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Número 9 | Janeiro - Junho 2011 ISSN 1646-740X
 

IEM

NÚMERO 9 / CURRENT ISSUE

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FCT


 

 


Projectos de investigação em História Medieval financiados pela FCT nos últimos 10 anos

 
Ana Maria Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
anarodrigues@fl.ul.pt
RESUMOTEXTO PALAVRAS-CHAVECITAÇÃO imprimir PDF imprimir mail indice
 
 

Pressupostos e metodologia

Quando me foi proposto participar no V Seminário do Instituto de Estudos Medievais, em Setembro de 2008, com uma comunicação com este título, aceitei de bom grado porque me parecia importante realizar uma reflexão sobre esta temática e estava convencida que, no sítio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) na Internet, encontraria facilmente os dados necessários para iniciar essa reflexão.

A verdade é que os meus planos soçobraram logo que comecei a pesquisa: o sítio da FCT encontrava-se em remodelação, e no que diz respeito aos projectos de Investigação & Desenvolvimento financiados, havia informações para uns anos e para outros, não, para umas áreas científicas mas não para outras, sem que se vislumbrasse qualquer lógica. Ao fim de inúmeras tentativas espaçadas por várias semanas, na esperança de que o processo de remodelação chegasse ao apartado que eu estava a consultar e as lacunas detectadas fossem preenchidas, enviei uma mensagem electrónica para o serviço de informações explicando o que pretendia fazer e as dificuldades que estava a encontrar, e pedindo ajuda.

Passaram-se mais algumas semanas, durante as quais comecei a procurar na Internet, quer através do motor de pesquisa Google quer nos sítios institucionais de Universidades, Centros de Investigação e Institutos, os projectos de História Medieval (HM) de cuja existência tinha prévio conhecimento. Pouco a pouco, fui acumulando materiais heteróclitos: fichas de apresentação dos projectos disponibilizadas pela FCT ou pelas instituições de acolhimento; relatórios entregues pelos investigadores responsáveis a essas instituições; notícias sobre a realização de colóquios ou a publicação de livros; teses e comunicações a congressos guardadas em repositórios institucionais em formato PDF; listas de avaliadores de projectos e alguns currículos.

Em inícios de Julho e em desespero de causa, pois estava longe de ter conseguido estabelecer pelo menos uma lista rigorosa dos projectos de HM financiados pela FCT no prazo considerado, não esperei mais por uma resposta às minhas repetidas mensagens electrónicas e peguei no telefone. Fui encaminhada para o Dr. Pedro Sousa Silva, que depois de informado por mim do trabalho que eu estava a fazer se disponibilizou para me enviar os dados de que necessitava, existissem eles em formato passível de ser remetido por correio electrónico (o que não veio a acontecer para todos, como mais adiante se poderá constatar). Assim o fez pouco depois, pelo que eu lhe presto aqui um público e caloroso agradecimento.

Foi, portanto, em finais de Julho de 2008 que obtive, finalmente, grande parte das listas dos projectos submetidos a concurso na área de História de 1999 até 2006 e a totalidade das listas dos que foram financiados pela FCT nesse período, podendo estabelecer com rigor, aqueles que diziam respeito à Idade Média. Às portas das férias de Verão, porém, era já tarde de mais para passar à fase seguinte e procurar obter, junto da FCT ou dos Investigadores Responsáveis, os resultados desses projectos.

As dificuldades que eu sentira ao procurar documentar-me sobre eles através da Internet, que é o meio supostamente mais simples, rápido e eficaz para obter informação nos dias de hoje, pareceram-me constituir em si mesmas, todavia, um subproduto inesperado mas essencial deste trabalho, na medida em que me levaram a colocar questões que não me haviam ocorrido à partida. Se ainda é relativamente fácil saber que os projectos existem (ou existiram e já estão concluídos), muito mais complicado se torna sopesar-lhes os resultados. Quais as Jornadas, os Colóquios, os Congressos organizados no seu âmbito? Que teses foram defendidas, que livros publicados? Onde residem as bases de dados produzidas? Estão acessíveis a outros investigadores e ao público em geral? Recorrendo exclusivamente à Internet, era-me impossível responder a estas e outras perguntas do mesmo teor para grande parte do universo estudado.

