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ISSN 1646-740X

estudosmedievais@fcsh.unl.pt

ano 4  ● número 4  ● 2008

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A Charola Templária de Tomar – Uma Construção Românica entre o Oriente e o Ocidente

Carlos Emanuel Santos
Bolseiro FCT

 

Introdução
A arte românica em Portugal atingiu um dos seus pontos mais altos com a construção da bela igreja românica do Convento de Cristo, denominada Charola de Tomar. Este monumento assume um carácter genuíno, o que a permite diferenciar dos outros edifícios religiosos, pois estes ao contrário da igreja de Tomar, que apresenta uma planta poligonal, figuram-se em plano basilical[1]. A capela palatina de Aix-la-Chapelle de Carlos Magno é a única construção que apresenta o mesmo desenvolvimento planimétrico com a rotunda do Convento de Cristo, ou seja, um espaço central com oito ângulos e uma nave envolvente poligonal de 16 lados.
D. Gualdim Pais – o grande responsável por este monumento – deu na sua época, um interessante contributo para a história da arquitectura em Portugal, cheia de acontecimentos variados, tanto no capítulo militar como religioso. O seu mestrado é considerado um período dourado da presença templária no reino, altura em que se construiu um conjunto de edifícios militares em território de fronteira, que no caso de Tomar constitui numa sede de importante comenda.
Abstract: The Romanesque arte period in Portugal reached it´s peak with the construction of the Romanesque church of the Convent of Christ, also known as the Charola of Tomar. This monument has a very genuine character that distinguishes it amongst other religious constructions that were based on a basilican[2] plan, the novelty being that the Charola has a polygonal plan. The church of Aix-la Chapelle by Charles the Great is the only construction that presents the same metric-plan development as that of the convent of Christ, that is a central space with eight angles and an involving polygonal nave of 16 sides.
D. Gualdim Pais – the founder of this monument – made an important contribute towards the architectural history in Portugal in his time, filled with various events of military or religious nature. His era was considered a golden one marked by the Templar presence in the kingdom, a time in which were built other military2 constructions in border-line territory, thus making Tomar a strategic point.

 *    *    *

Num ambiente de forte tensão originada pela tomada de Jerusalém por parte dos turcos (1090), o Ocidente viu-se na necessidade de criar mecanismos para defesa dos peregrinos – que se dirigiam à Cidade Santa – e para libertar o reino Latino de Jerusalém. Todo este processo é favorecido por dois ideais medievais: a institucionalização da cavalaria e a “cristianização” da Guerra Santa. É neste contexto que nascem as Ordens militares durante a primeira metade do séc. XII, sendo a Ordem do Templo a pioneira, constituindo-se assim a primeira Ordem militar e religiosa da história[3]. Fundada em 1118 -1120, em Jerusalém, por um pequeno grupo de nobres cavaleiros, a Ordem do Templo começou por exercer funções claramente ofensivas. Desta forma, respondia às necessidades da época que não eram mais do que fundir as suas ideias de cavalaria militar com a tentativa de cristianização dos hábitos castrenses que a Igreja estava a tentar levar a cabo[4]. Ao estarem vinculados à Santa Sé, os freires tiveram de combater em todas as fronteiras da cristandade, assumindo-se cada vez mais como um instituição enraizada à Igreja. Esta situação converteu-a numa organização de cariz “internacional” digna do alcance de uma maior independência face aos preceitos políticas lideradas pela realeza Ocidental[5]. Esta ordem militar, que respeitava o modelo de Ordem “universal”, comprometeu-se a viver na pobreza, castidade e obediência[6]. Logo procurou estabelecer as suas regras que foram redigidas no Concílio de Troyes, em 1128[7].

A Ordem do Templo, instituída na Terra Santa com o fim de proteger os peregrinos, destaca-se desde a sua fundação nas incursões militares contra o infiel. O sucesso ou o insucesso desta actividade dependia muitas vezes, como observa Enrique Rodrigues[8], de 3 factores essenciais: especialização, disciplina e imagem vinculada às ordens militares. Os condicionalismos funcionais do Templo, ou seja, o seu carácter militar, forçou-os a erguer um conjunto de fortalezas[9] ao longo da estreita faixa costeira da Síria latina, de modo a tornar segura esta zona fronteiriça, muito hostil, funcionando por consequência como peças fundamentais na organização ofensiva, de abastecimento e do sistema defensivo. Entre outros, edificaram ou reconstruíram os castelos de Chastellet (1186-1187), Peregrinos (1217-1218) e Safed (1240).

