12
Jul
Data: 12 a 23 Jul
Horário: 18h00 às 20h30
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH |
Área: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia
Docente responsável: Luís Francisco Aguiar de Sousa
Docente: Ana Cristina Serralheiro Falcato
Docente: Bartholomew John Ryan
Docente: Gianfranco Ferraro
Docente: Hélder Telo
Docente: Luís Francisco Aguiar de Sousa
Docente: Marta Sofia Ferreira Faustino
Docente: Pietro Gori
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores do grupo 410.
Ensino a Distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a distância

 

Objetivos

____

  • Compreender a problemática filosófica relativa à noção de si próprio, de sujeito e de subjetividade.
  • Adquirir noções básicas sobre as principais teorias filosóficas sobre o si próprio e o sujeito, desde a Antiguidade (Platão e Helenistas), passando pela filosofia moderna (Kant, Espinosa), até à filosofia contemporânea (Kierkegaard, Nietzsche), incluindo a crítica pós-estruturalista (Foucault, Deleuze) e a conceção feminista (Simone de Beauvoir).
  • Desenvolver competências básicas de leitura, interpretação e discussão de textos filosóficos.

 

Programa

____

“O Eu, o Eu é o profundamente misterioso” (Wittgenstein, Tagebücher, 05/08/1916).

Quem somos nós? O que é aquilo que chamamos “eu”? Será que existe sequer tal coisa ou tratar-se-á apenas de uma ilusão gerada pelo nosso cérebro? Coincidirá o eu com a mente ou dirá respeito a algo mais profundo em nós, como seja o inconsciente ou o corpo? Será que somos o mesmo “eu” desde a nascença até à morte? Ou será que essa identidade é meramente ilusória? Aquilo a que chamamos “eu” é algo uno ou intrinsecamente plural? Serão possíveis vários “eus”? Será que o “eu” é qualquer coisa estável ou algo que se encontra em permanente mudança? Será que cada um nós faz ou constrói o seu próprio eu? Qual o grau de intervenção que temos ou podemos ter na constituição do nosso carácter? Escolhemos o que somos ou quem somos? Podemos criar-nos a nós mesmos? Perguntas como estas continuam hoje na ordem do dia no entrecruzamento entre as mais variadas disciplinas científicas, como as neurociências, a psiquiatria, a psicologia ou as ciências cognitivas, mas percorrem também a história da filosofia praticamente desde o seu início. Este curso pretende precisamente constituir uma introdução à problemática do chamado “eu”, do “si próprio” (self ou Selbst), ou ainda do “sujeito” ou “subjetividade”, através da perspetiva de alguns dos maiores autores da história da filosofia.

Cada aula consistirá na apresentação de uma teoria clássica do si próprio/sujeito associada a um ou mais grandes filósofos. Tendo em conta o facto de ser um curso de curta duração, não se tem a pretensão de ser exaustivo. No entanto, assegura-se uma pluralidade heterogénea de perspetivas, incluindo o pensamento antigo (Platão, Helenistas), moderno (Espinosa, Kant), contemporâneo (Kierkegaard, Nietzsche), feminista (Simone de Beauvoir) e mesmo autores associados ao que se convencionou chamar o pós-estruturalismo (Foucault e Deleuze). Mais do que um único problema que foi recebendo diferentes respostas ao longo da história do pensamento, o problema do “eu” ou “si próprio” é, em si mesmo, complexo, constituindo, na verdade, uma constelação de problemas. As diferentes abordagens apresentadas nas aulas não se limitarão, pois, apenas a introduzir diferentes perspetivas filosóficas. O objetivo último será proporcionar uma introdução à própria problemática do “eu” nas suas várias dimensões. Estas incluem os problemas do corpo mente, da definição do estatuto da consciência e da autoconsciência, da temporalidade, da identidade pessoal, da possibilidade de autotransformação e criação ou cultivo de si, o problema ontológico e ético da autenticidade, etc. O curso terá uma componente teórica de exposição de conteúdos e uma componente prática, que consistirá na leitura, análise e discussão de passagens selecionadas das obras dos autores. Todos os docentes são investigadores doutorados do Art of Living Research Group, do Laboratório de Cultura e Valores do Instituto de Filosofia da Nova.

 

Bibliografia

____

  • Beauvoir, S, O segundo sexo, trad. Sérgio Milliet, Lisboa, Quetzal, 2015.
  • Foucault, Michel, A hermenêutica do sujeito, trad. M. A. Da Fonseca e S. T. Muchail, São Paulo, Martins Fontes, 2006.
  • Kant, Immanuel, Crítica da razão pura, trad. A. F. Morujão e M. P. dos Santos, 5ª ed, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.
  • Kierkegaard, Søren, Concluding Unscientific Postscript [1846], trad. Alastair Hannay, Cambridge, Cambridge University Press, 2009.
  • Nietzsche, Friedrich, Para além do bem e do mal, trad. C. Morujão, Lisboa, Relógio d’Água, 1999.