Dois anos mais tarde, tendo surgido a oportunidade de publicar este texto e com o fito de o actualizar, retomei a pesquisa nos mesmos moldes, não se tendo a situação revelado muito diferente. Em Junho de 2010, o sítio da FCT na Internet já não se encontra em remodelação mas as lacunas detectadas anteriormente não foram preenchidas. A informação disponibilizada sobre os projectos financiados permanece sumária, não permitindo uma cabal apreciação do respectivo interesse científico. Para mais, tal informação diz apenas respeito às propostas iniciais, nada sendo acrescentado posteriormente sobre a sua efectiva concretização e os resultados alcançados, única forma de avaliar os avanços que trouxeram aos nossos conhecimentos nessas matérias. Quanto aos projectos não financiados, são pura e simplesmente eliminados do sistema logo que a avaliação é feita e os resultados são homologados. Isto condiciona fortemente a possibilidade de reconstituir as listas completas de projectos submetidos a concurso e perceber que problemáticas, que cronologias, que perfis de equipas, que tipo de resultados esperados têm sido valorizados ou penalizados pelos avaliadores, e que efeitos essas escolhas, feitas concurso após concurso, têm tido sobre os investigadores nacionais, estimulando-os ou, pelo contrário, inibindo-os de apresentar propostas relativas a certas temáticas, a determinados períodos cronológicos, e levando-os a optar por bolseiros em curso de formação ou já graduados, consultores nacionais ou estrangeiros...

Um olhar crítico sobre tal situação é, no entanto, possível. Assim, na primeira parte deste artigo, identifico os projectos de HM financiados pela FCT nos últimos dez anos, inserindo-os no contexto dos respectivos concursos. Na segunda parte, procuro detectar tendências quanto à composição dos painéis de avaliação, ao tipo de projectos apresentados e aos que têm conseguido obter financiamento, analiso os principais produtos/resultados desses projectos e faço algumas sugestões no sentido de aumentar o seu impacto no meio académico português e internacional.

 

Projectos de I&D em todos os domínios científicos 1999/2000

O primeiro painel de avaliação e selecção do período em estudo, respeitante a 1999/2000, teve uma composição maioritariamente lusófona: dois membros portugueses, dois brasileiros e um galego.

Painel de Avaliação e selecção da área de História e Arqueologia

Prof. Joaquim Romero Magalhães (Coordenador) (H. Moderna, U. Coimbra)
Prof. Jorge Alarcão (Arqueologia, U. Coimbra)
Prof. Ermelindo Portela (H. Medieval, U. Compostela)
Profª Maria do Socorro Ferraz (H. Contemp., U. Federal de Pernanbuco)
Prof. Caio César Boschi (H. Moderna, Pontifícia U. Católica de Minas Gerais)

Houve 23 propostas financiadas nas 35 apresentadas, ou seja, uma taxa de sucesso de 65,7%. Destas, 16 foram classificadas como excelentes e 7 como muito boas. O financiamento concedido é que constituiu apenas 23,6% do pedido, situação que irá manter-se, com maior ou menor gravidade, ao longo de todo o período em escrutínio

Resumo para esta Área Científica

Propostas

Financiamento
(em
EURO)

 

Avaliadas

Aprovadas

Solicitado

Atribuído

%

História e Arqueologia
Excelent - 16 (45,7%)
Very Good - 7 (20,0%)

35

23

5.559.330,00

1.311.838,46

23,6

Desses 23 projectos aprovados houve 2 projectos de HM:

Guia Histórico das Ordens Religiosas em Portugal, coordenado por Bernardo Vasconcelos de Sousa e sedeado no Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa (financiado com € 34.915,85).

Paisagens rurais e urbanas entre a Idade Média e os Tempos Modernos. Fontes para o seu estudo, coordenado por Iria Gonçalves e sedeado no Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa (€ 84.795,64).

Dois outros projectos, no domínio da Arqueologia, também contemplaram uma cronologia medieval:

Mértola – História e Arqueologia na Alta Idade Média, coordenado por Cláudio Torres e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola (€ 99.759,58).

Ria de Aveiro A-2000, coordenado por Francisco José Soares Alves e sedeado no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (€49.879,79).

Assim, 17,4% dos projectos aprovados debruçaram-se sobre a época medieval. Desconhecemos, porém, quantos se apresentaram inicialmente a concurso, pois não tivemos acesso a esses dados. Isso impediu-nos de verificar se a Idade Média foi privilegiada ou prejudicada em relação às outras épocas cronológicas e áreas disciplinares presentes no concurso.

 

Projectos de I&D em todos os domínios científicos 2001

O segundo painel de avaliação e selecção do período considerado retomou, em grandes traços, a composição do anterior, embora um investigador francês tivesse substituído uma universitária brasileira.

Painel de Avaliação e selecção da área de História e Arqueologia

Prof. Joaquim Romero Magalhães (Coordenador) (H. Moderna, U. Coimbra)
Prof. Jorge Alarcão (Arqueologia, U. Coimbra)
Prof. Ermelindo Portela (H. Medieval, U. Compostela)
Prof. Bernard Vincent (H. Moderna, EHESS)
Prof. Caio César Boschi (H. Moderna, Pontifícia U. Católica de Minas Gerais)

Foram aprovadas 10 candidaturas em 27, ou seja, apenas 37% do total; 4 delas foram consideradas excelentes e 6, muito boas. Correspondeu-lhes 21,2% do financiamento pedido, um pouco menos ainda do que da vez anterior.

