FE.CEM-UNL, Revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher.
(15)

Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
João Esteves

O Conselho é (...) o defensor de todas as mulheres que sofrem, e pretende a reforma das leis iníquas e desumanas que as mantêm num estado de inferioridade que humilha e revolta”.
                                                                                      Adelaide Cabete[1]

 Fundado em Março de 1914, sob a égide da médica ginecologista Adelaide Cabete (1867-1935), o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas tornou-se na mais importante e duradoura organização de mulheres da primeira metade do século XX português e foi a única a lograr perdurar para além do Armistício, mantendo actividade ininterrupta até 1947, quando as autoridades salazaristas determinaram o seu encerramento.

A primeira tentativa de se fundar em Portugal um Conselho terá surgido ainda na primeira década, quando Carolina Michaëlis de Vasconcelos apresentou à escritora Olga de Morais Sarmento a canadiana Mrs. Sânford, “vinda de longe, em viagem de propaganda, a fim de tentar a formação de um Conselho Nacional de Mulheres portuguesas dispostas a trabalharem energicamente a favor do Bem[2]. Num cartão, não datado, Carolina Michaëlis sugere-lhe que reunisse “em sua casa algumas senhoras que falam inglês - e que desejam colaborar no movimento feminista”, já que “prestava-nos, com certeza, um grande serviço”, podendo recorrer àquelas que constituíam a Liga Portuguesa da Paz. Tais diligências não tiveram consequências e só em 1914 é que ele se concretizaria, em resultado do empenho de Magalhães Lima, “grande republicano e incansável propagandista das ideias novas[3], e da feminista Adelaide Cabete.

Ramificação do International Council of Women, “esse simpático grupo, que tantos e tão relevantes serviços vem prestando à causa feminista no mundo inteiro[4], presidido pela Condessa de Aberdeen, e “talhado nos moldes daquela instituição, como, de resto, todos os Conselhos Nacionais dos diversos países[5], o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas foi reconhecido como sua secção em ofício datado de 30 de Maio de 1914. Procurava “reunir, numa grande associação, todas as agremiações e grupos femininos, que se encontram disseminados por todo o país[6], pondo termo ao “alheamento do mundo feminista internacional, em que permanecíamos[7] e que “humilhava-nos perante a civilização”[8].

A mobilização e implantação do Conselho na sociedade lisboeta foi lenta, talvez por constituir uma ruptura, tanto de liderança, como de organização, com os feminismos republicano e pacifista da primeira década do século XX. Partindo da premissa “que a libertação da mulher há-de ser obra da mesma mulher, porque é intuitivo e lógico que não hão-de ser aqueles que se encontram na posse de todos os privilégios e regalias, que se hão-de apressar a cedê-los espontaneamente[9], reclamava-se apolítico e arreligioso e tinha por principais objectivos a alteração da situação legal das mulheres na família e na sociedade; a abolição da regulamentação da prostituição; a melhoria da saúde pública; a defesa da higiene das grávidas e puérperas; a protecção das mulheres e crianças desfavorecidas e vítimas de maus tratos; e, num espírito internacionalista, integrar a sua luta na causa comum do progresso da humanidade. Segundo Adelaide Cabete, em entrevista dada no seu consultório e transcrita pelo jornal O Mundo em Maio de 1914, oito dias antes do reconhecimento internacional formal do Conselho, “todas as senhoras e colectividades femininas de Portugal dele podem fazer parte qualquer que seja a classe social a que pertençam, qualquer que seja a sua fé política ou credo religioso, por isso que o fim desta associação é, muito simplesmente, trabalhar pelo melhoramento civil, económico e moral da mulher em particular e da humanidade em geral, absolutamente afastada da luta das paixões[10], numa tentativa subtil, mas infrutífera, de se desmarcar do republicanismo associado às demais associações que a precederam e ao próprio percurso político da fundadora. O vocábulo “feminista” foi, igualmente, contornado.

A declarada neutralidade e abrangência, o apadrinhamento além-fronteiras e o facto de constituir, em 1914 e 1915, uma federação de quinze agremiações femininas que se ocupavam das mulheres e das crianças, na sua vertente profissional, assistencial e educativa - Associação das Alunas do Instituto Educação e Trabalho, Associação de Assistência Infantil da Paróquia Civil Camões, Associação dos Professores de Ensino Livre, Associação dos Professores do Instituto de Odivelas, Caixa de Auxílio aos Estudantes Pobres do Sexo Feminino, Grémio dos Professores Primários Oficiais, Grupo Balbina Brazão, Grupo Feminista Português, Liga Portuguesa da Moralidade Pública, Liga Portuguesa dos Educadores, Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (Núcleo do Porto), Recreatórios Post-Escolares, Sociedade Amigável Mariana Gasul, Tuna das Costureiras de Lisboa e União Amigável Maria Scintia[11] -, não foram suficientes para que o CNMP lograsse mobilizar durante parte da sua história número significativo de activistas, sobretudo quando comparado com a pujança e militância da Liga Republicana das Mulheres Republicanas entre 1908 e 1912.

As condições sociais e políticas não eram favoráveis a nova iniciativa no âmbito da defesa dos direitos das mulheres, continuando-se a fragmentar os esforços em detrimento duma acção concertada, e aqueles grupos eram pouco conhecidos, envolviam número restrito de mentoras, como beneméritas, professoras, escritoras, republicanas e feministas, ou gravitavam excessivamente em torno de Adelaide Cabete, como os associados ao Instituto Feminino de Educação e Trabalho, em Odivelas, onde leccionava Higiene e Puericultura e donde provieram professoras e alunas que ajudaram a sustentar na área educativa o projecto do Conselho, e o Grupo Balbina Brazão, certamente relacionado com Balbina dos Remédios Damas Brazão, mãe da médica e de Maria Brazão. Em Setembro de 1917, quando Maria Clara Alves assinou a representação ao Presidente Bernardino Machado pedindo clemência a favor de Maria Fermiana, “a desventurada rapariga que jaze, há quatro anos, nas inóspitas regiões africanas[12], incluindo-a no número dos indultos a conceder por ocasião do aniversário da implantação da República, o Conselho assumia-se como uma “federação de 16 associações e agrupamentos femininos[13], revelando incapacidade de fazer crescer o número de filiadas, apesar de aspirar “realizar a união de todos os agrupamentos [femininos], conservando a absoluta liberdade e autonomia de cada um[14]. Duas coisas essenciais se conseguiram: não mais se voltou a assistir a cisões no seio das feministas, que passaram a estar aglutinadas no Conselho e sob a direcção de uma só líder - a sua Presidente, o que sucedia pela primeira vez na história recente do pulverizado movimento feminista português; e proporcionou-se a afirmação de duas novas gerações de feministas, mais empenhadas na valorização e reconhecimento profissionais que, em condições políticas adversas, para não dizer muito difíceis, souberam dar continuidade às tradicionais reivindicações e alargá-las a novos públicos.

Apesar das dificuldades iniciais e do processo atribulado e arbitrário que constituiu a sua proibição e encerramento, o historial do Conselho foi ímpar, não só pela invulgar duração, parte dela sob um regime ditatorial, como abarcou gerações diferentes de sócias, a maioria republicana, maçónica e oposicionista ao Estado Novo, sendo de assinalar dois períodos áureos nos 33 anos de existência. O primeiro, correspondeu à década de 20, com a participação em Congressos Internacionais em 1923 e 1925; a realização, em 1924 e 1928, de Congressos Feministas e de Educação; a colaboração nos Congressos Abolicionistas de 1924 e 1929, organizados pela Liga Portuguesa Abolicionista de Arnaldo Brazão; e a adesão de universitárias e recém-licenciadas em Direito, Medicina e Letras. O segundo, abarcou os últimos anos do Conselho, quando Maria Lamas passou a presidir à Direcção, eleita em Julho de 1945: houve, então, o acentuar das preocupações com o analfabetismo feminino e a situação profissional, económica e cultural das mulheres de todas as condições sociais[15] e, de novo, uma crescente mobilização de recém-licenciadas e universitárias de Lisboa, Porto e Coimbra em torno do CNMP, com a criação de delegações na província, nomeadamente em Coimbra e na Figueira da Foz, “lançadas especialmente por mulheres da burguesia, estudantes e intelectuais, o que se compreende conhecendo-se o nível de analfabetismo integral ou funcional da maioria das mulheres portuguesas desse tempo[16].

Se a década de 10 correspondeu ao período de estruturação e implantação do CNMP, procurando-se, em simultâneo, estabelecer contactos regulares com organizações e dirigentes estrangeiras através de correspondência - embora se continue a desconhecer o seu paradeiro nos arquivos consultados -, os anos 20 foram marcados pelos Congressos Feministas e de Educação de 1924 e 1928, com reconhecimento na imprensa e projecção internacional, decorrendo, no mesmo período, dois Congressos Abolicionistas, onde intervieram as principais  dirigentes daquela agremiação.

Ainda em 1923, tentou relançar a ideia das Ligas de Bondade, iniciativa que o Grémio Carolina Ângelo tinha tentado implementar em 1917, sob a orientação de Ana de Castro Osório e de sócias da Associação de Propaganda Feminista. O objectivo era o mesmo - ensinar as crianças a respeitar os outros e a praticar diariamente actos de Altruísmo e Bondade -, a sede funcionava nas instalações do Conselho, na Praça dos Restauradores, n.º 13, e a comissão directora era composta por Maria O’Neill (Presidente), Berta Garção (Secretária-Geral), Arnaldo Brazão (Secretário do Interior), Sara Serzedelo Schultz Correia (Secretária do Exterior); Dinah Santos Lima (Tesoureira); Regina Santos, Angélica Porto, Coronel Oscar Cybmas e Tenente-Coronel David Branquinho (Vogais)[17].

