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RLC nº 54 (Primavera/Verão 2021) – MULHERES NAS DESCOLONIZAÇÕES: MODOS DE VER E SABER
© Augusta Conchiglia Legenda: Augusta Conchiglia com Iko Carreira, Junho 1968, Leste de Angola
Chamada para artigos
09:00 às 23:00 (16 Out a 15 Jan)
Revista de Comunicação e Linguagens - ICNOVA

Encontra-se aberto até 15 de Janeiro de 2021 o processo de submissão de artigos para a Revista de Comunicação e Linguagens, editada por Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA — NOVA FCSH), Ana Cristina Pereira (CES – U. Coimbra) e Inês Beleza Barreiros (investigadora independente), subordinada ao tema “Mulheres nas Descolonizações: modos de ver e saber”.

No âmbito do internacionalismo que suportou as lutas de libertação em todo o mundo, as mulheres usaram a imagem – através da câmara fotográfica ou de filmar – como uma arma. De certo modo, essa prática política, engajada, foi uma resposta ao uso feito pela propaganda política, científica, económica, que sustentou a ordem e ideologia colonialistas.

Nos países de língua portuguesa, entre as mulheres que fotografaram ou fizeram filmes com propósitos políticos, destacaram-se Augusta Conchiglia, Margareth Dickinson, Ingela Romare, Sarah Maldoror e Suzanne Lipinska. Aos materiais filmados – e não apenas por mulheres – foi dado sentido pelas montadoras Jacqueline Meppiel, Cristiana Tullio-Altan ou Josefina Crato, esta última a única mulher dos quatro jovens guineenses enviados por Amílcar Cabral para estudar cinema em Cuba.

Margarida Cardoso, Pocas Pascoal, Maria João Ganga, Isabel Noronha, com as suas ficções cinematográficas; Kamy Lara, Ana Tica, Diana Andringa e Catarina Laranjeiro, através de obras documentais; Eurídice Kala, Vanessa Fernandes, Filipa César, Mónica de Miranda, Ângela Ferreira, Luciana Fina, Jota Mombaça e Grada Kilomba com os projectos, instalações, performances e criações na área das artes visuais dão hoje contributos determinantes para reflectir sobre as memórias e vivências (pós-)coloniais, modos de descolonizar o arquivo e de re-imaginar o colonialismo português e a luta contra o mesmo.

Nesta edição especial pretendemos reunir contributos para reavaliar a imaginação, pelas mulheres, do colonialismo nos países de língua portuguesa, já que raramente se incluem as suas contribuições no processo de descolonização ou o ponto de vista das mulheres envolvidas nos movimentos anticoloniais ou mesmo o das mulheres que faziam parte da estrutura da autoridade colonial. Nenhuma história da descolonização ou das praxes descolonizadoras está completa sem as mulheres. Acolhemos, nesse sentido, abordagens históricas, teóricas e também propostas artísticas, sob a forma de ensaios visuais, para analisar criticamente:

Como é que as mulheres olharam as lutas de libertação nas ex-colónias portuguesas? Como é que os seus olhares foram integrados ou não na imaginação do colonialismo? Houve um olhar específico das mulheres sobre a libertação do colonialismo português? Que saber e consciência temos de/sobre esses olhares? E como é que esses olhares se cruzam com os das realizadoras, artistas, curadoras e académicas que hoje questionam os arquivos, públicos e privados, interrogam e recriam visualmente as suas memórias e re-imaginam o colonialismo? Que acção é que a investigação académica, as políticas de conservação de arquivos, os gestos de programação e curadoria podem ter no questionamento ou, pelo contrário, no prolongamento das “políticas (oficiais) da memória”?

Os contributos podem abordar, entre outros, os seguintes tópicos:

– Mulheres nos movimentos de libertação nacional;
–  Modos coloniais de ver e saber de artistas e cientistas (passado e presente);
– Políticas sexuais e geografias da intimidade dos impérios (Stoler);
– Feminismo, nacionalismos e descolonização;
– Raça, género e sexualidade (sexualidade como instrumento de poder);
– Direitos do Homem, Direitos das mulheres;
– Exotização e emancipação dos corpos “colonizados” de mulheres;
– Mulheres realizadoras de cinema militante/cinema político;
– Re-imaginação do colonialismo e práticas artísticas;
– Modos de “descolonizar” o arquivo e a re(a)presentação do(s) corpo feminino(s) colonizado(s);
– Teorias e métodos anti-coloniais e decoloniais produzidos por mulheres.

Os artigos podem ser escritos em inglês, francês, espanhol ou português e serão submetidos a revisão cega por pares. A formatação deve ser feita em conformidade com as diretrizes de submissão da revista e a submissão feita através da plataforma OJS até 31 de Janeiro de 2021.

Para consultas, entre em contacto com as editoras Maria do Carmo Piçarra (carmoramos@gmail.com), Ana Cristina Pereira (kitty.furtado@gmail.com) e Inês Beleza Barreiros (barreiros.ines@gmail.com).

