12
Jan
Data: 12 Jan a 4 Fev
Horário: terças e quintas-feiras das 16h00 às 19h00 | 12 de janeiro das 16h00 às 20h00
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH | Sala T5 | Torre B | Piso 2
Área: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia
Docente responsável: Rita Luís
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Professores dos grupos Professores dos grupos 200, 400 e 410.
Ensino Presencial
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino Presencial

 

Objetivos

____

  • Abordar a historicidade de conceitos como censura, liberdade de expressão ou linguagem politicamente correta.
  • Familiarização com os debates em torno do conceito censura.
  • Identificação das dimensões sociais, políticas, económicas e morais historicamente determinantes na regulação cultural.

As sessões compreendem exposição, discussão dos textos recomendados e realização e apresentação dos exercícios propostos.

 

Programa

____

A censura tende a ser historicamente associada ao papel coercivo do estado, e das instituições religiosas, sobre a circulação de informação, conhecimento e entretenimento. O mundo surgido no pós-segunda guerra inscreve a liberdade de opinião e de expressão (cf. art. 19 da DUDH) como direito fundamental, conferindo-lhe uma dimensão transnacional. No mundo global do séc. XXI, o ímpeto de vigilância ao nível do estado-nação mantém-se, com particular ênfase no âmbito da internet, domínio onde a cooperação das empresas multinacionais é crucial. É sobejamente conhecido o controlo exercido na Coreia do Norte ou a China – entre outras geografias consideradas periféricas, embora também o Reino Unido figure, desde 2014, na lista de países “inimigos da internet” elaborada pelos Repórteres sem fronteiras (RSF). O controlo é muitas vezes exercido através de blackouts de redes sociais (cf. a banição do twitter por Erdoğan em 2014) ou interrupções dos serviços de internet em momentos de convulsão social (cf. o “kill switch” no Egipto em 2011) ou de controvérsia eleitoral: em 2018 registaram-se 196 incidentes, segundo dados de Access Now. No estado espanhol procurou-se a sua institucionalização no pós 15-M (Cf. “Ley Mordaza” de 2012 ou “Ley de Seguridad Digital” de 2019). Sendo a liberdade de imprensa como uma das formas de descrição, e avaliação, da relação entre o estado e os media no contexto ocidental (cf. Índice de Liberdade de Imprensa publicado anualmente pelos RSF) e incorporando a censura a tensão entre os limites legais que o estado-nação pode hoje impor e a dimensão global da atual esfera comunicativa, não será sempre claro, ou conceptualmente preciso, identificar a segunda como mera antítese da primeira (Darnton,2014). A censura é, de facto, sempre uma regulação do discurso, mas nem toda a regulação de discurso se constitui efetivamente enquanto censura. Basta atentar nos casos de auto-regulação de um campo (Bourdieu, 1998), em que a exclusão é fruto da rejeição dos pares, nos processos culturais baseados na dinâmica de inclusão/exclusão como a formação de um cânone (musical, literário, artístico) assente maioritariamente na exclusão de sujeitos não pertencentes às categorias dominantes, ou no tipo de controlo social que distingue o que é ou não do âmbito da esfera privada/pública (Muller, 2004), para termos de nos colocar perante a questão: de que falamos quando falamos de censura.

 

Censura hoje e ontem

  • História/Geografia dos sistemas censórios
  • Mapeamento/Evolução de estudos.

Censura como conceito

  • A censura como sistema comunicativo: Ludibriar o censor? linguagem Esopiana (Lev Loseff ), escrita esotérica/exotérica (Leo Strauss), paranóia e autoria (J.M. Coetzee).
  • Censura e o estado.
  • A montante do estado.

Um conceito em disputa

  • Linguagem politicamente correta: debates, limites e equívocos.
  • Google, Facebook, twitter & etc: possibilidades e limites do poder do estado-nação hoje.

 

Bibliografia

____

  • Fish, Stanley (1994) There’s no such thing as freedom of speech and it’s a good thing, too, New York/Oxford: Oxford University Press.
  • Goldsmith Jack L.; Wu, Tim (2006) Who Controls the Internet?: Illusions of a Borderless World. New York : Oxford University Press.
  • Müller, Beate (ed.). Censorship & Cultural Regulation in the Modern Age, Amesterdam: Editions Rodopi B.V., 2004.
  • Post, Robert C. Censorship and Silencing: Practices of Cultural Regulation, Getty publications, 1998.
  • Rosenfeld, Sophia. Common Sense. A Political History; Cambridge, MA/ London: Harvard University Press.

 

PROPINA

____

Ver tabela em Informações úteis.

 

docentes

____

Rita Luís é doutorada em Comunicação pela Universitat Pompeu Fabra (UPF) em Barcelona (2015) e especializada em história dos meios de comunicação, com particular ênfase no contexto das ditaduras ibéricas do século XX. Os seus interesses de investigação incluem a relação entre meios de comunicação e a história, em particular o campo discursivo no âmago dos regimes autoritários e do seu sistema de propaganda, assim como o âmbito do ensino da história, tendo trabalhado em diversos projetos no campo da Educação sediados no ArgLab (NOVA|FCSH). É investigadora contratada (CEEC 2017) na NOVA|FCSH, onde coordena o Grupo Cultura, Identidade e Poder do Instituto de História Contemporânea (IHC) e desenvolve um projeto sobre Censura Ibérica conectada: as práticas e quotidianos da censura à imprensa sob os regimes autoritários do século XX. Colabora igualmente com o grupo de investigação em jornalismo (Grup de Recerca en Periodisme) da UPF.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos de ANO NOVO (CAN)

As nossas redes

Para quem quer estar mais próximo do que está a acontecer