FE.CEM
-UNL, Revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher.
(11)

Carolina Beatriz Ângelo
João Esteves[1]


“Batalhou e venceu, como batalhou e venceu enquanto estudante”[2]


Contemporânea da médica Adelaide de Jesus Damas Brazão e Cabete (1867-1935), da professora primária Maria Veleda (1871-1955), pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim, e da escritora Ana de Castro Osório (1872-1935)[3], sem dúvida as feministas portuguesas mais representativas das primeiras décadas do século XX e cujo legado tem perdurado no tempo, a Doutora Carolina Beatriz Ângelo ascendeu a esse grupo restrito, ao estar associada à fundação das primeiras organizações de mulheres que, em Portugal, lutaram pelos seus direitos civis e políticos e porque foi a única a exercer o direito de voto durante a I República, em resultado dalguns equívocos e duma persistente batalha jurídica.


1. Médica


Filha de Viriato António Ângelo e de Emília Barreto Ângelo, irmã de Corina, Eurico e Viriato Ângelo, nasceu na Guarda em 1877, cidade onde frequentou o Liceu e fez os Preparatórios. Já na capital, matriculou-se nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica, onde concluiu o curso em 1902, ano em que também contraiu matrimónio com Januário Barreto, seu primo, igualmente médico e activista republicano. Pioneira no exercício da prática de intervenções cirúrgicas[4], sob a direcção do professor Sabino Maria Teixeira Coelho, foi “a primeira médica portuguesa que operou no hospital de S. José”[5]; trabalhou no Hospital de Rilhafoles, sob a orientação de Miguel Bombarda[6]; e acabou, tal como Adelaide Cabete, dez anos mais velha, por se dedicar à especialidade de ginecologia. Segundo anúncio publicitário de 1909, o consultório estava instalado na Rua Nova de Almada, 84, e morava na Rua do Sol ao Rato, 181.


2. Activista


Carolina Beatriz Ângelo, que nunca equacionou a hipótese de “abandonar a minha carreira médica”[7], procurou e soube conciliar o empenho profissional com uma não menos intensa intervenção política e cívica nas causas em que acreditava.

A militância associativa ter-se-á iniciado em 1906, quando aderiu, com outras quatro médicas – Adelaide Cabete, Domitila de Carvalho, Emília Patacho, Maria do Carmo Lopes -, ao Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes[8] e se tornou numa das Vogais da Direcção[9]. No ano seguinte foi iniciada na Maçonaria, na Loja Humanidade, com o nome simbólico de Lígia[10], compondo com Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório e Maria Veleda o quarteto de líderes que traçou o rumo do feminismo português no estrebuchar da monarquia e agenciou, com sucesso, certa elite feminina para o campo republicano.

Em 1907 e 1908 encontramos Beatriz Ângelo com estas mesmas companheiras no Grupo Português de Estudos Feministas, donde transitarão para a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, lançada em finais de Agosto desse último ano e que tanto batalhava pela implantação da República, como reivindicava direitos e deveres iguais para ambos os sexos. Aí, consolidou os ideais feminista e republicano e, na sequência da radicalização da luta política, demitiu-se em Julho de 1909, juntamente com Adelaide Cabete, da agremiação pacifista[11]. Simultaneamente, propagandeou o Registo Civil, evidenciou-se enquanto oradora em sessões realizadas nos Centros Escolares Republicanos e, na qualidade de Venerável da Loja Humanidade, desenvolveu profícua actividade: inscreveu-se no I Congresso Nacional do Livre Pensamento, ocorrido em Abril de 1908; fez parte da delegação que, em 2 de Outubro de 1910, conferenciou com o Presidente da República do Brasil, Hermes da Fonseca, de visita a Portugal; assinou o convite às senhoras da Loja a associarem-se, no dia 16, aos funerais nacionais de Miguel Bombarda e Cândido dos Reis[12]; e quando das ameaças monárquicas junto à fronteira, preparou, com Adelaide Cabete, “as irmãs da loj
\ Humanidade para poderem prestar alguns serviços de enfermagem se precisos forem”[13].

No âmbito da Liga Republicana[14], de que foi ardente impulsionadora e em muito contribuiu para o respectivo prestígio e divulgação nacional, desempenhou cargos nos corpos gerentes, primeiro como substituta (Fevereiro de 1909)[15] e depois como Vice-Presidente eleita por duas vezes (Setembro de 1910[16], Janeiro de 1911); representou a colectividade em eventos; subscreveu mensagens enviadas aos correligionários, como as destinadas ao Congresso Republicano de Setúbal (Abril de 1909)[17] e ao novo Directório (Junho)[18]; empenhou-se na campanha a favor da discussão e aprovação da Lei do Divórcio pelo Parlamento (1909)[19]; e colaborou, mais uma vez com Adelaide Cabete, na confecção da bandeira republicana desfraldada aquando da revolução de 5 de Outubro.

