13
Mai
Histórias da Antropologia e Restituições
Colóquio
13:50 às 18:00 (13 a 15 Mai 2026)
Avenida de Berna e Museu Nacional de Etnologia

Num momento em que o debate público sobre restituição patrimonial, memória histórica e justiça pós-colonial ganham (des)centralidade crescente, Lisboa recebe o colóquio internacional Histórias da Antropologia e Restituições. É de 13 a 15 de maio, entre a NOVA FCSH, o Museu Nacional de Etnologia e a Cinemateca Portuguesa, e a entrada é livre.

Tonico Benites partilhará a sua experiência como investigador e curador indígena de uma coleção Guarani Kaiowá formada para o novo acervo do Museu Nacional do Brasil, quase totalmente destruído no incêndio de 2018. Outro momento de destaque será protagonizado por Glicéria Tupinambá, artista, investigadora e ativista do povo Tupinambá, com a intervenção performativa “A presença do manto tupinambá: a diplomacia ancestral e as mulheres como guardiãs das tecnologias”.

Uma das principais vozes na luta pela recuperação territorial e afirmação política dos povos Guarani e Kaiowá, Tonico Benites foi o primeiro curador indígena do Museu Nacional e também o primeiro a obter o grau de doutoramento. Glicéria Tupinambá tem desempenhado um papel fundamental na luta pela demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença e na articulação entre práticas artísticas, memória e reivindicação territorial, tendo participado em eventos como a Bienal de Veneza e em exposições na Fundação Calouste Gulbenkian.

A conferência de encerramento estará a cargo do antropólogo João Pacheco de Oliveira, figura central da antropologia brasileira, que apresentará a obra O Fogo avassalador e a nova semeadura: Museus, antropologias e protagonismo indígena (2024), refletindo sobre o papel das instituições museológicas e das comunidades indígenas na reconstrução de futuros possíveis.

Logo a 13 de maio, a Cinemateca Portuguesa acolhe a exibição do filme Margot, de Catarina Alves Costa, investigadora do CRIA – NOVA FCSH, estando ainda prevista, a 16 de maio, uma sessão dedicada aos filmes de Margot Dias. Estas iniciativas complementares reforçam a dimensão pública e cultural do encontro, que cruza a reflexão académica com vozes diretamente envolvidas em processos de reparação histórica.

O colóquio realiza-se em vésperas do Dia Internacional dos Museus, celebrado mundialmente a 18 de maio, sublinhando, simbolicamente, a importância do debate sobre o papel dos museus no século XXI, entre a preservação, a restituição e a construção de narrativas mais inclusivas.

O encontro é organizado pela NOVA FCSH, pelo CRIA/IN2PAST, pela plataforma Bérose e pelo Museu Nacional de Etnologia, no âmbito da International Research Network HITAL (CNRS, França), que reúne instituições da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, França e Portugal.

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