Resumo para esta Área Científica

Propostas

Financiamento
(em
EURO)

 

Avaliadas

Aprovadas

Solicitado

Atribuído

%

História e Arqueologia
Excellent - 4 (14,8%)
Very Good - 6 (22,2%)

27

10

3.802.955

805.190

21,2

Houve apenas um projecto de HM em 10 aprovados (10%):

Fasti Ecclesiae Portugaliae: prosopografia do clero catedralício português (1070-1325), coordenado por Ana Maria Jorge e sedeado no Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa (com um financiamento de € 167.875).

Não sei, porém, se outros se apresentaram a concurso, pois não tive de novo acesso a esses dados. Um projecto de âmbito cronológico mais vasto também contemplou a Idade Média:

Ius Lusitaniae – Fontes Históricas do Direito Português (séculos XII-XVIII), coordenado por Pedro Cardim e sedeado na Universidade Nova de Lisboa. (€35.120)

 

Projectos de I&D em todos os domínios científicos 2002

O 3º painel de avaliação e selecção teve uma composição predominantemente peninsular, completada com um elemento italiano.

Painel de Avaliação e Selecção da Área de História e Arqueologia

Prof. Luís Adão da Fonseca (Coordenador) (H. Medieval, U. Porto)
Prof . Josep M. Fullola i Pericot (Arqueologia, U. Barcelona)
Prof ª Gabriella Airaldi (H. Medieval, U. Génova)
Profª  Elena Postigo Catellanos (H. Moderna, U. Autónoma de Madrid)
Prof . Artur Teodoro de Matos (H. Moderna, U. Nova de Lisboa)
Prof. Luis Reis Torgal (H. Contemporânea, U. Coimbra)

Foram aprovadas 16 candidaturas em 39, o que corresponde a 41 %, mas foi-lhes concedida a taxa mais baixa de financiamento solicitado: 17%. Do total de projectos aprovados, 2 foram considerados excelentes e 14 muito bons.

Resumo para esta Área Científica

Propostas

Financiamento
(em
EURO)

 

Avaliadas

Aprovadas

Solicitado

Atribuído

%

História e Arqueologia
Excellent -  2 (5,1%)
Very Good - 14 (35,9%)

39

16

4.328.505

734.702

17

Houve 2 projectos de HM entre os 16 aprovados (12,5%):

Os pergaminhos medievais da Quinta da Pacheca, coordenado por José Marques e sedeado na Universidade do Porto (financiado com apenas € 4 679)

Regnum Regis - As Inquirições de 1220 e a génese da memória documental do reino medieval português, coordenado por Amélia Aguiar de Andrade e sedeado no Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa (€ 36 330)

Também um projecto aprovado de âmbito cronológico mais vasto incluía a Idade Média:

Da Braga romana à Braga medieval. A transformação de uma paisagem urbana, coordenado por Manuela Martins e sedeado na Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (€ 47 186).

Como desta vez tive acesso às listagens dos projectos a concurso, pude comprovar que, à partida, os projectos exclusivamente sobre HM eram 5 sobre 39 (12,8%), logo a proporção manteve-se. Nos não financiados, houve três especificamente medievais:

História Medieval do Vale do Douro e do Porto, coordenado por Luís Miguel Duarte e sedeado na Universidade do Porto.

Objectos e técnicas do quotidiano no Portugal medievo, coordenado por Humberto Baquero Moreno e sedeado na Universidade Portucalense Infante D. Henrique.

Os oficiais da Chancelaria Régia (1310-1483): Estudos e Prosopografia, coordenado por Judite de Freitas e sedeado na Universidade Fernando Pessoa.

Ainda houve mais três com uma componente medieval integrada num âmbito mais vasto:

A Casa das Rainhas (sécs. XII-XVII): Origens e formação, coordenado por Ana Maria Rodrigues e sedeado no Centro de Ciências Históricas e Sociais da Universidade do Minho.

Cultura material e devoção (1450-1521), coordenado por Isabel dos Guimarães Sá e sedeado no Centro de Ciências Históricas e Sociais da Universidade do Minho.

Do Castelo à Ribeira - (séculos XIII-XVIII) - " 500 anos de povoamento na costa de Sesimbra - Caracterização da paisagem urbana e rural", coordenado por Luís Filipe Pinhal Ferreira e sedeado no Museu Municipal de Sesimbra.

 

Projectos de I&D em todos os domínios científicos 2004

O 4º painel de avaliação teve as mesmas características peninsulares e italianas que o anterior, embora o predomínio numérico dos avaliadores portugueses, mantido até então, tivesse acabado.

Painel de Avaliação e Selecção da Área de História e Arqueologia

Prof. Artur Teodoro de Matos (Coordenador) (H. Moderna, FCSH da UNL)
Prof. Josep M. Fullola i Pericot (Arqueologia, U. Barcelona)
Profª Gabriella Airaldi (H. Medieval, U. Génova)
Prof. Franco Angiolini (H. Moderna, U. Pisa)
Prof. Germán Rueda (H. Contemporânea, U. Cantábria)

Foi aprovada exactamente metade das candidaturas apresentadas. Todos esses projectos foram classificados como Muito Bons, não tendo nenhum sido considerado excelente; foi-lhes atribuído apenas 20% do financiamento pedido.

