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A Filosofia como Arte da Vida: Perspetivas Antigas e Contemporâneas

Início: 8 de julho

Objetivos

  • Compreender a noção de "filosofia como modo de vida" e de "arte da vida";
  • Adquirir noções básicas sobre as filosofias desta tradição filosófica, nas suas versões antigas (Platão, Aristóteles, Estóicos e Epicuristas) e contemporâneas (Schopenhauer, Nietzsche, Kierkegaard, Foucault);
  • Desenvolver competências básicas de leitura, interpretação e discussão de textos filosóficos.

 

Programa

Segundo as interpretações influentes de Pierre Hadot e Michel Foucault, a filosofia terá surgido, nos seus primórdios, não como um corpo de conhecimentos teóricos, lógicos, abstratos, mas como uma atividade eminentemente prática, com um forte pendor existencial, cujo objetivo era a transformação do indivíduo por forma a alcançar a vida boa, completa, feliz. A filosofia era, assim, “um modo de existir no mundo" cujo objetivo era a transformação da própria vida, pelo que a filosofia não se distinguia da vida nem do caráter de quem a praticava, mas constituía-se, justamente, como um "modo de vida" ou uma "arte da vida". Apesar de particularmente característica da filosofia antiga, Hadot e Foucault sublinham a forma como ela foi  recuperada de diversas formas na filosofia moderna e contemporânea, encontrando expressões em Descartes, Espinosa, Schopenhauer e Nietzsche, entre outros. O curso dedicar-se-á ao estudo desta mesma tradição de pensamento, abrangendo tanto as suas versões antigas (Platão, Aristóteles, Estóicos, Epicuristas), como as versões contemporâneas (Schopenhauer, Nietzsche, Kierkegaard, Foucault). Procurar-se-á não apenas analisar esta conceção de filosofia no contraste com outras modalidades e especialmente no contraste com a filosofia académica atual, mas também os conteúdos dos “modos de vida” ou “artes da vida” propostos pelas várias filosofias, abordando questões como o alcance da felicidade ou plenitude, a posição do homem no cosmos e a sua relação com o destino, o controlo dos desejos e das emoções, o combate dos medos e a tranquilidade perante a morte, a relação do homem com a finitude e o sentido da existência, a liberdade de ação, e as possibilidades de individualidade, autenticidade e criação de si mesmo.

O curso terá uma componente teórica de exposição de conteúdos e uma componente prática, que consistirá na leitura, análise e discussão de passagens selecionadas das obras de Platão, Aristóteles, Epicuro, Epicteto, Séneca, Cícero, Lucrécio, Marco Aurélio, Schopenhauer, Nietzsche, Kierkegaard, Hadot e Foucault.

 

Bibliografia

ARISTÓTELES, Ética a Nicómaco, ed. A. Caeiro, Lisboa, Quetzal Editores, 2004.

BAILEY, C. (ed.), Epicurus: The Extant Remains, Hildelsheim, Georg Olms Verlag, 1989.

SÉNECA, L.A., Cartas a Lucílio, ed. J. A. S. Campos, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.

NIETZSCHE, F., Para a Genealogia da Moral, Lisboa, Relógio D

FOUCAULT, M., A hermenêutica do sujeito, São Paulo, Martins Fontes, 2006.

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Antonio Moretti doutorou-se em Ética e Filosofia da Pessoa na Università Vita-Salute San Raffaele, Milão, com uma tese intitulada “Governamentalità e verità. Uno studio sulla relazione di governo in Michel Foucault” (“Governamentalidade e verdade. Um estudo sobre a relação de governo em Michel Foucault”). Atualmente investiga a relevância da governamentalidade foucaultiana como ferramenta para lidar, por um lado, com a economia comportamental contemporânea, como a nudge theory de Sunstein e Thaler, e, por outro lado, com a atualização de uma arte da vida filosófica. É membro do CRISI (Centro di Ricerca Interdisciplinare di Storia delle Idee, San Raffaele – Milão) e colaborador do grupo de investigação Ars Vivendi (IFILNOVA –Lisboa).

