Onde a música encontra a tecnologia e o património
9 de Setembro de 2026, 07:25
O que acontece quando investigadores, artistas e especialistas em tecnologia se juntam para estudar a música, o som e o património num território com características únicas? Em Mafra, estas áreas cruzam-se num novo espaço dedicado à investigação, formação, inovação tecnológica e criação artística: a NOVA Mafra – Música, Arte e Tecnologia.
A iniciativa envolve o trabalho desenvolvido pelo INET-md – Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança e pelo CESEM – Centro de Estudos em Música, unidades de investigação da NOVA FCSH dedicadas aos estudos da música, e conta também com a participação do IAT – Instituto de Artes e Tecnologia da NOVA.
Mais do que reunir diferentes áreas num mesmo espaço, a NOVA Mafra procura criar condições para investigar questões que cruzam música, som, património e tecnologias digitais. Como podemos estudar a acústica de um espaço? Como podem as ferramentas computacionais apoiar a investigação e a criação musical? E de que forma podem as tecnologias digitais contribuir para documentar, preservar e valorizar o património?

© Carbonara Studios / Nikolai Nekh
Mafra como espaço de investigação
A localização escolhida não é apenas uma opção logística. Instalado no Torreão Sul do Palácio Nacional de Mafra, o Polo beneficia da proximidade a instituições como o Museu Nacional da Música, instalado no mesmo edifício, reforçando a articulação entre investigação, património e sociedade. A futura instalação do Arquivo Nacional do Som no mesmo local poderá, igualmente, contribuir para a criação de um ecossistema colaborativo dedicado à preservação, ao estudo e à valorização do património sonoro.
Em Mafra passam a ser desenvolvidas valências científicas e laboratoriais que articulam investigação, experimentação, formação especializada, desenvolvimento tecnológico e práticas artísticas. Entre estas encontram-se o Laboratório de Acústica Musical e o Laboratório de Informática Musical, aos quais se junta o HEDGE Lab, integrado num programa do IAT desenvolvido em articulação entre a NOVA FCSH e a NOVA FCT. Dedicado à aplicação de tecnologias digitais à documentação, preservação e valorização do património cultural, o HEDGE Lab instala em Mafra um Laboratório de Património Digital.
Estas estruturas constituem um espaço de investigação e experimentação onde diferentes ferramentas e metodologias permitem aproximar a investigação científica da experimentação tecnológica e artística. Criam-se, assim, condições para produzir conhecimento, testar soluções e explorar novas formas de compreender e intervir sobre a música e o património, promovendo o diálogo entre diferentes áreas de saber e de prática.
O Polo afirma-se, deste modo, como um espaço de convergência entre investigação, tecnologia, património e criação, capaz de acolher processos de experimentação e desenvolvimento que respondem aos desafios contemporâneos da preservação e valorização do património sonoro e cultural.

© Carbonara Studios / Nikolai Nekh
Da investigação à experimentação
A NOVA Mafra prevê também atividades abertas a diferentes públicos, incluindo aulas abertas, cursos, workshops, masterclasses e programação cultural.
Esta dimensão permite que o conhecimento desenvolvido pelas equipas de investigação não fique restrito à universidade. Através destas iniciativas, investigadores, estudantes, artistas, profissionais e outros públicos podem contactar com o conhecimento produzido, ferramentas e questões que estão a ser trabalhadas no contexto académico.
É neste contexto de investigação, formação e colaboração que a NOVA Mafra é formalmente inaugurada a 10 de setembro, no Palácio Nacional de Mafra, reforçando a relação entre a NOVA, o Município de Mafra e o território.
A parceria com o Município dá continuidade a uma relação de proximidade com os territórios da Área Metropolitana de Lisboa e permite desenvolver uma presença da universidade num lugar onde o património constitui também uma oportunidade para a investigação e para a criação.