Resumo da Área Científica

Propostas

Financiamento
(em
EURO)

História e Arqueologia

Avaliadas

Aprovadas

Solicitado

Atribuído

%

Very Good - 26 (50,0%)

52

26

4.338.177

867.820

20,00

Nº Total de Projectos: 26

Houve 2 projectos de HM entre os 26 aprovados:

Ordens Militares: crónicas e cronistas, coordenado por Paula Pinto Costa e sedeado na Universidade do Porto (€ 12.000).

FRAGMED, Corpus Fragmentorum Portugaliae, coordenado por Saul Gomes e sedeado na Universidade de Coimbra (€ 37.380).

Outros 2 projectos de Arqueologia aprovados também se debruçaram sobre o período medieval; eram ambos coordenados por Cláudio Torres e estavam sedeados no Campo Arqueológico de Mértola:

A necrópole islâmica do Rossio do Carmo (Mértola), (€ 32.880).

Alcáçova de Mértola: espaços, edifícios e funções entre a Antiguidade Tardia e a Reconquista Cristã, (€ 31.000).

Assim, no total, 15,4% dos projectos aprovados contemplaram a Idade Média. Inicialmente, os projectos sobre o período medieval eram 8 em 52 (14,3%); a proporção continuou, pois, a ser muito próxima.

Cinco projectos aprovados, de âmbito cronológico mais vasto, incluíram também a Idade Média:

História do Alentejo, séculos XII-XX. Aprofundamentos empíricos, coordenado por Mafalda Soares da Cunha e sedeado na Universidade de Évora (€ 45.380).

O sistema de caridade e assistência: apropriação social, trajectórias sociais, discursos institucionais. O Caso da região de Évora (sécs. XV-XVIII), coordenado por Laurinda Abreu e sedeado na Universidade de Évora (€ 34.440).

Recursos para a história marítima de Portugal (1200-1700), coordenado por Francisco Contente Domingues e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa (€ 19.500).

Italianos estantes em Portugal (Séculos XIV a XVIII), coordenado por António Marques de Almeida e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa (€ 27 880).

SAL(H)INA – História do Sal – natureza e meio ambiente – séculos XV a XIX, coordenado por Maria Inês Brandão da Silva e sedeado na Universidade do Porto (€ 38.800).

Entre os projectos que não foram financiados, contavam-se, de HM:

Bestiário medieval galaico-português, coordenado por Pedro Chambel e sedeado no Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa.

Escrivaninhas e Tabeliados. Fronteiras e Sobreposições de Competências entre Ofícios da Escrita (séculos XIV a XVI), coordenado por Bernardo Sá Nogueira e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

O processo de territorialização do domínio da coroa nos séculos XIII e XIV: os homens e as divisões administrativas, coordenado por Adelaide Millan da Costa e sedeado na Universidade Aberta.

Reginae et Dominae. Os fundamentos do poder das rainhas de Portugal (séculos XII a XV), coordenado por Manuela Santos Silva e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

Mas no ano de 2004 houve novidades: surgiram duas novas áreas científicas com interesse para a nossa área de trabalho. Uma intitulava-se História da Ciência e da Técnica, candidatando-se a ela 17 projectos, a cujas listagens não tive acesso; nenhum dos 7 aprovados tinha componente medieval. Contudo, sei que pelo menos uma das propostas rejeitadas a tinha:

Mapa Mundi. O impacto das viagens imaginárias na organização do pensamento ocidental (sécs. XIV-XVIII), coordenado por Clara Pinto Correia e sedeado no Instituto de Investigação Científica Bento da Rocha Cabral.

Surgiu ainda outra área, intitulada Herança Cultural, a que puderam candidatar-se projectos no âmbito da História, da História da Arte e do Património. No respectivo painel, tal como no de História e Arqueologia, houve uma maioria de estrangeiros, que neste até detiveram a presidência.

Painel de Avaliação e Selecção da Área de Herança Cultural

Prof. Monique Clavel Levêque (Coordenador) (H Antiga, U. Franche-Comté)
Prof. Maria Helena Ochi Flexor (H. Urbana, U. Católica de Salvador)
Prof. José Alberto Gomes Machado (H. Arte, U. Évora)
Prof. Joaquim Jaime Ferreira Alves (H. Arte, U. Porto)
Prof. Maria del Mar Lozano Bartolozzi (H. Arte, U. Extremadura)

Foram aprovadas 17 candidaturas em 37 (cerca de 46%), das quais metade foi considerada excelente e metade muito boa; um dos projectos aprovados não foi, porém, classificado, não tendo sido dada qualquer explicação para o sucedido.