Em Portugal, data de 1128 o primeiro testemunho da presença da Ordem do Templo, aquando da doação do Castelo de Soure[10] por parte de D. Teresa[11]. A doação de Soure e do seu termo está relacionada com a necessidade estratégica[12] de defesa das terras compreendidas entre Coimbra e Leiria. Em 1147, os cavaleiros participam num acontecimento que marcará a sua presença no reino e consequente afirmação da Ordem. Referimo-nos à tomada de Santarém[13]. Este apoio valeu-lhes a doação por parte da coroa dos direitos eclesiásticos e o termo da dita vila (1147)[14], o que originou uma grande disputa com o bispo de Lisboa, Gilberto de Hastings, depois da conquista de Lisboa no mesmo ano.

Em 1158, ascende a mestre provincial da Ordem do Templo, aquele que será a sua figura mítica: D. Gualdim Pais. Este mestre participou no âmbito da segunda cruzada pregada por São Bernardo (1146), na conquista de Escalona em 1153, no cerco de Antioquia e nas batalhas contra o Sultão do Egipto e o rei da Síria[15]. Uma boa parte das estruturas militares construídas em Portugal no séc. XII, devera-se ao Mestre D. Gualdim Pais. A edificação do Castelo de Pombal (1156) é considerada por Barroca como a primeira grande obra realizada pelo Mestre no reino. Seguiram-se os castelos de Tomar (1160), Almourol (1171), Penas Róias (1172), Longroiva (1174) e Soure.

Na história da arquitectura militar nacional do séc. XII, temos de ter sempre em linha de conta as inovações introduzidas pelos cavaleiros do Templo. A esse respeito pode-se avançar três técnicas inovadoras trazidas pelas milícias – ou pelo menos, que foram eles que as aproveitaram com maior eficácia e assiduidade. O primeiro aspecto inovador foi o uso e difusão da Torre de Menagem, que normalmente se encontrava isolada das muralhas, erguendo-se quase sempre no meio do recinto e ocupando o afloramento mais alto de todo o espaço. A segunda novidade introduzida pelos monges foi o alambor, que consistia no reforço da estabilidade das bases das muralhas e das torres através de um escarpamento de pedras[16]. Finalmente, deve-se fazer referência a aplicação do hurdício, uma protecção em madeira que se estendia na parte superior das torres e paredes exteriores das fortalezas, que possibilitava o aumento do ângulo de tiro vertical sobre as bases das muralhas[17].

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A arquitectura cristã europeia herdou da Antiguidade dois tipos de edifícios, a basílica e a planta centralizada com cúpula, usando geralmente o primeiro para igrejas e o segundo para capelas funerárias e baptistérios. Os segundos estão relacionados também com “santuários de peregrinação, capelas votivas, […] e igrejas de culto não paroquial mas devocional em conexão simbólica com certos mistérios da vida da Virgem e da Paixão e Ressurreição de Cristo[18]. Nos baptistérios e mausoléus existe uma correspondência entre a arquitectura e a organização cultual, pois, estes edifícios tinham como prioridade a utilização do plano central e da cúpula para exaltar um significado e simbologia bem precisa, isto é, o valor do círculo enquanto objecto divino. No entanto, verifica-se uma acentuada discrepância entre os elementos arquitecturais e a liturgia, nas construções de plano centrado onde a cúpula central existe essencialmente para demarcar o lugar do altar. Ora, nas construções centralizadas, ao contrário dos de plano basilical, a cúpula central ocupa praticamente todo o espaço interior dando-lhe assim, um carácter totalmente sagrado, ou seja, o culto acontece por debaixo da grande abóbada celeste. Neste sentido, as plantas centradas apresentam um significado religioso cristão facilmente compreensível, visto que foram convertidas e concebidas tendo em conta as doutrinas do cristianismo. Entretanto, o monaquismo medieval inclinou-se para o modelo basilical porque era preferível atingir os requisitos funcionais que se adequassem ao bem-estar dos fiéis, tendo em conta algumas normas construtivas e artísticas como o espaço, dimensão, separação, localização privilegiada do santuário, luz e visibilidade, ou seja, a liturgia determinava a planta. Contudo, encontra-se uma vasta tipologia de construções de planta centralizada erguidas no Oriente de onde pode-se distinguir: basílica-martyrium, martyrium, mausoléu[19] e baptistério[20]. A basílica-martyrium é um edifício que consegue uma fusão entre uma basílica e um túmulo de um santo ou de um mártir; inicialmente o termo martyrium indicava os lugares da Terra Santa nos quais se desenrolavam os acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras; de dimensões variáveis, os mausoléus são monumentos geralmente destinados a acolher os restos de uma pessoa importante, sobretudo membros da família real; edifício frequentemente de planta circular ou octogonal, com cúpula e piscina baptismal no centro, os baptistérios estão localizados muitas vezes junto das igrejas episcopais.

