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Número 8 | Julho - Dezembro 2010   ISSN 1646-740X
 
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ISSN 1646-740X

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O medievalismo português da década de 50 do século XX aos nossos dias: estado da questão e representação taxonómica

 

 

Filipa Medeiros
Colaboradora do Cidehus; Colaboradora do IEM
filipa_medeiros@sapo.pt

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  A presente nota tem como finalidade apresentar o projecto de investigação em desenvolvimento no Curso de Doutoramento em Ciências da Informação e da Documentação da Universidade de Évora, em co-tutela com a Faculdade de Comunicação e Documentação da Universidade Carlos III de Madrid (2009/2012), dedicado ao tema “O medievalismo português da década de 50 do século XX aos nossos dias: estado da questão e representação taxonómica”.

Apesar de não ser uma tendência muito comum entre os medievalistas portugueses, a reflexão sobre o “ofício do historiador” e a forma como “produz história” constituem dois aspectos fundamentais no domínio da Ciência Histórica e, por isso, impõem-se ao investigador como importantes objectos de estudo.

Talvez ainda menos comum é o cruzamento de disciplinas que habitualmente não fazem coincidir os seus campos de investigação, como a História e a Ciência da Informação e da Documentação. De facto, a interdisciplinaridade, neste caso entre Historiadores e Profissionais da Informação pode ser crucial, por exemplo, na criação de instrumentos de organização e de representação do conhecimento, instrumentos estes que, de resto, são quase escassos no panorama nacional das Ciências Documentais.

É neste sentido que apresentamos esta investigação, que se insere no prolongamento de um percurso académico dedicado à História Medieval e que pretendemos, naturalmente, prosseguir. Pensamos, assim, ter toda a importância uma reflexão crítica e global sobre o medievalismo português, partindo-se para tal da geração de investigadores dos anos 50 a 70 do século passado, cuja obra ainda não foi alvo de um estudo aprofundado, não obstante o seu contributo ter sido essencial para o avanço da historiografia medieval portuguesa. Por outro lado, e ao contrário do que ocorre para outras cronologias, a quase ausência de instrumentos de controlo terminológico para o tratamento de documentos sobre esta época representa outra forte motivação para a realização de um estudo neste âmbito.

Tendo em conta a pertinência das problemáticas apresentadas no âmbito quer da Historiografia, quer da Ciência da Informação e da Documentação portuguesas, propomo-nos: 1) apresentar e reflectir de forma global e problematizada sobre as principais tendências de investigação do medievalismo em Portugal, da década de 50 do século XX aos nossos dias; 2) traçar um enquadramento teórico dos princípios e instrumentos normativos do processo de organização e representação do conhecimento, geralmente designado de “indexação” ou “análise de conteúdo”, descrevendo e analisando os instrumentos normativos existentes em Portugal; 3) elaborar um instrumento de classificação terminológica – em concreto uma taxonomia – para a indexação de documentos sobre história medieval portuguesa (séculos XII a XV).

A metodologia adoptada para a prossecução dos objectivos atrás enunciados passa, por um lado, pela leitura e reflexão das principais obras dos autores medievalistas em consideração (teses de doutoramento, monografias de síntese, artigos mais expressivos), apreendendo as suas grandes linhas de análise, bem como a conjuntura ou corrente historiográfica em que se inserem. O seu percurso académico e, por vezes, até mesmo o seu percurso político e pessoal, serão também tidos em conta. Por outro lado, ter-se-á de considerar um leque bibliográfico mais vasto aquando da construção da taxonomia, em particular no que respeita ao campo da história cultural e das mentalidades, caso contrário a nossa classificação ficaria muito redutora e pouco representativa do universo medieval português dos séculos XII a XV. Por fim, e no que respeita à área da representação e organização do conhecimento, faremos um mapeamento e revisão da literatura mais actual sobre o tema, dando particular relevo à incidente sobre a construção, caracterização e uso das diferentes ferramentas terminológicas.

No contexto da investigação medieval portuguesa sobre a produção historiográfica nacional, deparamo-nos, essencialmente, com pequenos estudos, a maioria deles de carácter sintético e sectorial, nos quais se têm traçado as principais linhas de reflexão seguidas até ao momento, assim como as perspectivas futuras de investigação. São disso exemplo alguns estudos de Maria Helena da Cruz Coelho, Armando Luís de Carvalho Homem, José Mattoso, Maria de Lurdes Rosa, Hermínia Vilar, entre outros.