Resumo da Área Científica

Propostas

Financiamento
(em
EURO)

Herança Cultural

Avaliadas

Aprovadas

Solicitado

Atribuído

%

Excellent - 8 (21,6%)
Very Good - 8 (21,6%)
Not Rated - 1 (2,7%)

37

17

3.229.722

922.581

28,57

Nº Total de Projectos: 17

Um projecto aprovado em 17, representando por isso 5,8%, dizia respeito à Alta Idade Média:

Triticum spelta L – Trigo suevo? Tese etnográfica posta à prova genética, coordenado por Dorit Elisabeth Schuller e sedeado na Universidade do Minho (€ 9.235)

Outro projecto de cronologia mais vasta também incluía uma componente medieval:

Casa do Lanternim (Mértola). Contributo para a história local, coordenado por Cláudio Torres e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola (€ 45.000).

Apenas se candidatou mais um projecto interessando à HM, que não foi financiado:

O Loudel do rei D. João I, coordenado por Adérito Fernandes Marcos e sedeado no Centro de Computação Gráfica da Universidade do Minho.

Em suma, houve 2 candidaturas de projectos relacionados exclusivamente com materiais medievais num total de 37, correspondendo apenas a 5,4% do total; mais uma vez, a proporção manteve-se.

 

Projectos de I&D em todos os domínios científicos 2006

Em 2006, houve novamente alterações nas áreas científicas em que as propostas de projectos deviam integrar-se. Abriu mais uma vez concurso para História da Ciência e da Técnica, mas nenhuma das 7 candidaturas aprovadas num total de apenas 9 incluiu o período medieval.

Fundiram-se, num só concurso, a História, a Antropologia e a Herança Cultural, desaparecendo a Arqueologia do respectivo título (mas não das áreas em que podiam ser apresentadas propostas). Ora, a Antropologia tinha sido sempre, até então, uma área autónoma, embora com baixo número de propostas e de projectos financiados. Já a Herança Cultural mostrou-se muito pujante em candidaturas e grande consumidora de financiamento desde o seu aparecimento, no concurso anterior

Quanto ao painel de avaliação e selecção desta nova área mais abrangente, foi quase inteiramente constituído por historiadores (um só arqueólogo, nenhum antropólogo), todos eles estrangeiros e maioritariamente franceses (3 da EHESS, 2 do CNRS).

Painel de Avaliação e Selecção da Área de História, Antropologia e Herança Cultural

Prof. Jean-Frédéric Schaub (coordenador) (H. Moderna, EHESS)
Prof. Stéphane Van Damme (H. Moderna, CNRS)
Prof. Bernard Vincent (H. Moderna, EHESS)
Prof. Andrea Daher (H. Moderna, U. Federal do Rio de Janeiro)
Prof. Juan Pro Ruiz (H. Contemporânea, U. Autónoma de Madrid)
Prof. Etienne Hubert (H. Medieval, EHESS)
Prof. Frank Braemer (Arqueologia, CNRS)

Apresentaram-se a concurso 105 projectos, três vezes mais do que o número máximo de propostas surgidas enquanto a História e a Arqueologia estiveram sozinhas e mesmo mais do que juntando as três áreas do concurso anterior.

Resumo da Área Científica

Propostas

Financiamento
(em
EURO)

História,  Antropologia e Herança Cultural

Avaliadas

Aprovadas

Solicitado

Atribuído

%

Very Good - 26 (100,0%)

105

26

€€ 14.697.527

€ 3.095.717

21

Nº Total de Projectos: 26

Houve apenas 26 projectos aprovados, representando cerca de um quarto do total. Todos eles foram, novamente, classificados como Muito Bons, recebendo 21% do financiamento pedido.

Dois deles, com temática exclusivamente medieval, inseriam-se nos domínios da Arqueologia e História de Arte (7,7%):

O Alto Mondego: território de fronteira entre Cristãos e Muçulmanos, coordenado por Rosa Varela Gomes e sedeado na Universidade Nova de Lisboa (€ 93 956).

O túmulo do Infante D. Afonso de Portugal da Sé de Braga. Estudo e intervenção de um objecto compósito (metal/madeira) e a problemática da sua conservação, coordenado por Ana Isabel Pinto e sedeado no Instituto dos Museus e da Conservação (€ 126 016)

Inicialmente, os projectos cuja cronologia era exclusivamente medieval eram apenas 4 em 105 (3,8%), pelo que a percentagem de aprovados até representa o dobro da de apresentados.

Entre os não financiados, contavam-se dois especificamente medievais:

A administração régia periférica: justiça e fiscalidade (Portugal, séculos XIII e XIV), coordenado por Adelaide Millan da Costa e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

As faces de Terminus, coordenado por Hermenegildo Fernandes e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

Em mais 7 propostas não financiadas existia uma componente medieval com mais ou menos peso:

O Porto de Mértola como estrutura de organização do espaço no Alentejo, coordenado por Susana Gómez Martínez e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola.

De monasterium a Monte Mosteiro. Evolução de um espaço rural no concelho de Mértola da Antiguidade aos nossos dias, coordenado por Susana Gómez Martínez e sedeado no Campo Arqueológio de Mértola.