O Santo Sepulcro de Jerusalém terá sido o primeiro exemplo de basílica-martyrium construída na Terra Santa. A mando de Constantino, este monumento foi alvo de um restauro (c. 326) cujo resultado foi a construção de um grande monumento comemorativo de forma circular, que guardava a relíquia do Túmulo do Senhor, o chamado Anastasis, – de 33,70 m de diâmetro envolto por um deambulatório de forma irregular – associado a uma basílica de 5 naves com pórtico e abside saliente.

O modelo de planta centralizada chegou a dominar as construções de igrejas ortodoxas a partir de Justiniano, do mesmo modo que prosperou a basílica na Idade Média. Porque será então que houve em determinadas alturas a oscilação entre estas duas modalidades? Pode-se encontrar a resposta a esta questão nos diversos significados inerentes à construção destes espaços sagrados. Por exemplo as plantas centralizadas estão associadas a significados simbólicos, sociológicos ou funcionais e até mesmo estéticos. É neste contexto que surgem os mausoléus de planta centrada – círculo mágico – na medida em que a forma circular “criava” uma espécie de cordão de defesa à volta das urnas para não permitir a “penetração” de inimigos, demónios e almas errantes. Enquanto isso os baptistérios simbolizam uma espécie de evolução espiritual ao longo da vida terrena que se prolonga na vida eterna e que se alcança imergindo o neófito nas fontes baptismais, como aponta Jean Chevalier[21]. Denota ainda o alcance do reino celestial, o que é facilitado pela aparência circular quer da piscina baptismal, quer do recinto em si. Na Antiguidade, o principal tipo de santuário de planta centralizada é constituído por um espaço cilíndrico encimado por uma cúpula hemisférica central. O interior arredondado pode apresentar no exterior um quadrado ou um polígono com nichos que sobressaem da construção ou são embutidos nos muros[22], e, por vezes, o interior comporta uma colunata circular que suporta a cúpula. Quando isto acontece o deambulatório é sempre mais baixo que o núcleo central, e o melhor exemplo desta tipologia é o Sepulcro de Santa Constança em Roma. Na introdução da arte românica, e mesmo no românico tardio, encontramos inúmeras variantes, que apresentam o traçado circular, hexagonal, octogonal ou poligonal. Os seus interiores podem estar dispostos numa ou em várias naves, sendo os mais comuns de duas naves, uma central e outra em galeria, como são os exemplos do octógono de Ottmarsheim ou da capela palatina de Carlos Magno. O octógono central corresponde normalmente à nave principal coroada por uma cúpula e as paredes exteriores da galeria dão lugar a uma multiplicidade de lados.

Alguns possuem no seu interior uma colunata central com um número razoável de suportes que se dispõe em círculo: oito em São Miguel de Fulda (c.822), St. Léonardo (1120) e Cambridge (c.1130); onze em Neuvy-Saint-Sépulcre (1145); doze em Lamleff (séc. XI). Nas rotundas de Saint-Croix de Quimperlé (1100) e em Villeneuve-d’ Averyron (séc. XII), os seus interiores estão marcados por 4 grandes pilares centrais. Um outro grupo de construções de planta centrada são autênticas reproduções do Santo Sepulcro de Jerusalém: Dijon, St. Bénigne (1018), San Giovanni, em Brindisi, a igreja circular de San Lorenzo, e a rotunda da catedral de Bréscia. O Baptistério de Florença (sécs. XI-XII) é um octógono regular, o de Parma (1196-1216) é irregular, Torres del Rio, e Eunate um octógono terminado por uma abside semicircular.