No ano seguinte, de forma a comemorar o décimo aniversário do CNMP, decorreu em Maio[18] o Primeiro Congresso, que teve a presidir à sessão inaugural o Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, e contou com a participação de individualidades políticas, como Bernardino Machado, Magalhães Lima e Abranches Ferrão, e associativas[19] - esta reunião magna mereceu um Seminário Evocativo de três dias, realizado em Maio de 2004, por ocasião do octogésimo aniversário, e cujas Actas, intituladas “Feminismos 80 anos depois”, estão em vias de publicação. O Congresso seguinte teve lugar quatro anos depois, em Junho de 1928[20], e coube à jovem Elina Guimarães a responsabilidade da abertura solene da reunião, na presença de dirigentes de organizações de mulheres doutros países, nomeadamente Elisa Soriano, presidente do Conselho Nacional das Mulheres Espanholas, que também discursou. Os Congressos Abolicionistas, influenciados pelo pensamento de Josefina Butler e promovidos pela Liga Portuguesa Abolicionista em 1926[21] e 1929[22], também não podem ser dissociados do CNMP, sendo várias as Teses apresentadas e defendidas pelas suas dirigentes, até porque o combate à prostituição e sua regulamentação pelo Estado eram considerados uma prioridade da luta das feministas portuguesas.

 

Quadro I – Relatoras aos Congressos Feministas e Abolicionistas

Autora

Tese/Ano

Adelaide Cabete [5 Teses]

“A luta antialcoólica nas escolas” (1924); “Protecção à mulher grávida e à criança” (1924); “Polícia feminina” (1926); “O ensino da puericultura na escola infantil” (1928); “A Eugénica e a eugenética” (1929).

Albertina Gamboa [2]

“A mulher como educadora” (1924); “Pornografia” (1926).

Angélica Porto [4]

“Assistência às delinquentes” (1924); “Memória da Secção de Moral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas” (1926); “A acção moral do trabalho” (1928); “A valorização do trabalho feminino” (1929).

Aurora Teixeira de Castro [4]

“Reivindicações políticas da mulher portuguesa” (1924); “Situação da mulher casada nas relações matrimoniais dos bens do casal” (1924); “Idades legais da mulher” (1926); “Reivindicações feministas” (1928).

Beatriz Teixeira de Magalhães [1]

“Leituras e bibliotecas infantis” (1928).

Delfina Serrão [1]

“A coeducação como agente preventivo da prostituição” (1926).

Deolinda Lopes Vieira [2]

“Educação de anormais” (1924); “Escola única” (1928).

Domingas Lazary Amaral [1]

“Educação dos indígenas nas colónias e suas vantagens” (1924).

Elina Guimarães [2]

“Protecção à mulher trabalhadora” (1928); “Da situação da mulher profissional no casamento” (1928).

Ilda Pinto de Lima [1]

“Bibliotecas infantis” (1924).

Júlia Antunes Franco [1]

“A mulher como valor social” (1928).

Julieta Ribeiro [1]

“A mulher naturista” (1924).

Manuela Palma Carlos [1]

“Coeducação” (1928).

Maria Isabel Correia Manso [1]

“A mulher na administração dos municípios” (1924).

Maria O’Neill [5]

“Assistência e trabalho” (1924); “As Ligas de Bondade” (1924); “A escravatura feminina” (1926); “O voto às mulheres” (1928); “A causa primordial do não-abolicionismo” (1929).

Paulina Luisi [1]

“Educação sexual” (1924).

Regina do Carmo [1]

“Escolas ao ar livre” (1924).

Sara Beirão [1]

“A mulher portuguesa no comércio” (1928).

Vitória Pais Madeira [2]

“A influência dos espectáculos públicos na educação” (1924); “Moral única” (1926).


Ao todo, foram relatoras nos quatro Congressos 19 mulheres, com 37 Teses diferentes, as quais reflectiam as temáticas dominantes do discurso feminista de então (Quadro I). De todas as intervenientes, apenas três - Adelaide Cabete, Angélica Porto e Maria O’Neill - participaram no conjunto dos eventos, totalizando 14 textos. Notória é a ausência de Ana de Castro Osório, dedicada exclusivamente à escrita e à Cruzada das Mulheres Portuguesas, e de Maria Veleda, que continuava fiel aos seus princípios, na discussão de temas que durante muito tempo tinham sido objecto das suas reflexões e intervenções públicas.

As relatoras incluíram 1 doméstica (Angélica Porto), 1 estudante (Manuela Palma Carlos), 2 médicas (Adelaide Cabete, Paulina Luisi), 2 escritoras (Maria O’Neill, Sara Beirão), 2 advogadas (Aurora Teixeira de Castro, Elina Guimarães), 2 sem profissão (Julieta Ribeiro, Maria Isabel Correia Manso) e 9 professoras (Albertina Gamboa, Beatriz Teixeira de Magalhães, Delfina Serrão, Deolinda Lopes Vieira, Domingas Lazary Amaral, Ilda Pinto de Lima, Júlia Franco, Regina do Carmo, Vitória Pais Madeira): sobressaíram as intervenções destas, envolvendo diferentes níveis de ensino, desde o infantil, ao primário e liceal, até porque desde há muito se preocupavam com a situação das mulheres e procuravam resolver, com a colaboração do poder político, as questões que mais as afligiam ao nível da instrução, da prostituição, da protecção das crianças abandonadas e das campanhas antialcoólicas, a que se acrescentava a persistente reivindicação do sufrágio feminino[23].

A mesma década foi simultaneamente marcada pela estreia de Adelaide Cabete, enquanto Presidente do CNMP, em Congressos Internacionais de Mulheres (1923 - Roma, 1925 - Washington). Só em 1923, no Congresso organizado pela International Woman Suffrage Alliance e cujo discurso inaugural coube a Benito Mussolini, é que as portuguesas estiveram pela primeira vez presentes. Aproveitando o facto do Governo ter sido convidado a fazer-se representar, e depois de negociações com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Domingos Pereira, a escolha do CNMP recaiu naturalmente sobre Adelaide Cabete que, sem encargos para o Estado, aceitou a missão:

É significativo o gesto do governo português, nomeando uma senhora para o representar num congresso feminista, como significativo é também Portugal ter-se feito representar nessa assembleia internacional. Pela primeira o nosso país tomou parte, oficialmente, num congresso feminista, pela primeira vez, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas se fez representar por uma delegada portuguesa e pela primeira vez, segundo cremos, uma senhora portuguesa tomou parte numa reunião internacional feminista.[24]

Independentemente da posição assumida pelo governo, o CNMP já tinha decidido comparecer à reunião, para a qual tinha sido igualmente solicitada a sua presença, tendo em vista que “algum resultado benéfico para a vida interna do Conselho advirá desta sua representação[25]. A médica fez-se acompanhar pelo sobrinho, o advogado Arnaldo Brazão, transformado numa espécie de secretário particular, fruto da convivência consolidada por laços de parentesco e de comunhão de ideias. No discurso então pronunciado, Adelaide Cabete considerou que as “reivindicações das mulheres em Portugal, devem resumir-se, quase exclusivamente, ao sufrágio porque os seus direitos civis são mais avançados que em outros países[26], embora no relatório endossado ao Governo, expusesse de forma mais desenvolvida as suas exigências. Como já se tinham obtido as Leis do divórcio, da investigação da paternidade e da família, faltaria alcançar a igualdade política, consubstanciada na obtenção do direito de voto, partindo-se da constatação que nos países onde a mulher era eleitora e elegível haviam-se registado progressos assinaláveis. Também abordou a educação sexual, questão bem actual, e a protecção do contágio das doenças venéreas, tendo sido decidido combater a ignorância que afectava as adolescentes e que aquela fizesse parte dos programas de pedagogia das Escolas Normais.

No mesmo período, e devido ao sucesso alcançado em Roma, o Conselho deliberou ultimar esforços para que uma delegada voltasse a estar presente no Congresso de 1925, a decorrer na América do Norte, o que sucedeu: Adelaide Cabete participou no Congresso realizado em Washington[27] pela International Council of Women, onde pugnou pelo acesso das mulheres às mais altas funções administrativas dentro do ensino, reivindicando o direito de poderem desempenhar o cargo de inspectora escolar, porque já exerciam a profissão de professora em todos os graus de ensino, desde o infantil até ao superior. Defendeu, ainda, a criação de uma polícia feminina em Portugal, não com a finalidade de manter a ordem pública, mas como medida para intensificar a assistência moral, social e educativa às mulheres e às crianças.

Em ambos os casos, entregou importantes relatórios aos responsáveis políticos que a tinham nomeado. Novamente indigitada para participar, em 1926, no Congresso de Paris, promovido pela IWSA, parece não ter comparecido, coincidindo o encontro com o Golpe Militar de 28 de Maio.

