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Número 18 | Julho - Dezembro 2015 ISSN 1646-740X
 

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Recensão

Catalogo dei codici miniati della Biblioteca Vaticana. I – I Manoscritti Rossiani. A cura di S. Maddalo, con la collaborazione di E. Ponzi, e il contributo di Michela Torquati. 3 vols. Città del Vaticano: Biblioteca Apostolica Vaticana, “Studi e Testi, 2014, (2053 pp.). ISBN: 978-88-210-0914-3.

 

Adelaide Miranda
Universidade Nova de Lisboa, IEM – FCSH/NOVA,
1069-061 Lisboa, Portugal
mmac@fcsh.unl.pt

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Data do texto: Maio de 2015

Editado em 2014 pela Biblioteca Apostólica do Vaticano, o Catalogo dei Codici Miniati della Biblioteca Vaticana. I Manoscritti Rossiani apresenta-se como um catálogo de manuscritos medievais e renascentistas em que a História da Arte tem um lugar relevante. Esta perspectiva é destacada por Silvia Maddalo, a coordenadora da obra (que conta com a colaboração de Eva Ponzi e o contributo de Michaela Torquati), que na introdução chama a atenção para o facto dos aspectos figurativos e iconográficos serem um traço distintivo. Esse enfoque está igualmente presente nas notas preliminares à elaboração da ficha do manuscrito, onde a autora refere: “Particolare attenzione é posta, nella parte centrale della scheda, all’analisi dell’ aparato grafico e all’elenco figurativo…”[1]. Não é certamente indiferente o próprio perfil da colecção. Este fundo é o resultado da paixão pelos livros iluminados de Giovanni Francesco de Rossi, bibliófilo romano que viveu entre 1796 e 1854 e que juntou cerca de 1218 manuscritos medievais e humanistas (para além de 2500 incunábulos e 5600 livros de estampas)[2].

O catálogo está distribuído por 3 volumes. No primeiro volume, dois prefácios, respectivamente de Mons. Jean-Louis Bruguès e Massimo Miglio, e a introdução e notas preliminares à elaboração da ficha, da responsabilidade de Silvia Maddalo, dão-nos o contexto da publicação e esclarecem as opções e os critérios que presidiram à catalogação dos manuscritos. Já pelos dois primeiros volumes distribuem-se as 1195 fichas dos manuscritos. O último volume dá-nos oportunidade de apreciar reproduções a cor de manuscritos seleccionados e uma bibliografia crítica de referência e índices.

A organização do catálogo segue na generalidade a da biblioteca Rossiana, sistematizada por tipologias textuais. O conjunto dos manuscritos iluminados a catalogar, sendo muito diversificado no que diz respeito a tipologias, cronologias e linguagens, requereu um trabalho interdisciplinar de grande envergadura. Textos em latim, grego, hebraico, assim como em línguas vernaculares, exigiram investigadores que dominassem as respectivas línguas. Do mesmo modo, as variadas tipologias e cronologias implicaram escolhas diversificadas. Para este trabalho imenso, a coordenadora juntou um conjunto de 28 especialistas de várias áreas e cronologias que pudessem assegurar rigor no tratamento das especificidades de cada manuscrito. 

Deste fundo, Silvia Maddalo assinala a importância dos manuscritos iluminados, dos quais se destaca uma rica colecção de livros de devoção, entre eles livros de horas (c. de 80) e bíblias ducentistas (Parisienses e Bolonhesas). O conhecimento correcto destes manuscritos, que foram produzidos em grande escala e adquiridos por bibliotecas e coleccionadores privados ao longo de séculos, permite estabelecer relações, percursos e caracterizar melhor os ateliêrs de produção. Para além de séries de manuscritos, conta-se ainda com obras de excepção, que se distinguem pela riqueza iconográfica, designadamente pelas referências textuais, o que leva a que tenham um maior desenvolvimento no catálogo.

A precisão e pormenor na abordagem está igualmente bem patente na ficha de catalogação a que antes se aludiu, que mereceu, pois, um tratamento muito especial, sendo o modelo um excelente instrumento de trabalho para o futuro. Começa a ficha com a identificação dos aspectos materiais, dando também particular destaque aos aspectos artísticos, não só à relação entre o texto e a imagem, mas também à caracterização das iniciais, margens e miniaturas, indicando as respectivas tipologias, número e medidas. Importante é, ainda, a valorização de aspectos considerados muitas vezes acessórios e esquecidos na catalogação, como as iniciais secundárias ou a numeração de cadernos ou título corrente. Termina a ficha com informação acerca do estado de conservação da obra e bibliografia. A descrição é acompanhada por uma reprodução de página inteira a preto e branco, que lamentamos que não seja de maiores dimensões. Contudo, o número de fichas e a extensão da descrição justifica-o, uma vez que tornaria os exemplares demasiado volumosos e com um preço acrescentado.

Merece especial destaque a síntese, colocada antes das referências à encadernação, que revela claramente a ideia de catálogo como instrumento de conhecimento, onde podemos encontrar referência a autores, copistas, iluminadores e notas de crítica textual, que permitem localizar o artista ou o copista em contextos artísticos ou históricos específicos, permitindo estudos comparativos entre códices. O que estimulará certamente avanços na investigação sobre a história do códice e da iluminura medieval.

No volume III, destacamos a riqueza de informação contida na bibliografia e nos índices que contemplam, não só os manuscritos, como os copistas, os autores, as obras anónimas, os locais de produção, pessoas e temas iconográficos.

De resto, a constituição da obra teve por base uma consistente preparação científica, através de um projecto de investigação “Censimento e catalogazione dei manoscritti miniati della Biblioteca Apostolica Vaticana” (2004) e dois colóquios, com os respectivos catálogos coordenados igualmente por Silvia Maddalo “L’Istituto storico italiano e la catalogazione dei manoscritti miniati della Biblioteca Vaticana: il fondo Rossiano” (2007) e “La catalogazione dei manoscritti miniati come strumento di conoscenza. Esperienze, metodologia, prospettive” (2009). O rigor posto na descrição, visível através de um vocabulário preciso e adequado, mas também as constantes chamadas de atenção para as relações que se podem estabelecer com outros códices, atribuições de autores ou escolas, assim como datações, percursos de manuscritos ou uma procura de ultrapassar o ‘mero’ nível da descrição, fazem deste catálogo um excelente instrumento para a identificação de manuscritos e um contributo valioso para se poder estabelecer uma rede de conhecimento, capaz de aprofundar o estudo do manuscrito iluminado medieval.

 

 

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[1] I vol., p. XXV.

[2] A biblioteca, após a sua morte, é enriquecida pela sua mulher Luisa Carlota, filha de Ludovico di Borbonne, donde passa para a Biblioteca de Jesus de Roma. Com a extinção dos bens eclesiásticos, é adquirida pelo Império austríaco e transportada para a Casa Jesuitica de Viena, e depois para Lainz. Finalmente é depositada no Vaticano.

 

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Referência electrónica:

MIRANDA, Adelaide – “Recensão: Catalogo dei codici miniati della Biblioteca Vaticana. I – I Manoscritti Rossiani. A cura di S. Maddalo, con la collaborazione di E. Ponzi, e il contributo di Michela Torquati. 3 vols. Città del Vaticano: Biblioteca Apostolica Vaticana, “Studi e Testi, 481-483”, 2014 (2053 pp.). ISBN: 978-88-210-0914-3”.

Medievalista [Em linha]. Nº 18 (Julho – Dezembro 2015). [Consultado 01.07.2015]. Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA18/miranda1811.html

ISSN 1646-740X

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