31
Jan
Data: 31 Jan a 15 Fev 2022
Horário: segundas, terças, quintas e sextas-feiras das 18h00 às 20h30
Duração: 25h | 2 ECTS
Área: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia
Docente: Hélder Telo - Docente responsável
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores do Grupo 410.
Ensino a distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a distância

 

Objetivos

____

  • Desenvolver competências de leitura e interpretação de textos filosóficos.
  • Adquirir conhecimentos culturais, linguísticos e terminológicos necessários para compreender o pensamento de Platão, Nietzsche e Foucault.
  • Refletir criticamente sobre o significado das principais teses antropológicas, éticas e epistemológicas de Platão, Nietzsche e Foucault.
  • Discutir o modo como as teses de Platão, Nietzsche e Foucault foram recebidas por pensadores posteriores.
  • Compreender a relevância contemporânea do pensamento de Platão, Nietzsche e Foucault sobre o ascetismo.

 

Programa

____

O ascetismo é visto como um tema sobretudo religioso, mas ele desempenha também um papel importante na história da filosofia – tanto nas conceções filosóficas do ser humano (em especial, da sua natureza corpórea e das possibilidades de a superar ou transformar), quanto no pensamento ético e nas conceções de verdade e da possibilidade de aceder a ela.

Contudo, as valorações e até mesmo as conceções do ascetismo são muito diferentes. Muitas vezes entendido como uma recusa do corpo ou uma forma de mortificação (e, enquanto tal, como um enriquecimento ou um empobrecimento da vida), ele foi também concebido – sobretudo nas últimas décadas – como tendo um sentido mais geral, que remete para o sentido original do termo “askêsis” como treino ou exercício. Mas independentemente de ser concebido de uma forma ou de outra, o que está em causa é sempre uma transformação radical do ser humano, que está ligada não só ao corpo, mas também ao que de forma genérica se designa por “espiritualidade”.

Este curso focar-se-á em três análises do ascetismo e das consequências éticas e epistemológicas. Primeiramente, considerarse-á a forma como Platão concebe a filosofia como um treino da morte, o qual envolve uma recusa dos desejos ligados ao corpo e uma tentativa de isolar a alma ou a parte dela que ama o saber. Depois, considerar-se-á o modo como uma conceção positiva do corpo permite a Nietzsche fazer uma avaliação ética e epistemológica muito diferente do ascetismo – avaliação essa que está em forte contraste com aquela que marcava a tradição platónica e neoplatónica.

Em ambos os casos, procurar-se-á contrariar algumas tendências de interpretação e explorar a possibilidade de encontrar uma compreensão mais positiva de corpo em Platão e uma valorização positiva de certos elementos ascéticos em Nietzsche.

Por fim, considerar-se-á como Foucault desenvolve – a partir do seu estudo de filósofos antigos, i incluindo Platão – um conceito positivo de ascetismo, que abarca as diversas práticas ou formas de cuidado de si, e que possibilita uma nova compreensão da ética e da relação do sujeito com a verdade. Ver-se-á também a proximidade que o ascetismo assim entendido tem com outras noções contemporâneas, como as noções de “exercício espiritual e “filosofia como modo de vida” desenvolvidas por Pierre Hadot ou a noção de antropotécnica desenvolvida por Peter Sloterdijk.

O curso concentrar-se-á sobretudo em três textos: o “Fédon” de Platão, o terceiro ensaio da “Genealogia da Moral” de Nietzsche e a “Hermenêutica do Sujeito” de Foucault. Além disso, considerar-se-á não só o contexto intelectual destes três autores, mas também o modo como foram recebidos por autores posteriores.

As aulas terão uma componente teórica de exposição do pensamento de Platão, Nietzsche e Foucault, bem como do seu contexto intelectual, e também uma componente prática de leitura e discussão dos passos mais relevantes das obras acima mencionadas.

 

Bibliografia

____

  • M. FOUCAULT, “L’herméneutique du sujet”, Paris, Seuil, 2001.
  • P. HADOT, “Exercices Spirituels et Philosophie Antique”, Paris, Albin Michel, 2002.
  • F. NIETZSCHE, “Para a Genealogia da Moral”, trad. de J. M. Justo, Lisboa, Relógio d’Água, 1999.
  • PLATÃO, “Fédon”, trad. de M. T. Schiappa de Azevedo, 2ª edição, Coimbra, Minerva, 2004.
  • P. SLOTERDIJK, “Tens De Mudar De Vida: Sobre Antropotécnica”, trad. de C. Leite, Lisboa, Relógio D’Água, 2018.

 

PROPINA

____

Ver tabela em informações úteis.

 

docente

____

Hélder Telo é bolseiro de pós-doutoramento no Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA), onde desenvolve um projeto de investigação sobre a arte de viver e a relação com a verdade em Platão, Nietzsche e Foucault. Doutorou-se em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, em 2018, com uma dissertação sobre a crítica de Platão à vida não-examinada. Realizou parte da sua investigação doutoral na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (2009-10, 2014) e no Boston College (2010-11). Depois de se doutorar, tem trabalhado sobre questões como o desejo de verdade, o cuidado e as emoções na filosofia antiga e na filosofia contemporânea.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos de ANO NOVO (CAN)

As nossas redes

Para quem quer estar mais próximo do que está a acontecer