17
Jan
Data: 17 a 28 Jan 2022
Horário: 18h00 às 20h30
Duração: 25h | 2 ECTS
Área: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia
Docente responsável: Marta Sofia Ferreira Faustino
Docente: Ana Falcato
Docente: Bartholomew Ryan
Docente: Gianfranco Ferraro
Docente: Hélder Telo
Docente: Pietro Gori
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores dos Grupos 410.
Ensino a distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a distância

 

Objetivos

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  • Compreender a noção de felicidade e os problemas filosóficos a ela associados.
  • Adquirir noções básicas sobre as principais teorias filosóficas sobre a felicidade desde a Antiguidade até à filosofia moderna e contemporânea.
  • Desenvolver competências básicas de leitura, interpretação e discussão de textos filosóficos.

 

Programa

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Segundo Aristóteles, a felicidade é o fim último de toda a ação humana e aquilo que todos os seres humanos, implícita ou explicitamente, almejam. No entanto, apesar de todos, aparentemente, a desejarem, ela tende a ter, para a maioria, um carácter vago, opaco e difícil de determinar. Muitas são, assim, as questões associadas ao problema da felicidade. Um primeiro núcleo de questões diz respeito à própria definição da felicidade. O que é a felicidade? De que precisamos para sermos felizes? Será possível identificar objetivamente qualquer coisa como um conceito de felicidade válido para todos os seres humanos? Ou será ela algo de subjetivo e dependente das características e aspirações de cada um? Estará a felicidade relacionada com a realização de uma suposta natureza humana, ou pelo contrário depende sempre de um determinado contexto histórico e cultural? Por outro lado, qual é a natureza da felicidade? Tratar-se-á de um sentimento, uma emoção, uma sensação, uma disposição? Podemos falar da felicidade como um estado durador, até mesmo permanente, ou apenas de pequenos momentos ou períodos felizes? Haverá uma diferença fundamental entre a felicidade e a alegria, a satisfação ou o bem-estar? Haverá diferentes formas ou graus de felicidade? Um terceiro grupo de questões diz respeito à relação entre a felicidade e a ética, i.e., os nossos valores, as nossas ações, os nossos comportamentos. Estará a felicidade sob o nosso controlo, dependendo acima de tudo da nossa ação, ou dependerá esta antes primariamente da sorte e das circunstâncias em que nos encontramos? Será a procura da felicidade algo intrinsecamente egoísta ou dependerá a felicidade individual da felicidade de outros e até da felicidade coletiva? Será possível determinar formas de vida que permitam a todos os seres humanos o maior grau de felicidade possível? E deverá a ação ética e política preocupar-se primariamente com a felicidade? Por último, será a felicidade – individual e/ou coletiva – alcançável, ou tratar-se-á de uma mera ilusão, quimera ou utopia?

Estas são algumas das questões que suscitaram reflexão filosófica na tradição ocidental desde Sócrates. O curso abordará estas questões a partir do estudo das principais teorias sobre a felicidade ao longo da história da filosofia, bem como das problemáticas a ela associadas, desde a Antiguidade até à filosofia contemporânea.

Cada aula será dedicada à exposição e discussão do pensamento de um autor sobre a felicidade. As aulas terão uma componente teórica de exposição de conteúdos e uma componente prática, que consistirá na leitura, análise e discussão de passagens selecionadas das obras de autores como Platão, Aristóteles, Espinosa, Nietzsche, Kierkegaard e Sartre, entre outros.

O curso será lecionado por investigadores do Art of Living Research Group, do Laboratório de Cultura e Valores do Instituto de Filosofia da Nova. Todos os docentes são doutorados em Filosofia e especializados nos autores que vão expor.

 

Bibliografia

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  • Aristóteles, “Ética a Nicómaco”, trad. António C. Caeiro, Lisboa: Quetzal, 2004.
  • Espinosa, Bento de, “Ética”, trad. J. de Carvalho, Lisboa: Relógio d´Água, 1992.
  • Kierkegaard, S. “Diapsalmata”, Ou-Ou. Um Fragmento de Vida. Parte 1. trad. Elisabete de Sousa, Lisboa: Relógio D’Água, 2013, pp. 25-79.
  • Platão, “República”, trad. Maria Helena da Rocha Pereira, 15ª edição, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2017.
  • Séneca, L. A., “Cartas a Lucílio”, trad. J. A. Segurado e Campos, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.

 

PROPINA

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Ver tabela em informações úteis.

