NOVA FCSH integra equipa que descobre vestígios da "Frigideira" no Tarrafal

Vestígios materiais da antiga “Frigideira”, a cela de punição do campo de concentração do Tarrafal, utilizada pelo regime colonial português em Cabo Verde, foram identificados durante o trabalho de escavações arqueológicas atualmente em curso no local. A descoberta acontece 52 anos após a libertação do campo, na sequência do 25 de Abril de 1974, e integra uma intervenção coordenada pelo Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, com a participação de André Teixeira, investigador do CHAM – Centro de Humanidades e docente do Departamento de História da NOVA FCSH.

A “Frigideira” era uma construção de cimento, com sete metros de comprimento e três metros e meio de largura, sem janelas, com duas celas, onde se juntavam vários presos. Descrita pelo governo cabo-verdiano como o principal símbolo da repressão exercida no Tarrafal, a “Frigideira” submetia os prisioneiros a condições extremas, marcadas pela ausência de ventilação, temperaturas elevadas e longos períodos de isolamento. A estrutura foi construída após uma tentativa de fuga coletiva, em agosto de 1937, e tornou-se um dos principais símbolos de repressão vivida durante a ditadura portuguesa.

Conhecido como o “campo da morte lenta”, o Tarrafal recebeu presos políticos durante duas fases distintas da ditadura portuguesa: entre 1936 e 1954 e, mais tarde, entre 1961 e 1974. Ao longo de todo este período, mais de 500 pessoas passaram pelo campo. No interior do complexo é possível encontrar-se uma lápide evocativa com os nomes de 36 vítimas mortais, entre as quais 32 portugueses, dois guineenses e dois angolanos.

 

 

 

 

 

 

 

 

A campanha arqueológica, iniciada a 28 de abril e com conclusão prevista para 15 de maio, insere-se no processo de preparação da candidatura do antigo campo de concentração a Património Mundial da UNESCO, incentivada pelo governo de Cabo Verde. O objetivo é reforçar a preservação e valorização internacional deste espaço histórico, hoje transformado em Museu da Resistência.

Para além da identificação de vestígios ligados às estruturas de repressão e controlo, os trabalhos procuram documentar a evolução do campo ao longo das diferentes fases de funcionamento e localizar construções e equipamentos entretanto desaparecidos.

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