Directrizes para submissão e instruções para autores:

http://www.fcsh.unl.pt/rcl/index.php/rcl/about/submissions#onlineSubmissions

Formato dos ensaios visuais:

Até 12 páginas. O ensaio poderá ser inteiramente visual ou combinar imagem e texto; o elemento visual do ensaio deve ser parte integrante do argumento ou das ideias expressas e não servir como exemplo ou ilustração dos mesmos. A submissão deve incluir um texto introdutório (150-300 palavras) que ajude a compreender o ensaio e a sua pertinência no âmbito do tema. Deve ser dada particular atenção à paginação das imagens/textos, pelo que o ensaio deve ser acompanhado de um ficheiro PDF com paginação sugerida para 17×24,5cm e resolução de 300ppi.

(informação útil: https://catoolkit.herts.ac.uk/toolkit/the-visual-essay/)

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© Augusta Conchiglia
Legenda: Augusta Conchiglia com Iko Carreira, Junho 1968, Leste de Angola

  

(EN)

Open Call for articles and visual essays for RLC nº. 54 (Spring / Summer 2021) -GENDERING DECOLONIZATIONS: WAYS OF SEEING AND KNOWING

The article submission process for the Spring/Summer 2021 issue of Revista de Comunicação e Linguagens, “GENDERING DECOLONIZATIONS: WAYS OF SEEING AND KNOWING”, edited by Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA – NOVA FCSH), Ana Cristina Pereira (CES – U. Coimbra) and Inês Beleza Barreiros (independent scholar), is open until January 15th 2021.

In the context of the internationalism that was the backbone of liberation struggles worldwide, women used images – mostly photography and film – as a weapon. In a certain way, this political engaged praxis was a sort of response to the use of images by political, scientific, and economic propaganda, which very much sustained the colonial order and ideology.

In Portuguese-speaking countries, among the women who photographed or made films for political purposes, the names of Augusta Conchiglia, Margaret Dickinson, Ingela Romare, Sarah Maldoror and Suzanne Lipinska stand out. The filmed materials – and not just the ones women authored – were given meaning by film editors Jacqueline Meppiel, Cristiana Tullio-Altan or Josefina Crato (the only woman among the four young Guineans sent, by Amílcar Cabral himself, to Cuba to study cinema).

Margarida Cardoso, Pocas Pascoal, Maria João Ganga, Isabel Noronha through their cinematographic fictions; Kamy Lara, Ana Tica, Diana Andringa and Catarina Laranjeiro, through their documentary films; Eurídice Kala, Vanessa Fernandes, Filipa César, Mónica de Miranda, Ângela Ferreira, Luciana Fina, Jota Mombaça and Grada Kilomba through their projects, installations, performances and visual art works, make decisive contributions that reflect on (post-)colonial memories and experiences, ways of decolonizing the archive and re-imagine Portuguese colonialism and the struggle against it.

This special issue aims to gather contributions that reevaluate the role of women in the imagination of colonialism in Portuguese-speaking countries, once the contributions of women to decolonization processes or the perspectives of women involved in anti-colonial movements or even women who were part of the colonial authority structure are rarely spoken of.

. No history of decolonization or of decolonizing praxes is ever completed without attention to gender. We, therefore, welcome historical and theoretical approaches as well as artistic proposals, in the form of visual essays, to critically analyze:

How did women view the liberation struggles in the former Portuguese colonies? How were their ways of seeing integrated or not in the imagination of colonialism? Was there a specific gaze to women over the liberation struggles? What knowledge and awareness do we have of/about these ways of seeing? And how do these ways of seeing intersect with those of contemporary filmmakers, artists, curators and academics who are now questioning public and private archives, are visually recreating their memories or re-imagining colonialism? What role academic research, archive conservation policies, programming and curatorship have in questioning or prolonging (official) “politics of memory”?


Contributions can address, among others, the following topics:

– Women in national liberation movements;
– Colonialist ways of seeing and knowing of women artists and scientists (past and present);
– Sexual policies and intimacy geographies of empires (Stoler);
– Feminisms, nationalisms and decolonization;
– Race, gender and sexuality (sexuality as an instrument of power);
– Human rights, women’s rights;
– Exotization and emancipation of women’s “colonized” bodies;
– Women who make militant cinema / political cinema;
– Re-imagination of colonialism and artistic practices;
– Ways of “decolonizing” the archive and representing colonized female bodies;
– Anti-colonial and decolonial theories and methods produced by women authors

Articles can be written in English, French, Spanish or Portuguese and will be subjected to blind peer review. Formatting must be done in accordance with the journal’s submission guidelines and the submission via the OJS platform by January 15, 2021.

For inquiries, please contact the editors Maria do Carmo Piçarra (carmoramos@gmail.com), Ana Cristina Pereira (kitty.furtado@gmail.com) and Inês Beleza Barreiros (barreiros.ines@gmail.com).

Guidelines for submission and instructions for authors:

http://www.fcsh.unl.pt/rcl/index.php/rcl/about/submissions#onlineSubmissions

Visual essays format:

Up to 12 pages. The essay can be entirely visual or combine image and text. The visual element of the essay must be an integral part of the argument or the ideas expressed and not serve as an example or illustration of them. It must also include an introductory text (150-300 words) that helps understand the essay and its relevance in the context of this issue. Particular attention should be given to the layout of images/texts: the essay should include a PDF file with suggested layout for 17 × 24.5cm and image resolution of at least 300ppi.

(Useful information: https://catoolkit.herts.ac.uk/toolkit/the-visual-essay/)

 

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