Material Manuscrito Árabe e Islâmico em Portugal, coordenado por Adel Sidarus e sedeado na Universidade Católica Portuguesa.

Cister no Vale do Douro – Patrimónios e Espaços de Circulação, coordenado por Carlos Alberto Brochado de Almeida e sedeado na Universidade do Porto.

Rainhas de Portugal. Fontes e estudos para a reconstrução da sua vida e obra, coordenado por Ana Maria Rodrigues e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

MEDSI – MEMÓRIA DE SI. Testemunhos autobiográficos portugueses (séculos XV-XXI), coordenado por António Ventura e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

Reconstituição Histórica das Origens e dos Sistemas de Distribuição de Água à Cidade de Lisboa – do período romano ao período setecentista, coordenado por Maria Helena Ramalho Rua e sedeado no Instituto Superior Técnico.

 

Projectos de I&D em todos os domínios científicos 2008

Em 2008, ensaiaram-se novas composições nos domínios científicos: a Antropologia juntou-se às Ciências Sociais, separando-se da História que, por sua vez, integrou a História das Ciências e das Técnicas.

Painel de Avaliação e Selecção da Área de História, Antropologia e Herança Cultural

Prof. Ramón Villares (coordenador) (H. Contemporânea, U. Compostela)
Profª Dejanirah Couto (H. Moderna, EHESS)
Prof. Felipe Criado-Boado (Arqueologia, I. Estudos Galegos Padre Sarmiento)
Prof. Fernando J. Devoto (H. Contemporânea, U. Buenos Aires)
Prof. Fernando J. Bouza Álvarez (H. Moderna, U. Complutense de Madrid)
Prof. Bernard Vincent (H. Moderna, EHESS)
Prof. Walter L. Bernecker (H. Contemporânea, U. Erlangen-Numberger)
Prof. William R. Shea (H. Ciência, U. Pádua)

O painel de avaliação foi de novo constituído exclusivamente por estrangeiros, de proveniências mais variadas que no anterior concurso, não constando dele, todavia, nenhum especialista em HM. Isso veio a ter consequências gravosas para essa área disciplinar, como veremos.

A FCT não forneceu ainda, para este concurso, a tabela com dados sintetizados que existe para os anteriores. Não sabemos, por isso, quais foram as classificações atribuídas aos projectos aprovados nem que montantes globais foram por eles pedidos, o que impossibilita o cálculo das respectivas percentagens. De qualquer forma, das 145 candidaturas iniciais foram aprovadas 28, ou seja, apenas 19,3%, a percentagem mais baixa de todo o período em análise: 13 em História, 9 em Arqueologia, 4 em História da Ciência e da Técnica e 2 em Herança Cultural.

Nenhum dos projectos financiados contemplou exclusivamente a HM, embora dois, de cronologia mais ampla, se iniciassem presumivelmente nesse período:

Comendas das Ordens Militares: perfil nacional e inserção internacional, coordenado por Luís Adão da Fonseca e sedeado no Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade da Universidade do Porto (58.500€).

Iconografia do livro impresso em Portugal (séculos XV-XVIII) – Marcas tipográficas e insígnias de papeleiros, coordenado por Artur Anselmo de Oliveira Soares e sedeado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (75.222€).

Inicialmente, havia 13 projectos exclusivamente dedicados à HM, representando perto de 9% do total. Entre os não financiados, contam-se:

Construindo a medievalística portuguesa, 1970-2010: abordagens teóricas e historiográficas, para reforço disciplinar e desenvolvimento da investigação, coordenado por Maria de Lurdes Rosa e sedeado no Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa.

Tesouros da Casa Real Portuguesa. Consumo, circulação e colecção de objectos preciosos de D. Dinis a D. João II (1279-1495), coordenado por Ana Maria Rodrigues e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

A coroa e a cidade: a ascensão de Lisboa como caput regni (1147-1383), coordenado por Amélia Aguiar de Andrade e sedeado no Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa.

Fontes para a História do Porto: “Os Livros dos Originais do Cabido da Sé do Porto” (Estudo e Edição), coordenado por Luís Miguel Duarte e sedeado no Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade da Universidade do Porto.

A administração régia periférica (séculos XIII-XV). Estudo histórico de Geopolítica, coordenado por Adelaide Millan da Costa e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

Fasti Ecclesiae Portugaliae II: prosopografia do clero catedralício português (1325-1418), coordenado por Hermínia Vasconcelos Vilar e sedeado no Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa.

Topographia Urbium. Évora. O intramuros da cerca romana (séculos XIII a XVI), coordenado por Hermenegildo Fernandes e sedeado no Centro de História da Universidade de Lisboa.

A Porta do Alentejo. O Porto do Mértola como entreposto comercial entre o Alentejo e o Mediterrâneo, coordenado por Cláudio Torres e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola.