No período subsequente ao triunfo da República a militância de Carolina Beatriz Ângelo intensificou-se, vivendo de forma combativa, seguramente com o entusiasmo e angústia de outras centenas de companheiras, os meses de agitação que decorrem de qualquer revolução, não deixando de aproveitar essa oportunidade para pressionar os novos poderes quanto à obtenção de direitos para as mulheres. Encabeçou mesmo a luta quando Ana de Castro Osório se ausentou para o Brasil, mas o ritmo alucinante dos acontecimentos, que exigia mobilização quase diária, contribuiu para o seu falecimento precoce em vésperas da comemoração do primeiro aniversário do regime. Em Julho de 1911, confessava à amiga que “tenho trabalhado muito, dias inteiros a discutir, a pensar, de maneira que tenho o cérebro em ebulição constante a que depois se seguem períodos de cansaço e fadiga como nunca tive. Se assim continuar só me restará a consolação de ter vivido muito em pouco tempo”[20]; e, em 13 de Agosto, reafirmava que “tenho trabalhado muito nos últimos tempos, de maneira que há 15 dias tenho estado muito doente e talvez me resolva a ir descansar para o campo uns dias”[21].

Proclamada a República, travou conversações com a classe dirigente, associando-se a Ana de Castro Osório, Antónia de Jesus da Silva, Filipa Vilhena de Oliveira, Maria Laura Monteiro Torres, Maria Veleda e Mariana da Assunção da Silva, na delegação que, em 20 de Outubro, cumprimentou o Presidente do Governo Provisório[22]; subscreveu a mensagem, datada de 3 de Fevereiro de 1911, dirigida a José Relvas; diligenciou, com Ana de Castro Osório, junto do Dr. Augusto de Vasconcelos, Enfermeiro-Mor do Hospital de S. José, para que fosse abolido o limite de idade na admissão das estudantes, pretensão atendida[23]; e abraçou a causa do sufrágio feminino, que consumirá vorazmente as suas energias durante praticamente um ano.

A principal parceria fê-la, primeiro, com Adelaide Cabete e, depois, com Ana de Castro Osório, enquanto que manteve distanciamento em relação a Maria Veleda, expresso em mais do que uma polémica pública entre ambas, sobretudo após a revolução republicana. A proximidade ao pensamento daquela escritora revela-se nomeadamente quando questionada, em Maio de 1911, pelo jornal O Tempo, sobre o seu posicionamento político, lembra que “os meus ideais são mais avançados”, acrescentando que “todavia acompanho a República como medida transitória”[24].


3. Sufragista


Defensora do direito de voto para as mulheres, passou a desenvolver continuada campanha, individual e colectiva, para que ele lhes fosse concedido, mesmo que abrangesse só uma minoria. Em Fevereiro de 1911, fez parte da delegação da Liga que entregou a Teófilo Braga, na qualidade de presidente do Governo Provisório, uma representação onde ele era reivindicado para a mulher economicamente independente[25]: assinavam-na ainda Adelaide da Cunha Barradas, Ana de Castro Osório, Constança Dias, Joana de Almeida Nogueira, Maria Laura Monteiro Torres, Rita Dantas Machado e Virgínia da Fonseca, sendo curioso constatar que o nome da médica encabeçava a lista, precedido de Dr.ª[26].

Com a publicação da primeira lei eleitoral da República, Beatriz Ângelo entreviu a hipótese da mulher poder votar, já que aquela não excluía explicitamente, embora também não contemplasse, o sufrágio feminino. Decide-se então a explorar, até esgotar todas as possibilidades, essa omissão na lei, desafiando, de certa forma, os companheiros de sempre, ao considerar-se com direito a voto, por saber ler e escrever e ser chefe da família, pois era viúva – o marido morrera em 1910 – e tinha uma filha menor a  cargo.

Os episódios sucedem-se e, em menos de um mês, obtém por via judicial o direito a recensear-se e a tornar-se eleitora. Começou por apresentar a 4 de Abril, na Comissão de Recenseamento do 2.º Bairro, um requerimento a solicitar a inclusão nos cadernos eleitorais, o qual foi remetido para o ministro do Interior, António José de Almeida, responsável pela legislação eleitoral:


“Ex.mo  sr. presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa. - Carolina Beatriz Ângelo, abaixo assinada, de trinta e dois anos de idade, natural da cidade da Guarda, freguesia de S. Vicente, viúva, médica residente em Lisboa, rua António Pedro, S. D., 1º andar, freguesia de S. Jorge de Arroios, 2º bairro, como cidadão português, nos termos dos artigos 18º e 20º do Código Civil, não excluída dos seus direitos públicos de eleitor por qualquer dos impedimentos taxativamente enumerados no artigo 6º do decreto com força de lei de 14 de março de 1911, e estando antes, compreendida em ambas as categorias de eleitoridade dos n.º 1º e 2º do artigo 5º do decreto referido, por quanto não só sabe ler e escrever, mas é chefe de família, vivendo nessa qualidade com uma filha menor, a cujo sustento e educação prevê com o seu trabalho profissional, bem como aos demais encargos domésticos - pretende em tempo e para todos os efeitos legais que o seu nome seja incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se, por virtude dos artigos  15º e 16º  e outros do decreto citado de 14 de março de 1911. // Para tanto o requer a v. exª, tendo em vista o disposto nos artigos 17º e 18º do mesmo decreto com força de lei. Lisboa, 1 de abril de 1911. (Junta-se a certidão de idade). (Assinada), Carolina Beatriz Ângelo”[27].


