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Francisco Seixas da Costa e Nuno Severiano Teixeira debateram “Portugal no Mundo”

“Há três anos que estamos sem política europeia” criticou Nuno Severiano Teixeira durante a conferência de homenagem a José Medeiros Ferreira

Portugal não tem ideias para a Europa”, pelo que “há três anos estamos sem política europeia”, afirmou Nuno Severiano Teixeira, antigo Ministro da Administração Interna e Defesa, acrescentando ainda ter baixado “para mínimos inaceitáveis” a participação portuguesa em missões de paz. O Vice-Reitor da NOVA referia-se deste modo à atuação do Governo durante uma conferência na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH/NOVA), onde participou ao lado do Embaixador Francisco Seixas da Costa.

A política externa portuguesa foi tema da conferência “Portugal no Mundo”, onde os dois oradores analisaram as consequências do 25 de Abril nesse aspeto da política nacional. Francisco Seixas da Costa também classificou como “menos bom” o “momento que a diplomacia portuguesa está a atravessar”, não se encontrando “à altura das expectativas” criadas pela Revolução de Abril. Hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros segue uma “política de dependência resignada”, resultando em “toda uma dinâmica que se está a perder”, devido aos cortes orçamentais.

O antigo Secretário de Estado dos Assuntos Europeus (1995-2001) recordou também a “relação complicada de Angola com Mário Soares”, afirmando que o nascimento da CPLP só se concretiza “quando este deixa de ser Presidente da República”. Segundo “rumores por confirmar”, essa não terá sido uma coincidência.

Já Nuno Severiano Teixeira assinala que “a diplomacia económica tem seguido uma linha sem valores, de quem dá mais, e um Estado democrático não devia ignorar valores” até porque estes estão inscritos “no código genético da Revolução de Abril”, concluiu.

A conferência “Portugal no Mundo”, inserida no ciclo “Revolução e Democracia”, constituiu simultaneamente uma homenagem a José Medeiros Ferreira, docente da FCSH/NOVA e antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Constitucional, falecido em março último.

Mário Mesquita realizou uma evocação em memória de José Medeiros Ferreira e como amigo próximo recordou o jovem conspirativo nos movimentos estudantis até à posição de Ministro dos Negócios Estrangeiros: "teve uma carreira meteórica mas isso paga-se caro, foi preso pela PIDE e enviado para o exílio por se recusar a participar na Guerra Colonial."

Expressou ainda o desejo que a "sua memória seja recordada de forma singular tal como José Medeiros Ferreira foi, uma pessoa formal, um teórico mas também uma pessoa cheia de vida, alegria, ironia e que animava qualquer grupo em que participava."

Veja as fotos do evento.

 

José Medeiros Ferreira

 


 

Democracia e política externa

O processo de transição para a democracia iniciado a 25 de abril de 1974, sob o lema “democratização, descolonização, desenvolvimento”, resultou numa alteração significativa do posicionamento internacional de Portugal e numa reorientação da política externa portuguesa. Desde logo porque rompeu com um modelo de inserção internacional que perdurava há cinco séculos, assente numa orientação estratégica fundamental: o predomínio da opção atlântica, na sua vertente marítima e imperial, em detrimento de uma opção continental, em resultado da histórica perceção da ‘ameaça espanhola’ e da reticência e pragmatismo face ao processo de construção europeia.

Assim, no período de transição e consolidação do regime democrático, Portugal passou a afirmar-se como um país ocidental, simultaneamente europeu e atlântico, que encontrava no processo de integração europeia e na descolonização os seus principais desafios em matéria de política externa.

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2014-09-15 09:55
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