logotipo medievalista

 
   
 
Número 12 | Julho - Dezembro 2012 ISSN 1646-740X
 

IEM


TODOS OS NÚMEROS /
PREVIOUS ISSUES


EDIÇÃO / EDITORS

CONSELHO EDITORIAL / ADVISORY BOARD

ARBITRAGEM CIENTÍFICA 2011 / PEER REVIEWING 2011

WEB DESIGNER


CONTACTOS / CONTACTS

INSTRUÇÕES AUTORES /
AUTHOR’S INSTRUCTIONS


REVISTAS INTERNACIONAIS / RELATED PUBLICATIONS

CALL FOR PAPERS


A Revista Medievalista encontra-se incluída no Directório e no Enlace do LATINDEX

ISSN 1646-740X

logo FCSH

A Revista Medievalista é um Projecto desenvolvido com o apoio da

fct


 

 


O encontro "Portugal Medieval visto do Brasil: Diálogos entre Medievalistas Lusófonos"
(Lisboa, Coimbra, Sta. Maria da Feira, 12-14 Janeiro de 2012)

 

André Bertoli;
Maria de Lurdes Rosa

Instituto de Estudos Medievais FCSH – UNL
andrelbertoli@gmail.com; missi@oniduo.pt

TEXTONOTAS CITAÇÃO imprimir PDF imprimir mail indice
 
 

Descrição: Cartaz Encontro Internacional

Criado por Ricardo Naito, com base na imagem "medieval-ipad2" © G. Chris Clark, nos termos da licença: CC BY-NC-SA, disponível online em: www.flickr.com/photos/chrisclark/5529435153/

Nos dias 12, 13 e 14 de Janeiro de 2012 foi realizado o encontro binacional “Portugal Medieval visto do Brasil. Diálogos entre Medievalistas Lusófonos”. Projetado e proposto pelo Grupo de Investigação “Construir a História medieval: temas, problemas, materiais”, do Instituto de Estudos Medievais (IEM) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), esta iniciativa rapidamente alcançou a adesão de outras Universidades e grupos de pesquisa portugueses e brasileiros. Com coordenação das Professoras Doutoras Maria de Lurdes Rosa (IEM/FCSH-UNL) e Maria Helena da Cruz Coelho (CHSC/FL-UC e Presidente da SPEM), foi, então, organizado pelo IEM e co-organizado pelas seguintes instituições:[1] ABREM – Associação Brasileira de Estudos Medievais; GEMPO – Grupo de Estudos Medievais Portugueses (Universidade de São Paulo); GT RGS – Grupo de Trabalho de Estudos Medievais da Associação Nacional de História (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); LEME – Laboratório de Estudos Medievais (Universidade de São Paulo); LITHAM – Laboratório Interdisciplinar de Teoria da História, Antiguidade e Medievo (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro); Memnosine – Laboratório de História Antiga e Medieval (Universidade Estadual do Maranhão); NEMED – Núcleo de Estudos Mediterrânicos (Universidade Federal do Paraná); PEM-UnB – Programa de Estudos Medievais (Universidade de Brasília); PEM-UFRJ – Programa de Estudos Medievais (Universidade Federal do Rio de Janeiro); Scriptorium – Laboratório de Estudos Medievais e Ibéricos (Universidade Federal Fluminense); Translatio Studii – Núcleo Dimensões do Medievo (Universidade Federal Fluminense); Vivarium – Laboratório de Estudos da Antiguidade e Medievo (Universidade Federal de Mato Grosso); CEAUCP/CAM – Centro de Estudos Arqueológicos (Universidades de Coimbra e Porto / Campo Arqueológico de Mértola); CHSC – Centro de História da Sociedade e da Cultura (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra); SPEM – Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais[2].