Como lhe fosse negado[28], “apelou para juízo, arrostando com o ridículo e com a má vontade dos homens, que não contavam com a nossa coragem nem com a justiça do julgamento”[29]. No recurso, entregue em 24 de Abril de 1911 no Tribunal da Boa-Hora, invocava quer o decreto, com força de lei, de 14 de Março de 1911, quer artigos do Código Civil:


“Ex.mo  Sr. Juiz: - D. Carolina Beatriz Ângelo, abaixo assinada, viúva, médica, residente na rua António Pedro, S. D. 1º andar, desta cidade de Lisboa, freguesia de S. Jorge de Arroios (2º bairro), pelo presente, nos termos e para os efeitos do art. 28º do decreto com força de lei de 14 de março de 1911, para v. exª  reclama contra a sua exclusão do recenseamento eleitoral, - manifestamente ofensivo dos seus direitos políticos como cidadão português (Código Civil art. 18º e 20º) compreendida em ambas as categorias do art. 5º do referido decreto, e não incluída em qualquer dos impedimentos taxativamente enumerados no seu art. 6º ou no decreto posterior de 6 de abril do ano corrente. // A reclamante requereu a sua inserção no recenseamento eleitoral , cumprindo o disposto no art. 18 do decreto de 14 de março, pela forma prescrita neste art. // A reclamante requereu a sua inserção no recenseamento em 4 de abril, fundando o seu pedido na lei que evidentemente não exclui as mulheres do direito de eleitoridade. Nem outra foi até hoje a interpretação dada pelos legisladores à sua obra, não obstante haver sido publicado posteriormente um decreto que regulou de modo diverso as condições de impedimento do direito de votar, qual o de 6 de abril deste mesmo ano. // A reclamante tem capacidade eleitoral ; sabe ler e escrever, é chefe de família, é cidadão português, Código Civil arts. 18º e 20º. - Pelo exposto mais pelo douto suprimento, deve a reclamante ser inscrita no recenseamento eleitoral pela freguesia do seu domicílio - em homenagem à Lei, à Democracia, à Equidade e à Justiça. // Nestes termos: requer a v. exª e espera deferimento, seguidas as demais prescrições dos decretos citados”. Cf. “Em volta da urna - as sufragistas recorrem para os tribunais” [30].


Em 28 de Abril, numa decisão histórica, João Baptista de Castro, Juiz da 1.ª Vara Cível de Lisboa e, por sinal, pai de Ana de Castro Osório, proferiu sentença favorável à médica, mandando incluí-la nos cadernos eleitorais. Eis o considerando final da sentença, citado por Magalhães Lima
 numa entrevista ao jornal A Vanguarda , poucos dias após o acto eleitoral:

“Considerando que excluindo a mulher, apesar de ser uma ilustração, como a reclamante, de ser eleitora e ter intervenção nos assuntos políticos - só por ser mulher, como se diz a folhas n.º 6, verso - é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano, porquanto desde que a reclamante tem todos os predicados para ser eleitora não pode arbitrariamente ser excluída do recenseamento eleitoral, porque onde a lei não distingue não pode o julgador distinguir; por isso, em obediência aos verdadeiros princípios da moderna justiça social: Julgo procedente e provada a presente reclamação e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral em preparação no lugar e com os requisitos precisos. Intime-se”[31].


3.1 Eleitora


 
Recenseada com o n.º 2513, Beatriz Ângelo votou nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, ocorridas a 28 de Maio, tornando-se na primeira mulher a exercer o direito de voto em Portugal, ou em qualquer outro país da Europa do Sul. O acontecimento teve lugar na Assembleia Eleitoral de Arroios, instalada no Clube Estefânia, e ele recaiu em Afonso Costa, Bernardino Machado e Magalhães Lima, candidatos do Partido Republicano Português pelo Círculo Oriental[32]. No entanto, no momento do acto, a médica ainda deparou com alguma renitência por parte do presidente da assembleia, que consultou a mesa sobre a legalidade daquele acto, por lhe ter constado que “o governo provisório tinha consultado o procurador geral da República acerca da sentença do juiz que mandou incluir o nome daquela senhora no recenseamento eleitoral e ainda por que a aceitação da lista representava o reconhecimento do direito de voto às mulheres”[33]. O momento histórico ficou registado num retrato de Ana de Castro Osório e Carolina Beatriz Ângelo, da autoria de Joshua Benoliel, publicado na Ilustração Portuguesa[34].

