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Teses 1985-2007

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O conceito de natureza no pensamento médico-filosófico
na transição do século XVII ao XVIII

Sumário

Este projecto vem na continuidade do projecto “Filosofia, Medicina e Sociedade”, incidindo sobre um âmbito restrito. A base da equipa de investigação vem desse projecto, nomeadamente Adelino Cardoso, Guido Giglioni e Manuel Marques,aos quais se acrescentou Anne-Lise Rey, com quem já foi iniciada a colaboração no âmbito de uma das tarefas incluídas no presente projecto. Vêm igualmente do projecto anterior Palmira Costa, Maria Ferreira, Paulo Jesus e Bruno Barreiros. A equipa é reforçada nomeadamente por investigadores com bolsas de doutoramento e pós-doutoramento (Hervé Baudry, Francisco Silva, Alessandra Costa Pinto) e por investigadores exercitados no trato com a matéria em causa (Marta Mendonça, Luís Bernardo e Nunzio Alloca).
Visa-se aprofundar a articulação entre filosofia e medicina a propósito de um conceito nuclear, que está no cerne da racionalidade moderna e cujo âmbito abarca por igual a ordem geral do cosmos e os diferentes planos fenoménicos. De facto, natureza significa ordem, regularidade, inteligibilidade.
O período escolhido é aquele que decorre entre a publicação do Tractatus de homine, de Descartes, em 1664 pelo médico e filósofo La Forge e a morte do mais influente professor de medicina da primeira metade do século XVIII, Hermann Boerhaave, em 1738. Trata-se de dois marcos, porquanto o Tratado cartesiano é emblemático do intento de aplicar o mecanicismo à abordagem anátomo-fisiológica do corpo humano e a morte de Boerhaave significa a passagem a um novo ciclo que, simplificando muito, podemos designar como medicina do iluminismo em que a representação mecanicista é integrada numa visão da natureza como sensibilidade e perfectividade.
A hipótese orientadora do trabalho é a de que, no decurso do período escolhido, há um contributo específico do pensamento médico-filosófico para a focagem da noção de natureza, da sua eficácia e da explicação dos seus fenómenos. Tal contributo decorre da especificidade do corpo humano vivo, que revela a insuficiência do modelo mecanicista. De facto, a medicina é um campo privilegiado em que se desenvolve o programa mecanicista, mas também onde este programa revela maiores dificuldades e suscita um debate mais intenso.
A literatura médico-filosófica subsequente à publicação do Tratado cartesiano defronta-se com a temática da causalidade, uma vez que o mecanicismo tende a eliminar a espontaneidade e dinamismo da natureza. O confronto dá-se especialmente entre ocasionalistas como Cordemoy e Malebranche, por um lado, e naturalistas como F. Glisson e R. Cudworth, por outro. Os primeiros destituem a natureza de toda a potência e causalidade, ao passo que os segundos concebem a natureza como princípio imanente de acção.
A visão mecânica da natureza requer um novo olhar, que reconheça o lado activo e a dimensão estético-moral da natureza e do corpo humano. A obra de R. Boyle, nomeadamente De ipsa natura (1688), elaborada na perspectiva do “fisiólogo”, opera uma síntese coerente entre mecanismo e vitalidade da natureza.
A obra médica de Boerhaave é representativa da orientação predominante nas primeiras décadas do século XVIII no sentido de articular a explicação mecanicista com o legado vesaliano, que releva a dimensão estética da natureza, e mesmo com a tradição hipocrática, que confere à natureza o estatuto de princípio fundador da medicina. O assumir da história como parte integrante do saber médico é uma das inovações de Boerhaave e da medicina do seu tempo.
Ao nível da representação do corpo, a corrente fibrilista fornece uma imagem do corpo que abre uma brecha profunda no sistema humoralista e vai inspirar a fisiologia das Luzes, nomeadamente a de A. von Haller. A obra de Baglivi merece uma atenção especial por uma nova compreensão da vida enquanto equilíbrio de motus e sensus, reconhecendo o primado da função e introduzindo a irritabilidade (irritatio) como propriedade intrínseca do corpo vivo.
No plano conceptual, a inovação mais relevante foi a introdução do neologismo “organismo” por Leibniz e Stahl na primeira década do século XVIII. A controvérsia entre ambos decorre em larga medida de uma diferente articulação entre organismo e mecanismo e a uma concepção diferente sobre a potência e causalidade da natureza.
No que respeita à medicina portuguesa deste período, em larga medida por estudar, colocam-se duas questões solidárias: qual a sua especificidade e em que medida acompanhou o movimento intelectual da medicina europeia ( nomeadamente em autores como Isaac Cardoso, Curvo Semedo, Brás Luis de Abreu, Jacob de Castro Sarmento, Bernardo Pereira) sobre a natureza e suas propriedades.
No plano metodológico, procurar-se-á inscrever a literatura médica na dinâmica da ciência moderna, indagando a especificidade do pensamento médico, evidenciar-se-á a tensão/articulação entre o mecânico e o vital; prestar-se-á atenção às afinidades conceptuais (natureza, ordem, organização) e às polaridades que alimentam o discurso sobre a natureza.