Deve ainda destacar-se o apoio dado pela FCSH-UNL, pela Fundação para Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, tanto em termos de espaço cedido para a realização dos debates como pelo financiamento direto. A autarquia feirense, responsável por um dos maiores eventos de recriação medieval da Península Ibérica (a “Viagem medieval em Terras de Santa Maria da Feira”), mostrou grande abertura e espírito de colaboração ao aceitar, em tempos de crise econômica, um patrocínio decisivo para a concretização do evento. Este gesto teve, ainda, a importância adicional de ligar o Encontro à sociedade civil, de várias maneiras – demonstração da possibilidade de colaboração entre os estudiosos da Idade Média e os agentes culturais locais que se interessam por uma divulgação cultural da época que seja, em simultâneo, lúdica e de base científica; valorização do enriquecimento lúdico de qualidade dos eventos científicos, com a atuação de grupos musicais e teatrais que baseiam as suas realizações em pesquisa histórica (seja-nos permitido destacar a presença do grupo “Música Antiga da UFF”[3], vindo de Niterói com os seus instrumentos musicais, tendo também dois membros do mesmo, Leonora Pinto Mendes e Márcio Paes Selles, apresentado no Encontro comunicações científicas sobre teatro e música medieval); por fim, ligação a Santa Maria da Feira enquanto zona de grande emigração para o Brasil desde o século XIX, com consideráveis efeitos sobre a sociedade local. Tal iniciativa ainda contou com ampla cobertura jornalística e na web, tanto em Portugal quanto no Brasil, o que deve ser sublinhado como positivo em termos de projeção social alargada da investigação em História medieval[4]. (Ver Notícia do Público em anexo).

O evento foi realizado em três espaços distintos, permitindo, desta maneira, a circulação pelos locais de sede das instituições promotoras/ colaboradoras, a valorização de públicos distintos e, ainda, proporcionou uma visita/ revisita do País aos colegas brasileiros, sempre agradável para todos, mesmo se brevíssima… Assim, no primeiro dia, 12, as atividades ocorreram na FCSH-UNL. Ao final deste dia, os participantes rumaram para Coimbra, onde seria realizado o segundo dia de trabalho. No dia 13, as apresentações se deram na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Da mesma maneira, ao final das atividades, os congressistas foram encaminhados para Santa Maria da Feira, onde, no dia 14, ocorreu o último dia do evento, que teve como espaço a Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira. A participação em tal evento foi aberta ao público acadêmico e aos investigadores inscritos nas unidades de investigação portuguesas e brasileiras participantes.

Este encontro científico internacional, iniciativa conjunta de várias unidades de investigação vinculadas a universidades portuguesas e brasileiras, está inserido num trabalho de reflexão historiográfica que o IEM tem promovido desde meados de 2010, através do Grupo de Investigação “Construir a História medieval”. Privilegiou-se propositadamente a apresentação da produção historiográfica brasileira relativa à Idade Média em Portugal pelos seus autores, tendo como objetivo fomentar o conhecimento das investigações e o contexto de produção dos medievalistas brasileiros. Desta forma, de maneira a reforçar a integração dos participantes das diferentes instituições num circuito internacional de debate científico sobre a Idade Média Portuguesa, este evento proporcionou a todos a possibilidade de refletir e dialogar sobre as investigações brasileiras já concluídas e, também, sobre as pesquisas que estão em andamento.

O modelo adotado para as apresentações e discussões foram as Mesas Redondas, buscando, assim, atingir uma melhor dinâmica de trabalho ao longo dos três dias do encontro. Os investigadores portugueses, após os colegas brasileiros apresentarem as suas comunicações, fizeram rápidos balanços historiográficos da produção lusa e, em seguida, abriu-se o diálogo, que foi sempre longo, participativo e rico. No seu conjunto, a proposta de trabalho em Mesas Redondas teve grande valor, pois, sobretudo, propiciou a troca de ideias, teorias, metodologias, além de diferentes questões e referenciais para as abordagens das fontes. Assim, sendo por excelência um espaço para sugestões, resultou num diálogo mais aberto entre os conferencistas e os ouvintes.