Estudo paleobiológico da população Baixo-Medieval (sécs. XIV a XVI) da Alcáçova do Castelo, Mértola, Portugal, coordenado por Cláudio Torres e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola.

Cerâmica islâmica do Gharb al-Andalus, coordenado por Helena Catarino e sedeado na Universidade de Coimbra.

Estudo multidisciplinar da oficina escultórica de Mestre Pêro, coordenado por Francisco Campos Gil e sedeado na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

Estudo de Proveniência de Azulejos Medievais Portugueses, coordenado por Vânia Ferreira Muralha e sedeado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Topografia urbana de Mértola (Portugal). Modelos de interpretação e divulgação, coordenado por Santiago Macias e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola.

Um projecto de herança Cultural, de âmbito cronológico mais vasto, também contemplava a Idade Média:

Património rural e religiosidade popular no concelho de Mértola (Portugal) da Antiguidade aos nossos dias. De monasterium a Monte Mosteiro, coordenado por Cláudio Torres e sedeado no Campo Arqueológico de Mértola.

 

Análise dos dados

Sintetizando agora todos os elementos apresentados anteriormente, que tendências se podem observar ao longo destes últimos 10 anos?

Com um recuo em 2001, tem havido um aumento sensível do número de projectos submetidos, que se acentuou nos dois últimos concursos. O número de projectos financiados sofreu um igual retrocesso em 2001, depois subiu e finalmente estagnou (ou até recuou, se adicionarmos à área de História e Arqueologia a de Herança Cultural em 2004).

No que toca aos projectos exclusivamente sobre História Medieval, as propostas têm sido relativamente poucas, tendo mesmo diminuído em 2006 para voltar a aumentar a partir de 2008. Contudo, a distância entre o número de propostas apresentadas e o de aprovações até é menor do que no caso dos outros períodos cronológicos e das cifras globais, se exceptuarmos o último concurso, em que nenhuma candidatura medieval teve sucesso.

As verbas solicitadas apresentam uma tendência de crescimento semelhante à dos projectos apresentados, subida essa vertiginosa no concurso de 2006 (não sabemos se o mesmo se verificou em 2008, porque esses dados não foram disponibilizados). Os montantes concedidos é que só parcialmente acompanharam essa escalada, diminuindo de 1999/2000 até 2002, subindo ligeiramente em 2004 e mais que triplicando em 2006. Apesar destas flutuações, ao longo de todo o período em observação o financiamento dos projectos estagnou em torno de 20% das verbas pedidas. Perante esta situação persistente, podemos perguntar-nos o que é legítimo esperar de projectos a quem foram negados 4/5 dos fundos solicitados, devendo funcionar apenas com o quinto restante. Terá havido reestruturação dos objectivos pretendidos e dos resultados esperados, redistribuição das verbas efectivamente recebidas pelos diferentes tipos de despesas? De tal, a FCT não fornece qualquer indicação…

Qual tem sido, apesar de tudo, a produtividade destes projectos? No sítio da FCT, se ainda existe alguma informação sobre a avaliação a que são submetidas as propostas de projectos de I&D para seleccionar aquelas a que será concedido financiamento, não existe nenhuma sobre a avaliação científica final dos resultados obtidos.

É certo que também nada é dito sobre a avaliação financeira, e no entanto todos sabemos com que cuidado é feito o escrutínio das contas antes do envio dos derradeiros montantes. Existe mesmo uma cláusula que impede de se candidatarem a novos projectos os indivíduos e as instituições em incumprimento financeiro em projectos anteriores; nada de semelhante existe, porém, para o incumprimento dos objectivos ou dos indicadores de realização propostos.

Se, aparentemente, a FCT não se afadiga a avaliar os resultados obtidos pelos projectos que financia e a divulgar essa avaliação, os próprios projectos também não se preocupam sobremaneira em partilhá-los com a comunidade científica. Nenhum deles, em curso ou já concluído, tem, activo, um sítio próprio que o apresente, anuncie as respectivas actividades e divulgue os materiais recolhidos ou produzidos e as bases de dados construídas. Por exemplo, o dos Fasti, que já existiu e esteve operacional ao longo de todo o projecto porque era através dele que se efectuavam diversas tarefas de carregamento e manipulação de dados na BD, está neste momento inacessível.

Para todos os projectos menos um encontrei, é certo, alguma forma sumária de apresentação do próprio projecto, dos respectivos objectivos e da equipa de investigação, ora no sítio da FCT ora nos dos centros de investigação em que eles estão sedeados, ora em ambos os locais. Mas, se se nota alguma preocupação por parte de quase todos em dar conta do início do projecto, assegurar a continuidade da informação é muito mais raro. Assim, foi através de uma verdadeira “pesca à linha” que me fui dando conta das realizações concretas desses projectos.