Anteriormente, o Conselho já se tinha feito representar por Avril de Sainte-Croix (1914, 1922), Secretária-Geral do Conseil National des Femmes Françaises, e pela uruguaia Paulina Luisi (1920) em reuniões internacionais. Médica e feminista, presidente do Conselho Nacional das Mulheres do Uruguai[28], Paulina Luisi manteve estreita colaboração com o CNMP, tendo-o representado nos Congressos realizados em 1920 pelas duas federações internacionais de mulheres. O primeiro decorreu em Junho, em Genebra, sob a responsabilidade da IWSA, enquanto o segundo teve lugar três meses depois, em Cristiânia (Oslo), promovido pela ICW. Apesar de ter sido “instantemente solicitada a comparência do Conselho[29] nesta última reunião, assim como dum representante do governo português, tal não foi possível, devido, segundo explicação de Maria Clara Correia Alves, à “grande elevação dos câmbios[30], deliberando a direcção, em reunião de Abril, convidar a sócia honorária Paulina Luisi para a representar. Além do mais, esta uruguaia passou diversas vezes por Portugal, estabeleceu relações pessoais e institucionais com as feministas e participou em iniciativas do CNMP: a convite da sua Comissão de Educação, proferiu, em 9 de Abril de 1920, no salão nobre da Associação dos Lojistas de Lisboa, uma conferência onde defendeu o direito de voto, por ser “uma arma defensiva dos direitos e interesses de cada cidadão” e dar “o poder suficiente para pedir e ser ouvido e a mulher não tem sido ouvida[31]; regressou ao país no ano seguinte, onde permaneceu entre Março e Maio, período durante o qual “realizou várias conferências sobre Feminismo e Abolicionismo, sempre brilhantes e muito concorridas[32].

A revista Alma Feminina incluiu o seu retrato na galeria de “Feministas Ilustres” (1921) e data de então a iniciação na maçonaria portuguesa: integrou as Lojas Humanidade do Grande Oriente Lusitano Unido e Humanidade do Direito Humano, com o nome simbólico de Marie Deraismes[33]. Em 1922, e quando se deslocava a mais uma reunião internacional na Europa, desta vez à Comissão do “tráfico de brancas” da Liga das Nações, visitou Portugal pelo terceiro ano consecutivo, disso dando conta a Alma Feminina, honrada com a presença da “sócia honorária do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas[34] - talvez fosse o facto de viajar como representante do seu governo que tenha contribuído para que se adoptasse idêntica solução para Portugal.

O relacionamento com a médica sul-americana perdurou e, em 1928, aquando do Segundo Congresso Feminista e de Educação, foi entrevistada pelo periódico A Notícia[35]. Desconhece-se como e quando surgiu a aproximação às feministas portuguesas, já que Maria Veleda, nas suas “Memórias”, também evocou o convívio que manteve com a médica, o que faz crer que poderia datar da década de 10, tendo esta ofertado-lhe alguns dos seus trabalhos “com amáveis dedicatórias[36].

Não por acaso, foi durante essa década que se filiaram activistas com militância anterior noutras agremiações, como Aurora Teixeira de Castro, Delfina Serrão, Deolinda Lopes Vieira, Júlia Antunes Franco, Maria O’Neill, Maria Manuela Cândido, Mariana da Assunção da Silva e Sara Beirão, a que se juntaram estudantes universitárias e licenciadas, por influência directa de Adelaide Cabete e de Elina Guimarães: Alexandra de Carvalho Araújo, Nídia Neto Ferreira, Tetralda Teixeira de Lemos (estudantes de Direito); Carmen Marques, Elina Guimarães, Laura de Castro Corte-Real, Maria Amélia Teixeira de Matos (advogadas); Branca Lopes, Célia de Almeida Leite, Cristina da Cunha, Eufrasinda Teixeira (médicas); Branca de Gonta Colaço e Teresa Leitão de Barros (escritoras). Algumas pertenciam à maçonaria e integravam a Loja Humanidade do Direito Humano (mista). Aliás, praticamente todas as mulheres dessa Loja foram activistas do CNMP e, em muitos casos, deu-se primeiro a sua iniciação na Maçonaria e depois, no mesmo ano ou no seguinte, surgiram a desempenhar cargos directivos no Conselho: até 1926-1928, a Loja Humanidade do Direito Humano parece ser o local privilegiado de recrutamento das dirigentes da agremiação.

Pode-se, por isso, considerar esses anos como os mais importantes do feminismo português. Foi ainda nos anos 20 que nasceram muitas daquelas que, na década de 40, aderiram ao CNMP e integraram os núcleos de Vila da Feira, Porto, Coimbra, Figueira da Foz e Lisboa, entre outros espalhados pelo país, assim como data de 1925 a iniciação de Elina Guimarães na longa militância pelos direitos das mulheres, nunca abdicando até morrer, em 1991, de se assumir orgulhosamente como feminista e guardiã desse património emancipador[37].

Os anos 20 terminaram com a partida de Adelaide Cabete para Angola, onde plebiscitou a Constituição de 1933, “sem consciência do que politicamente estava em causa”[38], e a década de 30 começou com a realização, em Lisboa, da Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de carácter literário, artístico e científico, por iniciativa de Maria Lamas e com o apoio do jornal O Século. Tratou-se de um acontecimento cultural invulgar pela diversidade do acervo artístico, literário e científico exposto, desde o Renascimento até àquela data, por envolver mulheres de todas as profissões e das diferentes regiões do país, desde artesãs a intelectuais, e pela afluência de público[39]: só na secção destinada à bibliografia feminina expuseram-se centenas de obras de temática variada, desde a literatura a livros técnicos, sendo perceptível que muitas eram da autoria de nomes associados à construção do movimento feminista ou que, pontualmente, com ele tinham colaborado e perfilhado iniciativas.

No entanto, foi durante estes mesmos anos que o CNMP enfrentou as maiores dificuldades, resultado das radicais alterações políticas surgidas com a Ditadura Militar e o Estado Novo. Em Outubro de 1931, participou, através de Deolinda Lopes Vieira, que era membro da Comissão de Educação, no Congresso Internacional de Protecção à Infância[40], mas o escasso número de activistas restringiu as iniciativas à edição irregular da Alma Feminina e à defesa da Paz. O próprio surgimento de agremiações femininas associadas ao Estado Novo, como a Obra das Mães para a Educação Nacional (1936) e a Mocidade Portuguesa Feminina (1937), ou mesmo a criação da Juventude Independente Católica Feminina (1934), condicionou a actuação do Conselho, procurando esvaziá-lo dos seus objectivos, já que o Estado passaria a dispor de estruturas que “velariam” pelas mulheres portuguesas, nomeadamente quanto à sua pretensa missão de esposas e mães.

Com o fim da II Guerra, e o desenlace favorável aos Aliados, o CNMP retomou uma postura mais combativa e entrou no último, e bastante dinâmico, ciclo da sua vida, patente na eleição, em 11 de Julho de 1945, de novos Corpos Gerentes compostos por dezenas de sócias e de Maria Lamas para Presidente da Direcção[41]. A revitalização do Conselho traduziu-se na criação de delegações em várias cidades, com destaque para Coimbra, onde um grupo de 113 mulheres se dirigiu a Maria Lamas para que fosse criada uma no Centro do País, com sede naquela cidade[42], e outras 14 mulheres da Figueira da Foz subscreveram um abaixo-assinado para a criação de um núcleo naquela localidade, como consta de documentação gentilmente enviada por Natividade Correia ao autor[43].

Entre outras iniciativas, em Janeiro de 1946 enviou uma representação ao Presidente do Conselho de Administração da C.C.F.P., onde a agremiação se solidariza com “a pretensão apresentada a V. Ex.ª pelas empregadas dos escritórios dos Serviços Centrais da Companhia dos C.F.P. no sentido de lhes ser mantida esta classificação e assim acompanharem, em igualdade, quer de categoria, quer de vencimento, os seus colegas, visto serem iguais o trabalho e as responsabilidades que lhes cabem”; em Abril, editou o n.º 1 do Boletim da Biblioteca do CNMP, de forma a divulgar entre as sócias o crescente acervo bibliográfico de que dispunha; e, em Dezembro, o título do seu órgão alterou-se de Alma Feminina para A Mulher, por corresponder “melhor à índole da publicação e aos fins que nos propomos”[44]. Na senda do combate permanente em torno do voto, apresentou na Assembleia Nacional um projecto pedindo o alargamento da lei eleitoral, que foi apreciado por aquela Câmara e exarado no Diário das Sessões[45]. Finalmente, em Janeiro de 1947, organizou, na Sociedade Nacional de Belas Artes, a Exposição de Livros Escritos por Mulheres de todo o Mundo e, a par da exibição de cerca de 3.000 livros de 29 países[46], abrangendo todos os géneros, decorreram serões culturais, constituídos por palestras e passagem de filmes.

Escassos meses depois, em 28 de Junho, e na sequência do sucesso deste evento, da crescente influência do CNMP junto das mulheres, palpável através do gradual aumento de adesões um pouco por todo o país, e do dinamismo da sua intervenção cívica, o Estado Novo decidiu proibi-lo: por detrás desta decisão estava a participação de dirigentes e sócias em actividades da oposição democrática. Maria Lamas ficou então desempregada: forçada a optar, pelo director de O Século, João Pereira da Rosa, entre o Conselho e a revista Modas e Bordados, onde era “muito bem remunerada”, recusou-se a abandonar aquele e foi dispensada após vinte anos de trabalho contínuo de direcção (1928-1947). Pouco tempo depois acabavam com o Conselho.

De certa forma, a Associação Feminina Portuguesa para a Paz tentou, até 1952, quando também foi proibida, continuar o trabalho desenvolvido pelo CNMP, havendo não só muitas sócias comuns, como o respectivo Boletim dava continuidade às aspirações emancipadoras da mulher.