Sendo aqui impossível enunciar todas as comunicações[5], é importante registrar a riqueza das temáticas abordadas, o que pode ser feito pela indicação das Mesas Redondas. No dia 12, em Lisboa, foram realizadas as Mesas que abordavam temas sobre “História de Gênero”, “Música” e “Santidade e Hagiografia”. No dia seguinte, em Coimbra, realizaram-se três mesas temáticas sobre “Dinâmicas sociais e de poder” – o que denota a importância da questão na medievalística brasileira – e uma sobre “Representações”. Em Santa Maria da Feira, no último dia do evento, apresentaram-se as Mesas Redondas “Corpo, Saúde e Assistência”, “Estudos de Alta Idade Média” e “A Idade Média no Brasil de Hoje, da tradição a colaboração acadêmica”. Os títulos das comunicações e os nomes dos seus autores podem ser vistos na listagem anexa.

Todavia, o evento não se limitou a estas mesas, pois também houve um “Fórum de Investigação em História Medieval em Portugal”, no qual os representantes dos grupos de investigação brasileiros e portugueses montaram stands onde apresentaram brevemente o grupo ao qual pertenciam, as produções bibliográficas e os eventos realizados pelos mesmos, etc., sendo que alguns ainda disponibilizaram folders explicativos sobre os respectivos grupos. Destacou-se também, ao fim do evento, a apresentação da obra coletiva The Historiography of Medieval Portugal, c.1950-2010, dirigida pelo Professor José Mattoso, que visa aprofundar a internacionalização e divulgação da historiografia portuguesa nos países não lusófonos, sendo, assim, uma importante produção do Grupo de Investigação “Construir a História Medieval” e do IEM.

Após o Encontro, contando com a presença dos colegas brasileiros a quem foi possível permanecer em Lisboa e, também, com numerosos jovens investigadores portugueses, realizou-se no dia 16 de Janeiro, nas dependências da Torre do Tombo, o “Atelier de Fontes de Arquivo para a História Medieval de Portugal”.[6] Esta atividade científica também foi organizada e promovida pelo mesmo Grupo de Investigação, contando com a colaboração da Direção-Geral de Arquivos (DGARQ)[7] e com a presença de especialistas em diferentes tipologias de fontes e em diversos fundos de arquivo. A seguir são assinaladas as apresentações e os especialistas presentes neste atelier: “Apresentação dos projetos de digitalização”, “Apresentação do tutorial de pesquisa sobre o sítio web e o Portal Português de Arquivos” e “Apresentação do plano de descrição do arquivo da Colegiada de Guimarães” (as três da responsabilidade da DGARQ); “Exercício de crítica diplomático aplicada” (Saúl Gomes); “Documentos medievais em fundos arquivísticos posteriores” (Pedro Pinto); “Descobrir a História de Portugal através da documentação local” (Manuela Santos Silva); “A documentação medieval sobre Lisboa no fundo do Hospital de S. José” (Margarida Leme); “Fontes medievais das Ordens Militares” (Paula Pinto Costa e Cristina Pimenta); “O Financiamento da Coroa Portuguesa nos Século XV (1438-1495): fontes e abordagens” (Rodrigo da Costa Dominguez); e, por fim, “Arquivos de família” (Maria de Lurdes Rosa).

Para concluir, em jeito de balanço, diríamos que ao longo deste evento foi possível uma aproximação e diálogo entre historiadores d’aquém e d’além Atlântico, fomentando o aprofundamento do contato sobre as diferentes abordagens e análises das fontes portuguesas. Assim, este foi um espaço para partilha, troca de impressões, diálogos, aproximação entre investigadores, grupos de pesquisa e instituições. O resultado do esforço conjunto entre as instituições portuguesas e brasileiras culminou num encontro profícuo e de grande valia, no qual os participantes brasileiros apresentaram os seus grupos de investigação e suas linhas de pesquisa, bem como os trabalhos concluídos e em andamento.

