadas.
Aula 5 (3h) (10h00–13h00)
Pessoas em situação de refúgio. Será analisada a história das pessoas em situação de refúgio em Portugal, bem como os desafios à sua inclusão. Pretende-se abordar a diversidade social e cultural; questões de género; o acesso ao emprego, à saúde e à educação; estereótipos e preconceitos; o associativismo, a importância do ensino da língua portuguesa e da mediação em ambiente escolar.
Aula 6 (3h) (14h00–17h00)
O património tem muitas faces! O património cultural será discutido como indutor de diálogo para a cidadania e para a paz, mas também como imagem de poder hegemónico. Esta reflexão crítica será apoiada na análise de patrimónios associados a práticas migratórias e ao passado colonial, visando (re)contextualizar os seus diferentes modos de usos e trazê-los para as salas de aula como ativadores de empatia.
Aula 7 (3h) (10h00–13h00)
Aprender com a cidade. Pretende-se partilhar conceitos relacionados com os estudos antropológicos sobre conflitos urbanos, bem como ferramentas metodológicas da etnografia colaborativa e multimodal, enquanto espaços de pedagogia crítica e situada. Ao ensaiar formas alternativas de ‘aprender com a cidade’ em conjunto com as crianças, alteramos as hierarquias da produção de conhecimento e “fazemos” cidade de forma diferente.
Aula 8 (3h) 14h00–17h00)
Promoção de debates horizontais sobre os temas trabalhados no curso.
Aula 9 (3h) (10h00–13h00)
Trabalho final em grupos sobre uma temática à escolha, com vista à preparação de uma proposta didática para a sala de aula. Conversa coletiva para a avaliação final do curso.
Bibliografia
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- Buarque de Hollanda, H. (Org.). (2020). Pensamento feminista hoje: Perspectivas decoloniais. Bazar do Tempo.
- Cardeira da Silva, M. (2024). Património à solta. Fundação Francisco Manuel dos Santos.
- Costa Lopes, R. (2024). Preconceito e discriminação em Portugal. Fundação Francisco Manuel dos Santos.
- Lima Rego, M. (Coord.), Côrte‑Real, P. (Coord.), Brilhante, J., Resende, M. J., Vale de Almeida, M., & Corcodel, V. (2024). Multiversidade: Livro branco sobre discriminação múltipla e interseccional. NOVA.
Pré-requisitos
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N/A
PROPINA
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Ver tabela em informações úteis.
docentes
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Ana Saraiva – Doutorada em antropologia e mestre em museologia e património (UNL FCSH). Investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia – CRIA, Nova FCSH, com estudos sobre património cultural e museologia, contextos migratórios e transnacionalismo. Programou e dirigiu o Museu de Ourém (RPM); assumiu funções dirigentes na divisão de ação cultural no Município de Ourém, na divisão de ação cultural, museus e turismo no Município de Leiria e na divisão de património móvel e imaterial da Direção-Geral do Património Cultural. É antropóloga/museóloga na Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
Elizabeth Challinor – Doutorada em Antropologia pela Universidade de Sussex (2001). As suas áreas de investigação incluem a antropológica do desenvolvimento, migrações, políticas públicas e o acolhimento de pessoas refugiadas em Portugal. A sua experiência de educação de adultos inclui a criação e formação num curso livre “Cooperação e Desenvolvimento” para a Escola Superior de Educação em Viana do Castelo (2000-2004) e a co-criação do curso livre “Competências Interculturais em Contextos de Migrações” para a câmara municipal de Viana de Castelo (2020-23).
https://www.cienciavitae.pt/7F19-5F4A-A118
Kitti Baracsi – Trabalha no cruzamento da arte, da pedagogia crítica e da investigação urbana, realizando iniciativas comunitárias e culturais, bem como criações artísticas coletivas e multimodais, com foco nas desigualdades urbanas, nas práticas coletivas e na produção de conhecimento. Tem formação em Ciências da Comunicação, Estética e Pedagogia. Desde 2006 que está envolvida em projetos de educação, trabalho comunitário, iniciativas culturais e investigação nas áreas da educação, habitação, género e migração, em países como a Hungria, Itália, Portugal e Espanha. Sediada em Lisboa, colabora com movimentos, escolas, associações, instituições culturais e universidades em toda a Europa. É Senior Atlantic Fellow for Social and Economic Equity no LSE International Inequalities Institute e investigadora colaboradora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA). É cofundadora da Cooperativa Criar Cidade, a iniciativa intergeracional Fazer do bairro a nossa casa, colaboradora do Coletivo Orangotango, entre outros. A sua iniciativa periferias dibujadas aborda as transformações urbanas, centrando as vozes das crianças e jovens através da investigação urbana colaborativa, da arte e da pedagogia crítica.
https://www.cienciavitae.pt/F01B-7848-42CF
Micol Brazzabeni – Antropóloga e, atualmente, mediadora social numa Escola Básica de ensino público em Lisboa. Dinamiza oficinas sobre igualdade de género, discriminações e educação emocional. Coordenou o Projeto “Pequena Oficina de Antropologia” no âmbito do Programa Fazer Acontecer (CM Lisboa). Realizou o seu pós-doutorado em Portugal no CRIA-ISCTE (2008-2014) sobre espaços e emoções e a sua investigação doutoral numa parceria entre a Universidade de Florença e a Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil (2004-2005), onde pesquisou ideias de escolas com famílias do grupo indígena Maxakali/Tikmũ’ũm. Desde 2005 até 2017, lecionou em âmbito académico e em cursos temáticos de Antropologia em Centros de Saúde para operadores sócio sanitários e Agrupamentos Escolares para Docentes de Ensino Básico na Itália.
https://www.cienciavitae.pt/EB15-A279-B3AC
Sónia Ferreira – Doutorada em Antropologia pela Universidade Nova de Lisboa onde é professora auxiliar do Departamento de Antropologia. É investigadora integrada do Centro em Rede de Investigação em Antropologia e investigadora associada da Unité de Recherche Migrations et Société (Univ. Paris Cité) onde é co-coordenadora do Groupe de Travail Migrations dans les mondes lusophones : identités, altérités et circulations. Co-editou em 2024 a obra “Les Portugais em France: une immigration invisible?” (Ed. Le Cavalier Bleu. Col. MIMED). Desde 2021, é co-editora da coleção “Women on the Move. Past and Present Perspectives” na Manchester University Press e, desde 2022, co-editora da coleção ‘Women on the Move’ no Open Research Europe. É atualmente coordenadora nacional do projecto “TRAST – Transmedia Stories of Insularity” (Creative Europe).