Tal como outras organizações similares, o Conselho dependeu da estabilidade e personalidade das suas líderes, destacando-se a omnipresente Adelaide Cabete, que o conduziu ininterruptamente durante mais de duas décadas, até 1935, quando faleceu, e Maria Lamas, que o dirigiu de 1945 a 1947. Entre 1936 e 1944, houve duas outras presidentes da direcção - Sara Beirão (1936-1941) e Isabel Cohen von Bonhorst (1942-1944) -, mas sem o mesmo carisma e dinamismo, até porque se vivia a consolidação do regime autoritário e a formação de organizações femininas salazaristas que pretendiam esvaziar a capacidade combativa e aglutinadora do Conselho e da AFPP junto de sectores intelectuais e estudantis oposicionistas. Por três vezes, o Conselho teve uma Presidente-Honorária: em 1914, a distinção coube à professora universitária Carolina Michaëlis de Vasconcelos; em 1937, a honra recaiu sobre a doméstica Angélica Porto; e em 1942 foi a vez da escritora Sara Beirão ver o seu trabalho reconhecido com tal atribuição simbólica. As duas últimas já tinham militado na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, Sara Beirão ainda durante a Monarquia, quando vivia em Tábua. Na primeira fase da agremiação houve o cargo de Secretária-Geral, exercido por Maria Clara Correia Alves entre 1914 e 1919, e que terá tido mais influência e visibilidade em termos organizativos e na imprensa do que a própria Presidente ao revelar-se como a principal ideóloga e ao dirigir o Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1916) e a revista Alma Feminina (1917-1919). Responsável por parte dos editoriais, assinou também artigos sob o pseudónimo de Isabel de Malta.

As Vice-Presidente foram diversas, havendo nalgumas direcções mais do que uma sócia a desempenhar o cargo: Camila de Sousa Lopes (1914); Claudina de Almeida (1915-1919); Persina Augusta Barros Vasconcelos (1920); Maria Clara Correia Alves (1921); Maria Emília Baptista Ferreira (1917, 1922-1923); Maria da Luz Pereira e Silva (1921-1923, 1925); Aurora Teixeira de Castro (1926-1927); Berta Garção (1928); Elina Guimarães (1928, 1929, 1931); Angélica Lopes Viana Porto (1929, 1931-1936); Sara Beirão (1931-1934, 1943-1945); Isabel Cohen von Bonhorst (1937-1941); e Manuela Porto (1946). Da mesma formas a presidência da Mesa da Assembleia Geral sofreu inevitáveis alterações: Regina Quintanilha (1917); Maria Emília Baptista Ferreira (1920); Persina Augusta Barros Vasconcelos (1921-1922); Vitória Pais Madeira Freire de Andrade (1923, 1925); Berta Garção (1926-1927); Sara Beirão (1929-1930); Cipriana Nogueira (1931); Teresa Leitão de Barros (1928, 1932-1945); e Isabel Cohen von Bonhorst (1946).

A adesão às propostas e suas iniciativas não foi uniforme ao longo dos anos, assim como se verificaram mudanças quanto às motivações das sócias, embora, pelo tipo de adesões, seja possível identificá-lo como uma organização composta, num primeiro momento, por republicanas e maçónicas e, na fase final, por oposicionistas ao salazarismo: muitos foram os nomes que se evidenciaram nesse combate, aproveitando o estatuto legal da organização. A década de 30 foi aquela que terá correspondido ao período mais ambíguo da organização, quando Adelaide Cabete estava em África e o Conselho era dirigido por nomes ligados às letras, como Sara Beirão ou Teresa Leitão de Barros. É de referir o papel desempenhado desde sempre pela professora Mariana da Assunção da Silva, já idosa e activista republicana desde os tempos da Monarquia, que mereceu uma referência especial na assembleia geral de 25 de Junho de 1946, a última a poder-se realizar, porque “tesoureira há mais de vinte e cinco anos, foi excelente cumpridora das suas funções e ajudou a manter o Conselho durante os anos em que ele quase estagnou, período difícil que houve de atravessar e de que estamos agora procurando recompor-nos[47].

De entre as centenas de sócias identificadas a partir da imprensa do CNMP, mais precisamente 632, cujos nomes se apresentam no Quadro III, cerca de duas centenas inscreveram-se até ao fim dos anos 20, 91 ter-se-ão filiado na década de 30 e mais de metade (320) aderiu na década de quarenta, com especial incidência nos anos de 1940 (57), 1945 (116) e 1946 (128). Os nomes de 1940 referem-se, maioritariamente, ao núcleo de Santa Maria da Feira, dinamizado pela jornalista Maria da Luz Albuquerque[48], os de 1945 provêm de Lisboa[49], quando ainda se festejava o fim da Guerra e se mantinha a esperança de mudança de regime, e os do ano seguinte correspondem às cidades de Coimbra[50] e da Figueira da Foz. Desconhecem-se, por exemplo, as sócias do Porto, que deviam ser numerosas atendendo à pujança do respectivo núcleo da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com centenas de activistas, como foi demonstrado por Lúcia Serralheiro[51].

Quadro II - Secções do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1917-1947)

Secções

Anos

Presidentes Identificadas

- Beneficência

1917-1927

Cândida de Aguilar Santos; Maria João Luna Camarate; Amélia Trigueiros; Bárbara R. Carvalho Pereira; Mariana da A. da Silva

- Propaganda

 

- Propaganda e Biblioteca

- Biblioteca

- Bibliotecária

1917-1920; 1922-1923; 1925-1926; 1932-1934; 1936-1937; 1939-1946

Vitória Baptista de Sousa Ribeiro Gomes; Albertina Rua de Gamboa; Maria Alice Lamy; Eugénia Ochôa; Alda Maia Henriques

1938

Margarida de Oliveira

1922-1924

Ema Paiva Rua

1939

Margarida de Oliveira

- Jornalística

- Imprensa

1917-1921

Maria Clara Correia Alves; Adelaide Cabete

1922-1929; 1931; 1933-1934

Adelaide Cabete

 

- Educação

 

- Educação e Propaganda

- Educação Geral

- Educação Infantil

1920; 1922-1926; 1931;

1933-1934; 1936-1945

Albertina Rua de Gamboa; Deolinda Lopes Vieira; Teresa Leitão de Barros; Maria Ermelinda Stuart Gomes; Maria Lamas; Maria Lívia Battaglia Ramos Lopes da Silva; Rita Silva

1921

 

1927-1929

Teresa Leitão de Barros

1927-1929

Deolinda Lopes Vieira

- Trabalho e Assistência Social

- Assistência Social

- Assistência

- Trabalho

1921

Maria O’Neill

1922-1934

Maria O’Neill

1938-1946

Viscondessa de Olivã; Maria Gertrudes Amarante

1936-1938

Maria Gertrudes Amarante; Cândida de Sousa Madeira Pinto

- Emigração

 

- Emigração e Imigração

1922-1924; 1927-1929; 1931-1934

Aurora Teixeira de Castro; Rosalina Simões; Laura Côrte Real; Alexandra Carvalho Araújo; Eugénia Ochôa 

1925-1926

Rosalina Simões

- Finanças

1922-1923; 1925-1929; 1931-1934

Elisa dos Santos Lima; Maria Amélia de Matos; Maria Leonarda Costa

- Higiene

1922-1929; 1931-1934; 1936-1945

Branca Lopes; Célia de Almeida Leite; Cristina da Cunha; Noémia Neto Ferreira;

- Legislação

- Jurídica

1922-1928; 1932-1934

Aurora Teixeira de Castro; Laura Côrte Real; Elina Guimarães

1938-1946

Elina Guimarães

- Moral

1922-1929; 1931-1934; 1936-1938

Angélica Porto; Maria Lívia Ramos Lopes da Silva; Beatriz Arnut

- Paz e Arbitragem

1922-1925; 1927-1929;

1931-1934; 1936-1945

Vitória Pais Madeira; Adelaide Ferreira de Carvalho; Fábia Ochôa Arez; Adelaide Cabete; Branca de Gonta Colaço; Isabel Bonhorst; Beatriz Arnut; Filomena Vieira da Rocha

- Sufrágio

1922-1929; 1931-1934

Fábia Ochôa Arez; Vitória Pais Madeira; Sara Beirão; Aurora Teixeira de Castro; Elina Guimarães

- Arte

1932-1934; 1936-1945

Abigail Paiva Cruz; Branca de Gonta Colaço; Eduarda Lapa

- Literatura

1939-1943

Maria Lamas

 O CNMP estava organizado em várias Comissões ou Secções (Quadro II), cada uma delas subordinada a uma temática e com uma presidente de perfil adequado aos assuntos em questão: procurava-se estar mais próximo das sócias e dos problemas das mulheres e potenciar a actuação. As primeiras surgiram em 1917 – Beneficência, Propaganda e Jornalística –, a maioria data da década seguinte e, apesar de, por vezes, mudarem de nome, era através delas que o Conselho procurava aglutinar certas classes profissionais e manter com regularidade alguma dinâmica interna e organizativa.

A imprensa constituiu um importante elo de ligação entre as sócias e o Conselho conseguiu manter durante toda a sua existência órgãos próprios: primeiro através de um Boletim (1914-1916), depois com a revista Alma Feminina (1917-1946) e, finalmente, em 1946, substituiu-a por A Mulher (1946-1947).