Deve destacar-se que deste Encontro resultou a afirmação unânime da necessidade de dar continuidade e solidez aos laços celebrados, que de resto capitalizaram uma relação anterior, com múltiplos protagonistas, que aqui justamente referimos[8]. Assim, em primeiro lugar, seria preciso aprofundar a reflexão sobre o que significa estudar a Idade Média hoje, e como a medievalística brasileira poderá contribuir para fazê-lo “de outro modo”, colaborando, por sua vez, numa mudança de paradigma interpretativo, menos eurocêntrico e teoricamente mais fundamentado; bem como Portugal, medievalismo enraizado na “Europa medieval”, mas também periférico, pode e deve fazer[9]. Reconheceu-se depois a importância e oportunidade de reforçar as formações académicas bilaterais, de forma institucional, aproveitando – mas indo além – os laços de natureza mais circunstancial. Este aspecto é particularmente relevante no que diz respeito ao aprofundamento do estudo com (e de) fontes de arquivo, de muito difícil acesso no Brasil, mas cujo uso mais intensivo ajudaria a resolver o problema de uma excessiva focalização nas fontes literárias ou em coletâneas documentais por parte dos medievalistas brasileiros. Permitiria ainda, em Portugal, um “regresso ao arquivo” de forma inovadora e questionadora.

Em termos concretos, há várias continuidades pensadas, e expressamos aqui o voto e o convite para que todos possam contribuir para o aumento da colaboração luso-brasileira na área de estudos em apreço. E terminaríamos, de forma que nos é especialmente grata, referindo – como fecho deste breve “memorial”, mas apontando para o caminho aberto – uma das “continuidades” que se encontra já em andamento: a participação brasileira no projecto Biblioteca online de referências de historiografia medievalística sobre Portugal medieval. Inserido nas atividades do mesmo Grupo de Investigação, o projeto, financiado pela Fundação Gulbenkian e pela FCT, consiste na realização de uma base de dados acessível online, feita e mantida com o software de gestão e referenciação bibliográfica “Zotero”, de acesso gratuito. O software permite, em primeiro lugar, a criação da base de dados de referências bibliográficas, onde podem ainda ser colocados ficheiros “pdf” ou links para os repertórios, de modo a permitir o acesso aos próprios textos; em segundo lugar, a captação das referências diretamente para notas ou para listas bibliográficas, conforme o estilo de citação escolhido. Estima-se a conclusão do trabalho para meados do ano de 2013 e espera-se ainda poder fechar mais acordos de colaboração internacional, grantindo a presença de outras historiografias medievalísticas que tenham produzido sobre Portugal Medieval. Esta última iniciativa, a “Biblioteca Zotero”, é sinal da enorme importância do diálogo científico luso-brasileiro sobre a Idade Média; assim, é aberta a participação formal de todos os laboratórios e Programas de PG que voluntariamente decidirem aderir ao Projeto, que no Brasil será gerido através da ABREM.

 

Depoimentos de alguns dos participantes:

Carlinda Maria Fischer Mattos, coord., GT de Estudos Medievais – ANPUHRS (Porto Alegre – RS – Brasil)

O Grupo de Trabalho (GT) de Estudos Medievais foi fundado em agosto de 1999, em Porto Alegre, Brasil. Ele reúne professores e alunos, de graduação e pós-graduação de diversas universidades da região, e tem como objetivo estudar a Idade Média em suas mais variadas expressões. Desde sua fundação, foram inúmeros os trabalhos, as dissertações, as teses, os encontros realizados. Mas dentre todas estas realizações, destaca-se a crescente ênfase no estudo da Idade Média Portuguesa, em particular, e a forte aproximação que os GT têm tido a oportunidade de efetivar junto aos colegas portugueses: o V Encontro Luso-Brasileiro de História Medieval, ocorrido em novembro de 2010, realizou-se, precisamente, em Porto Alegre, no âmbito do Grupo Luso-Brasileiro de História Medieval, com a participação ativa de nosso grupo. Recentemente, em janeiro de 2012, o GT teve a satisfação de participar do Encontro Internacional Portugal Medieval visto do Brasil - uma rara e preciosa oportunidade de apresentar as pesquisas em Idade Média Portuguesa que temos realizado aqui no Brasil. Iniciativas como essa, empreendidas com afinco pelas profas. Maria de Lurdes Rosa e Manuela Mendonça, fortalecem nossos vínculos com Portugal, afinam nossa leitura e compreensão das inúmeras reminiscências medievais das quais nós, brasileiros, permanente e quotidianamente nos reapropriamos e resignificamos. Compreender nossas origens torna-nos mais conscientes acerca daquilo que compõe nossa identidade cultural e social, aquilo que nos torna singulares, bem como aquilo que nos aproxima ao amistoso povo português. Que tais oportunidades se repitam sempre e continuem a ser tão produtivas e iluminadoras!

