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As Fronteiras da Amizade na Filosofia Antiga

Início: 8 de julho

Datas: 8 a 19 de julho | segundas,quartas e sextas feiras das 17h30 às 20h00

Sala 302 | Torre A | Piso 3

Docente Responsável: António Caeiro

Docentes: Hélder Telo

Áreas: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário

Aguarda Despacho do CCPFC

 

Objetivos

Este curso visa fomentar:

  • uma reflexão crítica sobre questões relativas à identidade pessoal, à ética e à política;
  • desenvolver competências de leitura e interpretação de textos filosóficos;
  • facultar conhecimentos culturais, linguísticos e terminológicos necessários para compreender textos filosóficos antigos;
  • oferecer uma introdução ao pensamento ético e político de Platão e de Aristóteles;
  • proporcionar uma compreensão do papel central que as conceções de amizade desempenham no pensamento ético e político destes autores;
  • promover uma discussão da relevância das conceções antigas de amizade para debates filosóficos e sociais contemporâneos.

 

Programa

Os textos de Platão e Aristóteles identificam e procuram definir diversas formas de amizade. O objetivo deste curso é determinar a relação entre essas formas de amizade e diferentes tipos de fronteiras. Mostrar-se-á que, segundo Platão e Aristóteles, a amizade é definida ou delimitada por fronteiras concretas (como a fronteira entre diferentes emoções, a fronteira entre indivíduos, a fronteira entre classes sociais ou a fronteira entre a comunidade política e o que está para lá dela) e considerar-se-á também a forma como a amizade permite esbater, superar ou reconfigurar fronteiras. Uma tal abordagem permitirá não só compreender melhor os modos de interação entre seres humanos, mas também repensar questões como as fronteiras da identidade pessoal ou as fronteiras sociais e políticas.

O curso terá seis sessões.

1ª Sessão: Estudo das tentativas de definir a amizade no “Lísis” de Platão (211d-223b). A definição como fronteira e as diferentes fronteiras associadas à amizade (semelhante/diferente, bom/mau/neutro, próprio/alheio, etc.).

2ª Sessão: O enamoramento (erôs) como forma de amizade no “Fedro” de Platão (244a-257a). O mito da queda das almas como explicação do enamoramento. As fronteiras entre si e o outro no quadro do “amor platónico”.

3ª Sessão: A definição da amizade no livro VIII da “Ética a Nicómaco” de Aristóteles. As fronteiras entre a amizade e emoções afins (benevolência, enamoramento, etc.). As fronteiras entre diferentes tipos de amizade.

4ª Sessão: A discussão da amizade perfeita no livro IX da “Ética a Nicómaco” de Aristóteles. As fronteiras entre si e o outro na amizade perfeita. O amigo como outro si. Os limites da amizade perfeita.

5ª Sessão: A amizade política no livro V da “República” de Platão. A pólis ideal e as suas fronteiras internas. A comunidade de bens, de cônjuges e de filhos como esforço de produzir a maior unificação possível. A  amizade política como “comunidade de prazer e de dor”.

6ª Sessão: A crítica a Platão no livro II da “Política” de Aristóteles. A importância da diversidade para evitar uma amizade “diluída”. A complexidade e os limites da amizade política segundo Aristóteles.

As sessões terão uma componente teórica de exposição de conteúdos e uma componente prática de leitura, análise e discussão das passagens mais relevantes.

 

Pré-Requisitos

Recomenda-se a leitura prévia dos textos que vão ser discutidos em cada sessão.

 

Bibliografia

D. CALUORI, “Friendship in Kallipolis”, in: IDEM (ed.), Thinking about Friendship: Historical and Contemporary Philosophical Perspectives, Basingstoke/New York, Palgrave Macmillan, 2013, 47–64.

E. LEONTSINI, “The Motive of Society: Aristotle on Civic Friendship, Justice, and Concord”, Res Publica 19 (2013), 21-35.

M. NICHOLS, Socrates on Friendship and Community: Reflections on Plato’s Symposium, Phaedrus and Lysis, Cambridge/etc., Cambridge University Press, 2009.

L. PANGLE, Aristotle and the Philosophy of Friendship, Cambridge, Cambridge University Press, 2003.

F. SHEFFIELD, “Beyond Eros: Plato on Friendship in the Phaedrus,” Proceedings of the Aristotelian Society 111 (2011), 251–73.

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António Caeiro

Hélder Telo doutorou-se em filosofia na Universidade Nova de Lisboa (2018) com uma tese sobre a crítica de Platão à vida nãoexaminada. Fez parte da sua investigação doutoral na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (onde integrou o grupo interdisciplinar SFB 1015 Muße/Otium) e no Boston College.
É membro integrado do IFILNOVA e membro colaborador de Instituto de Estudos Filosóficos (Universidade de Coimbra). Coeditou, juntamente com Mário Jorge de Carvalho e António Caeiro, o livro “In the Mirror of the Phaedrus” (Academia, 2013). Publicou textos e deu conferências sobre Platão, Aristóteles, Cícero, Séneca, Marco Aurélio, Fichte, Schelling, Heidegger e Scheler. A sua investigação foca-se em questões como o desejo de verdade, o cuidado, a amizade, o amor, a intersubjetividade e as emoções. Neste momento está a preparar um projeto de pesquisa pós-doutoral sobre o cuidado holístico de outros na filosofia antiga.

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