Seis meses depois da sua fundação saiu, em Novembro de 1914, o primeiro número do Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, o único publicado sob a forma de jornal e acompanhado de uma Folha Suplementar, que inseria os “Estatutos”, “Elementos que compõem o «Corpo Administrativo» do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas” e a “Lista das sociedades filiadas e nomes das delegadas”. A Directora e Editora era a professora e publicista Maria Clara Correia Alves que, a partir do número seguinte (n.º 1A), passou a ser referenciada no cabeçalho por Directora-Gerente. Com distribuição gratuita às associadas, a sede social funcionava na Praça dos Restauradores, 13, 1º, morada que correspondia ao consultório de Adelaide Cabete, enquanto a sede administrativa se localizava na Rua Conselheiro Monteverde, E. M. - 2.º, provável residência de Maria Clara Correia Alves, Secretária-Geral. A Redacção e Administração funcionaram aí até Maio de 1915, já que a partir do n.º 3, de Agosto do mesmo ano, o secretariado do CNMP transferiu-se para a Avenida Almirante Reis. Publicação trimestral, com edição nos meses de Fevereiro, Maio, Agosto e Novembro, o Boletim manteve-se durante nove números, ou seja, entre Novembro de 1914 e Novembro de 1916. A partir de Janeiro de 1917, passou a designar-se por Alma Feminina, de conteúdo diverso do seu homónimo de 1907, pois as preocupações já não eram somente literárias. Em 1920, quando Adelaide Cabete assumiu a sua direcção, a Redacção e Administração do órgão Conselho regressaram à Praça dos Restauradores, 13, 2.º. Entre 1920 e 1929, foi dirigida por Adelaide Cabete, a quem sucedeu Elina Guimarães (1929-1930), Noémia Neto Ferreira (1931) e Sara Beirão (1934-1946), mantendo-se a Redacção e Administração na mesma morada. Já A Mulher tinha Maria Amália Neves por Directora e Leonarda Paiva Martins era a Editora e dedicou integralmente o último dos dois números ao impacto da Exposição de Livros Escritos por Mulheres: “Intenções e resultados da nossa Exposição”, “A Exposição vai abrir”, “O que foi a Exposição”, “A Associação Feminina Portuguesa para a Paz fala-nos da sua tarde infantil”, “Oferta de livros à Biblioteca do C.N.M.P.”, “Teresa Leitão de Barros e Hernâni Cidade falam-nos da Exposição”, “Referências da imprensa”[52].

Ao contrário dos outros órgão feministas, o Boletim e a Alma Feminina dispunham de poucas secções fixas, condicionadas pelo número restrito de páginas, pelos artigos de opinião e colaboração assídua dum núcleo restrito de responsáveis, características que perduraram até 1946. Outro distintivo da imprensa do Conselho foi a importância atribuída aos editoriais e o facto dos textos serem, geralmente, assinados. Quase todos os números incluíam duas secções complementares: “Biblioteca”, dedicada aos periódicos e livros recebidos, com comentários; e “Notícias do Estrangeiro”, composta de transcrições de jornais e revistas feministas e que informava as sócias do que de mais importante se passava no mundo quanto às lutas e reivindicações das mulheres.

Curiosamente, o CNMP não dispôs dum logotipo que o identificasse de forma inequívoca. Apenas em 1920 editou um Bilhete Postal, da autoria do pintor Álvaro da Fonseca, entretanto falecido, onde se vêem duas mulheres do lado esquerdo, uma delas tiritando de frio, ladeada por uma jovem de bata branca, olhando para o Sol que nascia esplendorosamente do lado direito e tendo por pano de fundo chaminés fumegantes de fábricas e campo.

                       Mais uma vez, o Sol aparecia como símbolo da futura libertação feminina...

 

*

  Apesar dos estudos de referência de Rosmarie Wank-Nolasco Lamas e de Vanda Gorjão[53], há ainda um longo percurso a fazer no estudo e divulgação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, quer enquanto a organização de mulheres que mais anos se manteve em exercício, quer como núcleo legal de oposição ao Estado Novo. O Espólio Maria Lamas, pertença do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional, contém variada documentação sobre a sua proibição pelo salazarismo, incluindo correspondência trocada entre a escritora e o Governador Civil de Lisboa (Esp. E 28, Cx. 26 e 27). Além do mais, dispomos da memória viva de muitas activistas que iniciaram a vida cívica e política no Conselho há mais de cinquenta anos e que urge ouvir, registar e preservar, sabendo dar valor à sua coragem e inconformismo em “tempos sombrios”, como demonstrou Vanda Gorjão em Mulheres em tempos sombrios. Oposição feminina ao Estado Novo.



[1] Palavras proferidas em 4 de Maio de 1924, no discurso da sessão inaugural do I Congresso Feminista e de Educação - Arnaldo Brazão, in O Primeiro Congresso Feminista e de Educação (Relatório), Lisboa, Edições Spartacus, 1925, p. 26.
[2] Cartão, sem data, encontrado no espólio de Olga de Morais Sarmento, na Câmara Municipal de Setúbal.
[3] Palavras de A. Cabete ao jornalista Oldemiro César, que também transcreve uma carta de Magalhães Lima à médica, datada de 12/5/1914 e enviada de Paris, a felicitar, “com intenso júbilo, a fundação, em Lisboa, do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas - O Mundo, 22/5/1914, p. 3, col. 6.
[4] Oldemiro César, “Feminismo - O que é e o que pretende o ‘Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas’ - Segundo informações da activa propagandista D. Adelaide Cabete”, in O Mundo, 22/5/1914, p. 3, col. 6.
[5] Redacção, “Porque e para que se fundou o «Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas»”, in Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, n.º 1, Novembro de 1914, p. 1, col. 3 e p. 2, cols. 1-2.
[6] Idem, ibidem.
[7] Idem, ibidem.
[8] Idem, ibidem.
[9] Idem, ibidem.
[10] Oldemiro César, “Feminismo - O que é e o que pretende o ‘Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas’ - Segundo informações da activa propagandista D. Adelaide Cabete”, in O Mundo, 22/5/1914, p. 3, col. 6.
[11] “Agremiações federadas no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas”, in Boletim Oficial do CNMP, n.º 1, Novembro de 1914, Folha Suplementar, p. 2, col. 3; n.º 1-A, Fevereiro de 1915, p. 12; e n.º 2, Maio de 1915, p. 24.
[12] “Maria Fermiana”, in Alma Feminina, n.º 10, Outubro de 1917, p. 111, col. 2.
[13] Idem, ibidem.
[14]Porque e para que se fundou o «Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas»”, in Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, n.º 1, Novembro de 1914, p. 1, col. 3 e p. 2, cols. 1-2.