 

 

Projecto PTDC/FIL-FCI/116843/2010

filosofiamedicinaesociedade.blogspot.com

 

Programa de seminários

Curso sobre a História do Pensamento Médico Português
Fevereiro a Dezembro 2014

14 de Fevereiro: “A continuidade
entre o físico e o psíquico na Polyantheia de Curvo Semedo”

28 de Março: Algumas Notas sobre a Produção Teórica de Francisco da Fonseca Henriques (1665-1731): os Textos e Contextos (Bruno Barreiros)

2 de Maio: Feitiços, Monstros e Prodígios: O Insólito e o Maravilhoso nos Livros Médicos de Bernardo Pereira (1681-c.1759) (Bruno Barreiros e Palmira Fontes da Costa)

23 de Maio: O fibrilismo de Jacob de Castro Sarmento

4 de Julho: Afectos e Saúde Mental em Filipe Montalto e Ribeiro Sanches (Adelino
Cardoso, Ângela Nobre Lacerda e Bruno Barreiros)

19 de Setembro: José Pinto de Azeredo: estado da arte (Manuel Silvério Marques e
equipa de investigação sobre a obra de Pinto de Azeredo)

17 de Outubro: José Pinto de Azeredo (Manuel Silvério Marques)

2 de Dezembro: Conceito de Degenerescência

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27 de Fevereiro 2014, 10h,
Adelino Cardoso (FCSH/UNL)
"A filosofia natural de Pierre Bayle:
O dualismo levado ao limite"
ID, sala 0. 07

18 de Dezembro 2013, 15h,
Workshop
Tratado do Homem, de Descartes,
com Adelino Cardoso, Hervé Baudry
e Luís Manuel Bernardo.
ID, sala 0. 07 

23 Outubro 2013 17h30
Pedro Silva
"Da máquina ao organismo"

12 a 17 de Novembro 2012
François Duchesneau
- curso e conferência,

Tema do curso
- Machines of nature and vital mechanism,
(três sessões):

IMalpighi on Mechanism and the small organic machines,
dia 13 de Novembro, 10h.

IILeibnizian Physiology and organic bodies, dia 14 de Novembro, 10h.

IIIOrganism in the Leibniz-Stahl controversy,
dia 15 de Novembro,10h
.

A entrada é livre,
sugere-se inscriçãopara efeitos de distribuição de materiais de trabalho

Conferência - dia 15 de Novembro, 17h, Analysing the living automaton 1660-1720

François Duchesneau, Professor Emérito da Universidade de Montréal. Da sua vasta bibliografia, destacamos:

La physiologie des lumières. Empirisme, modèles et théories. La Haye: Martinus Nijhoff (Kluwer), 1982.
Genèse de la théorie cellulaire. Montréal: Belharmin; Paris: Vrin, 1987.
Leibniz et la méthode de la science. Paris: PUF, 1993. 
La dynamique de Leibniz. Paris: Vrin, 1994.
Philosophie de la biologie. Paris: PUF, 1997.
Les modèles du vivant de Descartes à Leibniz. Paris: Vrin, 1998.
Leibniz. Le vivant et l’organisme. Paris: Vrin, 2010.

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21 de Junho 17h,
sala Multiusos 2, FCSH Ed. ID, 4º piso).

"Médecine, philosophie et pensée de l'homme dans l'oeuvre de Thomas Willis",

Claire Crignon:
Docteur en Philosophie
Univ. Paris-Sorbonne (Paris IV)

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15 de Maio de 2012, 15h,
Anfiteatro Manuel Valadares,
Museu de História Natural
organização da exposição
"Unidade e diversidade do mundo da vida"

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26 Abril, 16h, sala 1.06, Edif. ID

- Luís Bernardo (CHC FCSH UNL)

Uma epístola de Martinho de Mendonça
sobre o conceito de natureza:
a Carta-Prefácio ao 1º vol.
da Historiologia Médica
de José Rodrigues de Abreu (1734)

Sugestões bibliográficas:

 ANDRADE, A., Contributos para a História da Mentalidade Pedagógica Portuguesa, Lisboa, INCM, 1982, pp. 241-260.

 BERNARDO, L., O Essencial sobre Martinho de Mendonça, Lisboa, INCM, 2002.

CUNHA, N., Elites e Académicos na Cultura Portuguesa Setecentista, Lisboa, INCM, 2001, pp. 119-150.

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7 Março, 17h30 FCSH, ID

- Manuel Silvério Marques

O atomismo, a alucinação
e a construção científica da realidade

(ver resumo)

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