06
Jul
Data: 6 a 17 Jul
Horário: dias úteis das 17h30 às 20h00
Duração: 25h | 2 ECTS
Morada: NOVA FCSH
Área: Comunicação Política Linguagem e Filosofia
Docente responsável: Ana Cristina Serralheiro Falcato
Docente: Bartholomew Ryan
Docente: Gianfranco Ferraro
Docente: Hélder Telo
Docente: Luís de Sousa
Docente: Marta Faustino
Docente: Paolo Stellino
Docente: Pietro Gori
Acreditação pelo CCPFC: Sim - Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores do Grupo 410
Ensino a distância
Este curso vai ser lecionado na modalidade de Ensino a Distância

 

Objetivos

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  • Desenvolver competências básicas de leitura, interpretação e discussão de textos filosóficos através da leitura alguns dos textos mais relevantes da tradição filosófica no Ocidente.
  • Fornecer ferramentas conceptuais e estruturas reflexivas histórico-filosoficamente informadas sobre o problema da morte, o momento da morte e a arte de saber morrer.
  • Refletir sobre a pertinência filosófica de puzzles conceptuais e vivenciais apresentados em obras literárias de referência no Ocidente.
  • Habilitar os estudantes não apenas a projetar imaginativamente como o problema da morte foi pensado e fantasiado em diferentes momentos da História da Humanidade, mas também como cada uma das épocas histórias se entende a si própria.

 

Programa

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O problema e a iminência da morte atormentam o ser humano como uma sombra irrecusável. Com ou sem enfoque teórico direto, por recurso à alegoria, ao mito ou ao exemplo, o fenómeno da morte própria ou alheia perpassa os textos religiosos fundacionais, os grandes épicos que retratam ou glorificam uma cultura ou um povo, e os textos filosóficos que ajudaram a constituir a disciplina desde os seus alvores clássicos até aos dias de hoje, tomando sempre o lugar de destaque em momentos históricos conturbados. Neste curso temático, subdividido em vários módulos consagrados a diferentes autores da tradição filosófica, trataremos o problema da morte a partir de um enfoque centrado no drama experiencial (interiormente vivido ou testemunhado) e, bem assim, como uma arte de antecipar o inevitável. O percurso analítico que seguiremos no decurso das várias sessões cobrirá os seguintes autores e/ou tradições de pensamento: Platão, Escola Estóica e Epicurista, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, Kierkegaard, Heidegger, Sartre, Simone de Beauvoir, Michel Foucault e George Bataille. As várias abordagens apresentadas estão divididas por épocas históricas que, por sua vez, são aglomeradas em torno do pensamento de um autor relevante para cada uma delas. Assim, para cada um dos autores e/ou escolas filosóficas, discutir-seão, contextualmente, cada uma das seguintes questões:

I) Qual a relação do humano com a sua própria finitude?

II) De que forma a consciência da morte afeta ou poderá afetar a vida?

III) Como se relaciona a perceção da morte com a experiência da própria vida?

IV) De que forma pode a morte de outrem determinar a compreensão pessoal do fenómeno inapreensível da morte própria

V) Qual a relação entre a consciência da morte e o valor ou o sentido da vida?

VI) Como se pode o ser humano preparar para a sua própria morte e a morte dos outros?

VII) Em que sentido a filosofia pode ser definida como um treino para a morte?

VIII) O que é a morte livre / voluntária / corajosa?

IV) Qual é a centralidade da questão da morte como impulso na raiz da própria filosofia, da metafísica e da religião? Analisando o pensamento de autores de diferentes épocas e, também, de diferentes proveniências regionais, este curso ajudará os estudantes a conceber reflexivamente de que forma a morte foi pensada e fantasiada em diferentes momentos da História da Humanidade.

 

Bibliografia

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  • Agostinho, St. Confissões. Tradução e notas de Arnaldo do Espírito Santo. Lisboa: INCM, 2000.
  • Kant, I. Anthropology from a Pragmatic Point of View. (Trad. Robert B. Louden.) Cambridge: Cambridge University Press: 2007.
  • Heidegger, M. Being and Time. (Trans. John Macquarrie & Edward Robinson). Oxford: Blackwell, 1962 (2013).
  • Kierkegaard, Søren; “By a Graveside”, in Three Discourses on Imagined Occasions, trad. Edward & Etna Hong, Princeton: Princeton University Press, 1993.
  • Platão. Fédon. Lisboa: Areal Editores, 2005. // White, Patrick. The Living and the Dead. London: Vintage, 1996.

 

PROPINA

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Ver tabela em Informações úteis.

 

docentes

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Ana Cristina Serralheiro Falcato é doutorada em Filosofia pela NOVA FCSH (2011). Entre 2013 e 2015 foi bolseira de investigação da Fundação Alexander von Humboldt, tendo desenvolvido trabalhos de pós-doutoramento na Johannes-Gutenberg Universität e na Universidade de Oxford. É actualmente investigadora doutorada contratada na NOVA/FCSH, onde desenvolve um trabalho sobre a obra ficcional e ensaística de J.M. Coetzee, bem como investigação sistemática sobre os principais pensadores da Escola Fenomenológica e do Existencialismo Francês.