[15] “A nova fase do Conselho Nacional da Mulher Portuguesa - Algumas passagens da entrevista com a presidente da nova direcção, publicada no «Diário de Lisboa»”, in Alma Feminina, n.º 14, Novembro de 1945, pp. 5-6.
[16] Carta, de 24 de Fevereiro de 1998, de Natividade Correia a  J. Esteves.
[17] “Ligas de Bondade”, in Alma Feminina, n.º 9-10, Setembro e Outubro de 1923, pp. 46-48.
[18] Marcado inicialmente para Março, o Congresso foi adiado para Maio, a pedido de professores da província, de forma a coincidir com as férias da Páscoa - Rosmarie Wank-Nolasco Lamas, Mulheres para além do seu tempo, Bertrand Editora, 1995, pp. 98-99.
[19] Sobre o essencial das teses apresentadas, suas intervenientes e respectivos debates, v. o indispensável relatório de Arnaldo Brazão, Secretário Geral do Congresso, O Primeiro Congresso Feminista e de Educação, Lisboa, Edições Spartacus, 1925; Arnaldo Brazão, “Homenagem às relatoras das teses enviadas ao primeiro Congresso Feminista e de Educação”, in Alma Feminina, n.º 9-12, Dezembro de 1924, pp. 53-58; e a análise de Luísa Esmeralda Santos: “O primeiro Congresso Feminista em Portugal”, in Boletim da Comissão da Condição Feminina, n.º 2, 1982, pp. 68-80. 
[20] O jornal O Rebate, Diário do Partido Republicano Português, destacou, na 1.ª página da edição de 24/6/1928, as fotografias de Maria O’Neill, Adelaide Cabete, Aurora Teixeira de Castro, Beatriz de Magalhães, Elina Guimarães, Angélica Porto, Sara Beirão e Manuela Palma Carlos. Os números 2 e 3 da Alma Feminina de 1928 reproduziram as Teses Apresentadas ao Segundo Congresso Feminista Português.
[21] A revista Alma Feminina, órgão do CNMP, dedicou um número especial às Teses (n.º 3 de 1926) e outro ao “Relatório do Congresso Abolicionista Português”, contendo as intervenções proferidas em todas as sessões (n.º 4 de 1926).
[22] A mesma revista consagrou dois números especiais às Teses enviadas ao Segundo Congresso Nacional Abolicionista (n.º 2 e n.º 3 de 1929).
[23] Sobre o percurso de muitas destas intervenientes, ver Dicionário de Educadores Portugueses (dir. António Nóvoa), Porto, Edições ASA, 2003; e Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX) (dir. Zília Osório de Castro e João Esteves), Lisboa, Livros Horizonte, 2005.
[24] “Congresso feminista de Roma”, in Alma Feminina, n.º 5 e 6, Maio e Junho de 1923, p. 28.
[25] “Congresso internacional feminista”, in Alma Feminina, n.º 3 e 4, Março e Abril de 1923, p. 18.
[26] Adelaide Cabete, “Discurso pronunciado pela delegada do Governo na sessão solene de 14 de Maio de 1923 dedicada às delegadas oficiais (Roma)”, in O Congresso Internacional Feminista de Roma (Relatório da delegada oficial do Governo Português), Oficinas Gráficas do Instituto Profissional dos Pupilos do Exército, 1923, p. 15. A intervenção também pode ser conferida no artigo “Congresso feminista de Roma”, in Alma Feminina, n.º 5 e 6, Maio e Junho de 1923, pp. 29-30. Por sua vez, o Relatório foi incluído no n.º 7 e 8, de Julho e Agosto de 1923, pp. 33-41.
[27] Há uma fotografia com Adelaide Cabete no meio de outras delegadas ao Congresso Feminista de Washington e publicada por Elina Guimarães, “O Movimento Feminista Universal”, in Civilização, n.º 26, Agosto de 1930, pp. 46-47.
[28] “Dr.ª Paulina Luisi”, in Alma Feminina, n.º 1 e 2, Janeiro e Fevereiro de 1920, pp. 8-9. 
[29] Maria Clara Correia Alves, “Congressos feministas”, in Alma Feminina, n.º 7 e 8, Julho e Agosto de 1920, p. 34.
[30] Idem, ibidem.
[31] “Conferências feministas”, in Alma Feminina, n.º 5 e 6, Maio e Junho de 1920, p. 31.
[32] A Redacção, “Dr.ª Paulina Luisi”, n.º 5 e 6, Maio e Junho de 1921, p. 22.
[33] Fernando Marques da Costa, A Maçonaria Feminina, Editorial Vega, s/d.
[34] “Dr.ª Paulina Luisi”, in Alma Feminina, n.º 7 e 8, Julho e Agosto de 1922, pp. 98-99.
[35] “Figuras feministas - Ouvindo a Dr.ª Paulina Luisi”, in A Notícia, 9/4/1928, p. 4, cols. 5-6.
[36] Maria Veleda, “Memórias de Maria Veleda - XVI”, República, 28/3/1950, p. 5, col. 2. M. Veleda refere que conviveu bastante com Paulina Luisi durante a “sua permanência de alguns meses em Lisboa”, tendo discutido o combate à prostituição e ao “tráfico de brancas”.
[37] A CIDM realizou, em Outubro de 2004, a “Exposição Fotobiográfica de Elina Guimarães”, comemorativa do centenário do seu nascimento, e editou Elina Guimarães: Uma Feminista Portuguesa, Vida e Obra (1904/1991).
[38] “«A Maçon» no D. Maria II - Uma mulher livre”, entrevista de Maria João Martins a Lídia Jorge, in Jornal de Letras, Artes e Ideias, 9/4/1997, p. 29, col. 2.
[39] Esta Exposição é minuciosamente analisada por Maria Antónia Fiadeiro, “Maria Lamas e o certame Mulheres Portuguesas”, in História, Ano XXII (III Série), n.º 24, Abril 2000, pp. 46-55.
[40] Deolinda Lopes Vieira, Monografia do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, CNMP, 1931.
[41] “Assembleia Geral”, in Alma Feminina, n.º 14, Novembro de 1945, p. 11. 
[42] “Comissão de Propaganda e Organização de Coimbra”, in Alma Feminina, n.º 15, Maio de 1946, pp. 1-2 e 12. 
[43] Abaixo-assinado dirigido à Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e Carta de Maria Lamas a Maria Natividade Correia, datada de 10/10/1946. 
[44] “Editorial”, A Mulher, n.º 1, Dezembro de 1946, p. 3. 
[45] “Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: 1946-1947”, in A Mulher, n.º 1, Dezembro de 1946, p. 4. 
[46] Catálogo da Exposição de Livros Escritos por Mulheres organizada pelo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Gráfica Santelmo, 1947.
[47] “Assembleia Geral”, in A Mulher, n.º 1, Dezembro de 1946, p. 14.
[48] “D. Maria da Luz Albuquerque”, in Alma Feminina, n.º 1-4, Janeiro-Abril de 1940, pp. 7-8 e n.º 5, Outubro de 1940, p. 3. 
[49] “Novas sócias”, in Alma Feminina, n.º 14, Novembro de 1945, p. 10.
[50] “Comissão de Propaganda e Organização de Coimbra”, in Alma Feminina, n.º 15, Maio de 1946, pp. 1-2 e 12.
[51] Maria Lúcia Marques Serralheiro, Associação Feminina Portuguesa Para a Paz – Delegação do Porto (1942-1952) [texto policopiado], Dissertação de Mestrado em Estudos sobre as Mulheres da Universidade Aberta, Lisboa, 2004.
[52] A Mulher, n.º 2, Maio de 1947.
[53] Rosmarie Wank-Nolasco Lamas, Mulheres para além do seu tempo, Bertrand Editora, 1995; Vanda Gorjão, A Reivindicação do voto no programa do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947), Lisboa, CIDM, 1994.