 

Clinio Amaral, Ana Carolina Lima Almeida, Marcelo Santiago Berriel e Guilherme Mascarenhas (membros do LITHAM)

Achamos que, embora o Encontro Internacional Portugal Luso Medieval Visto do BrasilDiálogos entre Medievalistas Lusófonos tenha sido uma ocasião em que os brasileiros expuseram os trabalhos que desenvolvem sobre o medievo luso aos portugueses, mais do que expor suas pesquisas, foi um encontro muito relevante para que os próprios medievalistas brasileiros pudessem dialogar de forma mais próxima. Isso foi possível devido à reunião dos brasileiros, superando a longitude do nosso país, as diversidades, e mesmo, as divergências existentes. Um outro ponto fundamental foi a troca ocorrida entre os brasileiros e os portugueses e vice-versa. Os brasileiros precisam adquirir com os portugueses a metodologia de trabalho com arquivos, ter uma postura mais crítica em relação à historiografia francesa e, concomitantemente, abrirem-se para outras tradições historiográficas. Os portugueses deveriam prestar maior atenção à produção brasileira, o que foi realizado no encontro supracitado. Dessa forma, cremos que o encontro foi bastante eficaz e contribuiu muito para o desenvolvimento da pesquisa histórica medieval em ambos países. Apostamos que, certamente, o encontro foi o principal passo em direção à superação, existente, até então, de tratarmos de uma historiografia portuguesa e de uma historiografia brasileira para que possamos falar de uma historiografia lusófona sobre o medievo português, inequivocamente, este encontro provou que isso é possível.

 

Adriana Zierer, coord., Mnemosyne

Para o Mnemosyne a participação foi muito importante e enriquecedora. Conhecemos mais de perto os historiadores portugueses que trabalham com nossos objetos de estudo e interagimos com as suas pesquisas. Houve uma maior integração com laboratórios brasileiros e portugueses cujas pesquisas estão relacionadas com as nossas, o que criou a possibilidade de pensarmos nossos estudos em conjunto. O Mnemosyne foi o único a trazer alunos de iniciação científica ao evento e, como as pesquisas nessa área começaram recentemente no nosso estado, o encontro deu um grande impulso a elas fazendo crescer o interesse no nosso meio acadêmico e demonstrando que é possível estudar história medieval portuguesa no Maranhão. Além disso, estar em Portugal é aproximar-se de locais, documentos e personagens históricos que investigamos, o que é impactante. Sobre a opinião dos alunos participantes: “tivemos contatos com a bibliografia local e professores que nos ajudaram a repensar e discutir nossos próprios objetos de estudos. Assim o Mnemosyne ganha visibilidade no meio internacional, contribuindo para o fortalecimento dos nossos trabalhos” (Bianca Messias). O balanço foi positivo e nos ajudou a pensar em novas estratégias para as nossas investigações.

