Acções do Documento

Comida e Cultura: uma introdução à Antropologia da Alimentação

Início: 15 de julho

 

Objetivos

  • Introdução aos objetos de estudo e às metodologias da Antropologia da Alimentação;
  • Breve história do estudo das questões alimentares pela Antropologia, principais temas e autores;
  • Identificação de alguns temas centrais da Antropologia da Alimentação: identidade, pertença, memória, ritual e performance;
  • Introdução aos espaços e práticas da alimentação: o público e o privado, o local e o global;
  • A relevância da prática etnográfica para a Antropologia da Alimentação.

 

Programa

A alimentação tem sido um tema abordado pela Antropologia desde os primórdios da disciplina. Nas últimas décadas multiplicaram-se os estudos antropológicos sobre alimentação, nomeadamente de cariz etnográfico, explorando temas tão diversos como género, identidades, migrações, usos do passado, memória, património, turismo, classes, nação e globalização, contribuindo para a a afirmação deste campo de estudos. A diversidade deste corpus vem confimar que os consumos e as práticas alimentares são válidos e preciosos objectos de estudo para a Antropologia e constituem, acima de tudo, boas lentes de observação da realidade. O curso “Comida e Cultura: uma introdução à Antropologia da Alimentação” apresentado à Escola de Verão 2019 da NOVA FCSH propõe-se fazer um levantamento destas questões e enquadrá-las teoricamente à luz da Antropologia da Alimentação.


Sessão 1: Objetos de estudo e metodologias da Antropologia da Alimentação. A alimentação na História da Antropologia: principais autores e temas. (Joana Lucas)

Sessão 2: Tabus e interditos alimentares. O ritual, a religião e a alimentação. Identidade e diferença: género, classe e nação. (Joana Lucas)

Sessão 3: Estudo de caso I – Alimentação e memória: explorando discursos, incorporação, materialidade e afectos. (Inês Mestre)

Sessão 4: Estudo de caso II - Ideologias alimentares e dietas alternativas: a visão do mundo na macrobiótica. (Virgínia Henriques Calado)

Sessão 5: Estudo de caso III – Alimentação, património e turismo: a “Dieta Mediterrânica” em Tavira (Portugal) e Chefchaouen (Marrocos). (Joana Lucas)

 

Bibliografia

Mintz, Sidney (2001) “Comida e Antropologia – uma breve revisão”, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 16, nº 47, 31-41.

Calado, Virgínia H. 2015. «A macrobiótica:trajectos e trânsitos de um sistema de conhecimento» in A Proposta Macrobiótica de Experiência do Mundo. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.101-154.

Sobral, José Manuel (2007) “Nacionalismo, Culinária e Classe. A cozinha portuguesa da obscuridade à consagração (séculos XIX-XX)” Ruris, Vol.1, Nº2, pp.13-52.

Parzer, Michael; Astleithener, Franz; Rieder, Irene (2016) “Deliciously Exotic? Immigrant Grocery Shops and their Non-Migrant Clientele”, International Review of Social Research, Vol.6, Nº1, pp.26-34.

Gvion, Liora (2011) “Cooking, Food and Masculinity: Palestinian Men in Israeli Society”, Men and Masculinities, Vol.14, Nº4, pp.408-429.

___________________________________

Inês Mestre estudou Antropologia (NOVA FCSH) e Cinema Documental (Universidade Pompeu Fabra de Barcelona) e atualmente está a concluir o Doutoramento em Antropologia: Políticas e Imagens da Cultura e Museologia (NOVA FCSH e ISCTEIUL), com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desde 2012 realiza pesquisa na área da antropologia da alimentação; nesse âmbito, tem realizado algumas experiências metodológicas e produzido diversos materiais visuais. Em 2017 lecionou a cadeira de Atelier de Imagem no Departamento de Antropologia da NOVA FCSH. Integra o Núcleo de Antropologia Visual e da Arte do CRIA, dedicado ao desenvolvimento dos cruzamentos entre a antropologia e práticas artísticas.

Joana Lucas é doutorada em Antropologia (2014) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH) onde apresentou a tese “Entre o “céu e a areia”: turismo, viagens e expedições. Mapeando discursos e práticas sobre a Mauritânia”. É licenciada em Antropologia pela NOVA FCSH (2004) e Mestre em Antropologia: Multiculturalismo e Identidades (2009) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, com a dissertação: “Um serviço de chá e um kit GPS: reconfigurações identitárias e outros desafios entre os Imraguen da Mauritânia”. É investigadora integrada do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), e membro da linha temática “AZIMUTE Estudos em Contextos Árabes e Islâmicos”. Realizou trabalho de campo na Mauritânia (Parc National du Banc d'Arguin e Nouakchott) e Marrocos (Al Jadida e Chefchaouen).
Atualmente é Investigadora de Pós-Doutoramento (CRIA-NOVA FCSH, IDEMEC-MMSH), com uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no âmbito da qual desenvolve uma pesquisa sobre os efeitos da patrimonialização da “Dieta Mediterrânica” em Tavira (Portugal) e Chefchaouen (Marrocos). No ano letivo 2016/2017 foi docente da cadeira “Antropologia da Alimentação” na NOVA FCSH e, em 2017 e 2018 foi responsável pelas edições da Escola de Verão NOVA FCSH sobre Antropologia da Alimentação.

Virgínia Henriques Calado é Antropóloga, investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Doutorada em Antropologia Cultural e Social (2012) por esta universidade. Tem-se dedicado ao estudo de questões alimentares. Os seus trabalhos sobre propostas alternativas de alimentação (macrobiótica, em Portugal) e insegurança alimentar (Moçambique) permitem situar a sua pesquisa nas áreas da Antropologia da Alimentação e da Antropologia Médica. Interessa-se, entre outros assuntos, por sistemas de conhecimento e pela relação dinâmica destes com as práticas sociais; por questões relativas às escolhas alimentares; pelas relações entre alimentação e saúde; por políticas alimentares. É autora de várias publicações, destacando delas o livro A Proposta Macrobiótica de Experiência do Mundo (Imprensa de Ciências Sociais, 2015).

Topo da Página