Quadro III
Sócias identificadas do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas entre 1914 e 1947

A. Enea de Sousa; Abigail de Paiva Cruz; Acácia de Carvalho Gonçalves de Resende; Adelaide Bramão; Adelaide de Almeida; Adelaide de Jesus Damas Brazão e Cabete; Adelaide Ferreira de Carvalho; Adelaide Gomes Santos; Adelaide Ivone de Sousa Marrocos; Adelaide Perestrelo; Adelaide Pires Frade; Adelaide Ramos Pamplona; Adelaide Valente de Almeida; Adélia Passos de Carvalho Matos Beja; Adélia Rosales Marques de Almeida; Adelina de Almeida; Aida da Cruz Amorim, Albertina Luísa Ribeiro; Albertina Olinda Paiva Rua de Gamboa; Alda Forjaz; Alda Maia Henriques; Alda Martins Branco Cabral; Aldina  Neve de Pinto; Alexandra de Carvalho Araújo; Alexandrina Rodrigues Simas; Alexandrina Rodrigues Simões; Alice Brito; Alice de Oliveira Horta Santos; Alice de Pinho Marques; Alice de Quadros Figueiredo; Alice Martins Carneiro; Alice Ogando Costa de Oliveira Brun; Alice Pereira; Alice Pina Lopes Boullosa; Alzira Augusta de Lourdes Pinto Vieira; Alzira Bouchet Gomes Simões; Alzira Brandão Neves; Alzira Correia Marques; Alzira de Castro Rebelo de Sousa; Alzira Gomes; Amália Santiago da Silva Soares; Amélia Gondeiro; Amélia Malheiro de Aguiar; Amélia Mateus; Amélia Piloto César; Amélia Trigueiros de Sampaio; Ana das Neves Patrício Álvares; Ana de Sousa Dias Goulão; Ana Rosa Gonçalves; Anália Niny Pereira Cardoso Torres; Ângela Maria da Silva Venâncio Ferrer; Angélica Cristina Irene Lopes Viana Porto; Angélica de Oliveira Barroso; Angelina Lopes de Aguiar; Angelina Vaz Morais; Antónia Laclaud Gonçalves da Silva; Antónia Lima Brito; Antónia Sá Osório de Andrade; Argentina da Silva; Arlete Augusta Gonçalves; Armanda de Sousa Narciso; Armanda Fernandes Ferreira da Costa; Arménia Correia Duarte; Arminda  Barbosa; Arminda Gonçalves; Arminda Homem de Melo; Áurea de Jesus Ribeiro; Aurora Ataíde Pinheiro; Aurora F. L. Serrão; Aurora Fernandes da Silva; Aurora Godinho Moreira; Aurora Pereira; Aurora Teixeira de Castro; Avelina Fernandes; Balbina da Costa Braga; Bárbara Rosa de Carvalho Pereira; Bárbara Winkler F. Marques; Beatriz Alves Dias; Beatriz de Jesus Arnut Baptista; Beatriz Mendes Arnaut de Almeida; Beatriz Pinto; Beatriz Santos; Beatriz Teixeira de Magalhães; Bebiana Rocha Freitas; Benvinda de Almada Cabral; Bernardina Velez Faria Pereira; Berta Júdice Rosa Limpo; Berta Santos Garção; Berta Seia; Branca de Araújo Franqueira de Oliveira Pegado; Branca de Sousa Femisa; Branca Dias Costa; Branca Eva de Gonta Syder Ribeiro Colaço; Branca Lopes; Branca Nunes; Branca Rosa Valença Marques Pinto; Brígida dos S. Soares de Sá; Cacilda Cabral de Campos Gonzaga; Caetana Eduarda de Campos Almeida; Camila de Sousa Lopes; Cândida Amorim; Cândida Anselmo; Cândida de Aguilar Santos; Cândida de Sousa Madeira Pinto; Cândida Florinda Ferreira; Carlota Múrias; Carmen de Assunção Rodrigues Ribeiro Crespo; Carmen de Jesus Alves; Carmen Dolores; Carmen Marques; Carmen Montenegro dos Santos; Carminda Gonçalves de Albuquerque, Carolina Brilhante Paiva; Carolina da Silva Marques Ayala; Carolina de Oliveira; Carolina Otélia Duarte Gomes; Carolina Wilhelme Michaëlis de Vasconcelos; Catilina de Deus Paiva; Cecília Simões; Celeste Araújo Pereira e Sousa; Celeste da Conceição Marques; Celeste da Cruz David dos Reis e Cunha; Celeste de Almeida Costa; Celeste Pereira Harrisson; Celeste Regina Pinto Moniz; Celeste Teles de Oliveira; Célia de Almeida Leite; Cesaltina Benguela Carrapiço Vasco; Cesária Santos; Cipriana Nogueira; Clara Charrier; Clara G. Correia; Clara Maria Cristo  da Silva e Rosa; Clara Namorado; Clarisse Costa; Claudina de Almeida; Consuelo Bigas Belo; Cristina da Cunha; Delfina do Nascimento Correia Santos Serrão; Deolinda Lopes Vieira Pinto Quartin; Deolinda Santos; Dilar Ribeiro da Cunha; Dília [de] Barros [da] Costa; Dinah dos Santos Lima; Domicília Xavier; Domingas Lazary Amaral; Dormélia Jorge Santos; Doroteia Bettencourt Pimenta; Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães da Palma Carlos; Elisa Augusta da Cruz Dias; Elisa da Conceição Santos Lima; Elvira da Conceição Zacarias; Elvira de Freitas; Elvira Maia de Andrade; Elza Matos Dias Antunes; Ema Camila de Paiva Rua; Ema Dias Costa; Ema Pinto; Emília Adelaide dos Santos Braga; Emília de Sousa Costa; Emília Dias; Emília Gaudêncio; Emília Ramos Saraiva; Emília Rosa; Emília Silva; Emiliana Cabrita; Ermelinda da Conceição Viegas Pimentel de Carvalho; Ermelinda Mascarenhas; Ernestina Baptista Miranda; Esmeralda Braancamp Mancelos da Silva; Ester da Rocha Calixto; Ester de Passos Águas; Etelvina Lemos de Araújo; Etelvina Lopes de Almeida; Etelvina Silva; Eufrasinda Guedes Teixeira; Eugénia da Gama Ochôa; Eulália Lino da Silva; Euridice Maria Bernardete Pinheiro Sobral; Fábia Ochôa Arez; Fernanda Augusta Alves Vera Cardoso; Fernanda C. Marques; Fernanda da Silva Loureiro; Fernanda de Pinho Ferreira Pimentel; Fernanda de Sousa Carvalho; Fernanda M. Regal de Castro; Fernanda Tasso de Figueiredo; Filomena Honorina da Costa; Filomena Vieira da Rocha; Flávia Marinho Alves; Gabriela Pereira; Gabriela Salgueiro; Genoveva Rita Torres; Georgina Monteiro Pinto; Glória Mendes dos Santos; Gracilda Gouveia Carneiro; Guilhermina B. Sousa Gouveia; Guilhermina Carrajola Namorado; Guilhermina Köpke Pinto; Guiomar Alice Figueiredo Paixão e Castro; Helena Burguete de Avilez; Helena Mourato Vermelho; Henriqueta de Paula Pereira; Hercília Teixeira Rocha; Hermínia Costa; Hermínia Lacombe; Hortense de Almeida; Hortênsia Drago Neves de Sousa; Ida Pereira e Silva; Idalina de Oliveira Quinta; Idalina Maia; Ilda Adelina Jorge de Bulhão Pato; Ilda Carneiro; Ilda Castro; Ilda Craveiro Simões Ribeiro; Ilda Cunha; Ilda Felgueiras; Ilda Pinto de Lima; Ilda Rodrigues; Inoi Aires de Andrade; Irene de Portugal Durão Cid de Carvalho Leitão; Irene do Carmo; Irene Ernestina Miranda; Duarte; Irene Guimarães; Irene Leão Guerra Baltazar ; Irene Pinto de Oliveira; Isabel Cohen von Bonhorst; Isabel Paiva; Isabel Pires; Isaura de Castro César da Silva; Isaura Seixas Marques; Isaura Vaz Ferreira de Andrade; Isilda Madeira; Ivone Guimarães Cardoso; Ivone Marques; Ivone Neves Prescott; Joana Correia da Mota; Josefa de Passos Pinto; Josefina Gaudêncio Simões; Josefina Ribeiro; Jovita Alvarez Luizelo Godinho; Judite Fernandes de Brito; Judite Maggiolly Serra Ribeiro; Judite Rosales Marques de Almeida; Judite Sara Pereira e Silva Melo Vieira; Judite Tasso de Figueiredo Couceiro Albuquerque; Júlia Alves; Júlia Anacion; Júlia Antunes Franco; Júlia Augusta Nogueira; Júlia Campos Lima; Júlia Gomes de Lima Ferreira; Júlia Moreira da Costa; Júlia Paiva; Julieta Bárbara Ferrão; Julieta de Carvalho; Julieta Ribeiro de Carvalho; Julieta Soares Ferreira e Sousa; Justa do Nascimento; Justa Mendes; Laura de Almeida Leite; Laura de Castro Corte Real; Laura Meneses Alves dos Santos; Laurinda de Magalhães; Leonarda Paiva Martins; Leonilde Pinto Faria Ferreira; Leonor Bragança; Leontina Hogan; Leopoldina Ramos Saraiva; Liberata da Silva Fonseca; Lídia Carneiro Silva; Lígia Fernanda Mata e Albuquerque; Lígia Pires de Lima Lamoso; Luciana Mourato Vermelho; Luciana Navarro Duarte Pedro; Lucinda Brandão; Lucinda de Andrade; Lucinda Mariana Gomes Franco; Lucinda Relvas; Luísa dos Santos; Luísa Gouveia Pinto; M. Hermínia Carrasco; Madalena Coelho Marques de Almeida; Mafalda da Silva; Manuela de Melo Freitas; Manuela Palma Carlos; Manuela Porto Araújo Pereira; Manuela Trindade Neto; Marcela Carneiro de Andrade; Margarida Alice Coelho dos Santos; Margarida de Oliveira; Margarida de Vasconcelos Martins Férin;  Margarida Pimenta; Maria A. C. de Campos; Maria Adelaide Cristina da Silva; Maria Adelaide de Almeida; Maria Adelina de Queiroz B. Campos; Maria Aida de Oliveira Santos; Maria Aida Fernandes Gerardo Vaz; Maria Albertina Fernandes de Brito; Maria Albina de Melo Cochofel; Maria Alexandrina Mourato Vermelho; Maria Alice Lamy; Maria Alice Mendes; Maria Alice Morgado Miranda; Maria Alice Ribeiro Correia; Maria Alice Taveira Martins de Sousa; Maria Alzira de Moura Pires Machado; Maria Amália Baptista Ferreira; Maria Amália Dias; Maria Amália Marques; Maria Amália Neves; Maria Amélia Köpke Pinto; Maria Amélia Manso; Maria Amélia Raposo de Oliveira; Maria Amélia Teixeira; Maria Amélia Teixeira de Matos; Maria Ana Marchial Franco; Maria Ângela Carneiro; Maria Ângela Montenegro Miguel; Maria Antónia Ornelas de Oliveira; Maria Antónia Pereira Martinho Ferrão; Maria Antónia Pires de Oliveira; Maria Antónia Viana Baptista; Maria Arlete Gonçalves da Cunha; Maria Augusta Bragadas; Maria Augusta Campos; Maria Augusta Cancela de Amorim; Maria Augusta Cruz Viana; Maria Augusta de Oliveira; Maria Augusta Formozinho Vaz de Oliveira; Maria Augusta Peres Fernandes; Maria Augusta Serra; Maria Augusta Vaz; Maria