O processo mereceu prolongada cobertura da imprensa e a sua fotografia surgiu nas primeiras páginas. Nunca uma dirigente feminista tinha sido objecto de tantas entrevistas, crónicas, debates e polémicas[35], sendo os títulos elucidativos da importância do que estava em causa: “No limiar da urna - As mulheres querem entrar! - ‘Se a lei não nos abre a porta, também não nos põe na rua’ - Assim o entende uma denodada sufragista portuguesa” (A Capital, 25/3/1911); “Ecos & Notícias - As mulheres votam?” (O Mundo, 4/4/1911, 5/4/1911); “Uma eleitora? - A sr.ª D. Beatriz Ângelo quer votar - A ‘República’ entrevista-a” (República, 5/4/1911); “Reivindicações feministas - Uma palestra - Juridicamente, as mulheres têm direito a ir à urna, diz a sr.ª D. Carolina Ângelo” (O Século, 5/4/1911); “Em volta da urna - As sufragistas recorrem para os tribunais” (A Capital, 24/4/1911); “Ecos & Notícias - As mulheres e o voto” (O Mundo, 25/4/1911); “Sufragistas” (O Radical, 27/4/1911); “O Feminismo Triunfante! - A mulher portuguesa tem direito ao voto - Assim o decidiu o juiz da 1.ª Vara Cível, mandando incluir no recenseamento eleitoral a sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo” (A Capital, 29/4/1911); “Ecos & Notícias - As mulheres votam” (O Mundo, 30/4/1911); “Questões feministas - A mulher deve votar?” (A Vanguarda, 3/5/1911); “S. Jorge de Arroios - Vota, entre aplausos, a sr.ª D. Beatriz Ângelo” (O Tempo, 29/5/1911); “28 de Maio de 1911 - Uma data histórica - D. Carolina Beatriz Ângelo” (A Vanguarda, 29/5/1911); “O triunfo do feminismo - O voto da mulher em Portugal - Um jornal holandês publica uma interessante entrevista com a sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher que votou em Portugal” (A Vanguarda, 18/7/1911).

Claro que nem todos os jornais, incluindo os republicanos, partilhavam uma visão favorável, havendo implícita ironia e desprezo nos relatos acerca da atitude assumida pela médica, bem como sobre os êxitos no campo da justiça. Como refere Fernando Catroga, “tem de se reconhecer (...) que a deliberação judicial forçou o espírito da lei, já que a sentença não relevava o peso da nossa tradição constitucional nesta matéria e não se ajustava às intenções dominantes no republicanismo português, como se prova com o facto da Assembleia Constituinte, que funcionou após a ocorrência do caso, não ter dado guarida àquela interpretação. Isolou as vozes que explicitamente apoiavam o eleitorado feminino e aprovou um articulado que, em última análise, confirmava a lei eleitoral anterior”[36].

Tal evento teve repercussões internacionais e, segundo Luís de Almeida Nogueira, “não passou despercebido nos meios sufragistas do estrangeiro, que dele tomaram conhecimento com o maior e mais natural entusiasmo”[37]: receberam-se de imediato na sede da Associação de Propaganda Feminista “mui numerosos telegramas, bilhetes e cartas de felicitações por esse primeiro passo dado em prol da causa feminina na República Portuguesa”[38]. Magalhães Lima
, em entrevista ao jornal A Vanguarda , considerou que o voto “marcará a primeira etapa no movimento feminista português”[39], enquanto Carolina Beatriz Ângelo era apresentada como  “uma percursora que deve merecer os aplausos de todos que se dizem democratas”[40].

4. Líder


Entretanto, insatisfeita com as orientações da Liga Republicana quanto ao voto – um sector importante, liderado por Maria Veleda, não o considerava como reivindicação prioritária e discordava que ele só fosse atribuído a uma minoria feminina – e às intransigências face à liberdade religiosa no seu seio, Beatriz Ângelo demitiu-se de Vice-Presidente (Abril) e esteve na origem, com Ana de Castro Osório, da fundação, em Maio de 1911, da Associação de Propaganda Feminista, considerada a primeira organização sufragista portuguesa.

Eleita Presidente, foi no seu consultório que se realizaram parte das reuniões, nomeadamente aquela que marcou a fundação oficial, no dia 12 daquele mês[41]. Por vezes incompreendida, assumiu-se como pioneira ao defender, numa atitude ousada para a época, o alargamento do serviço militar obrigatório às mulheres em condições de o satisfazer, de forma a transportar a experiência que possuíam na governação da casa, propondo que se lhes atribuíssem a administração militar e os serviços de ambulância, de enfermagem e de cozinha[42]. Note-se, no entanto, que o que estava em causa eram funções meramente administrativas e ‘domésticas’ e não militares.