Contrariando esta tendência, e na necessidade de reflectir, de forma aprofundada e globalizante sobre a historiografia medieval portuguesa, este trabalho propõe-se analisar criticamente a produção científica dos autores que contribuíram para uma renovação significativa neste campo de estudos em Portugal, numa perspectiva comparativista com a historiografia francesa e espanhola, que muito influenciaram a historiografia portuguesa. Neste sentido, definimos, à partida, dois critérios fundamentais: um, de ordem cronológica, tomando como universo de análise a produção historiográfica da geração de investigadores das décadas de 50 a 70 do século XX, e que já se afastaram da vida académica por morte (tais como Torquato de Sousa Soares, Virgínia Rau, Avelino de Jesus da Costa, A. H. de Oliveira Marques ou Salvador Dias Arnaut) ou por idade (Humberto Baquero Moreno, Iria Gonçalves, José Mattoso e José Marques); e, outro, de ordem metodológica, que pressupõe a leitura e reflexão crítica dos seus principais estudos e sua respectiva contribuição para a renovação da historiografia portuguesa sobre a Idade Média.

De forma necessariamente mais sucinta e não tão aprofundada, observaremos também os novos caminhos da historiografia medieval portuguesa, desde a década de 80 do século passado até aos nossos dias.

Trata-se, pois, de estudar as principais linhas de investigação no âmbito cronológico proposto, averiguando-se os grandes temas e problemas que se colocaram e que se colocam à historiografia do Portugal medievo, esperando-se, assim, contribuir para um estado da questão integral e analítico sobre o problema que nos ocupa.

Ao contrário do que ocorre em outros países, europeus e não só, em Portugal poucos são os estudos relativos à organização e representação do conhecimento e, os existentes, partem, sobretudo, de investigadores ligados à Área de Classificação e de Indexação da Biblioteca Nacional de Portugal ou de estudiosos oriundos dos meios universitários portugueses. Citamos, como mais relevantes, os trabalhos de Maria Luísa Santos, Maria Inês Lopes, Maria da Graça Simões e Maria Teresa Pinto Mendes.

Consequentemente, e perante a escassez de investigações nacionais nesta área científica, parece-nos da máxima importância reflectir sobre o processo da análise de conteúdo, políticas de indexação e respectivos instrumentos, nunca perdendo de vista o caso português, em que centramos, naturalmente, a nossa análise. Especial interesse tem para nós a definição, construção e uso de instrumentos de controlo terminológico, propondo-nos construir uma “taxonomia de domínio” para o tratamento de documentos sobre História Medieval, indo, desta forma, ao encontro da primeira parte da presente investigação, que será fundamental para o estabelecimento das denominadas “categorias” ou “facetas”. Para a elaboração da taxonomia seguiremos a metodologia já testada por diversos autores estrangeiros de referência nesta área, destacando-se os trabalhos de Maria Luísa Campos, da Universidade Federal Fluminense (Brasil) e de Jose Antonio Moreiro González, da Universidade Carlos III de Madrid.

Com a elaboração desta taxonomia pretende-se elevar a investigação portuguesa neste domínio, internacionalizando-a em termos metodológicos e científicos, facto que se reveste da maior relevância dada a condição ainda “periférica” que ocupa no universo das Ciências da Informação e da Documentação, quando comparada com as suas congéneres europeias ou, até mesmo, americanas e sul-americanas.

Estas são, portanto, as linhas gerais do doutoramento em curso, que esperamos que venha a contribuir para um estado da arte analítico e integral sobre os caminhos da historiografia medieval em Portugal, bem como possibilitar um rigoroso e eficaz tratamento de documentos sobre o Medievo português.

 

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Referência electrónica:
MEDEIROS, Filipa – O medievalismo português da década de 50 do século XX aos nossos dias: estado da questão e representação taxonómica. Medievalista [Em linha]. Nº8, (Julho de 2010). [Consultado dd.mm.aaaa]. Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA8\medeiros8017.html.
ISSN 1646-740X.

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