Baldemero Blanco Macias; Maria Beatriz Pimentel de Faro; Maria Benedita Albuquerque; Maria Benedita de Oliveira e Sá; Maria Berta Paneiro Duarte; Maria Brazão; Maria C. Fonseca; Maria Calhau; Maria Carolina Alves de Carv. Pereira de Melo; Maria Celeste da Silva Tavares Pinto; Maria Cesarina G. de Castro; Maria Clara Correia Alves; Maria Claudina Fonseca Figueiredo; Maria Clementina Maia; Maria Constança C. Loureiro ; Maria Correia Manso; Maria Cristina de Sousa de Barros Queiroz; Maria da Anunciação Almeida Oliveira; Maria C. Esteves; Maria da Anunciação Trindade Pinharanda; Maria da Ascensão Louro; Maria da Assunção Lobo de Lacerda Melo Fogaça; Maria da Conceição Almeida Neto; Maria da Conceição de Sousa Brandão; Maria da Conceição Fernandes Portela; Maria da Conceição Ferreira Carrilho; Maria da Conceição Ferreira Carvalho; Maria da Conceição Gaudêncio Soares; Maria da Conceição Lopes; Maria da Conceição Magalhães; Maria da Conceição Martins; Maria da Glória Hilário Ramos; Maria da Glória Passos Pinto Monteiro; Maria da Glória Vieira Duarte; Maria da Graça Dória Cochofel; Maria da Graça Lopes de Mendonça Barros Pereira; Maria da Luz; Maria da Luz Albuquerque; Maria da Luz de Campos Santos; Maria da Luz de Deus; Maria da Luz Elias Casanova; Maria da Luz Pereira e Silva; Maria da Natividade Pinheiro Correia; Maria da Natividade Mateus das Neves; Maria da Nazaré Ferraz; Maria das Dores Cabrita; Maria das Dores de Castro Ferreira Alves; Maria das Mercês Amaral; Maria de Fátima da Silva Tavares Pinto; Maria de Jesus Fernandes Araújo; Maria de Lurdes Castro Lopes Duarte Pedro; Maria de Lurdes de Santa Clara; Maria de Lurdes N. Duarte Braga Themido; Maria de Lurdes Nunes de Noronha; Maria de Lurdes Pimentel; Maria de Lurdes Reis e Cunha; Maria de Lurdes Roboredo; Maria Delfina da Cunha Borges; Maria do Carmo Alarcão Júdice; Maria do Carmo Azancot; Maria do Carmo Campos; Maria do Carmo Canelas de Castro Duarte; Maria do Carmo Costa; Maria do Carmo de Lima Bandeira Ferreira; Maria do Carmo Nobre da Cunha A. Peixoto; Maria do Carmo Vieira Viana; Maria do Céu Branquinho; Maria do Céu de Jesus Santos; Maria do Céu de Oliveira Almeida; Maria do Céu Regal de Castro; Maria Eduarda Lapa de Sousa Caldeira; Maria Elisa Antunes; Maria Elisa Montezuma D. Corte-Real de Carvalho Sá Marta; Maria Elisa Suzette de Almeida Relvas; Maria Emília Baptista Ferreira; Maria Emília Cordeiro Ferreira; Maria Emília de Abreu Vaz Ferreira; Maria Emília de Carvalho Gonçalves; Maria Emília Figueiredo; Maria Emília Fonseca Esmeriz Nobre; Maria Emília Toscano Coimbra; Maria Emília T. de Pina Cabral do Espírito Santo; Maria Ermelinda de Stuart Gomes; Maria Eugénia Cruz; Maria Eugénia Cruz Ferreira; Maria Eugénia Nascimento; Maria Eulália Duarte Leite Fernandes Costa; Maria Evangelina Brito; Maria Evelina Aguiar Bustorff; Maria Fernanda Antão Pinto Loureiro; Maria Fernanda Corte-Real Graça e Silva; Maria Fernanda das Neves; Maria Fernanda de Albuquerque Amaral; Maria Fernanda Pires Correia Mourão; Maria Fernanda Ramos Pamplona; Maria Fernanda Rocha de Morais; Maria Ferraz; Maria Ferrie Carvalho Conte; Maria Filipa Franco Rodrigues; Maria Gabriela Costa Gomes; Maria Gabriela de Azevedo Castelo Branco; Maria Gabriela Ferrão; Maria Genoveva Lopes Carrdoso; Maria Georgina da Costa Correia; Maria Gertrudes Amarante; Maria Gouveia Telo Gonçalves da Silva; Maria Guiomar Ferreira de Abreu e Lima; Maria Helena Baeta D. Neves; Maria Helena Costa Andrade; Maria Helena de Quadros Sampaio Gomes Madahil; Maria Helena de Sousa Ferreira de Abreu e Lima; Maria Helena Moreira Álvares Pinto Loureiro; Maria Helena Moreira Rato Morais David; Maria Helena Nogueira; Maria Helena Pereira Martins; Maria Hermínia Miranda Macário; Maria Irene Fernandes Vaz; Maria Irene Zuzarte; Maria Isabel Beato Deniz Jacinto; Maria Isabel Branca de Sousa;  Maria Isabel Correia Manso; Maria Isabel de Campos Matos da Silva; Maria Isabel de Guerreiro Fogaça Xavier Neves; Maria Isabel Guerra Junqueiro Mesquita de Carvalho; Maria Isabel Mallaguerra Franco; Maria Isabel Marques de Andrade Salgado; Maria Isabel Trindade Pinharanda; Maria Isabel Vieira Martins; Maria Ivone Teles; Maria J. Côrte Real; Maria J. Lopes Nogueira; Maria Joana Duarte Rosendo Dias; Maria João Luna Camarate; Maria Jorge Gonçalves; Maria José Brandão Neves; Maria José de Carvalho; Maria José de Oliveira; Maria José de Sousa Narciso; Maria José de Sousa Varanda; Maria José Gomes; Maria José Horta e Costa Henriques; Maria José Oliveira de Albuquerque; Maria José Osório; Maria José Osório dos Santos Carvalheira; Maria José Ramos de Sousa; Maria José Vilanova; Maria José Vitorino Namorado; Maria Judite Pinto Mendes de Abreu; Maria Júlia Poppe Lopes Cardoso; Maria Julieta Aguiar Neves; Maria Lamas; Maria Leonarda Correia da Costa; Maria Letícia Clemente da Silva; Maria Lígia Valente da Fonseca Severino [Lília da Fonseca]; Maria Lívia Battaglia Ramos Lopes da Silva; Maria Lopes Marques; Maria Lúcia da Glória Silva; Maria Lúcia Vassalo Namorado e Silva Rosa; Maria Luísa Amaro; Maria Luísa Barreto; Maria Luísa Campos Barbosa; Maria Luísa Carrelhas; Maria Luísa Chaves de Faro Viana; Maria Luísa dos S. Soares de Sá; Maria Luísa F. de Sousa Andrade; Maria Luísa Isabel Braga Themido; Maria Luísa Nogueira Seco; Maria Luísa Serrão de Faria; Maria Luísa Vieira Martins; Maria M. Campos; Maria Madalena Biscaia Farinha; Maria Madalena Cândido; Maria Madalena Nogueira e Silva; Maria Magna de Carvalho Costa; Maria Manuela Delgado de Oliveira; Maria Manuela Ferreira de Abreu  e Lima; Maria Manuela Ramos Pamplona; Maria Margarida de Bulhões Magalhães Mexia Salazar; Maria Martins Pereira de Sá Marta; Maria Miquelina Neves Coelho; Maria Natália Monteiro Freire; Maria Octávia Teixeira Bastos Andrea; Maria Olinda Cortegaça Alves; Maria Olívia do Nascimento Duarte; Maria O’Neill; Maria Quadros de Morais Sarmento; Maria Raquel Santos Oliveira Ribeiro; Maria Regina Dias Carvalheiro; Maria Rita das Dores Silva; Maria Rita Trindade Pinharanda; Maria Rodrigues Simões; Maria Rosa Dias Sárria; Maria Rosa dos Santos; Maria Russel Loureiro; Maria Simões Torres; Maria Sofia Cruz; Maria Sousa Amaro; Maria Teresa Amado Neves; Maria Teresa Arriaga; Maria Teresa Cruz Ferreira Pinto; Maria Teresa Furtado Dias; Maria Teresa Sá Osório de Andrade; Maria Valadares; Maria Virgínia Nogueira Seco; Mariana da Assunção da Silva; Marieta Roque da Fonseca; Marília Leonor Cardoso de Vasconcelos; Marinha Alice Correia de Sá; Mary Frances Rice de Moura; Marta Ferreira; Matilde C. de Seixas Nogueira de Lemos; Matilde Lehmann Taveira; Matilde Pereira; Matilde Taveira Santos; Miquelina Alfena; Modesta de Gambôa Abranches e Silva; Natália Dreque de Moraes; Natércia Drago Neves; Natividade Fernandes Araújo; Natividade Pinheiro; Nazaré Ferreira; Nídia Neto Ferreira; Noémia Beça; Noémia Caldeira Ribeiro Matos Neves; Noémia Moreno; Noémia Neto Ferreira; Octávia Fuschini de Lima Mayer; Odete Rosales de Almeida; Ofélia de Carvalho Gonçalves; Olga Brandão; Olímpia Perry Vidal Pereira Bastos; Olívia Mascarenhas Pinto; Olívia P. da Cunha; Olívia Peralta; Olívia Pimentel Lacombe; Orquídea Vieira Quartin; Osita Ribeiro; Otília Berta de Paiva Rua; Otília G. S. Simões; Palmira Borges; Palmira Bruno do Carmo; Palmira de Sousa Coutinho; Palmira Fernão Pires; Palmira Helena do Carmo; Palmira Neves do Carmo; Palmira Patrício; Palmira Ramos Saraiva; Palmira Ribeiro; Percina Augusta Silva Barros e Vasconcelos; Raquel Sara de Vasconcelos; Regina Celeste de O. Quinta; Regina de Faro Viana; Regina do Carmo; Regina Quintanilha; Regina Santos; Rita Luísa de Matos Sara; Rogéria Henriques Pinheiro; Rolanda Figueiredo; Rosa Coelho Rita; Rosa Franqueira; Rosalina Passos; Rosalina Simões; Ruth Arons; Sara Beirão; Sara Benoliel; Sara de Vasconcelos; Sara Loureiro Pinto Leite; Sara Pinto Coelho; Sara Serzedelo Schultz Correia; Satiza de Sousa Delgado; Senhora Barros Durães; Sofia Amélia Zato Baptista de Ornelas; Sofia de Jesus Ribeiro; Sofia Sampaio Ramos; Stella Fiadeiro; Susana César; Susana da Silva; Teresa de Albuquerque; Teresa Franco; Teresa Emília Marques Leitão de Barros; Teresa Mourão Ferreira; Tetralda Teixeira de Lemos; Tomázia Vaz Serra; Trindade Gama Matutino; Umetília Olga da Cruz; Vera Bordalo Pinheiro; Violette Teixeira Cardoso; Vicência Pereira de Vasconcelos; Virgínia Lima; Virgínia Perolina Costa; Virgínia Silva; Viscondessa de Olivã; Vitória Baptista de Sousa Ribeiro Gomes; Vitória Pais Freire de Andrade Madeira; Zélia Maria Ferreira Palma; Zoé Grabit Pereira; Zulmira Azevedo Costa; Zulmira Homem de Melo.

 
regressar



Página Principal | Quem Somos | Colóquios | Base de Dados | Novidades | Revista | Publicações | Dicionário | Arquivo | Contactos
Copyright Faces de Eva - Centro de Estudos sobre a Mulher - UNL | Desenvolvido por CITI - UNL