As preocupações quanto à emancipação feminina estenderam-se à tentativa de instituir, na APF, uma escola de enfermeiras, “que infelizmente teve vida efémera, por morte prematura da sua chorada fundadora”; alertou para a insuficiência das leis da família e do divórcio, “principalmente no que respeita à administração dos bens ser confiada ao homem, o que coloca a mulher numa situação dependente”[43]; e, à pergunta sobre o que faria caso fosse eleita alguma vez deputada, respondeu que “reclamaria todas as medidas que considero necessárias para modificar a situação deprimente em que se encontra a mulher”[44], com enfoque na necessidade de “conseguir a igualdade de salários quando a mulher produza tanto como o homem”[45].

Caso tivesse dinheiro, o seu sonho, manifestado a Ana de Castro Osório, era “a construção e manutenção dum sanatório para raparigas”[46]: “Não imagina como me tenho sentido infeliz por não poder fazer nada em favor de duas pobres raparigas tuberculosas que tiveram a triste ideia de me consultar. Creio que isso contribui muito para a minha doença. Uma delas é tão inteligente, tão feminista, tem umas ideias tão parecidas com as minhas que me deixa sempre com vontade de morrer, de deixar esta vida de amarguras e desenganos em que só os bons sofrem porque os maus não têm alma para sentir os infortúnios alheios”[47].

 A partida de Ana de Castro Osório para o Brasil, imediatamente a seguir ao acto eleitoral, fá-la liderar a Associação no período em que esta teve maior projecção, nacional e internacional: chefiou, em Junho, a delegação que visitou Afonso Costa, com o estadista a denominá-la “uma sufragista prática”[48]; e, no mês seguinte, subscreveu, com Ana de Castro Osório, Joana de Almeida Nogueira, Maria Irene Zuzarte, Maria Laura Monteiro Torres e Rita Dantas Machado, a representação endossada à Assembleia Nacional Constituinte, onde se reivindicava o voto restrito para as mulheres. Aprovada em assembleia geral de 10 de Julho, mereceu destaque nos textos de Luís de Almeida Nogueira acerca do movimento feminista e publicados em A Vanguarda[49].

5. Três epístolas


Através da correspondência mantida com a amiga, procurava informá-la das iniciativas, do ambiente político, das novidades e de algumas pequenas histórias envolvendo sócias e outras organizações. As três missivas conhecidas, datadas de 2 de Julho, de 13 de Agosto e, provavelmente, de Setembro de 1911 - a última chegou à destinatária no dia 11 de Outubro, quando já tinha falecido[50] -, ajudam mesmo a enquadrar os primeiros meses de funcionamento da APF, elucidando-nos quanto ao emblema, formado por três cravos brancos; número de filiadas; planos acerca da inauguração pública, prevista para os primeiros dias de Outubro; e a estratégia seguida para pressionar os deputados a consagrar na Constituição o sufrágio feminino restrito.

De entre os episódios descritos, salienta-se a emoção sentida na abertura da Assembleia Constituinte, para cuja eleição tinha contribuído: “Fui assistir à abertura das Constituintes e digo-lhe que nunca em minha vida senti tamanha comoção. Sim, o que eu senti, o que todos sentimos só se experimenta uma vez na vida. Chorei, chorei e q.do, envergonhada, limpava furtiva.te as lágrimas reparei que a toda a gente, homens e mulheres, sucedia o mesmo. Todos choravam e se abraçavam enternecidamente. Por bastante tempo parecia que todos estavam delirantes, braços que se agitavam, vivas, palmas, lenços a acenarem, punhados de flores lançadas sobre os deputados, enfim, uma loucura. E o nosso Afonso Costa lá foi também, m.to fraco e ainda doente mas não faltou!”[51]. Mas as epístolas também revelam o desagrado da médica perante a forma passiva com que o governo tratava os conspiradores, “com abraços e beijos”[52]; a maneira como os representantes da nação se estavam a comportar na eleição do Presidente da República, andando “todos à bulha”, fazendo lembrar os “monárquicos! A não ser o nosso Afonso Costa o resto não vale dois caracóis”[53]; e espanto com a forma como decorreu uma visita de cumprimentos a Manuel de Arriaga, eleito primeiro Presidente da República. Refere então que “saímos de lá furiosas e com imensa tristeza”[54] pelos comentários proferidos acerca das mulheres, concluindo que “quando numa visita tão banal o homem fez assim uma péssima figura calcule-se o que será em coisas que requerem raciocínio e bom senso!”[55].

O valor destes escassos testemunhos é tanto mais precioso quanto Beatriz Ângelo, ao contrário das feministas suas contemporâneas, não enveredou pela escrita, fazendo adensar sobre si o manto de silêncio. Este só em parte se quebrou com as entrevistas que concedeu nos meses de Abril e Maio, em resultado da excessiva exposição pública enquanto sufragista.


