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Número 7
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ISSN 1646-740X

FCT

ano 5  ● NÚMERO 7  2009
ISSN 1646-740X

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Editorial nº 7

José Mattoso
Director da Medievalista
jjmtts@hotmail.com

 

Ao contrário do que acontece com os numerosos colóquios de tema histórico que actualmente se realizam em Portugal, parece difícil conseguir uma certa convergência temática quando alguma revista se propõe publicar um novo número com alguma unidade. É verdade que tem havido poucas tentativas nesse sentido. Lembro-me, todavia, de algumas nos anos 80 ou 90. Pelo contrário, quando a organização de um colóquio está assegurada, nada mais fácil do que recrutar voluntários que encontram sempre alguma relação entre aquilo que estudam e o tema proposto. Não quer isto dizer que a coordenação das contribuições seja fácil ou evidente. É frequente verificar que a aparente convergência esconde uma real dispersão de métodos, objectivos, prioridades ou conceitos. O individualismo da prática científica em História é uma característica dominante entre nós. A actual tendência para a fragmentação das especializações, a diversidade da formação pessoal e a necessidade de fazer currículo tem vindo a agravar o mesmo fenómeno. Não devemos admirar-nos, pois, ao verificar que uma publicação como a nossa o revele também. As revistas como a nossa têm de se contentar com as migalhas que caem da mesa dos colóquios e congressos. O número que agora oferecemos aos nossos leitores caracteriza-se antes de mais pela dispersão dos seus artigos, recensões e notícias. Pretende, todavia, propor aos seus leitores uma reflexão séria acerca do que actualmente se passa no país medievalista. Por isso pedimos ao Professor Garcia de Cortázar e à Universidade de Salamanca autorização para reproduzir neste número uma séria análise do que se passa em Espanha e que tem muitos pontos de contacto com a nossa situação. É um convite a reflectirmos seriamente no mesmo problema.

Ausência generalizada de conceptualização, fragmentação temática, redução do campo de observação, isolamento do objecto de estudo, abandono de investigação sobre factores de compreensão englobante como as estruturas sociais e económicas, atracção por temas antropológicos mas falta de conexão entre eles ou adopção de pontos de vista superficiais ou meramente descritivos, etc. Noutros a diferença é enorme: a publicação de fontes tem feito entre nós alguns progressos, mas não se compara com os milhares de volumes publicados em Espanha; o estímulo constituído pelas vigorosas autonomias espanholas encorajou os estudos de âmbito regional, por vezes de excelente qualidade, ao passo que o débil e nem sempre positivo apoio dos municípios portugueses a investigações locais e regionais contribuiu sobretudo para a pulverização da investigação e por vezes para a publicação de produtos desqualificados. Nestas circunstâncias, o medievalismo português, apesar dos contactos que tem estabelecido com o medievalismo internacional ao nível de projectos e participação em eventos colectivos, arrisca-se a tornar-se, em termos científicos, uma mera irrelevância.

Seja como for a nossa revista continua aberta à colaboração voluntária. Entre os artigos que neste número se apresentam, destacamos o do Professor José Meirinhos, exemplar pela maneira perspicaz como estuda o esquema das ciências medievais desenhado num manuscrito de Santa Cruz de Coimbra. Com invulgar erudição, o seu Autor examina uma grande quantidade de testemunhos acerca do mesmo tema, para determinar a área cultural em que se propunha uma divisão semelhante. Não pode deixar de se sublinhar o facto de certos elementos aparentemente secundários ou mesmo insignificantes terem um significado muito maior do que parece à primeira vista. O esquema da divisão das ciências é um deles. Na sua aparente secura, constitui um indício muito importante de um determinado meio cultural e da sua visão do trabalho intelectual com o qual os Regrantes de Coimbra estavam em contacto: o das comunidades monásticas do norte da França na segunda metade do século XII.

O artigo do Professor José Meirinhos é o produto de uma larga experiência de investigação. Os restantes artigos devem-se a jovens pouco mais do que principiantes. Ao aceitar a sua publicação, o conselho editorial considera-os de bom nível científico e com evidente interesse historiográfico. A nossa revista continua aberta à colaboração quer de autores experimentados, quer de principiantes. É também nesse sentido que dá a conhecer algumas teses de mestrado e doutoramento recém defendidas e que apresenta algumas recensões de obras recentes que nos pareceram merecer destaque especial.

José Mattoso