A CIDADE DO FUTURO (REVISITADA)

Luís Cláudio Ribeiro

Abstract


Alguém sai de casa, entra no automóvel e instantaneamente o rádio fica ligado. O mesmo indivíduo entra no emprego e escuta música a partir dos seus headphones. E se decide andar pela cidade, não se esquece de os ligar. Este comportamento do homem urbano constitui um corte com o espaço de cruzamento que caracteriza a cidade; um corte com a constituição de um real feito a partir da vigilância da visão e do reconhecimento dos outros; e uma alteração substancial da perceção do sujeito sobre a paisagem urbana, esse novelo físico, arquitetónico que sempre compôs a cidade.

A constituição da urbanidade é feita aqui sobre objetos sonoros que obrigam a uma desaparição parcial do reconhecimento visual e do espaço acústico. A constituição do sujeito no espaço público, que também é um espaço de troca de sinais, de conhecimentos e de afetos, faz-se pela desinstalação do aparelho de reprodução sonora. E nesta ação abre-se à rua o canal óptico.

O homem urbano de Aristóteles, um ser vivente (zoon) feito para a vida da cidade (bios politikós) está em alteração por efeito dos aparelhos móveis de reprodução sonora. E esta alteração atinge a substância da cidade, o seu urbanismo e arquitetura, isto é, a sua fisicalidade.


Keywords


som, dispositivo, móvel, perceção, urbano

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Journal of Communication and Languages | ISSN 2183-7198

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