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Alunos exploram “cápsula do tempo” em Muge

Documentar e salvaguardar o carácter único da Fábrica da Casa Cadaval foi o objetivo pelo qual oito alunos participaram numa ação formativa com Leonor Medeiros, docente de História.

Qual cápsula do pelo tempo, fruto de um abandono que pouco lhe abanou as estruturas físicas, a Fábrica de Descasque de Arroz da Casa Cadaval parecia estar à espera de uma intervenção arqueológica capaz de valorizar o seu passado. Foi o que aconteceu no final do ano letivo passado, quando um conjunto de estudantes – seis da NOVA FCSH e dois da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa – estiveram seis dias em Muge para documentar, valorizar e salvaguardar o carácter único daquele espaço. Com a supervisão de Leonor Medeiros, os trabalhos consistiram no inventariado do património, análise da evolução histórica do edifício e na documentação das memórias de antigos trabalhadores. Numa fase posterior, os dados recolhidos serão depois tratados, publicados e apresentados ao público em encontros científicos na área da arqueologia industrial.

Símbolo de uma atividade regional que ainda hoje é identitária - a produção de arroz - e exemplo de uma tecnologia de ponta preconizada nos anos 50, com maquinaria importada de Itália, a fábrica, ao contrário de muitas outras unidades industriais, não foi modernizada ou destruída, mantendo-se todo o seu património intacto – um acontecimento raro. No passado, a sua função era a de transformar o arroz produzido nos campos agrícolas da Casa Cadaval.

O edifício e seu equipamento foram instalados de raiz no final da década de 50 do século XX, por decisão da Administração da Casa Cadaval segundo projeto da firma italiana P. Minghetti, adaptado pelo arquitecto António Lino (também autor da Igreja de S. João de Deus em Lisboa, do pórtico do Monumento ao Cristo-Rei, em Almada, ou do restaurante Espelho de Água em Belém). O sistema Minghetti correspondia no seu momento ao sistema mais moderno do género que existia na época, embora tivesse sido adaptado à realidade do sítio onde se implantou. A fábrica laborou entre 1962 e 1987, data em que as condições económicas (imediatamente após a adesão à Comunidade Europeia, com decorrente concorrência internacional) tornam inviável a continuação da produção, representando hoje a produção orizícola do Ribatejo no séc. XX.

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2018-08-08 12:35
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