Jornalistas portugueses não estão preparados para a AI
15 de Dezembro de 2025, 11:16
A maioria das redações portuguesas continua sem formação, sem políticas internas e sem mecanismos de transparência para lidar com a Inteligência Artificial (IA). Esta é a principal conclusão do Livro Branco sobre Inteligência Artificial aplicada ao Jornalismo, o primeiro estudo de âmbito nacional dedicado a avaliar a adoção de IA nos media portugueses, coordenado pela NOVA FCSH.
A publicação, que é apresentada esta segunda-feira, 15 de dezembro, às 15h na Fundação Calouste Gulbenkian, conclui que Portugal enfrenta um défice estrutural de preparação que poderá comprometer a qualidade da informação, a proteção das audiências e a sustentabilidade das empresas jornalísticas num contexto marcado pela intensificação da desinformação.
A ambição do documento, que sugere 10 medidas estruturantes para promover um uso responsável da IA nos media, é que possa servir de base para a definição de políticas públicas e estratégias editoriais que garantam que a integração da IA nas redações decorre de forma ética, transparente e orientada para o interesse público.
“O Livro Branco sobre a IA no Jornalismo foi concebido como uma ferramenta de orientação estratégica, apoiada em dados representativos da realidade nacional e no estado da arte do conhecimento internacional sobre o tema”, esclarece Paulo Nuno Vicente, docente do Departamento de Comunicação, Coordenador do ICNOVA e um dos autores do estudo. “Trata-se de um ponto de partida para um processo que assume como princípio e fim a preservação de uma base de informação pública de qualidade, essencial à vitalidade das sociedades democráticas.”, conclui o docente.
O estudo, coordenado pela NOVA FCSH e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian através do European Media and Information Fund, contou com a colaboração da Universidade do Minho, da Universidade Católica Portuguesa, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, da Universidade Europeia, da Universidade da Beira Interior, da Universidade de Coimbra, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.