O produto final mais comum continua a ser o livro em papel, seja ele um roteiro de fontes (como o Guia das Ordens Religiosas), uma edição crítica (como as dos Tombos do projecto “Paisagens rurais e urbanas”, dos pergaminhos da Quinta da Pacheca ou das crónicas das Ordens Militares), ou ainda uma colectânea de estudos (as Actas das Jornadas sobre “Paisagens rurais e urbanas” ou as dos Colóquios dos Fasti, por exemplo). Esses livros são contudo editados, com raras excepções, em editoras não comerciais de difusão muito limitada e por isso são de acesso difícil, não figurando por vezes sequer na PORBASE.

Também é muito comum a apresentação dos resultados dos projectos sob a forma de artigos em revistas nacionais e internacionais em papel, e de comunicações a encontros científicos. Neste âmbito, quase todos os projectos realizaram os seus próprios seminários e conferências com convidados estrangeiros (por exemplo, nos dias em que decorreu o seminário do IEM em que este texto foi apresentado estava a realizar-se um do projecto FRAGMED); as respectivas actas foram depois, frequentemente, editadas sob a forma de livro. Muitos projectos financiaram também idas dos membros das equipas a congressos no exterior, contribuindo assim para a internacionalização da investigação nacional. Esses dados são, contudo, quase impossíveis de coligir de forma sistemática.

Em alguns projectos, estava previsto que o produto final fosse uma base de dados colocada em linha e por isso acessível a investigadores externos, mas a verdade é que essa valência ainda não está disponível, a não ser para o Ius Portugaliae. Nomeadamente, a base de dados prosopográfica dos Fasti, como já disse, não estava operacional em 2008 e continua a não estar em 2010, e a das Inquirições do Regnum Regis também não.

Da mesma forma, o Sistema de Informação anunciado pelo projecto “Da Braga romana à Braga medieval” ainda não se encontra operacional para a cidade medieva, embora o que está disponível sobre a romana Bracara Augusta no sítio da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho evidencie as potencialidades de uma tal abordagem.

Produtos mais raros têm sido as dissertações de Mestrado e Doutoramento realizadas no âmbito destes projectos. Por exemplo, em Julho de 2008, foi defendida por Maria do Carmo Franco Ribeiro, também na Universidade Minho, uma tese de doutoramento cujo título remete para o projecto anteriormente referido: Braga entre a época romana e a Idade Moderna. Uma metodologia de análise para a leitura da paisagem urbana; tal tese está integralmente disponível online no repositório das teses da referida Universidade. Outras haverá, possivelmente, cuja ligação a projectos não resulta tão evidente.

Por fim, há também a referir os relatórios; não os burocráticos que devem ser anualmente enviados à FCT mas os científicos, habituais em História da Arte ou Arqueologia, de que é exemplo o que encontrámos para o projecto Ria de Aveiro A-2000.

 

Conclusões

Que conclusões se podem tirar de uma pesquisa como esta, feita nos termos referidos de início? Em primeiro lugar, que é absolutamente impossível fazer um balanço de conjunto, porque há um nítido défice de informação: houve projectos sobre os quais não consegui apurar quase nada porque eles próprios e as instituições que os albergam não trataram de divulgar os seus objectivos, as suas actividades, os seus resultados; outros, apesar de tudo, deixaram alguns vestígios no cibermundo. Ora, tal divergência poderia levar a julgamentos apressados e possivelmente injustos sobre os méritos ou deméritos respectivos. É necessário que, no futuro, haja um maior esforço de todos no sentido da divulgação, colocando em linha não só as notícias referentes ao início mas também ao progresso dos projectos e ainda os materiais coligidos, as bases de dados construídas, os textos escritos, os mapas desenhados e tudo o mais que for sendo produzido.

Mas se tal não é actualmente feito é também porque a entidade financiadora não o exige e não dá ela própria o exemplo. Num tempo em que as autoridades que nos governam enchem os discursos com a Sociedade da Informação, há que exigir de uma entidade estatal como a FCT que forneça à comunidade científica informações completas e actualizadas sobre o que está a ser feito em termos de I&D em Portugal.

Mais precisamente, sobre o que está a ser efectivamente levado a cabo, e não apenas sobre o que foi planeado. Não basta, com efeito, que os projectos sejam avaliados no início; é necessário que haja, também, uma avaliação científica final, que permita apurar se os objectivos foram cumpridos, os indicadores de realização foram atingidos, os resultados obtidos permitiram verdadeiros avanços dos conhecimentos. E que seja dada a essa avaliação final uma ampla divulgação. Só assim se poderá dizer que o financiamento valeu a pena – e não apenas porque o dinheiro foi escrupulosamente gasto em “despesas elegíveis”. Só assim, também, será possível garantir uma qualidade crescente dos projectos apresentados e concretizados, que é afinal aquilo que todos desejamos.

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Referência electrónica:
RODRIGUES, Ana Maria – “Projectos de investigação em História Medieval financiados pela FCT nos últimos 10 anos”. Medievalista [Em linha]. Nº 9, (Dezembro de 2010). [Consultado dd.mm.aaaa]. Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA9/rodrigues9002. ISSN 1646-740X.
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