Bartholomew Ryan é actualmente investigador e coordenador do CultureLab no Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA). Os seus trabalhos académicos e criativos orbitam ao redor dos motivos da ‘transformação’ e ‘pluralidade do sujeito’, que levam em conta as máscaras, viagens e (múltiplas) identidades que definem a condição humana moderna. Entre as suas várias publicações, incluem-se os livros Rostos do Si (co-editor, 2019), Nietzsche e Pessoa: Ensaios (co-editor, 2016), Nietzsche and the Problem of Subjectivity (co-editor, 2015), e Kierkegaard’s Indirect Politics: Interludes with Lukács, Schmitt, Benjamin and Adorno (autor, 2014). É formado pela Universidade de Aarhus, Dinamarca (PhD); University College, Dublin (MA) em Filosofia Europeia; e Trinity College, Dublin (BA) em Filosofia e Ciência Política. Foi professor no Bard College Berlin (2007-2011) e também ensinou em universidades no Brasil, Oxford, Aarhus, Dublin e Lisboa. É ainda líder e compositor no projecto músico internacional The Loafing Heroes. 

Gianfranco Ferraro estudou na Itália e na França, e é actualmente investigador pós-doutoral no Instituto de Filosofia (IFILNOVA) da Universidade Nova de Lisboa. O seu campo de investigação está direccionado, através da genealogia das “condutas de vida” e da utilização das noções de “vida outra” e de “conversão” em Foucault e em Hadot, para a genealogia do niilismo ocidental e a tradição utópica moderna.

Hélder Telo doutorou-se em Filosofia na NOVA FCSH (2018) com uma tese sobre a crítica de Platão à vida não-examinada. Fez parte da sua investigação doutoral na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (onde integrou o grupo interdisciplinar SFB 1015 Muße/Otium) e no Boston College. É membro integrado do IFILNOVA. Co-editou o livro “In the Mirror of the Phaedrus” (Academia, 2013) e publicou textos sobre Platão, Scheler e Heidegger. Trabalha também sobre Aristóteles, estoicos, Fichte, Kierkegaard, Nietzsche, Foucault e Hadot. A sua investigação foca-se em questões como a filosofia como modo de vida, o desejo de verdade, o cuidado de si e dos outros, a amizade, o amor e as emoções em geral.

Luís Aguiar de Sousa é investigador contratado do Instituto de Filosofia da Nova. A sua dissertação de doutoramento tem por tema o conceito de “sujeito” e “si próprio” no sistema filosófico de Schopenhauer. Tem vários artigos publicados sobre Schopenhauer, Nietzsche e fenomenologia existencial. É editor principal da coleção de artigos Phenomenological Approaches to Intersubjectivity and Values (Cambridge Scholars Publishers, 2019) e co-editor da edição especial da revista Phainomenon com o título ‘Phantasy-Ego, Image Consciousness and Aesthetic Experience: Phenomenological Approaches’. Atualmente a sua investigação centra-se na relação entre o si próprio e a ação em Kant, Schopenhauer, Nietzsche e na fenomenologia existencial.

Marta Sofia Ferreira Faustino estudou Ciências da Comunicação e Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA-FCSH). Doutorou-se em Filosofia, variante de Antropologia Filosófica, com a dissertação “Nietzsche e a Grande Saúde. Para uma Terapia da Terapia”, na mesma faculdade. É atualmente investigadora do IFILNOVA, onde coordena o Art of Living Research Group e desenvolve um projeto individual sobre a filosofia como modo de vida, com especial foco em Nietzsche, Hadot e Foucault. É autora de vários artigos e ensaios sobre Nietzsche, Foucault e os filósofos helenistas e co-editora de “Nietzsche e Pessoa: Ensaios” (Tinta-da-china, 2016) e “Rostos do Si: Autobiografia, Confissão, Terapia” (Vendaval, 2019). Leciona há vários anos sobre a temática do presente curso.

Paolo Stellino é investigador do Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA). As suas áreas de interesse são a história da filosofia, a ética, a filosofia do suicídio e a filosofia do cinema. Actualmente é responsável pelo curso de Filosofia e Cinema (Mestrado em Estética e Estudos Artísticos). É membro de vários grupos de investigação internacionais. É autor do livro “Nietzsche and Dostoevsky: On the Verge of Nihilism” (Peter Lang, 2015) e co-editor de vários livros, entre os quais, “Nietzsche et le relativisme” (Ousia, 2019). Tem publicado vários artigos sobre a filosofia do suicídio, nomeadamente “Nietzsche on Suicide”, Nietzsche-Studien, 42 (2013): pp. 151-177.”

Pietro Gori é investigador no Instituto de Filosofia da NOVA FCSH, onde também coordena o Grupo de Estudos sobre Nietzsche. A sua atividade concentra-se sobre a historia da filosofia moderna e contemporânea, com particular atenção no pensamento de Friedrich Nietzsche, William James e Ernst Mach. Sobre esses autores publicou vários livros, e artigos em revistas e volumes de circulação internacional.

  • Centro Luís Krus – Formação ao Longo da Vida
  • Cursos da Escola de Verão (EV)

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