 

Fátima Regina Fernandes, coord., NEMED

O NEMED saúda a realização do Encontro Internacional "Portugal medieval visto do Brasil. Diálogos entre medievalistas lusófonos" em janeiro de 2012 como uma saudável iniciativa que fomentou trocas acadêmicas, debates e apontou para a possibilidade de construção de parcerias reais. A programação intensa do evento foi bem sucedida na distribuição do tempo necessário para os núcleos e laboratórios brasileiros e portugueses começarem a se conhecer, para apresentarem a diversidade de suas pesquisas e ainda se inteirarem de projetos ligados à digitalização de documentos muito valiosos para quem está longe dos arquivos portugueses. Ressalte-se que o momento para a realização desse evento foi também especial, pois os estudos medievais brasileiros foram representados por gerações diferentes de pesquisadores, com destaque às novas gerações, formadas exclusivamente no Brasil, já atuantes nos principais centros de pesquisa do país, graças às últimas bem-sucedidas políticas de expansão universitária que o Brasil conheceu.

 

Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva, Leila Rodrigues da Silva - Coordenadoras do Programa de Estudos Medievais - UFRJ

Há anos o estreitamento das relações entre os medievalistas brasileiros e portugueses carecia de uma iniciativa como a desempenhada pelo Encontro Internacional "Portugal medieval visto do Brasil. Diálogos entre medievalistas lusófonos". Acreditamos que este importante passo terá desdobramentos significativos para os dois lados do Atlântico, configurando-se como um marco relevante no processo de intercâmbio e maior aproximação entre os estudiosos das temáticas concernentes a Portugal medieval. Da nossa parte, gostaríamos ainda de destacar a amigável acolhida e o alto nível das discussões realizadas no âmbito da atividade, conforme nos relatou o professor Marcelo Fernandes Lima, nosso representante.

 

Mário Jorge da Motta Bastos, coord., Translatio Studii

O desenvolvimento da medievalística brasileira guarda, desde seus primórdios e da sua efetivação a partir de meados da década de 1980, uma profunda influência francesa diretamente derivada do auge da Nouvelle Histoire promovida pela terceira geração dos Annales. Em que pese o fato de que, desde a efetivação da área, promovida pela paulatina criação, nos programas de pós-graduação do país – âmbito por excelência de desenvolvimento das pesquisas científicas no Brasil, em especial no campo das Ciências Humanas – o "passado medieval português" tenha predominado, de longe, como recorte espaço-cronológico de maior concentração de pesquisas, este elo e vínculo primário ressentiam-se ainda, a meu juízo, da falta de um reconhecimento explícito de sua existência e importância para o desvendamento de um "passado comum" partilhado por nossas sociedades. Os contatos acadêmicos, pontuais e prévios travados deram-se, sobretudo, deste lado do Atlântico, até que a iniciativa do IEM e das instituições associadas ensejaram a realização de uma profícua reunião de trabalho que congregou pesquisadores portugueses e brasileiros de latitudes diversas, favorecendo a divulgação e o contato com trabalhos e linhas de pesquisa variadas e cruzadas, que de certo permitirão aproximações futuras de extrema relevância para as pesquisas desenvolvidas em ambos os países. Resta-nos apenas, portanto, trabalhar para que tal iniciativa pioneira frutifique e que seus frutos multipliquem-se em prol do desenvolvimento da historiografia medievalística luso-brasileira.


O jornal Público deu destaque ao Encontro, no suplemento P2.

Reportagem de Alexandra Padro Coelho, 18 de Janeiro de 2012

 

Descrição: reportagem 1

 

Descrição: reportagem 2

Descrição: reportagem 3


Lista das comunicações:

LISBOA 12 DE JANEIRO - 5ª FEIRA (FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS)

Mesa Redonda - Temática: "História de Género" Moderação: Ana Mª Rodrigues; Manuela Santos Silva

Ana Carolina Lima A Questão de gênero na historiografia luso-brasileira: estudos comparativos

Letícia Scheneider Ferreira O uso do gênero como categoria de análise nas pesquisas sobre história medieval portuguesa realizadas no Brasil

Miriam Cabral Coser A história medieval portuguesa sob a perspectiva de gênero na historiografia luso-brasileira

Marcelo Pereira Lima A história institucional de gênero, a historiografia sobre o matrimônio e as relações político-diplomáticas entre Castela e Portugal (séculos XIII ao XV)