De entre todas as organizações religiosas e militares, estabelecidas na Idade Média, na Europa, os Templários foram aqueles que eventualmente mais representaram este modelo. As razões podem ser óbvias, porque a Ordem do Templo teve as suas raízes no Oriente, com o objectivo de prestar auxílio aos peregrinos que se dirigiam à Cidade Santa, e aos seus respectivos espaços de culto. Portanto, os cavaleiros do Templo entraram em contacto directo com estes lugares e o Santo Sepulcro, Túmulo de Cristo, e a Cúpula do Rochedo foram os mais significativos.

Os templos de Londres e Paris são considerados dois magníficos construções erguidas pelos Templários. São edifícios que apresentam muitas semelhanças entre si, nomeadamente na sua planta em rotunda com uma cúpula sustentada por uma colunata de seis colunas de base redonda que formam um hexágono e uma nave circundante de 12 lados.

No entanto, em Portugal encontra-se um dos exemplos mais impressionantes de igrejas de planta centralizada construída pelo Templo. Referimo-nos a bela rotunda do Convento de Cristo. Concretamente sobre a sua fundação, ignora-se a época exacta da sua construção, sendo quase certo que as obras se iniciaram no último quartel do séc. XII, ainda em vida do Mestre D. Gualdim Pais, e se prolongaram pelo menos até meados do séc. XIII. Contudo, estamos em condições de avançar duas fases distintas de edificação:

- A primeira fase inicia-se nos anos 70 do séc. XII, até cerca de 1190, período em que os confrontos com os sarracenos na região de Tomar terão “obrigado” à interrupção dos trabalhos.

- A segunda etapa das obras, que se caracteriza por algumas semelhanças em relação ao aspecto actual, teve lugar presumivelmente a partir de meados do séc. XIII. Estes dois períodos construtivos que podem ser constatados, segundo alguns autores[23], através das suas siglas; pelos paralelismos entre o românico de Coimbra e de Tomar, nomeadamente pelos seus capitéis; e finalmente pelos materiais utilizados.

Para Santos Simões, as siglas do castelo não correspondem à mesma característica morfológica que se observa na igreja e que elas se vão diferenciando à medida que avançamos para o topo do templo, o que o leva a concluir que a charola é uma obra que se prolongou no tempo[24]. Um segundo aspecto que podemos assentar para tentarmos aproximar um data de construção da Charola passa pela observação dos capitéis presentes no interior do templo. Estes revelam fortes afinidades com a escultura de Coimbra, os meados do séc. XII não só pela sua grande qualidade escultórica, como também pelos temas sugeridos[25]. Notam-se ainda diferenças relevantes nos materiais utilizados. Existe no exterior uma discrepância entre o andar térreo e o superior relativamente ao aparelhamento e constituição dos calcários. Observa-se o uso de um aparelho mais miúdo para as paredes do primeiro andar, que demarcam a edificação das últimas décadas do séc. XII e de uma construção em cantaria com fiadas de pedra calcária branca bem quadriculada no andar superior, testemunha de uma edificação na época românica-gótica[26].

Relativamente à evolução construtiva, julgamos que, numa primeira fase, foram erigidos o andar térreo do núcleo central e o deambulatório circular, sem qualquer ornamentação (finais do séc. XII). A decoração do deambulatório terá ocorrido na segunda fase, altura em que construíram o segundo andar da igreja (meados do séc. XIII). Desta forma, os dois períodos construtivos acabam por justificar as diferenças estilísticas e estruturais que se verificam neste edifício românico. Desconhecem-se as reais razões que levaram às interrupções dos trabalhos efectuados nesta igreja templária. Contudo, estima-se que o conflito armado que os cavaleiros do Mestre D. Gualdim Pais enfrentaram com o exército de Yacub ben Yusuf Almançor, da dinastia dos Almóadas, em 1190, em Tomar, contribuiu muito para esta realidade[27].

