07
Jul
Data: 7 a 28 Jul
Horário: segundas, quartas e sextas-feiras das 10h00 às 12h30
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH |
Área: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia
Docente: Hélder Gonçalo Cunha Telo - Docente responsável
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores do Grupo 410.
Ensino a distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a distância

 

Objetivos

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  • Desenvolver competências de leitura e interpretação de textos filosóficos;
  • Facultar conhecimentos culturais, linguísticos e terminológicos necessários para compreender o pensamento de Platão;
  • Fomentar uma reflexão crítica sobre o significado das principais teses psicológicas de Platão e a sua conexão com questões éticas, políticas, epistemológicas, ontológicas e estéticas;
  • Discutir as repercussões históricas e a relevância contemporânea das principais teses psicológicas de Platão.

 

Programa

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Segundo os diálogos de Platão, o ser humano é essencialmente uma psychê. Ao usar esse termo para caracterizar o nosso acontecimento, Platão está a fazer referência à poesia grega (especialmente Homero), aos mistérios e à filosofia naturalista dos chamados pré-socráticos. Contudo, a compreensão platónica da psychê envolve uma radical revisão do que está em causa nesse termo e essa revisão está intimamente ligada às perspetivas éticas, políticas, epistemológicas, ontológicas e estéticas que aparecem nos diálogos.

Apesar da importância da noção, a compreensão da psychê que encontramos nos diálogos de Platão está longe de corresponder uma doutrina definitiva e facilmente identificável. Desde logo, o significado do termo é problemático e pode ser traduzido por palavras tão diversas como alma, mente, vida ou si. Além disso, os enunciados sobre a psychê humana variam muito de texto para texto. Ela é concebida como una e como múltipla, como mortal e como eterna, como tendo ou não tendo conhecimento à nascença, como algo que é guiado só pelo conhecimento ou que pode ser guiado por outras formas de motivação, etc. Tudo isso suscita o problema de saber como é que a psychê deve ser concebida e quais são, de entre as várias teses apresentadas, as mais sólidas ou mais fecundas. Também problemático é o facto de as discussões da psychê terem tanto uma componente metafísica (que surge sobretudo no contexto de questões como a imortalidade da alma ou as formas platónicas e envolve elaborados argumentos dialéticos) e uma componente descritiva ou fenomenológica (que pode ser reconhecida na nossa experiência de nós mesmos sem fazer apelo a argumentos muito discutíveis).

Este curso concentrar-se-á mais nesta última componente e procurará conciliar diferentes aspetos da descrição platónica da psychê humana. Discutir-se-ão questões como: a relação da psychê com o corpo; os diversos poderes cognitivos da psychê; o seu caráter desiderativo, erótico ou amoroso; o modo como a psychê é uma espécie de pólis de pulsões e tem o seu próprio regime político interno; as diversas configurações que a psychê pode assumir e a qualidade ou o valor ético de cada uma delas; os modos de transformação e cuidado da psychê, etc. Será dada especial atenção ao caráter essencialmente filosofante (i.e., preocupado com o saber ou a verdade) da psychê e ao contraste entre as psychai não-filosóficas e a psychê filosófica (sobretudo na medida em que esta é apresentada como a forma ideal da psychê). A abordagem assentará na comparação de vários textos (como a Apologia, o Alcibíades I, o Górgias, o Fédon, o Fedro, a República, o Banquete, o Teeteto e o Filebo), mas considerará também o contexto cultural destes textos. As aulas terão uma componente teórica de exposição do pensamento de Platão e do seu contexto cultural, e também uma componente prática de leitura e discussão dos passos mais relevantes.

 

Bibliografia

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  • PLATÃO, Banquete, tradução de M. T. Schiappa de Azevedo, Lisboa, Edições 70, 1991.
  • PLATÃO, Fédon, tradução de M. T. Schiappa de Azevedo, 2ª edição, Coimbra, Minerva, 2004.
  • PLATÃO, Fedro, tradução de J. Ribeiro Ferreira, Lisboa, Edições 70, 1997.
  • PLATÃO, República, tradução de M. H. Rocha Pereira, 9ª edição, Lisboa, Gulbenkian, 2001.
  • PLATÃO, Teeteto, tradução de A. M. Nogueira e M. Boeri, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005.

 

PROPINA

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Ver tabela em informações úteis

 

docentes

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Hélder Gonçalo Cunha Telo é bolseiro de pós-doutoramento do Instituto de Filosofia da NOVA FCSH, onde desenvolve um projeto de investigação sobre a relação entre a arte de viver e a verdade em Platão, Nietzsche e Foucault. Em 2018, doutorou-se em Filosofia pela mesma universidade com uma dissertação sobre a crítica de Platão à vida não-examinada. Desde então, tem trabalhado sobre questões como o desejo de verdade, o cuidado e as emoções. As suas publicações mais recentes incluem “Relational Self-Care in Aristotle: A Foucaultian and Feminist Reading” (Revue Roumaine de Philosophie, 2020) e “Emoções Quotidianas e Emoções Éticas em Aristóteles e Heidegger” (Filosofia Unisinos, 2020).

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

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