Bartholomew Ryan é atualmente investigador e coordenador do CultureLab no Instituto de Filosofia da NOVA FCSH (IFILNOVA). Os seus trabalhos académicos e criativos orbitam ao redor dos motivos da ‘transformação’ e ‘pluralidade do sujeito’, que levam em conta as máscaras, viagens e (múltiplas) identidades que definem a condição humana moderna. Entre as suas várias publicações, incluem-se os livros Rostos do Si (co-editor, 2019), Nietzsche e Pessoa: Ensaios (co-editor, 2016), Nietzsche and the Problem of Subjectivity (co-editor, 2015), e Kierkegaard’s Indirect Politics: Interludes with Lukács, Schmitt,Benjamin and Adorno (autor, 2014). É formado pela Universidade de Aarhus, Dinamarca (PhD); University College, Dublin (MA) em Filosofia Europeia; e Trinity College, Dublin (BA) em Filosofia e Ciência Política. Foi professor no Bard College Berlin (2007-2011) e também ensinou em universidades no Brasil, Oxford, Aarhus, Dublin e Lisboa. É ainda líder e compositor no projeto músico internacional The Loafing Heroes.

Fábio Serranito completou o seu doutoramento em 2015, com uma tese sobre os conceitos de loucura e lucidez no Fedro de Platão. Especialista em filosofia antiga, o seu trabalho de investigação desenvolve-se sobretudo nas áreas da ética e antropologia filosófica, focando sobretudo os temas do cuidado, do amor e dos modos de vida e da interação entre filosofia e outros géneros literários como a tragédia e a poesia lírica, e disciplinas intelectuais antigas como a retórica e a sofística. Membro do IFILNOVA e do IEF (Universidade de Coimbra), é atualmente docente na Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Gianfranco Ferraro estudou em Itália e em França, e é atualmente investigador pós-doutoral no Instituto de Filosofia (IFILNOVA) da NOVA FCSH. O seu campo de investigação está direcionado, através da genealogia das “condutas de vida” e da utilização das noções de “vida outra” e de “conversão” em Foucault e em Hadot, para a genealogia do niilismo ocidental e a tradição utópica moderna.

Hélder Telo doutorou-se em filosofia na NOVA FCSH (2018) com uma tese sobre a crítica de Platão à vida não examinada. Fez parte da sua investigação doutoral na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (onde integrou o grupo interdisciplinar SFB 1015 Muße/Otium) e no Boston College. É membro integrado do IFILNOVA e membro colaborador de Instituto de Estudos Filosóficos (Universidade de Coimbra). Coeditou, juntamente com Mário Jorge de Carvalho e António Caeiro, o livro “In the Mirror of the Phaedrus” (Academia, 2013). Publicou textos e deu conferências sobre Platão, Aristóteles, Cícero, Séneca, Marco Aurélio, Fichte, Schelling, Heidegger e Scheler. A sua investigação foca-se em questões como o desejo de verdade, o cuidado, a amizade, o amor, a intersubjetividade e as emoções. Neste momento está a preparar um projeto de pesquisa pós-doutoral sobre o cuidado holístico de outros na filosofia antiga.

Luís de Sousa é investigador contratado do Instituto de Filosofia da Nova FCSH. A sua dissertação de doutoramento centrou-se no conceito de “sujeito” e “si próprio” na filosofia de Schopenhauer. Tem vários artigos publicados sobre Schopenhauer, Nietzsche e fenomenologia existencial. Atualmente encontra-se a terminar a edição de uma coleção de artigos sobre fenomenologia da intersubjetividade e valores bem como uma edição especial da revista Phainomenon, dedicada ao tema da imaginação na Fenomenologia e na Estética.

Marta Faustino estudou Ciências da Comunicação e Filosofia na NOVA FCSH. Doutorou-se em Filosofia, variante de Antropologia Filosófica, com a dissertação “Nietzsche e a Grande Saúde. Para uma Terapia da Terapia”, na mesma faculdade. É atualmente investigadora do IFILNOVA, onde coordena o grupo de investigação Ars Vivendi e desenvolve um projeto individual sobre a filosofia como modo de vida, com especial foco em Nietzsche, Hadot e Foucault. É autora de vários artigos e ensaios sobre Nietzsche, Foucault e os filósofos helenistas e coeditora de “Nietzsche e Pessoa: Ensaios” (Tinta-da-china, 2016) e “Rostos do Si: Autobiografia, Confissão, Terapia” (Vendaval, 2019). Leciona há vários anos sobre a temática do presente curso.

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