04
Jul
Cinema e Fotografia: Histórias de Uma Assombração
Blow-up (1966), de Michelangelo Antonioni
Data: 4 a 18 Jul 2022
Horário: segundas e quintas-feiras das 18h00 às 21h00
Duração: 15h
Morada: NOVA FCSH | Sala B 211
Área: História da Arte e Estudos Artísticos
Docente responsável: Clara Rowland
Docente: José Bértolo
Acreditação pelo CCPFC: Não
Ensino presencial
Ensino Presencial (Se as condições sanitárias permitirem)

 

Objetivos

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  1. identificar e analisar contextos em que o cinema e a fotografia dialogam, promovendo uma reflexão acerca das potencialidades e dos limites de cada um;
  2. refletir sobre a relação privilegiada que a fotografia e o cinema mantêm com o real físico e a experiência;
  3. conhecer noções elementares da gramática formal da fotografia e do cinema, tais como: ponto de vista, enquadramento, sequencialidade e montagem;
  4. exercitar a visualização atenta, distanciada e interpretativa de fotografias e filmes.

 

Programa

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O cinema e a fotografia mantêm entre si uma relação privilegiada no quadro das artes, sobretudo no que diz respeito ao facto de ambos se basearem numa transferência aparentemente direta da realidade visível para a imagem. Porém, estas artes divergem num conjunto de características importantes, p.ex., na articulação que cada uma mantém com o tempo e o movimento, bem como nas suas especificidades materiais. Com estas e outras noções no horizonte crítico, discutir-se-á objetos particulares que concretizam, eles mesmos, uma aproximação aos complexos diálogos estabelecidos entre a fotografia e o cinema.

As sessões serão sobretudo laboratoriais, seguindo as seguintes unidades temáticas:

1. FOTOGRAFIA E CINEMA: ASSOMBRAÇÕES
Eadweard Muybridge e Étienne-Jules Marey
La Jetée (1962), de Chris Marker
Hiroshi Sugimoto, “Theaters”

Discutir-se-á algumas especificidades da fotografia e do cinema enquanto artes, nomeadamente no que diz respeito ao modo como lidam com o real, o tempo e o movimento. Começar-se-á a observar casos de estudo específicos que integram na sua própria constituição estas mesmas interrogações de ordem ontológica.

2. VISÃO, VOYEURISMO E CRIME
Rear Window (1954), de Alfred Hitchcock
Blow-up (1966), de Michelangelo Antonioni

Comentar-se-á dois filmes ficcionais cujas personagens principais são fotógrafos. Analisando as histórias de suspense e crime destas obras, procurar-se-á desocultar uma meditação implícita nos objetos sobre a visão, o desejo e os aparelhos óticos enquanto instrumentos que permitem ver para além do que é imediatamente percetível.

3. FOTOGRAFIA, MORTE E FANTASMAS
A Câmara Clara (1980), de Roland Barthes
O Estranho Caso de Angélica (2010), de Manoel de Oliveira
Le Secret de la chambre noire (2016), de Kiyoshi Kurosawa

Partindo da reflexão de Barthes acerca da familiaridade particular que a fotografia possui com a morte, passar-se-á ao comentário de dois filmes que questionam esse mesmo parentesco através de narrativas sobrenaturais de amor, morte e fantasmas.

4. FILMES E PHOTOBOOKS
Traces of a Diary (2010) e Tokyo Diaries (2014), de André Príncipe e Marco Martins
Ama-San (2016) e Ama-San (2016), de Cláudia Varejão
Colo (2017), de Teresa Villaverde, e Ensaio (2015), de António Júlio Duarte

Atentar-se-á em três casos de estudo-pertencentes ao contexto artístico português-que põem em evidência articulações diretas, e vincadamente distintas, entre livros de fotografia (photobooks) e filmes.

5. CINEASTAS FOTÓGRAFOS/AS OU FOTÓGRAFOS/AS CINEASTAS?
Agnès Varda
André Príncipe
Andrei Tarkovsky
Cindy Sherman
Daniel Blaufuks
Man Ray
Stanley Kubrick

Debater-se-á artistas que se associaram simultaneamente às práticas fotográfica e cinematográfica. Identificar-se-á zonas de convergência e de divergência entre as artes e procurará encontrar-se, na análise de diversos objetos, poéticas pessoais que sejam transversais às várias manifestações artísticas.

 

Bibliografia

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  • BARTHES, Roland. 1980. A Câmara Clara: Nota sobre a Fotografia (trad. Manuela Torres). Lisboa: Edições 70.
  • BÉRTOLO, José & Margarida MEDEIROS. 2020. “Os Fantasmas da Fotografia e do Cinema: Uma Breve Introdução”, Revista de Comunicação e Linguagens / Journal of Communication and Languages, N.º 53, 7-14. Online: https://rcl.fcsh.unl.pt/index.php/rcl/article/view/16/16.
  • CAMPANY, David. 2008. Photography and Cinema. Londres: Reaktion Books.
  • MENDONÇA, Luís. 2019. “‘Todas as Fotografias São Memento Mori’: Encenações da Morte Nalguns Filmes de Terror”, in José Bértolo e Fernando Guerreiro (org.), Morte e Espectralidade nas Artes e na Literatura. V.N. Famalicão: Húmus, 171-182.

 

PROPINA

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Ver tabela em informações úteis.

 

docentes

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José Bértolo é investigador de pós-doutoramento no IELT – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (U. Nova de Lisboa) e professor adjunto convidado na ESAD-CR. Desenvolve investigação nas áreas de estudos fílmicos, estudos de fotografia e intermedialidade, com particular incidência em questões relacionadas com a ontologia das imagens, a sua materialidade e a espectralidade enquanto tópico e questão teórica. Participou em eventos científicos em Portugal, em França, no Reino Unido e na Estónia, e publicou diversos artigos, capítulos de livros e livros. É autor de Imagens em Fuga: Os Fantasmas de François Truffaut (2015), Sobreimpressões: Leituras de Filmes (2019) e Espectros do Cinema: Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues (2020), publicados pela Documenta. Co-organizou três volumes de ensaios, entre os quais Morte e Espectralidade nas Artes e na Literatura (Húmus, 2019, c/ Fernando Guerreiro). Desenvolve, ainda, atividade enquanto fotógrafo (www.josebertolo.com).

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)