Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões

Responsável: Moisés Espírito Santo (Professor Catedrático)

 

I - OBJECTIVOS

Criado em 1991 por docentes e alunos do Mestrado de Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa. Promove a investigação nas áreas da Sociologia e da Etnologia das religiões, do sagrado, da laicidade e do abstencionismo religioso.

 

II - PROGRAMA DE INVESTIGAÇÃO

Reune docentes e antigos alunos que se constituem em grupos de investigação ou de divulgação. Os grupos são variados; uns interessam-se pelo património religioso tradicional (estudos etnológicos sobre cultos, mitos e santuários); organizam visitas de estudo e conferências nas escolas ou nos Centros culturais com o apoio das autarquias; outros grupos interessam-se pelas relações entre as religiões a vida cívico-política (exemplo: Religião e Maós (à parte um ou dois e excluindo as religiões tradicionais não-trinitárias reprimidas até ao anos 70) são tendências modernas cristãs, neo-protestantes ou evangélicas; longe de constituirem um eventual problema social ou político, essas tendências inscrevçonaria); outros, por um tipo de investigação bibliográfica (o esoterismo, o islão... ).

Os novos movimentos religiosos («seitas») referenciados na Europa suscitam especial interesse mas esses movimentos não existem em Portugal (interessa saber porquê). Os novos moviemntos que encontramos entre nem-se na continuidade da cultura cristã dos portugueses (por meio das variantes protestantes) mas - por aí se explicam as oposições - acusam uma importante ruptura civilizacional (ao nível da organização eclesiástica instituída); a única «perigosidade» (termo lançado contra esses grupos cristãos) é a pressentida contra a hegemonia da igreja católica que foi exclusivista até aos anos 70. Constatando-se que a «luta popular» (manifestada no Norte) contra esses grupos cristãos é conduzida pelos católicos, pelo Estado e pelas autarquias, entendemos que numa análise das situações - para não iludir a realidade, o dito e o não-dito - se deve pressupôr que a liberdade religiosa em Portugal é relativa e que a igualdade dos cidadãos religiosos perante a Lei (garantida na Constituição) é meramente teórica. A partir daí, a análise sociológica posiciona-se sobre dois planos: por um lado, a observação das práticas, tendências, anseios, abstenções, etc. significativas de mudança e, por outro, a atenção ao processo de exclusão, do medo, da intolerância e das representações negativas que as mudanças religiosas engendram, e que remetem para uma análise da personalidade de base da Cultura. A intolerância geral e a recusa do Estado em reconhecer a igualdade dos cidadãos religiosos são um pano de fundo que explica a fidelidade dos portugueses ao clero da Igreja de Roma. A Sociologia da Religião aponta para a Sociologia da Cultura de que a religião é um reflexo, entendida a «Cultura» como uma personalidade racional de base.

O Instituto organiza anualmente uma Semana de Estudos das Religiões que, em 1998 (a VIIIª) foi submetida ao tema «Milenarismos, escatologias e apocalipses no limiar do futuro». Estas Semanas, para as quais são convidados intervenientes de todos os quadrantes religiosos, têm a particulariade de reunir regularmente várias centenas de pessoas exteriores à Universidade que aqui vêem discutir os temas propostos.

Uma equipa tem-se encarregado de organizar uma Semana de Estudos sobre as relações entre a Religião e a Maçonaria; em 1998 teve lugar a IIª Semana de Estudos sobre o tema «Religião e ideal maçónico» com especialistas portugueses e estrangeiros, maçons e católicos ou protestantes, a qual interessou as várias tendências maçónicas (masculinas e femininas) cujos grão-mestres intervieram e animaram os debates.

 

III - PUBLICAÇÕES

Depois de 1991 o Instituto publica obras científicas sobre as religiões desde que encontre uma instituição, autarquia (ou um mecenas) para as financiar ou apoiar por meio de compra duma certa quantidade de livros uma vez que o Instituto não tem fins lucrativos. Publicou: Os Cristãos-Novos em Portugal por Samuel Schwarz,

Os Judeus de Belmonte - Os Caminhos da Memória por Maria Antonieta Garcia (tese de mestrado de Sociologia),

Religião e Ideal Maçónico por vários especialistas portugueses, espanhois e franceses (Actas da Iª Semana sobre Religião e ideal maçónico),

O Touro e o Destino por Fermando Teixeira (tese de mestrado de Sociologia),

Origens do Cristianismo Português precedido de A Deusa Síria de Luciano de Samoçata por Moisés Espírito Santo,

Dicionário Fenício-Português por Moisés Espírito Santo,

Tradições Religiosas entre o Tejo e o Sado - Os Círios do Santuário da Atalaia por Luis Marques,

Denúncias em Nome da Fé (Perseguição aos judeus da Beira entre 1607 e 1625) por Maria Antonieta Garcia,

Os Mouros Fatimidas e as Aparições de Fátima por Moisés Espírito Santo,

O Brasonário Português e a Cultura Hebraica por Moisés Espírito Santo.

No prelo: Judaismo Popular em Belmonte e a Ortodoxia - As funções das Mulheres por Maria Antonieta Garcia (Tese de doutoramento na UNL).

Estas obras constituem um bom apoio para os alunos da cadeira de Sociologia das Religiões (cadeira de opção do Departamento de Sociologia), do mestrado de Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa, do mestrado de Estudos Portugueses (Culturas Regionais) e da Pós-graduação em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso.

 

IV - OUTRAS ACTIVIDADES

Ensino opcional: anima desde 1991 uma Pós-graduação em «Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso» (anual, três horas semanais, horário pós-laboral) frequentada sobretudo por pessoas exteriores à Faculdade; o Instituto convida os especialistas em Sociologia das religiões para a formação complementar dos alunos. Em 1999 instalou um curso livre de «História e Doutrina do Esoterismo Ocidental» (trimestral, três horas semanais) sob a direcção do Prof. Doutor José Anes. O Instituto está atento a todas as propostas de reflexão sobre as religiões e a mudança religiosa.

 

V - FUNDOS BIBLIOGRÁFICOS

Possui um espólio bibliográfico que está à disposição dos investigadores nomeadamente sobre o islão e a teologia judaica que são áreas de documentação quase inexistentes nas bibliotecas públicas e universitárias.