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Número 16 | Julho - Dezembro 2014 ISSN 1646-740X
 

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Editorial.
“Como pigmeus aos ombros de gigantes”

 

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Dando curso ao que vem sendo a prática da Medievalista Online, o presente número mantém o princípio de divulgar investigações o mais variadas possível quanto aos temas, aos géneros ou às regiões. Seguimos, assim, de certo modo, a largueza de vistas de Jacques Le Goff, o grande medievalista cujo falecimento assinalamos neste número através de um In Memoriam da autoria do nosso Director.

A orientação que Le Goff deu à investigação medieval, seguida com entusiasmo na França, nos países da Europa meridional e na América Latina durante dezenas de anos, é actualmente menos consensual. Não tanto do ponto de vista metodológico e prático, mas nas suas justificações teóricas. Com efeito, continua a servir de modelo de investigação sobre as matérias mais diversas. Não se pode esquecer. Por isso, como "pigmeus aos ombros de gigantes", também nós queremos ver mais longe, apresentando aos leitores da nossa revista trabalhos tão variados do ponto de vista político, iconográfico, filosófico ou litúrgico.

Abel Estefânio, voltando ao problema da autenticidade do célebre "pacto sucessório" entre D. Henrique e D. Raimundo, que antes julgara um falso do século XVII (veja-se a Medievalista nº 10, de Julho-Dezembro de 2011), encontra agora argumentos de sentido contrário e propõe datá-lo de 1105-1107. É um caso típico da erudição necessária para praticar a crítica de autenticidade de que depende a interpretação histórica de acontecimentos decisivos.

Há também um contributo inédito no artigo de Carla Fernandes acerca do túmulo de Rodrigo Sanches em Grijó, porque, embora muito conhecido, estava metido num arcosólio que ocultava três das suas faces, nas quais estão esculpidas a Adoração dos Reis Magos, a Apresentação de Jesus no Templo, e o Calvário. A descoberta vem enriquecer decisivamente a iconografia religiosa portuguesa do século XIII.

Segue-se o artigo de Nuria Sanchez, que trata de uma questão muito debatida pelos historiadores da Filosofia Escolástica, mas pouco conhecida dos medievalistas em geral, em virtude do seu grau de tecnicidade: a teoria do monopsiquismo do intelecto humano, defendida por Averróis e os averroístas latinos, como Siger de Brabante, e contestada por S. Tomás de Aquino. Curiosamente, Dante, no seu tratado intitulado Monarchia, mostra-se também favorável às ideias de Siger sobre o monopsiquismo para considerar a Humanidade como um todo indivisível, imanente e laico, opinião algo surpreendente para a sua época.

Francisca Pires de Almeida propõe uma interessante investigação acerca das fórmulas e variantes do ritual do baptismo em Portugal nos séculos XII a XVI, isto é, desde a introdução do rito romano até ao Concílio de Trento. A Autora tira partido das variantes detectadas nos livros litúrgicos diocesanos e nas constituições sinodais para mostrar uma inesperada multiplicidade de observâncias. As variantes revelam maior cuidado pastoral do clero diocesano do que se poderia supor tendo em conta o estereótipo comum da decadência religiosa do fim da Idade Média.

A secção de artigos deste número da Medievalista termina com o estudo da figura de um mercador eborense, Fernão Gonçalves. Os indícios documentais sobreviventes do seu rico percurso, minuciosamente interrogados por Joaquim Serra, acabam por nos revelar toda uma trajectória de ascensão económica, social e política que soube aproveitar em seu favor as redes clientelares da sua família protectora, a proximidade com importantes instituições urbanas e o estratégico posicionamento político a favor do emergente Mestre de Avis e futuro rei João I. Fernão Lopes far-lhe-ia justiça, ao registá-lo, algumas décadas volvidas sobre os acontecimentos narrados, entre os principais apoiantes eborenses do monarca.

Segue-se a rubrica das recensões, desta vez consagrada a dois colóquios organizados pela Universidade de Clermont-Ferrand: um de carácter estrutural, realizado em 2007, sobre as aldeias de montanha desde a Antiguidade até ao século passado, e outro, mais comparatista, realizado em 2010, sobre a relação entre as ordens militares e os meios urbanos nos séculos XII a XIV.

Por fim, apresenta-se uma tese de doutoramento da Universidade de S. Paulo (Brasil) defendida em 2011, sobre O amor pela forma no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende;e dá-se notícia das actividades do projecto intitulado "O imaginário da devoção privada nos Livros de Horas" em 2013 e 2014; e ainda da realização do X Encontro da Secção Portuguesa da Associação Hispânica de Literatura Medieval, que teve lugar em Lisboa, em 2014.

À nossa medida, dar continuidade ao projecto da Medievalista é também uma forma de homenagearmos Jacques Le Goff. Aos seus ombros, procuramos ver mais longe; não, sem dúvida, com novas sínteses ou interpretações globais, mas com análises de pormenor e de carácter pluridisciplinar.

Nota da Redacção: No nº 14 da Medievalista, na secção de “Recensões”, foi incluído um texto sobre a tese de doutoramento da Doutora Maria Amélia Álvaro de Campos, intitulada Santa Justa de Coimbra na Idade Média. O Espaço Urbano, Religioso e Socio-Económico, defendida na Universidade de Coimbra. Quando se refere o júri da prova e a distribuição das arguições não se diz, por lapso, que a Professora Doutora Maria Alegria Fernandes Marques proferiu uma das arguições principais. Pelo facto, apresentamos as nossas desculpas à Professora Doutora Maria Alegria Fernandes Marques e aos leitores.

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Referência electrónica:

“Editorial. “Como pigmeus aos ombros de gigantes””.

Medievalista [Em linha]. Nº16 (Julho – Dezembro 2014). [Consultado dd.mm.aaaa]. Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA16/editorial1601.html

ISSN 1646-740X

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