06
Jul
Data: 6 a 24 Jul
Horário: segundas, quartas e sextas-feiras das 16h00 às 19h00 | 6 e 24 de julho das 16h00 às 18h00
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH
Área: Comunicação Política Linguagem e Filosofia
Docente responsável: Rita Ferreira Santos Luís
Docente: Rita Ferreira Santos Luís
Acreditação pelo CCPFC: Não
Ensino a distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a Distância

 

Objetivos

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1. Abordar a historicidade de conceitos como censura, liberdade de expressão ou politicamente correto.

2. Familiarização com os debates em torno do conceito censura.

3. Identificação das dimensões sociais, políticas, económicas e morais historicamente determinantes nas práticas de regulação cultural.

 

Programa

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Historicamente a censura tem sido associada ao papel coercivo do estado, em conjunto com as instituições religiosas, no que diz respeito à circulação de informação, conhecimento e entretenimento. O mundo que surge no pós segunda guerra mundial inscreve como direito fundamental a liberdade de opinião e de expressão (cf. Art. 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos), conferindo-lhe dimensão transnacional, sobrepondo-se, portanto, à legitimidade da soberania do estado-nação nesse controlo. Constituindo-se a liberdade de imprensa como uma das formas de descrição, e avaliação, da relação entre o estado e os meios de comunicação (Cf. o Índice de Liberdade de Imprensa publicado anualmente pelos Repórteres sem fronteiras) e incorporando a censura a tensão entre os limites legais que o estado-nação pode hoje impor e a dimensão global da atual esfera comunicativa, não será sempre claro, ou concetualmente preciso, identificar a segunda como mera antítese da primeira (Darnton, 2014). A censura é sempre, de facto, uma regulação do discurso, mas nem toda a regulação de discurso será efetivamente censura. Basta atentar nos casos de auto-regulação de um campo (Bourdieu, 1998), no qual a exclusão é resultado da rejeição dos pares, nos processos culturais baseados na dinâmica de inclusão/exclusão dos quais resultam a formação de um cânone (musical, literário, artístico) assente maioritariamente na exclusão de sujeitos não pertencentes às categorias dominantes, ou no tipo de controlo social que distingue o que é ou não do âmbito da esfera privada/pública (Muller, 2004), para termos de nos colocar perante a questão: de que falamos quando falamos de censura?

 

1ª sessão (2h): Introdução e apresentação da estrutura do curso.

2ª sessão (3h) História e geografia dos sistemas censórios.

3ª sessão (3h) Pensar a censura hoje e ontem. Leitura: Nicole Moore “Censorship is.”

4ª sessão (3h) A censura como sistema comunicativo. Leitura: Beatte Müller, “Censorship and Cultural Regulation: Mapping the Territory“.

5ª sessão (3h) Ludibriar o censor? A “linguagem Aesopiana” e “estado de paranóia”. Leitura: J. M Coetezee “Emerging from censorship”.

6ª sessão (3h) “censura constitutiva” / linguagem ritual Leituras: Judith Butler “Ruled out: vocabularies of the censor”. Pierre Bourdieu “Censorship and the imposition of the form.”

7ª sessão (3h) Em torno do politicamente correcto Leitura: Stanley Fish “there’s no such thing as freedom of speech and it’s a good thing, too”.

8ª sessão (3h) Entre a “censura de mercado” e os limites legais do estado-nação. Análise dos padrões da comunidade do Facebook.

9ª sessão (2h) Apresentação dos trabalhos.

 

Bibliografia

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  • Bourdieu, Pierre. O que falar quer dizer: a economia das trocas linguísticas, Lisboa: DIFEL, 1998
  • Darnton, Robert. Censors at work; how states shaped literature. New York: W.W. Norton & Company, 2014.
  • Müller, Beate (ed.). Censorship & Cultural Regulation in the Modern Age, Amesterdam: Editions Rodopi B.V., 2004
  • Post, Robert C (ed.). Censorship and Silencing: Practices of Cultural Regulation, Getty publications, 1998
  • Rosenfeld, Sophia. Common Sense. A Political History; Cambridge, MA/ London: Harvard University Press, 2011

 

PROPINA

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Ver tabela em Informações úteis.

 

docentes

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Rita Ferreira Santos Luís é doutorada em Comunicação pela Universitat Pompeu Fabra (UPF) em Barcelona (2015) e especializada na história dos meios de comunicação, em particular no contexto das ditaduras ibéricas do século XX. Os seus interesses de investigação incluem a relação entre meios de comunicação e a história, nomeadamente o uso da linguagem e o campo discursivo no âmbito dos regimes autoritários e do seu sistema de propaganda. É investigadora contratada (CEEC 2017) na NOVA FCSH, onde coordena o Grupo Cultura, Identidade e Poder do Instituto de História Contemporânea (IHC) e desenvolve um projeto sobre Censura Ibérica contectada: as práticas e quotidianos da censura à imprensa sob os regimes autoritários do século XX. Colabora igualmente com o grupo de investigação em jornalismo (Grup de Recerca en Periodisme) da UPF.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

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