Políticas públicas e desafios das Orquestras Regionais Portuguesas
Programar música erudita no território: Políticas públicas e desafios das Orquestras Regionais Portuguesas
SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS HISTÓRICOS E CULTURAIS EM MÚSICA
O Seminário Permanente do grupo de investigação Estudos Históricos e Culturais em Música do INET-md pretende ser um fórum onde todos os seus membros (integrados e colaboradores), bem como outros investigadores e investigadoras do meio académico, cultural e artístico, possam apresentar o seu trabalho e discutir projetos e investigações em curso.
29-01-2026 | 16h00 | NOVA FCSH, Av. de Berna, Lisboa | Torre B – Sala B307 & Online
Acesso livre, presencial e online.
ID da reunião: 343 815 138 606 13
Passe: xQ7e7ky2
Programar música erudita no território: Políticas públicas e desafios das Orquestras Regionais Portuguesas
Filipa Lima | INET-md/NOVA FCSH
As Orquestras Regionais Portuguesas surgem no contexto das políticas públicas de cultura associadas à democratização da cultura, com o objetivo de descentralizar a oferta de música erudita e alargar o acesso aos territórios fora dos grandes centros urbanos. A Orquestra do Norte, a Orquestra Filarmónica das Beiras e a Orquestra do Algarve materializam este modelo, ativo em Portugal há mais de trinta anos. Esta comunicação enquadra uma investigação em curso, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que procura compreender o papel destas orquestras na formação de públicos, analisar o alcance efetivo das políticas culturais que lhes deram origem e refletir criticamente sobre o modelo em vigor face aos desafios contemporâneos. O estudo tem enfrentado dificuldades significativas, nomeadamente a escassez de literatura científica dedicada especificamente às Orquestras Regionais Portuguesas, bem como constrangimentos no acesso a entrevistas e a dados institucionais, levantando questões metodológicas relevantes sobre a produção de conhecimento neste campo.
Neste seminário Filipa Lima propõe uma abordagem mais aprofundada à programação destas orquestras. Perante limitações estruturais evidentes – em particular o desafio de programar para uma orquestra com formação instrumental fechada definida por decreto-lei – torna-se relevante refletir sobre os diversos contextos que tendem a emergir na ambição de construir e manter uma temporada orquestral regular. A programação afirma-se, assim, como um eixo central para compreender a relação entre políticas públicas, território e audiências, evidenciando tensões entre missão institucional, sustentabilidade artística e resposta às expectativas dos públicos locais.
Flautista e investigadora, Filipa Lima desenvolve a sua atividade entre a prática musical, a programação cultural e a investigação académica. Realizou a sua formação na Escola Profissional de Música de Viana do Castelo (ARTEAM), na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE) e na Hochschule für Musik und Theater “Felix Mendelssohn Bartholdy” (Leipzig), tendo sido bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Deutschlandstipendium. Durante a pandemia, regressou ao meio académico, ingressando nos mestrados em Estética e Estudos Artísticos e em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Nova de Lisboa, bem como numa pós-graduação em Património Cultural Imaterial na Universidade Lusófona, tendo estagiado no Plano Nacional das Artes. Colaborou com a Orquestra Gulbenkian como solista convidada entre 2017 e 2020 e integra a Orquestra de Guimarães desde 2014. É fundadora e presidente da Associação Musicis Pontem – Orquestra do Alto Minho. Atualmente, é investigadora integrada no INET-md, no âmbito do Doutoramento em Estudos Artísticos – Arte e Mediações, sendo bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), com a bolsa 2023.04684.BD. Desenvolve investigação na área das políticas públicas de cultura, orquestras e programação musical e é membro da Comissão de Doutorandos do INET-md.