Sooraya K. Lino Medeiros Os papéis das mulheres na Idade Média portuguesa. Uma análise historiográfica

Mesa Redonda - Temática: "Música" Moderação: Manuel Pedro Ferreira

Lenora Mendes Pinto A música e o teatro como fontes para o estudo da Idade Média portuguesa: problemas e questões

Márcio Selles As relações música e história na medievistica luso-brasileira

Mesa Redonda - Temática: "Santidade e Hagiografia" Moderação: Maria de Lurdes Rosa

Adriana M. Souza Zierer Religiosidade, Imaginário e Política à Época da Dinastia de Avis

Clinio Oliveira Amaral A historiografia brasileira dedicada aos estudos de história religiosa na baixa Idade Média portuguesa

Edmar Checon Freitas A medievística brasileira e as fontes hagiográficas portuguesas alto-medievais: considerações acerca de um estranhamento

Guilherme Mascarenhas Um estudo temático comparativo entre a sacralidade do Infante Santo, D. Fernando, e o messianismo de D. Sebastião

Marcelo Santiago Berriel Da representação de Cristão às práticas de caridade: o percurso das pesquisas sobre as relações entre os franciscanos e a dinastia de Avis [lido por Clínio de Almeida Amaral]

Renata Cristina Nascimento A expansão marítima no século XV: as utilizações do culto e da memória do Infante Santo

 

COIMBRA 13 DE JANEIRO - 6ª FEIRA (FACULDADE DE LETRAS)

Mesa Redonda - Temática: "Dinâmicas sociais e de poder" Moderação: João Gouveia Monteiro

Álvaro Ferreira Perspectivas duma História Conceitual do Espaço para a Baixa Idade Média Portuguesa

Daniel A. Arpelau Orta Os ramos de um tronco nobre: a expansão norte-africana a partir do estudo prosopográfico (século XV) [lido por Fátima R. Fernandes]

Fabiano Fernandes - Ordens militares e antropologia política. Por uma análise processual da formação da Ordem de Cristo na primeira metade do século XIV

Fátima Regina Fernandes As pretensões de projeção política do rei Fernando I (1367-83) no contexto da Guerra dos Cem Anos e Cisma do Ocidente: um aporte prosopográfico

Mesa Redonda - Temática: "Dinâmicas sociais e de poder" (cont.) Moderação: Saul Gomes

Gracilda Alves O poder régio na Dinastia de Avis. Um balanço historiográfico

João Cerineu de Carvalho Disputas nobiliárquicas nos municípios portugueses nos tempos do Infante D. Pedro e de D. Afonso V (1439-1481)

Maria Filomena P. C. Coelho Diálogos historiográficos sobre o modelo centralista no medievo português

Paulo André Leira Parente Os forais na estrutura do direito medieval português - problemas e questões

Mesa Redonda - Temática: "Representações" Moderação: Albano Figueiredo, António Resende de Oliveira

Adriana Mocelim "E contam as estoryas": uma análise da imagem de rei e da nobreza a partir das obras do Conde Pedro Afonso de Barcelos

Denise da Silva Menezes do Nascimento Estratégias de afirmação do poder: possibilidades de análise a partir do discurso cronístico

Marcella Lopes Guimarães Crônicas ibéricas de cavaleiros: escrita, cultura e poder no século XV

Raquel Alvitos Pereira A construção do imaginário régio na Península Ibérica – problemas e questões na produção historiográfica brasileira, portuguesa e espanhola

 

SANTA MARIA DA FEIRA 14 DE JANEIRO - SÁBADO

Mesa Redonda - Temática: "Corpo, Saúde e Assistência" Moderação: Luís Miguel Duarte

Beatris dos Santos Gonçalves A marginalidade como problema para a história medieval luso-brasileira

Carlinda F. Mattos A atividade do corpo humano, segundo o físico português Pedro Hispano (ca.1210-1277)

