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A Shoah e o cinema: representar o irrepresentável

Início: 8 de julho

Datas: 8 a 17 de julho | segunda a sexta-feira das 17h00 às 20h00 | 17 de julho das 17h00 às 21h00

Docente Responsável: Paolo Stellino

Sala 312 | Torre A | Piso 3

Áreas: Comunicação, Política, Linguagem e Filosofia

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário

Formação geral e adequada (dimensão científica e pedagógica): Professores dos grupos 410 e 600.

 

Objetivos

  1. Compreender como o cinema (ficção e documentário) tem representado a Shoah.
  2. Compreender a importância do cinema para a preservação da memória histórica.
  3. Estimular uma reflexão crítica sobre os seguintes problemas (entre outros): é possível representar o irrepresentável? Qual é a forma mais adequada? Quais são os imperativos éticos que os realizadores devem respeitar? Qual é a importância de representar no cinema o tema da Shoah? Como constrói a linguagem cinematográfica uma memória histórica?
  4. Reforçar o conhecimento dos alunos sobre a Shoah.
  5. Estimular e melhorar a capacidade dos alunos para efetuar uma análise crítica fílmica.

 

Programa

Neste curso, propõe-se uma reflexão sobre a forma como o cinema (ficção e documentário) tem representado e interpretado um dos acontecimentos mais trágicos da história: a Shoah, o genocídio de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Após uma introdução, dedicada a contextualização histórica da Shoah (causas, etapas, consequências) e da pós-Shoah (julgamentos de Nuremberg, criação do Estado de Israel, julgamento de Eichmann), a atencão será focada sobre a representação ficcional e documental de este evento, desde o princípio até os últimos anos. Seguindo uma ordem cronológica e selecionando as obras consideradas como as mais relevantes entre aquilo que é de facto uma enorme producção cinematográfica, o trabalho do curso mostrará como a representação da Shoah evoluiu ao longo do tempo.

Particular atenção será dada aos aspetos mais problemáticos da representação cinematográfica da Shoah: é possível representar o irrepresentável? Qual é a forma mais adequada? Quais são os imperativos éticos que os realizadores devem respeitar? Qual é a importância de representar no cinema o tema da Shoah? Como constrói a linguagem cinematográfica uma memória histórica?

Entre outros, os alunos terão a possibilidade de analisar textos chave sobre o tema (como a crítica que Rivette formulou do travelling em Kapò de Pontecorvo) e ver, na totalidade ou em parte, os seguintes filmes (entre outros): O grande ditador (Charles Chaplin, 1940), Ser ou não ser (Ernst Lubitsch, 1942), Noite e nevoeiro (Alain Resnais, 1956), Kapò (Gillo Pontecorvo, 1960), Holocausto (Marvin J. Chomsky, 1978), Shoah (Claude Lanzmann, 1985), A lista de Schindler (Steven Spielberg, 1993), A vida é bela (Roberto Benigni, 1997), Trem da vida (Radu Mihaileanu, 1998), O pianista (Roman Polanski, 2002), Austerlitz (Sergei Loznitsa, 2016).

O curso acabará com uma reflexão crítica sobre a atualidade da Shoah, isto é, a possibilidade da sua repetição e o seu significado para nós.

 

Pré-Requisitos

Os alunos são encorajados a ter um conhecimento prévio de algum filme mencionado no programa do curso.


Bibliografia

ARENDT, H. (2003), Eichmann em Jerusalém: uma reportagem sobre a banalidade do mal. Coimbra: Tenacitas.

DANEY, S. (1992), “Le travelling de Kapò”, Trafic, no. 4, pp. 5-19.

LANZMANN, C. (1994), “Holocauste, la représentation impossible”, Le Monde, 03.03.1994.

RIVETTE, J. (1961), “De l’abjection”, Cahiers du Cinéma, vol. 120, pp. 54-55.

WIESEL, E. (1978), “Trivializing the Holocaust: Semi-Fact and Semi-Fiction”, New York Times, 16.04.1978.

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Paolo Stellino é investigador do Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA). Os seus domínios de interesse são a historia da filosofia, a ética e a filosofia do cinema.

É membro de vários grupos de investigação internacionais, assim como membro associado do “Centre d’Ethique Contemporaine” e do “Centre de Recherches Interdisciplinaires en Sciences Humaines et Sociales” (CRISES) da Universidade de Montpellier (Paul-Valéry Montpellier III).

É autor do livro “Nietzsche and Dostoevsky: On the Verge of Nihilism” (Peter Lang, 2015) e co-editor de vários livros, entre os quais, “Nietzsche et le relativisme” (Ousia, 2019). Tem publicado vários artigos em livros e em revistas internacionais. Atualmente é responsável do curso Filosofia e cinema (Mestrado em Estética e Estudos Artisticos) e co-organizador de um seminário mensal sobre o cinema de W. Herzog.

Curriculum vitae completo: http://fcsh-unl.academia.edu/PaoloStellino/CurriculumVitae

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