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Frankenstein (re)vive na Biblioteca Nacional

CETAPS e BNP celebram os 200 anos da publicação de "Frankenstein" com uma exposição bibliográfica e uma conferência. A iniciativa é de Rogério Miguel Puga.

O romance “Frankenstein or The modern Prometheus”, da romancista britânica Mary Shelley (1797-1851), ficciona a história de um jovem cientista, Victor Frankenstein, que cria um dos monstros mais conhecidos da história da literatura. Na história ele é encontrado no Polo Norte pelo capitão Robert Walton, a quem narra como uma experiência científica deu origem à criatura.

A primeira edição do livro, que partilha características com os romances epistolar e gótico, é publicada anonimamente na cidade de Londres, a 1 de janeiro de 1818 – portanto há 200 anos - e torna-se logo um best-seller. Efetivamente, o nome da autora apenas apareceria numa segunda edição da obra, após o sucesso da peça de teatro “Presumption or the Fate of Frankenstein” (1823) de Richard Brinsley Peake (1792-1847), onde se estreia a famosa expressão “It lives!”. A edição popular da obra num só volume sairia apenas em 1831, após revisão da autora para ser menos «radical».

Outra curiosidade é que o monstro é referido no romance como: «criatura», «monstro», «demónio» e «aberração», «Adão», «anjo caído», «vil inseto», mas nunca Frankenstein – o sobrenome do seu criador.

A personagem literária, que tem conhecido inúmeras adaptações ao cinema, teatro e à televisão, tem sido alvo dos mais variados exercícios de tradução intersemiótica, assumindo-se como uma imagem-símbolo que reconhecemos imediatamente associada às ideias de obsessão, busca, criação, desafio, perda, transgressão, morte, rejeição, desejo, vingança ou negação do amor.

A obra remete ainda para diversas questões científicas e filosóficas, tendo como possíveis fontes (e intertextos) a poesia de Wordsworth, Coleridge, Byron, Keats e Shelley, e obras como a Bíblia (Génesis), Prometeu agrilhoado, de Ésquilo, Metamorfoses (Pigmalião), de Ovídeo, The tempest, A midsummer night’s dream e King Lear, de Shakespeare, Paradise lost, de John Milton, The rime of the ancient mariner, de Coleridge, Fausto, de Goethe, Elements of chemical philosophy, de Humphry Davy, History of electricity, de Joseph Priestley, A discourse introductory to a course of lectures on chemistry, de Sir Humphrey Davy, e Le miroir des événemens actuels ou la Belle au plus offrant, de François-Félix Nogaret, entre outras.

A escrita do romance tem lugar em 1816, na Suíça, e nasce de um desafio lançado por Lord Byron a Mary, Percy e ao escritor John Polidori. Consistia em ver qual dos quatro escreveria a melhor história de terror, tendo Mary Shelley recorrido a elementos temáticos da ficção a que mais tarde chamaríamos científica. A história, que esteve para dar forma a um conto, acabaria por se tornar num dos mais famosos romances da literatura em língua inglesa e é hoje considerada a primeira obra de ficção científica da história.

O CETAPS (Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies) e a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) assinalam, através de uma mostra bibliográfica patente até 8 de fevereiro, os 200 anos do lançamento do livro de Mary Shelley. A iniciativa de Rogério Puga, docente do Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas Modernas da NOVA FCSH, terá continuação a 27 de setembro, data de realização de um colóquio sobre o tema.

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2018-01-23 12:10
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