A charola de Tomar caracteriza-se por ser um edifício pétreo com um alto planto circular concêntrico, com um núcleo central oitavado e um deambulatório poligonal de 16 lados, começado a edificar nos finais do século XII. Existe um grande contraste entre a arquitectura fortemente militarizada do exterior – destituída de qualquer ordenamento – e o elegante interior. Este é constituído por uma capela central composta por belas arcadas com colunas ricamente decoradas, no piso inferior, e um elevado andar de janelas, ao alto. Os muros dos 16 lados deste monumento poligonal apresentam no seu cômputo geral pouca ou nenhuma decoração, contudo, são ligeiramente animados pelo jogo dos contrafortes. Um elemento que se destaca na igreja de Tomar é a torre sineira que se implanta bem no centro da fachada do oratório-fortaleza ocupando o espaço reservado a dois contrafortes. O antigo portal – destruído aquando da expansão do templo, iniciada por D. Manuel I – juntamente com a grande janela que se abre por cima, apresentava, segundo Graf, algumas semelhanças com o portal da fachada ocidental da Sé de Coimbra, não só pelo seu aspecto geral, mas, igualmente pelas suas arcadas de volta inteira dos dois lados, com pilastras e colunatas ornadas que se abrem para o exterior[28].

Ao entrarmos na rotunda do Convento de Cristo, somos invadidos por pinturas, esculturas e talha, todas elas obras de uma beleza singular que caracterizam o seu interior[29]. Os dois pisos que compõem o edifício são ligados visualmente, tanto no interior como no exterior, por meio de pilares embutidos, através dos quais surgem as nervuras das abóbadas. Numa altura total com cerca de 12 metros, o andar térreo ocupa mais de metade (c. de 6,6 m) do conjunto. As abóbadas, localizadas no centro da igreja, convergem numa pequena cúpula estribada de oito ogivas cruzadas[30], enquanto os exteriores dão origem às paredes laterais[31]. Pelo facto destas possuírem dezasseis faces e o bloco central apenas oito, de cada face das paredes exteriores nascem nervuras até a parede interior, das quais, apenas uma se apoia sobre um pilar embutido, ao passo que a intermédia termina nas mísulas localizadas no meio dos oito painéis por cima das oito delgadas janelas no andar superior do octógono central[32].

A capela palatina de Carlos Magno é um edifício que nos dá argumentos válidos no quadro da comparação formal, para considerar verosímil que terá havido uma influência deste templo em Tomar. Ambos os edifícios apresentarem planta centralizada com dois polígonos concêntricos. As marcas desta particularidade são muito mais nítidas, na medida em que constatamos que a capela e a rotunda de Tomar são as únicas que ostentam um núcleo central octogonal regular com cúpula, e rodeado por um deambulatório limitado por um polígono de 16 lados.

Apesar de fazer parte de um grupo das três grandes construções templárias de planta centralizada na Europa, a Charola apresenta uma disposição muito díspar. As plantas dos templos de Paris e Londres[33] seguem o mesmo esquema, com um traçado circular, com 6 pilares no espaço interior e 12 no exterior e apresentavam uma abóbada anular. Todavia, existe um ponto interessante que aproxima estes três templos. Estamos a referir-nos concretamente ao diâmetro das suas rotundas. Ambos os casos medem cerca de 20 metros de diâmetro. Relativamente à Cúpula do Rochedo, edifício que muitos autores têm adiantado como o arquétipo da rotunda do Convento de Cristo, ressalta logo à vista um conjunto de diferenças flagrantes[34]. Em primeiro lugar, a Cúpula do Rochedo tem um plano complexo com três estruturas concêntricas: a interior, de forma circular, apoia-se em 4 grandes pilares de base rectangular com 3 colunas intermédias que perfazem 4 arcos em cada um dos lados e no conjunto 12 colunas; uma secção angular octogonal com 8 potentes pilares alternados com 8 grupos de 2 colunas; e um corredor anular exterior, sem tribuna, limitado igualmente por uma estrutura oitavada.

