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Fev
Rede internacional e interdisciplinar sobre as desigualdades
Seminário
Todo o dia (12 a 13 Fev 2026)
Avenida de Berna

XXVII EDIÇÃO DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL REDE INTERNACIONAL E INTERDISCIPLINAR SOBRE AS DESIGUALDADES

LOCAL: Auditório 2, Torre B – Campus da Avenida de Berna, NOVA FCSH

Participação por videoconferência: disponibilizada aos inscritos que a solicitem

Participação livre sujeita a inscrição prévia: rededesigualdades@fcsh.unl.pt

A incidência de novas desigualdades sobre a Pobreza

A X edição do Seminário sobre Ação Pública e Desigualdades procura, mais uma vez, criar um momento de diálogo entre investigadores e técnicos da área social implicados nos vários níveis de intervenção no combate à pobreza e à exclusão social.

Nesta edição, partilhamos a organização com a EAPN, Portugal, Rede Europeia Anti pobreza, com a qual a RIIIDE já teve o privilégio de colaborar em momentos anteriores, inclusivamente, nos momentos pioneiros da criação das duas entidades.

O foco desta edição do Seminário Internacional é discutir as relações entre as desigualdades e a pobreza. Podendo ser considerados, por alguns, como conceitos sinónimos, adotando, porventura, uma postura de denúncia mais militante, parece-nos que as categorias desigualdade, pobreza e exclusão social devem ser distinguidas considerando os planos de reflexão diferentes nos quais elas se situam.

Aliás, sendo historicamente associados, a distinção dos diferentes planos permite-nos melhor pensar a incidência das desigualdades sociais sobre as situações de pobreza ou sobre as situações de exclusão social, quando elas ocorrem. Esclarecer melhor esta solidariedade de efeitos entre as desigualdades, a pobreza e a exclusão social, constitui uma primeira aposta do Seminário.

Poderemos fazê-lo confrontando as categorias no plano conceptual ou escrutinando processos que mostram as suas articulações a partir de determinados contextos socio-históricos. Sabemos que os atores e os processos de decisão associados a este campo de ação se inserem, reagem e, portanto, significam, em relação a diferentes temporalidades – entre um longo e um curto prazo – se não em relação a diferentes conjunturas socio-históricas e políticas, que moldam as dimensões através das quais podemos apreender, em cada um desses tempos ou conjunturas, os modos de expressão das desigualdades e as suas relações com a pobreza e a exclusão social, que são, assim, construídas historicamente.

Deste modo, a nossa segunda aposta pretende questionar em que sentido as dinâmicas dessas relações se alteram, como nos casos, por exemplo, dos modelos económicos seguidos e das novas relações de trabalho que eles impõem; dos novos modos de governança política e da subalternidade da participação cidadã que eles configuram; das desigualdades, renovadas, entre sexos ou grupos etários, e de descobrir, ainda, novas dimensões das desigualdades, como aquelas que podemos resumir sob o tema das alterações climáticas, considerando as suas implicações sobre as populações mais vulneráveis.

Na medida, no entanto, em que as articulações entre as desigualdades, a pobreza e a exclusão social se jogam entre diferentes planos de reflexão e de práticas, que mobilizam níveis de construção distintos da realidade social, é necessário melhor conhecer os diferentes níveis de responsabilidade social e política, tanto dos atores, como dos processos de decisão com eles relacionados. Identificar e analisar as lógicas de ação destes atores e destes processos, constitui a nossa terceira aposta.

Mas a relação entre as desigualdades, a pobreza e a exclusão social coloca-se igualmente de forma diferente quando consideramos as diferentes escalas espaciais nas quais a reflexão e a intervenção podem ser conduzidas. Como equacionar e integrar, então, nas intervenções – e é a nossa quarta aposta – os efeitos que decorrem dos modelos de gestão (económicos, políticos, sociais…), que dominam numa sociedade globalizada, com as variantes assumidas nos planos nacionais e com as incidências dessas orientações no plano local?

Enquanto observadores e analistas das situações, sabemos, também, que a orientação do nosso olhar pode pintar com cores diferentes as perspetivas através das quais podem ser representadas as desigualdades e a pobreza. Estão em causa as metodologias e os instrumentos de observação que nos servem, entre a utilização de indicadores mais econométricos e a avaliação de parâmetros mais qualitativos, entre visões mais amplas e outras mais circunstanciais dos problemas ou entre perspetivas abrangendo tempos dos problemas diferentes.

A condição isolada do investigador e mesmo das equipas de investigação conduz a uma leitura das relações entre desigualdades e pobreza fragmentada. Não podendo ser um alvo deste Seminário, parece-nos, contudo, ser urgente equacionar a criação de dispositivos de investigação com uma ambição transversal que permitam integrar e dar sentido aos muitos esforços isolados e situados do trabalho de investigação.

Por fim, ainda no plano da intervenção, mas agora na perspetiva do trabalho de terreno – que nos interessa valorizar – coloca-se, também a questão de saber como definir estratégias que permitam, por um lado, enfrentar as situações de pobreza e de exclusão social, mas que combatam, ao mesmo tempo, os determinantes políticos, económicos, sociais… das desigualdades, quer dizer, dos mecanismos que estão na base de uma distribuição injusta e desproporcional dos recursos sociais e das oportunidades de participação cidadã pelas populações mais vulneráveis.

Esta necessidade de definir estratégias de intervenção integradas e multidimensionais são dificultadas pela divisão social e política dos atores interessados que tendem a isolar-se em torno de objetivos fragmentados. A que níveis, então, deverão ser definidas estas estratégias multidimensionais que permitam cruzar vários tempos de intervenção, visando, ao mesmo tempo as causas da pobreza e a condição dos pobres?

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