Nota biográfica de Adília Lopes
Adília Lopes na Quinta Alegre/Palácio do Marquês de Alegrete (Charneca do Lumiar), em Lisboa. © Espólio Adília Lopes

Adília Lopes é o pseudónimo de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira. Nasceu a 20 de abril de 1960, tendo passado grande parte da sua vida entre Anjos e Arroios. Estudou nas escolas preparatórias Marquesa de Alorna e Pedro de Santarém, experiências que considerava muito marcantes, e nos liceus Pedro Nunes e Dona Leonor. Viajou no final da adolescência e, numa dessas viagens, tentou assistir a uma aula de Roland Barthes no Collège de France. 

Entre 1978 e 1980 estudou Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo concluído várias cadeiras deste curso com distinção. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Franceses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Concluiu uma especialização em Ciências Documentais na mesma faculdade, onde também frequentara o mestrado em Linguística Portuguesa. Trabalhou no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e foi colaboradora da Equipa Pessoa. 

Em 1985, publica o primeiro livro em edição de autor – Um jogo bastante perigoso. Depois da estreia poética, a sua obra passa a ser publicada por várias editoras (Frenesi, Hiena, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Black Sun, &etc., Angelus Novus, Assírio & Alvim). Os títulos prodigiosos dos seus livros revelam desde logo o virtuosismo no uso da língua e a ironia: e.g. A pão e água de colónia (1987), O decote da dama de espadas (1988), Sete rios entre campos (1999) ou A mulher-a-dias (2002).  

Tem cinco edições de poesia reunida, a primeira de 2000 pela Mariposa Azual (com gravuras de Paula Rego) e a última em 2024 na Assírio & Alvim, publicada em simultâneo no Brasil. A sua obra chamou desde cedo a atenção do meio académico português, ora com deslumbramento ora com alguma desconfiança. No início deste século, a crítica e os poetas brasileiros acolheram entusiasticamente a sua obra.  

Em 2025, Adília Lopes faria 65 anos e 40 anos de obra poética, mas deixou-nos a 30 de dezembro de 2024. Num breve obituário, Rosa Maria Martelo refere-se à leitura futura da Dobra como um dos mais “poderosos e elucidativos” retratos “do mundo absurdo que nos coube viver. Um retrato irónico, terno e rigoroso que ela pôde fazer porque não era bem deste mundo”.  

 

Redigida por Joana Meirim, investigadora do Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT), docente do Departamento de Estudos Portugueses da NOVA FCSH e coordenadora do Centro de Estudos e Documentação Adília Lopes – CEDAL

 

Consulte a notícia sobre a doação do espólio de Adília Lopes à NOVA FCSH aqui.

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