Por outro lado, a igreja de Vera Cruz de Segóvia pode ser confrontada com a Charola, não só devido à época em que foi edificada, mas também pela forma que apresenta. Ostenta igualmente uma pequena capela central rodeada por um deambulatório anelar, coberto com abóbada de canhão. No entanto, as duas partes do monumento de Segóvia têm ambas doze ângulos, o que contrapõe com a estrutura octogonal e poligonal do Templo templário.

Pensamos que, até 1190, a rotunda dos Templários consegui desempenhar apenas a função militar, porque através das plantas deixadas por Lacerda vê-se a Charola, claramente como um elemento integrante nos muros que constituem a fortaleza. Desta forma, este monumento teria de desempenhar um papel defensivo activo relativo a toda a estrutura templária, como supostamente terá acontecido em outras igrejas-torres na Palestina e na Península Ibérica.   Para ser uma torre que desempenhasse convenientemente as suas funções militares era pressuposto que a Charola tivesse certos elementos bélicos que a caracterizavam como tal. Em primeiro lugar, o templo de Tomar é uma construção austera e circular com paredes duplas, acompanhadas por maciços contrafortes, sendo coroada por ameias – que não são hoje as primitivas[35]. Segundo Campos Correia, há uma hipótese de ter existido um longo corredor no telhado, com modilhões de pedra, ameias, e mata-cães apoiados nos seus dezasseis capitéis. Ainda nesta parte superior deste edifício, que tem aparência de um baluarte ou bastião, os freires faziam sítio de atalaia e de arremesso de matérias inflamáveis e pesados materiais. Porém, acreditamos que a charola foi projectada desde o início para servir de templo-fortaleza, visto que fez-se erguer com um espaço central circular (abside central), que, como já afirmámos, faz parte da construção dos finais do séc. XII, ou seja, da primeira fase do edifício. Por seu turno, não havia no castelo uma casa religiosa reservada apenas às práticas espirituais dos cavaleiros Templários, pelo que era essencial a sua edificação. Só que, o estado de sítio quase permanente vivido nesta região do reino terá impedido a realização da função religiosa ainda no séc. XII.

Existe uma hipótese de encontramos na Charola a representação de dois dos principais monumentos de Jerusalém: o Santo Sepulcro e o Templo de Salomão, que não é mais do que o reflexo da Cúpula do Rochedo. Daí que, podemos estar perante um caso curioso de fusão num único edifício de várias imagens míticas, aliás, muito comum ao longo da Idade Média. No que diz respeito ao Santo Sepulcro, encontramo-lo nesta construção, na sua planta centralizada e nas suas duas subdivisões, o deambulatório e a capela central. A Anástasis é representada pelo grande deambulatório que circunda o que teria sido o túmulo de Cristo simbolizado pela pequena capela central (Martyrium?) formada por 8 pilares, que é considerado por excelência o número da ressurreição. Por seu turno, a Mesquita de Jerusalém é representada em Tomar não só pela sua planta centralizada, como também pelo facto da rotunda templária estar sobre uma grande superfície rochosa o que demonstra uma clara intenção em simbolizar a pedra de incalculável valor religioso para as três religiões monoteístas, que se encontra preservada sobre a grande cúpula da Mesquita de Jerusalém.

 Mapa 1, Fonte: Alain Demurger (2005, p. 627).
Mapa de Jerusalém no tempo das Cruzadas.

Fig. 1, Fonte: Paul Deschamps (1939, p. 30).
Castelo dos Peregrinos (planta).

Fig. 2, Fonte: Nikolas Jaspert (2005, p.94).
Igreja de Santo Sepulcro de Jerusalém (planta, sécs. IV e XI).

 Fig. 3, Fonte: Volkmar Enderlein (2004, p. 64).
Cúpula do Rochedo (planta).

Fig. 4, Fonte: Wolfgang Kaiser (2000, p. 33).
Capela palatina de Aix-la-Chapelle (planta).

Fig. 5 , Fonte: Viollet-le-Duc (1868, p. 15). Templo de Paris (planta).

Fig. 6 , Fonte: Arq. Sotero (Convento de Cristo, 2007).
Montagem em 3D do castelo a partir de Machado Lacerda.

Fig. 7 , Foto do autor. Na imagem, presença do alambor
no lado sul do Castelo de Tomar.

Fig. 8, Foto do autor. Vista exterior da Charola de Tomar.