                                                    ***


Carolina Beatriz Ângelo nunca teve intenção de teorizar sobre o feminismo, nem acerca das lutas das mulheres, e somente escassos meses antes de morrer manifestou vontade de escrever artigos de propaganda, o que não concretizou. Pressentiu o fim, com “o frio e os dias a diminuir”[56], esclarecendo que “o Inverno, o meu terror, aproxima-se”[57].

Faleceu a 3 de Outubro de 1911, na capital, com “a convicção de ter vivido muito em pouco tempo”[58], como escreveu a Ana de Castro Osório em Julho de 1911, num período de intenso trabalho e grande cansaço. Residia então na Rua António Pedro, n.º 5, 1.º, na Freguesia de S. Jorge de Arroios, e tal como o desejo expresso em declaração escrita, datada de 16 de Julho de 1910, teve “enterro civil e em tudo democrata”[59] e foi sepultada no Cemitério dos Prazeres, num jazigo sediado na Rua 5 A. Deixou órfã Maria Emília Ângelo Barreto, de 8 anos de idade, e talvez por isso pediu “aos membros da minha família que me sobrevivam, que se dispensem do convencional luto por mim, e expressamente lhes exijo que se abstenham de o fazer usar a minha filha”[60].

O desaparecimento da primeira eleitora nacional foi noticiado pelo semanário Votes for Women, órgão das sufragistas inglesas, acompanhado de dados biográficos[61], e discursaram no funeral personalidades que atestam o apreço e reconhecimento invulgar da falecida: José de Castro, Grande-Mestre adjunto da Maçonaria Portuguesa; Afonso Costa, em nome do Grupo Parlamentar Democrático; Maurício Costa, advogado da APF; Maria Veleda, pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas; Maria Clara Correia Alves, pela Loja Humanidade; Simões Raposo em nome da Liga Solidariedade; e Teles Ramos, pela Loja Montanha[62].

A carreira médica, as qualidades humanas, o ser considerada um modelo de civismo e coerência e a morte prematura aos 33 anos, de uma síncope cardíaca, no regresso de uma reunião nocturna da Associação de Propaganda Feminista, contribuíram para o culto criado durante algum tempo em torno de Beatriz Ângelo, evocando-se, anualmente, a sua memória na imprensa e mediante romagens à campa. A essas comemorações associavam-se feministas, republicanos, agremiações cívicas e maçónicas. A irmã, Corina Ângelo do Couto, que também pertenceu à associação pacifista francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes[63], terá presenciado algumas delas[64]. Quanto à filha, era, em Julho de 1942, a Secretária do Liceu Nacional da Infanta D. Maria, de Coimbra.


                                                    ***


Apesar da intensidade do percurso feminista em apenas meia dúzia de anos, intervindo com destaque em quatro organizações de mulheres, e do acto histórico que protagonizou – só possível numa sociedade em profunda convulsão -, Carolina Beatriz Ângelo continua asfixiada no passado (não tão) longínquo, insuficientemente conhecido e divulgado. Maltratada pela historiografia, ignoram-na, concedem-lhe meia dúzia de linhas nas obras de referência, alteram-lhe o nome, trocam o ano em que votou ou omitem a importância do voto que, mesmo isolado, simboliza a luta de várias gerações de mulheres. Como tal, nunca é demais evocá-la, até porque ficará na História como pioneira do voto feminino em Portugal.

De entre a escassíssima bibliografia, ressalvem-se os estudos biográficos de Helena Neves, publicados ciclicamente na imprensa[65]; de Maria Regina Tavares da Silva[66]; de Ana Barradas, no seu Dicionário Incompleto de Mulheres Célebres, e de João Esteves, em As Origens do Sufragismo Português.


