29
Ago
Data: 29 Ago a 9 Set 2022
Horário: dias úteis das 18h00 às 20h30
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH | Sala A 306
Área: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia
Docente responsável: Maria Madalena Túbal Miranda
Docente: Madalena Miranda
Acreditação pelo CCPFC: Não
Ensino presencial
Ensino Presencial (Se as condições sanitárias permitirem)

 

Objetivos

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Este curso propõe um percurso do gesto artístico enquanto intervenção no campo da política. Ao neologismo contemporâneo “artivismo” = “arte+ativismo” corresponde uma cronologia que questiona a arte no lugar do coletivo desde a pintura de Courbet.
Iremos identificar, no limiar do séc. XX, as vanguardas e as revoluções que co-existiram entre os murais de Rivera e o cinema de Vertov ou Eisenstein; reconhecer em Brecht e Sander a materialidade dos corpos e da criação em tempos de crise e de guerra; repensar, depois de Maio (68) e da “sociedade do espetáculo”, as derivas Situacionistas e a Escultura Social de Beuys como utopia estética. A crise ecológica atual reconvocou esta injunção, hoje digital e global, a experimentar num caso prático.

 

Programa

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I módulo – O ativismo transversal no longo Séc. XX 2h30m
Introdução e identificação de percurso histórico (Raunig, 2007) da transversalidade de movimentos artísticos e políticos.
Identificação de práticas na fronteira entre arte e política, desde a pintura de Gustave Courbet, passando pelos Futuristas ou o PublixTheatreCaravan em Génova. Recontextualização destas práticas de intervenção e da sua reflexão teórica com o seu afastamento do campo da arte.

II módulo – O mapa global do ativismo transversal do séc. XX. 2h30m
Exercício prático de identificação de exemplos históricos e contemporâneos de movimentos artivistas e mapeamento de áreas de interesse com vista ao desenvolvimento de caso prático, focado na criação visual e nas práticas digitais.

III módulo – Política e Intervenção: As vanguardas e a forma 2h30m
Enquadramento histórico sobre a criação de “imagens dos povos”, tema de inovação e de rutura com a tradição elitista anterior.
Com o início do séc. XX, desde as pinturas murais de Diego Rivera ou do cinema experimental de Vertov a Eisenstein, que se levanta o tema das vanguardas ligadas aos coletivos de intervenção. O aparecimento do cinema e da fotografia, fez emergir a expressão individual e a diversidade de contributos.

IV módulo – Política e Intervenção: organizar o conflito 2h30m
Estudo de alguns testemunhos artísticos nos períodos de crises e de guerras, como o caso de Bertolt Brecht, de August Sander ou também John Hartfield.
Identificação de técnicas e práticas de criação e intervenção. Metodologia participativa de desenvolvimento de projeto.

V módulo – Movimentos artísticos pós “sociedade do espetáculo” 2h30m
Identificação de uma genealogia de movimentos sociais e artísticos no séc. XX e a sua relação com a contra-cultura, desde os movimentos dos direitos civis, dos Black Panthers até à estética Maio 68. Na criação cinematográfica apresentar Chris Marker, Jean Luc Godard, ou as cooperativas portuguesas de cinema e os filmes coletivos do PREC.

VI módulo – Da deriva situacionista na arte política à Escultura Social 2h30m
Análise de obras do movimento Internacional Situacionista e do seu impacto numa sociedade “pós-espetáculo”, onde preconiza o fim da arte ou a sua incorporação na vida, assim como do conceito de “escultura social” de Joseph Beuys.
Escolha e experimentação de técnicas de criação visual na ótica do utilizador|criador: fotografia, vídeos curtos, composição gráfica, práticas visuais online como criação de gifs, memes.

VII – O artivista, cidadão do séc. XXI 2h30m
Exposição do estado da arte da injunção do ativismo com a arte global. Apresentação de exemplos a partir de “Ativismo Global”, Peter Weibel (2014) desde os movimentos sociais, “Green Movement” no Irão, “OccupyWS” e as suas intervenções, a performance visual de Banksy e as insurreições performativas dos movimentos ecológicos contemporâneos como a “Red Brigade” do Movimento Extinction Rebellion.

VIII – O artivista, cidadão do séc. XXI – ação|intervenção 2h30m
Desenvolvimento prático de projeto artivista visual, com metodologias e técnicas experimentadas anteriormente.

IX – Especulações para Futuros EcoArtivistas 2h30m
Apresentação do estado da arte contemporâneo dos cruzamentos entre Arte, Política e Ecologia. Exemplos da visualidade do Antropoceno, “Fordlândia”(Sousa Dias, 2020) ou curadorias e exposições diversas (Demos, 2021). Para além do papel do artista, qual o contributo do artivista, global e digital neste desafio e quais as tendências atuais.

X: Conclusão e considerações finais 2h30m
Apresentação do projeto prático com debate.
O estudo sistemático das relações entre as expressões artísticas e políticas tem uma argumentação que importa apresentar hoje num mundo global, de expressões e práticas individuais cada vez mais transversais. O cidadão contemporâneo toma como seu o espaço híbrido online e local, onde através das formações coletivas ou da sua pegada individual, se recria numa agência política, social e artística própria.
Perante a pressão de um mundo que se interpela nas suas relações de co-existência ecológica, a injunção da arte e do ativismo são um lugar privilegiado para reconhecer e recriar um percurso anterior de relações criativas e interventivas, em diferentes momentos-chave, que podem abrir novos imaginários e respostas comuns.

 

Bibliografia

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  • Raunig, Gerald. 2007. Art and revolution: Transversal activism in the long twentieth century. Cambridge: MIT Press.
  • Weibel, Peter. Editor. 2014. Global Activism: Art and conflict in the 21st century. Cambridge: MIT Press.
  • Didi-Huberman, Georges. 2012. Peuples Exposés, Peuples Figurants, L’Oeil de L’Histoire, 4. Paris: Les Éditions de Minuit.
  • Rancière, Jacques. 2000. La Partage du Sensible – Esthétique et Politique. Paris. La Fabrique Éditions.
  • Demos, T.J, Scott, E.Eliza, Banerjee S., eds. 2021. The Routledge Companion to Contemporary Art, Visual Culture and Climate Change. New York and London. Routledge, Taylor & Francis

 

Pré requisitos

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Dispositivo de filmar ou fotografar.

Pode ser um telemóvel, sem especificações técnicas mínimas, apenas que consiga gravar vídeo, sons e fazer captura de imagem.

 

PROPINA

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Ver tabela em informações úteis.

 

docente

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Madalena Miranda é Professora Auxiliar Convidada do Departamento de Ciências da Comunicação, documentarista portuguesa que vive e trabalha em Lisboa. É doutorada em Media Digitais, Audiovisual e Conteúdos Interativos pela Universidade Nova de Lisboa-FCSH, sobre “Imagens de Protesto, Retratos Coletivos no Arquivo Digital”. É licenciada em Ciências da Comunicação e mestre em Antropologia. Realizou vários filmes, principalmente documentários. Alguns deles exibidos em diferentes festivais de cinema, entre eles Les Écrans Documentaires, IndieLisboa, DocLisboa ou Oberhausen Film Festival. Atualmente é investigadora integrada do ICNOVA-NOVA FCSH, no Grupo de Cultura, Mediação & Artes, do qual é vice-coordenadora. Tem participado em conferências internacionais sobre Imagem, Política e Novos Media. Editou recentemente o número 55 “Novos Media Habituais” da Revista de Comunicação e Linguagens – https://rcl.fcsh.unl.pt/index.php/rcl.
https://www.cienciavitae.pt/portal/3319-7960-1378

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)