 

Fig. 9, Fonte: Arq. Sotero (Convento de Cristo, 2007).
Charola primitiva (finais do séc. XII).

Fig. 10, Fonte: Paulo Pereira (2003, p. 12).
Planta da rotunda de Tomar (séc. XII-XIII) e do coro Manuelino (séc. XVI).

 

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SOUSA, Bernardo Vasconcelos (dir.), PINA, Castro Isabel, ANDRADE, Maria Filomena, SANTOS, Maria L. F. O. Silva – Ordens Religiosas em Portugal: das Origens a Trento – Guia Histórico, 2º ed., Lisboa, Livros Horizontes, 2006.



[1] In the centralized constructions the central cupola occupies almost all the interior space thus turning it into a sacred space, in this way the religious cult happens beneath the heavenly vault. This means that the centralized plans represent a Christian message, easily detectable, since they were conceived on the basis of the doctrine of Catholicism.

 [2] Nas construções centralizadas, ao contrário dos de plano basilical, a cúpula central ocupa praticamente todo o espaço interior dando-lhe assim, um carácter totalmente sagrado, ou seja, o culto acontece por debaixo da grande abóbada celeste.

[3] Carlos de Ayala Martínez – “Origem, Significado e Tipologia das Ordens Militares”, As Ordens Militares na Europa Medieval, dir., por Feliciano Movoa Portela Lisboa, Chaves Ferreira, 2005, p. 13.

[4] Francesc Navarro – História Universal: A Expansão Muçulmana, vol. 9, Lisboa, Público/Editorial Salvat, 2005, p. 250.

[5] Carlos de Ayala Martínez, Ob. Cit, p. 15.

[6] Bernardo Vasconcelos Sousa (dir.) – Ordens Religiosas em Portugal – das origens ao Trento – Guia Histórico, Lisboa, Livros Horizonte, 2006, p.461.

[7] Por esta altura, o primeiro Mestre da Ordem do Templo, Hugo de Payns, estabeleceu alguns contactos com a Europa Ocidental, tendo conseguido juntar um grupo de cavaleiros empenhados na defesa de Jerusalém e arredores. O maior contingente de efectivos foi conseguido em França e, seguidamente, em Inglaterra.

[8] Enrique Rodrigues-Picavea Matilla – “As ordens militares Ibéricas na Idade Média”, As Ordens Militares na Europa Medieval, dir., por Feliciano Movoa Portela, 1ª ed., em Portugal, Lisboa, Chaves Ferreira – Publicações S.A., 2005, p. 117.

[9] As construções militares francas da Palestina foram bastante danificadas fruto das guerras com os muçulmanos e as transformações efectuados por estes, principalmente as muralhas exteriores e as portas. Por outro lado, “o que o homem deixou em paz a natureza ajudou a estragar”, numa região profundamente afectada por terramotos. Steven Ronciman – História das Cruzadas: o reino de Jerusalém e o oriente Franco, 1100-1187, vol. II, Lisboa, Livros Horizonte, 1993 p. 292.

[10] D. Afonso Henriques confirma, a 14 de Março de 1129, a doação de Soure, numa altura em que esta zona enfrentava muitas dificuldades depois do assalto almorávida de 1116.

[11] D.M.P, vol. I, p. 101.

[12] D. Teresa doou a zona despovoada de Soure com o objectivo de criar uma barreira ao acesso de Coimbra e na necessidade que teria Soure de se povoar e reconstruir o seu castelo que foi devastado em 1116 pelas forças muçulmanas. Nestes termos pode-se concluir que o território era muito hostil, com poucas condições de fixação, despovoado e indefeso.

[13] O alcaide de Santarém incutia constantemente ataques em varias terras e em 1144 conseguem apoderar-se de Tomar e Leiria. Daí que era essencial a conquista desta região que detinha uma posição estratégica sobre o Tejo, de onde, regra geral partiam as incursões dos inimigos. Maria Dias Rodrigues, Ob. Cit. p. 121.

[14] D.M.P, vol. I, p. 272.

[15] Mário Jorge Barroca, “A Ordem do Templo e a Arquitectura Militar Portuguesa do Século XII”, Portugália, Nova série, vols. XVII – XVIII, Homenagem a Carlos Alberto Ferreira de Almeida, Porto, 1996/1997, p. 176.