[1] Professor do QND da Escola Básica 2,3 de São Bruno - Caxias.
[2]
A Redacção, “Dr.ª Carolina Beatriz Ângelo”, Alma Feminina, n.º 1 e 2, Janeiro e Fevereiro de 1922, p. 2.
[3]
Sobre o percurso, enquanto educadoras e feministas, de Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório e Maria Veleda, v. as biografias feitas por João Esteves para o Dicionário de Educadores Portugueses, Direcção de António Nóvoa, Porto, Edições ASA, 2003, pp. 203-206, 1019-1026 e 1421-1424.
[4]
“D. Carolina Beatriz Ângelo”, A Vanguarda, 4/10/1911, p. 2, col. 7.
[5]
“D. Carolina Beatriz Ângelo”, O Mundo, 4/10/1911, p. 3, col. 5.
[6]
Ana Barradas, Dicionário Incompleto de Mulheres Rebeldes, Lisboa, Edições Antígona, 1998, p. 43.
[7]
“Em quem vota a primeira eleitora? [...]”, O Tempo, 3/5/1911, p. 1, cols. 4-6.
[8]
Criada em 1899, em França, por Sylvie Flammarion, a associação La Paix et le Désarmement par les Femmes (A Paz e o Desarmamento pelas Mulheres) visava resolver os conflitos internacionais mediante o recurso à arbitragem, implantando comités nos diversos países, constituídos somente por mulheres e tendo, cada um, a sua responsável nacional, subordinada à dirigente francesa.
[9]
“A propaganda do pacifismo em Portugal”, Vanguarda, 9/12/1906, p. 5, cols. 3-4; “Jornal da Mulher - Grupo auxiliar em Portugal da Associação a Paz e o Desarmamento pelas Mulheres”, O Mundo, 10/12/1906, p. 4.
[10]
A. H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, Lisboa, Editorial Delta, 1986, vol. I, col. 75.
[11]
“Grupo auxiliar da associação ‘La Paix et le désarmement par les femmes’”, Vanguarda, 4/7/1909, p. 2, col. 1. Elisa Miranda Pereira de Meneses substituiu Beatriz Ângelo no cargo.
[12]
“Últimos convites - [...] - Resp\ Loj\ Humanidade”, O Mundo, 16/10/1910, p. 4, col. 2.
[13]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, Carta de C. B. Ângelo a Ana de Castro Osório, de 2/7/1911.
[14] Sobre o papel desempenhado por Beatriz Ângelo na Liga, v. João Esteves, A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas - uma organização política e feminista (1909-1919), Lisboa, ONG da CIDM, 1992.
[15]
“Vida Republicana - Liga Republicana das Mulheres Portuguesas”, O Mundo, 28/2/1909, p. 3, col. 5.
[16] “Expediente da Liga”, A Mulher e a Criança, n.º 17, Outubro de 1910, p. 10.
[17]
A mensagem, datada de 23/4/1909, inclui ainda as assinaturas de Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Filomena Costa e Rita Dantas Machado. Cf. “O Congresso Republicano - A liga das mulheres portuguesas”, O Mundo, 24/4/1909, p. 2, col. 4; “Congresso Republicano - A mensagem da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas”, O Mundo, 27/4/1909, p. 3, cols. 4-5.
[18]
Para além dos nomes anteriormente citados, acrescentem-se os de Adelaide Cunha, Ana Maria Gonçalves Dias, Camila de Sousa Lopes, Fausta Pinto da Gama e Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinho. Cf. “Saudações ao novo Directório”, O Mundo, 4/6/1909, p. 1, col. 3.
[19]
“Jornal da Mulher - Em favor do divórcio”, O Mundo, 14/7/1909, p. 5, col. 5.
[20]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, Carta a Ana de C. Osório, de 2/7/1911.
[21] BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, Carta a Ana de C. Osório, de 13/8/1911.
[22]
“Expediente da Liga”, A Mulher e a Criança, n.º 17, Outubro de 1910, p. 12, col. 1.
[23]
  “Feminismo - Reclamações”, O Radical, 12/2/1911, p. 2, cols. 1-2.
[24]
“Em quem vota a primeira eleitora? [...]”, O Tempo, 3/5/1911, p. 1, col. 5.
[25] “Propaganda feminista e sufragista”, O Mundo, 4/2/1911, p. 2, col. 4.
[26]
“Feminismo - Reclamações”, O Radical, 12/2/1911, p. 2, cols. 1-2.
[27]
Transcrição do documento entregue pela médica, segundo o jornal O Século, de 5/4/1911, p. 2, col.1.
[28]
Em sessão ordinária do conselho de ministros realizada ontem, participou o Ministro do Interior que recebera os requerimentos de duas senhoras para lhes ser concedido o voto; não estando ainda definida essa garantia na Constituição, dependente da Assembleia Constituinte, entendeu indeferir esses requerimentos”. Esta resposta de António José de Almeida aparece transcrita no artigo “Eduquemos!”, de Maria Veleda, publicado em A Mulher e a Criança, n.º 23, Abril de 1911, p. 5, col. 1. O Radical, de 27/4/1911, noticia que “foram indeferidos os requerimentos das sr.as D. Beatriz Ângelo e D. Ana de Castro Osório, apresentados no ministério do Interior em que pediam o direito ao voto” - ”Sufragistas”, p. 5, cols. 2-3.
[29]
“Carolina Beatriz Ângelo”, A Semeadora, n.º 16, 15/10/1916, p. 1, col. 2.
[30]