Daniel Tomazine Teixeira Abordagens e contribuições ao estudo da pobreza, da vadiagem e da assistência em Portugal na crise do feudalismo

Priscila Aquino O poder régio, a assistência e os historiadores

Mario Jorge da Mota Bastos O Poder nos Tempos da Peste (Portugal - sécs. XIV-XVI)

Mesa Redonda - Temática: "Estudos de Alta Idade Média" Moderação: Maria João Branco

Paulo Henrique de Carvalho Pachá O dom como forma da dependência: uma análise do III Concílio de Braga e da Vita Sancti Fructuosi

Rossana Alves Baptista Pinheiro Interpretações sobre Martinho de Braga, Apóstolo dos Suevos

Mesa Redonda - Temática: "A Idade Média no Brasil de Hoje, da tradição à colaboração académica" Moderação: Maria Helena Coelho; Luís Adão da Fonseca; Maria de Lurdes Rosa

Edlene Oliveira O silêncio da memória: A ausência da Idade Média Portuguesa nos livros didáticos brasileiros

Edison Cruxen Literatura e Comemorações: Representações sobre o Medievo Português no Brasil Contemporâneo

José Rivair Macedo Considerações acerca das noções de reminiscências medievais e Idade Média residual no Brasil

Leandro Duarte Rust Desventuras reformadoras: o Arcebispado de Braga e a construção da memória de um "antipapa" [transferido de dia 13]

Vânia Leite Fróes Parâmetros para uma politica de colaboração luso-brasileira na pesquisa e na escrita da história medieval

[Por motivos alheios à sua vontade, esteve ausente Neila Matias de Souza, que inscrevera a comunicação A Cavalaria na Península Ibérica do século XIII]

florao cinz NOTAS topo home
   
 

[1] Apresentadas alfabeticamente, estando primeiro as brasileiras e depois as portuguesas.

[2] A estas duas últimas instituições, parceiras portuguesas desde o primeiro momento, é justo endereçar uma palavra de agradecimento. Não menos justo é estendê-la a todas as outras, que logo aderiram com o maior entusiasmo, especialmente os Laboratórios, Programas de pós-graduação e colegas brasileiros, que custearam integralmente a deslocação a Portugal.

[5] O Encontro teve um site específico, www.portugalmedieval.com, onde foram fornecidas informações importantes, desde uma breve apresentação, a explanação da proposta do encontro e a sua programação completa – as mesas redondas e os respectivos autores, bem como anexos em PDF contendo o resumo de cada apresentação –, até a indicação das instituições envolvidas, as maneiras de contatar a organização e os mapas dos locais onde ocorreriam as apresentações. Em breve as informações passarão a estar disponíveis, também, no arquivo do site do IEM. A organização está a ponderar a reunião dos textos em actas, eventualmente sob formato electrónico.

[6] Mais informações sobre o Atelier no site http://iem.fcsh.unl.pt/organizar/workshops/fontes

[7] Site do DGARQ http://dgarq.gov.pt/

[8] Sobre o assunto cfr. Maria de Lurdes ROSA e André Luiz BERTOLI, “Medievalismos irmãos e (menos) estranhos? Para um reforço do diálogo entre as historiografias brasileira e portuguesa sobre Portugal Medieval”, Revista Portuguesa de História – t. XLI (2010) – pp. 247-289.

[9] Tema desenvolvido no artigo citado na nota anterior, com indicação de bibliografia de apoio.

florao cinz COMO CITAR ESTE ARTIGO topo home
   
 

Referência electrónica:

BERTOLI, André; ROSA, Maria de Lurdes – O encontro “Portugal Medieval visto do Brasil: Diálogos entre Medievalistas Lusófonos” (Lisboa, Coimbra, Sta. Maria da Feira, 12-14 Janeiro de 2012). Medievalista [Em linha]. Nº12, (Julho - Dezembro 2012). [Consultado dd.mm.aaaa]. Disponível em
http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA12\bertoli_rosa1212.html.

ISSN 1646-740X.

florao cinz   topo home