[16] Em alguns castelos terá existido o que designamos por alambores naturais, ou seja, fortalezas erguidas sob superfícies rochosas talhadas, tirando partido de condições topográficas favoráveis.

[17] Mário Jorge Barroca, “Os Castelos das Ordens Militares em Portugal (Séculos XII a XIV) ” in: Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500 – 1500), Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos, coord., por Isabel Cristina Ferreira Fernandes, Edições Colibri, Câmara Municipal de Palmela, 2002, p. 538.

[18] Paulo Varela Gomes – Arquitectura, religião e politica em Portugal no séc. XVII: planta centralizada, 1ª ed. Porto, Faculdade de Arquitectura do Porto, 2001, p. 18.

[19] A designação de mausoléu advém do túmulo monumental, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, construído a mando de Mausolo, rei da Ásia Menor, em Halicarnasso, no séc. III a.C. 

[20] Estes edifícios nem sempre foram erguidos em planta centralizada. Contudo, estudaremos apenas os casos de construções de plano central.

[21] Jean Chavalier, Gheerbrant Alain – Dicionários dos Símbolos, 1ª ed., portuguesa, Lisboa, Editorial Teorema, 1994, p. 482.

[22] Jurgen Christern, “A Arte Paleocristã”, História da Arte, dir. por Albert Châtelet e Bernard Philippe Groslier, vol., I, Lisboa, Círculo de Leitores, 1985, p. 194.

[23] Sobre as fases de construção da charola veja-se entre outros, Graf – Portugal Roman, Vol. I, Yonne, Zodiaque, 1986, p. 207; Santos Simões, cit in: Aarão de Lacerda, – História da Arte em Portugal, vol. I, Porto, Portucalense, 1942, pp. 364-367.

[24] Cit in: Aarão Lacerda, Ob. Cit. p. 364.

[25] Jorge Rodrigues, “O Mundo Românico (séculos XI-XIII) ”, História da Arte Portuguesa – Da pré-história ao “Modo” Gótico, dir. por Paulo Pereira, vol. I, Lisboa, Temas e Debates, 1995, p. 259.

[26] Temos de ter sempre alguma ponderação ao analisar os muros exteriores devido às muitas alterações que um edifício está sujeito a sofrer. Uma simples observação dos muros da Charola leva-nos a deduzir que, no decurso dos séculos, eles sofreram vários restauros, e só com sondagens bem precisas nos poderiam dar a conhecer a parte primitiva, a posterior da época gualderiana e a de D. Manuel I. A iluminura da Leitura Nova não nos dá informações detalhadas sobre este aspecto, porque como é natural não tiveram o cuidado em apresentar este pormenor.

[27] Os avanços e recuos na construção do templo estiveram sempre dependentes da situação de segurança.

[28] Gerhard Graf, Ob. Cit. p. 209.

[29] Muita dessa riqueza artística e arquitectónica ostentada na Charola sofreu vários vandalismos não só resultantes das invasões francesas como também de restauros planeados e recorrentes.

[30] Alertamos que esta cúpula não é a original, mas sim, resultado de uma construção após a destruição da primitiva por um raio em 1508. Julgamos que recebeu a sua rica decoração na última etapa das alterações introduzidas por D. Manuel porque as restantes partes do segundo andar são inteiramente nuas. Gerhard Graf, Ob. Cit. p. 211.

[31] Bruno Klein, Ob. Cit. p. 209.

[32] IDEM, Ibidem, Ob. Cit. p.209.

[33] A actual igreja do Templo em Londres encontra-se muito alterada relativamente à rotunda primitiva, pelo que não é possível fazer uma comparação mais profunda. Já o Templo de Paris foi destruído, como já se disse, durante a Revolução Francesa.

[34] Muitas vezes, estes autores cingem-se somente aos aspectos representativos da Cúpula do Rochedo como Templum Domini. O mesmo acontece com o caso do Santo Sepulcro de Jerusalém.

[35] F.S. Lacerda Machado, O Castelo dos Templários: Origem da cidade de Tomar, Tomar, Comissão de Iniciativa e Turismo de Tomar, 1936 p. 26.