 

PROPINA

____

Ver tabela em informações úteis

 

docentes

____

Ana Cristina Serralheiro Falcato é doutorada em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa (2011). Entre 2013 e 2015 foi bolseira de investigação da Fundação Alexander von Humboldt, tendo desenvolvido trabalhos de pós-doutoramento na Johannes-Gutenberg Universität e na Universidade de Oxford. É atualmente investigadora doutorada contratada na NOVA/FCSH, onde desenvolve um trabalho sobre a obra ficcional e ensaística de J.M. Coetzee, bem como investigação sistemática sobre os principais pensadores da Escola Fenomenológica e do Existencialismo Francês.

Bartholomew John Ryan é atualmente investigador e coordenador do CultureLab no Instituto de Filosofia da NOVA FCSH (IFILNOVA). Os seus trabalhos académicos e criativos orbitam ao redor dos motivos da ‘transformação’ e ‘pluralidade do sujeito’, que levam em conta as máscaras, viagens e (múltiplas) identidades que definem a condição humana moderna. Entre as suas várias publicações, incluem-se os livros Rostos do Si (co-editor, 2019), Nietzsche e Pessoa: Ensaios (co-editor, 2016), Nietzsche and the Problem of Subjectivity (co-editor, 2015), e Kierkegaard’s Indirect Politics: Interludes with Lukács, Schmitt, Benjamin and Adorno (autor, 2014). É formado pela Universidade de Aarhus, Dinamarca (PhD); University College, Dublin (MA) em Filosofia Europeia; e Trinity College, Dublin (BA) em Filosofia e Ciência Política. Foi professor no Bard College Berlin (2007-2011) e também ensinou em universidades no Brasil, Oxford, Aarhus, Dublin e Lisboa. É ainda líder e compositor no projeto músico internacional The Loafing Heroes.

Gianfranco Ferraro estudou em Itália e em França, e é membro integrado do Instituto de Filosofia (IFILNOVA) da NOVA FCSH. O seu campo de investigação está direcionado, através da genealogia das “condutas de vida” e da utilização das noções de “vida outra” e de “conversão” em Foucault e em Hadot, para a genealogia do niilismo ocidental e a tradição utópica moderna.

Hélder Telo é atualmente bolseiro de pós-doutoramento do Instituto de Filosofia da Nova FCSH, onde desenvolve um projeto de investigação sobre a relação entre a arte de viver e a verdade em Platão, Nietzsche e Foucault. Doutorou-se em Filosofia pela mesma universidade, em 2018, com uma dissertação sobre a crítica de Platão à vida não examinada. Desde então, tem trabalhado sobre questões como o desejo de verdade, o cuidado e as emoções. As suas publicações mais recentes incluem “Relational Self-Care in Aristotle: A Foucaultian and Feminist Reading” (Revue Roumaine de Philosophie, 2020) e “Emoções Quotidianas e Emoções Éticas em Aristóteles e Heidegger” (Filosofia Unisinos, 2020).

Luís Francisco Aguiar de Sousa é investigador contratado do Instituto de Filosofia da NOVA FCSH. A sua dissertação de doutoramento tem por tema o conceito de “sujeito” e “si próprio” no sistema filosófico de Schopenhauer. Tem vários artigos publicados sobre Schopenhauer, Nietzsche e fenomenologia existencial. É editor principal da coleção de artigos Phenomenological Approaches to Intersubjectivity and Values (Cambridge Scholars Publishers, 2019). Atualmente a sua investigação centra-se na noção existencial de si próprio em Schopenhauer, Nietzsche e Sartre.

Marta Sofia Ferreira Faustino estudou Ciências da Comunicação e Filosofia na NOVA FCSH. Doutorou-se em Filosofia, variante de Antropologia Filosófica, com a dissertação “Nietzsche e a Grande Saúde. Para uma Terapia da Terapia”, na mesma faculdade. É atualmente investigadora do IFILNOVA, onde coordena o Art of Living Research Group e desenvolve um projeto individual sobre a filosofia como modo de vida, com especial foco em Nietzsche, Hadot e Foucault. É autora de vários artigos e ensaios sobre Nietzsche, Foucault e os filósofos helenistas e co-editora de “Nietzsche e Pessoa: Ensaios” (Tinta-da-china, 2016), “Rostos do Si: Autobiografia, Confissão, Terapia” (Vendaval, 2019) e “The Late Foucault: Ethical and Political Questions” (Bloomsbury, 2020). Lecciona há vários anos sobre a temática do presente curso.

Pietro Gori é investigador no Instituto de Filosofia da NOVA FCSH, onde também coordena o Grupo de Estudos sobre Nietzsche. A sua atividade concentra-se sobre a historia da filosofia moderna e contemporânea, com particular atenção no pensamento de Friedrich Nietzsche, William James e Ernst Mach. Sobre esses autores publicou vários livros, e artigos em revistas e volumes de circulação internacional.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

As nossas redes

Para quem quer estar mais próximo do que está a acontecer