A Capital, 24/4/1911, p. 2, col. 1.
[31]
“Questões feministas - A mulher deve votar?”, A Vanguarda, 3/5/1911, p. 1, col. 5. Maria Veleda, no artigo “Eduquemos!”, insere toda a sentença, “para se um dia se quiser reconstituir a história do feminismo, em Portugal” (A Mulher e a Criança, n.º 23, Abril de 1911, p. 5, col. 1). O jornal A Capital, de 29 de Abril,  transcreveu igualmente aquela decisão, o que mostra até que ponto o assuntou mobilizou a opinião pública.
[32]
“Em quem vota a primeira eleitora? Nos drs. Afonso Costa, Teófilo Braga, Bernardino Machado e Magalhães Lima - Outras declarações curiosas nos faz a sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo”, O Tempo, 3/5/1911, p. 1, cols. 4-6.
[33]
“D. Beatriz Ângelo - A primeira senhora portuguesa que usa do direito do sufrágio”, A Vanguarda, 31/5/1911, p. 1, cols. 4-5. Sobre o sucedido durante o acto de votar v. também “Eleições Em Lisboa - O incidente da assembleia de Arroios”, A Capital, de 29/5/1911, p. 2, col. 4, onde se insere uma carta da médica alusiva a ele.
[34]
Ilustração Portuguesa, 5/6/1911, p. 714. António Barreto e Maria Filomena Mónica reproduzem a mesma fotografia, ampliada, no seu Retrato da Lisboa Popular - 1900, Lisboa, Editorial Presença, 1983, p. 168.
[35]
O Século promoveu inclusive um inquérito aos leitores sobre se se devia conceder o direito de voto à mulher portuguesa. Cf. os números de 5/4/1911, p. 2, cols. 4-5, e de 19/4/1916, p. 6, cols. 1-3. Entre as muitas respostas, conta-se a de Ana de Castro Osório.
[36]
Fernando Catroga, O Republicanismo em Portugal - Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, Coimbra, Fac. de Letras, 1991, vol. II., p. 293.
[37]
Luís de Almeida Nogueira, “O movimento internacional do sufrágio das mulheres - VI”, A Vanguarda, 20/8/1911, p. 1, col. 6.
[38]
Idem, ibidem.
[39]
“Questões feministas - A mulher deve votar?”, A Vanguarda , 3/5/1911, p. 1, col. 5.
[40]
Ibidem.
[41]
“Sufragistas Portuguesas - Resolvem fundar uma Associação de propaganda”, O Tempo, 13/5/1911, p. 3, col. 2.
[42]
“Feminismo reclamante - As mulheres e o serviço militar obrigatório - Vai tratar o assunto em uma conferência a sr.ª D. Carolina Ângelo”, A Capital, 25/5/1911, p. 1, cols. 5-6. A transcrição desta entrevista à médica pode ser consultada no livro As Origens do Sufragismo Português, Lisboa, Editorial Bizâncio, 1998, p. 207.
[43]
“Em quem vota a primeira eleitora? [...]”, O Tempo, 3/5/1911, p. 1, col. 5.
[44]
Ibidem.
[45]
Ibidem.
[46]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, Carta a Ana de C. Osório de 2/7/1911.
[47]
Ibidem.
[48]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, Carta a Ana de C. Osório de 13/8/1911.
[49]
“O movimento internacional do sufrágio das mulheres - VII”, A Vanguarda, 3/9/1911, p. 1, cols. 6-7 e p. 2, col. 1.
[50]
As cartas manuscritas foram encontradas na Colecção de Castro Osório, identificadas apenas com o nome de Carolina, e encontram-se integralmente transcritas por João Esteves no livro As Origens do Sufragismo Português (1998).
[51]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, carta a Ana de C. Osório, de 2/7/1911.
[52]
Ibidem.
[53]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, carta a Ana de C. Osório, de 13/8/1911.
[54]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, carta a Ana de C. Osório, s/d.
[55]
Ibidem.
[56]
Ibidem.
[57]
Ibidem.
[58]
BN, ACPC, Colecção de Castro Osório, Esp. N12/419, carta a Ana de C. Osório, de 2/7/1911.
[59]
“Falecimentos - D. Carolina Beatriz Ângelo”, Diário de Notícias, 4/10/1911, p. 2, col. 7.
[60]
Ibidem.
[61]
“Ecos do Estrangeiro”, A Madrugada, n.º 3, 31/10/1911, p. 3, col. 2.
[62]
“Funerais - D. Carolina Beatriz Ângelo”, Diário de Notícias, 5/10/1911, p. 5, cols. 4-5.
[63]
“La Paix et le Désarmement par les Femmes”, Vanguarda, 22/6/1907, p. 2, col. 4 .
[64]
“Os mortos - Homenagem à memória de D. Carolina Beatriz Ângelo - No cemitério dos Prazeres espargem-se flores sobre o seu ataúde. Na Liga Republicana das Mulheres proferem-se palavras de saudade”, O Mundo, 4/11/1911, p. 3, cols. 3-5.
[65]
Helena Neves, “Para a História dos Movimentos de Mulheres em Portugal (VII), Mulheres, n.º 26, Junho de 1980, pp. 22-23; “Carolina Beatriz Ângelo”, Mulheres, n.º 27, Julho de 1980, p. 3; “Carolina Beatriz Ângelo a primeira portuguesa a votar ‘fora da lei’”, Público, 26/5/2002, pp. 14-15.
[66]
Maria Regina Tavares da Silva, “Carolina Beatriz Ângelo”, Mulheres Portuguesas: Vidas e obras celebradas – Vidas e obras ignoradas, Lisboa, CIDM, pp. 95-100.

 
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