 

docentes

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Ana Falcato é doutorada em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa (2011). Entre 2013 e 2015 foi bolseira de investigação da Fundação Alexander von Humboldt, tendo desenvolvido trabalhos de pós-doutoramento na Johannes-Gutenberg Universität e na Universidade de Oxford. É atualmente investigadora doutorada contratada na NOVA/FCSH, onde desenvolve um trabalho sobre a obra ficcional e ensaística de J.M. Coetzee, bem como investigação sistemática sobre os principais pensadores da Escola Fenomenológica e do Existencialismo Francês.

Bartholomew Ryan é atualmente investigador e coordenador do CultureLab no Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA). Os seus trabalhos académicos e criativos orbitam ao redor dos motivos da ‘transformação’ e ‘pluralidade do sujeito’, que levam em conta as máscaras, viagens e (múltiplas) identidades que definem a condição humana moderna. Entre as suas várias publicações, incluem-se os livros Rostos do Si (co-editor, 2019), Nietzsche e Pessoa: Ensaios (co-editor, 2016), Nietzsche and the Problem of Subjectivity (co-editor, 2015), e Kierkegaard’s Indirect Politics: Interludes with Lukács, Schmitt, Benjamin and Adorno (autor, 2014). É formado pela Universidade de Aarhus, Dinamarca (PhD); University College, Dublin (MA) em Filosofia Europeia; e Trinity College, Dublin (BA) em Filosofia e Ciência Política. Foi professor no Bard College Berlin (2007-2011) e também ensinou em universidades no Brasil, Oxford, Aarhus, Dublin e Lisboa. É ainda líder e compositor no projeto músico internacional The Loafing Heroes.

Gianfranco Ferraro estudou na Itália e em França, e é membro integrado do Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA). O seu campo de investigação está direcionado, através da genealogia das “condutas de vida” e da utilização das noções de “vida outra” e de “conversão” em Foucault e em Hadot, para a genealogia do niilismo ocidental e a tradição utópica moderna.

Hélder Telo é bolseiro de pós-doutoramento no Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA), onde desenvolve um projeto de investigação sobre a arte de viver e a relação com a verdade em Platão, Nietzsche e Foucault. Doutorou-se em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, em 2018, com uma dissertação sobre a crítica de Platão à vida não-examinada. Realizou parte da sua investigação doutoral na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (2009-10, 2014) e no Boston College (2010-11). Depois de se doutorar, tem trabalhado sobre questões como o desejo de verdade, o cuidado e as emoções na filosofia antiga e na filosofia contemporânea.

Marta Faustino estudou Ciências da Comunicação e Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA/FCSH). Doutorou-se em Filosofia, variante de Antropologia Filosófica, com a dissertação “Nietzsche e a Grande Saúde. Para uma Terapia da Terapia”, na mesma faculdade. É atualmente investigadora contratada do Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA), onde coordena o Art of Living Research Group e desenvolve um projeto individual sobre a filosofia como modo de vida, com especial foco em Nietzsche, Hadot e Foucault. É autora de vários artigos e ensaios sobre Nietzsche, Foucault e os filósofos helenistas e co-editora de “Nietzsche e Pessoa: Ensaios” (Tinta-da-china, 2016), “Rostos do Si: Autobiografia, Confissão, Terapia” (Vendaval, 2019) e “The Late Foucault: Ethical and Political Questions” (Bloomsbury, 2020). Leciona há vários anos sobre temáticas relacionadas com a do presente curso.

Pietro Gori (Ph.D. em Filosofia Moderna e Contemporânea, 2008) é investigador no Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA), onde é também professor convidado pelas cadeiras em Filosofia das Ciências e Filosofia do Conhecimento. É diretor do “Lisbon Nietzsche Group” membro da associação “HyperNietzsche,” da “Red Iberoamericana de Estudios Nietzscheanos” e do “Seminário Permanente Nietzscheano” colaborador da “Internationale Nietzscheforschungsgruppe Stuttgart”. Os principais âmbitos da sua atividade académica são Filosofia Ocidental Moderna e Contemporânea; História e Filosofia da Ciência; Epistemologia; e Antropologia Filosófica. Neste contexto, Gori trabalhou particularmente sobre os representantes duma viragem anti-fundacionalista em filosofia (e.g. Ernst Mach, Friedrich Nietzsche, and William James), assim como sobre a filósofa da ciência inglesa Mary B. Hesse. As suas publicações incluem ensaios monográficos, coleções de ensaios, vários capítulos de livros e artigos em revistas internacionais.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos de ANO NOVO (CAN)

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